domingo, 8 de abril de 2012

A nossa pequena escala


Segundo a tradição cristã, hoje é dia de Páscoa, dia da ressurreição de Jesus Cristo.
O escritor Julian Barnes, no livro "Nada a Temer" (Quetzal, 2011), uma esplêndida obra literária (ainda por cima com ironia fina), disserta sobre temas sérios como a inevitabilidade da morte, a fé, a existência de Deus, a memória e identidade humanas.
A páginas tantas, Julian Barnes cita o famoso romancista Somerset Maugham acerca da possibilidade da imortalidade (ou da vida eterna pós-morte). Eis que Maugham diz:
"Os homens, banais e medíocres, não me parecem talhados para enfrentar o feito descomunal da vida eterna. Com as suas pequenas paixões, pequenas virtudes e pequenos vícios, estão bastante bem adaptados ao mundo de todos os dias; mas o conceito de imortalidade é demasiado vasto para seres moldados em escala tão pequena. Antes de ter sido escritor, fui estudante de medicina e vi morrer doentes pacífica ou tragicamente. E nunca vi, no último momento, nada que sugerisse que o seu espírito era eterno. Os homens morrem como morrem os cães."
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É isto que eu penso também.
PS - Na imagem, a pintura "A Morte de Casagemas" (1901) de Pablo Picasso.

1 comentário:

Carlos L. Figueiredo disse...

Maugham infelizmente tem razão - os homens morrem como morrem os cães. Contudo conheci um punhado de pessoas que, pela sua personalidade maior que a vida, certamente mereciam, pelo menos, ter cá ficado mais uns anos. A imortalidade é um conceito quimérico, mas os que partiram e nos fazem falta deixam parte do que foram naquilo que, nós os vivos, somos. Talvez seja essa a verdadeira imortalidade que podemos almejar...