terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A cultura pelos cornos


O escritor e jornalista Manuel António Pina dissertou sobre a recente preocupação da Ministra da Cultura em "dignificar" as touradas como "actividade cultural".

Brilhante artigo de opinião, que eu assino por baixo:
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Só nos faltava esta: uma ministra da Cultura para quem divertir-se com o sofrimento e morte de animais é... cultura. Anote-se o seu nome, porque ele ficará nos anais das costas largas que a "cultura" tinha no século XXI em Portugal: Gabriela Canavilhas. É esse o nome que assina o ominoso despacho publicado ontem no DR criando uma "Secção de Tauromaquia" no Conselho Nacional de Cultura. Ninguém se espante se, a seguir, vier uma "Secção de Lutas de Cães" ou mesmo, quem sabe?, uma de "Mutilação Genital Feminina", outras respeitáveis tradições culturais que, como a tauromaquia, há que "dignificar".
O património arquitectónico cai aos bocados? A ministra foi ali ao lado "dignificar" as touradas. O património arqueológico degrada-se? Chove nos museus, não há pessoal, visitantes ainda menos? O teatro, o cinema, a dança, morrem à míngua? Os jovens não lêem? As artes estiolam? A ministra foi aos touros e grita "olés" e pede orelhas e sangue no Campo Pequeno. Diz-se que Canavilhas toca piano. Provavelmente também fala Francês. E houve quem tenha julgado que isso basta para se ser ministro da Cultura...

15 comentários:

jp, le miserable disse...

assino por baixo também

cumps

Raquel Setz disse...

Aqui no Brasil não há touradas, mas há um outro """"esporte"""" do mesmo estilo: o rodeio. Nele, bois e cavalos tem seus testículos espremidos para que pulem e deem coices desgovernadamente. O caubói ""corajoso"" que conseguir passar mais tempo sobre o animal, ganha a disputa.

Para mim, só há um jeito de dignificar tais práticas: banindo-as para sempre.

Ricardo Martins disse...

Já alguém dizia, penso que foi Mahatma Gandhi, que "a grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo como os seus animais são tratados".

Francesa disse...

Em Viana, touradas, só na Cama!

Anónimo disse...

Não me parece sério comparar as touradas à Mutilação Genital Feminina, mas enfim...

Francesa disse...

O que escrevi foi lema adopado por Viana do Castelo, a primeira cidade anti-touradas.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Desconhecia que Viana do Castelo tinha sido a primeira cidade anti-touradas...

paulo gomes . o(«Ä»)z disse...

Se tourada é cultura, canibalismo é gastronomia (esta frase esteve escrita durante muito tempo numa parede junto à estação da CP de Entrecampos, em Lisboa)

Amílcar Granadeiro disse...

Eu não aprecio tourada, ainda assim reconheço que há naquele espectáculo, ache-se bárbaro ou não, algo mais do que o sacrifício de um animal. Não o querer ver é não ser sério.

Comparar a mutilação genital feminina com a tourada é uma posição fundamentalista. E espero que para esse Sr Pina as mulheres valham um bocadinho de nada mais que um touro/toiro.

Diogo disse...

Que texto de merda a desse Pina. Fundamentalista, nojento, fácil, a típica atitude de quem está de fora.

«Lutas de Cães» é uma prática clandestina baseada num sistema de APOSTAS. Dinheiro, jogo. Porque não falar do boxe também?
Quanto à mutilação, ficamos por aqui. E só destaquei estas comparações porque o resto do texto é um lixo que não serve para mais nada do que incentivar ao orgulho nacional, como de resto estão todos muito habituados a fazer...

PortoMaravilha disse...

É de facto absurdo querer elevar a tourada a actividade cultural.

Mas parece-me ainda mais absurdo e perigoso mesmo comparar a tourada com a excisão.

Nuno

F disse...

Evocar a tradição não pode servir de argumento quando se trata de diversão que implica o sofrimento de outros. Sejam eles animais ou seres humanos. A crueldade não pode ser ignorada se, de facto, existe.

O que pensarão os defensores das touradas se, de repente, resolvessem voltar a recuperar a tradição das lutas de gladiadores, sacrificando cristãos... Um espectáculo imensamente popular e com milhares de fãs nos idos tempos dos "bárbaros" romanos? Também se tratava de uma tradição! Homens contra homens e homens contra animais, numa luta de morte.

Luis Baptista disse...

Já frizei, muitas vezes, tradições são sinais de atrazo, se falarmosem costumes o assunto, muda, mas o essencial aqui, é uma mentalidade estupida e mesquinha que o nosso povo gosta de cultivar, ou seja a estupidez, ela toca piano, mas mal certamente e fala francês, certamente pior que eu, mais uma burra a governar, é assim que gostamos...

Rui Herbon disse...

Não tinha dado por ela, mas já aproveitei. Com a devida vénia :)

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Rui: be my guest :)