segunda-feira, 26 de julho de 2010

Inception = Deception


Como começar? Talvez dizendo que, quanto a mim, o único filme verdadeiramente extraordinário de Chris Nolan é "Memento". Não achei deslumbrante "The Dark Knight", apenas um bom filme de entretenimento que contou com a memorável interpretação de Heath Ledger. "Insomnia" e "The Prestige" foram filmes que gostei, mas não foram suficientes para ver em Nolan um novo Hitchcock como alguma imprensa quer fazer querer. Nolan é um realizador talentoso, sem dúvida, sabe mexer-se entre vários géneros cinematográficos, cultiva um gosto pelos tons sombrios da mente humana (tema que me agrada), sabe imprimir ritmo à montagem, mas ainda assim não é Scorsese quem quer (muito menos Hitchcock).
"Inception" desiludiu-me. Ponto.
Tanto alarido à volta dos (alegados) revolucionários efeitos visuais e nada que tivesse espantado por aí além. O filme conta com duas ou três cenas de efeitos especiais mais impactantes - Paris a dobrar-se, as explosões no meio dos protagonistas impávidos, as sequências com gravidade zero... Parece que Nolan iria, à semelhança do primeiro "Matrix", marcar a história do cinema com inovadoras sequências de acção. Nada mais errado. E por falar em acção: a segunda parte do filme, está demasiado recheada de cenas de acção puramente banais e repletas de clichés (excessiva cedência comercial?): tiroteios, perseguição automóvel, explosões, mais tiroteios, luta corpo a corpo... Para alguns estes momentos podem funcionar como catarse, excitação, empolgamento. Para mim foram... aborrecidos e previsíveis. Nolan ainda não atingiu a perfeição de um Michael Mann no que se refere a como filmar insuperáveis cenas de acção.
Quanto ao argumento, tido por muitos como complexo (a exigir um segundo visionamento) é, quanto a mim, um debitar de lugares-comuns sobre o consciente e subconsciente da mente, filosofar sobre o real e o virtual, uma abordagem freudiana-via-Ficção-Científica sobre os enigmas eternos do desejo, da culpa, do medo, do controlo da vontade humana, da manipulação. O filme aborda esse mundo enigmático e fascinante do sonho, mas mesmo sem a sofisticação dos efeitos especiais do filme de Nolan, há mais surrealismo, fantasia, mundos paralelos, exploração do subconsciente razão vs. onírico num qualquer filme de Luis Buñuel do que neste "Inception".
Parece óbvio que o conceito "Matrix" serviu de paradigma a Nolan para o argumento do filme: a "Alegoria da Caverna" de Platão - a dicotomia realidade - mundo das sombras (ou dos sonhos) - é esmiuçada sem grandes surpresas. Veja-se até a similitude entre a forma como, em "Matrix", Morpheus explica a Neo, nas ruas da cidade, a diferença entre a realidade e o mundo alternativo e a forma como DiCaprio explica a Ellen Page quase o mesmo nas ruas de Paris. Os pressupostos são quase idênticos. O argumento tem pontas soltas, elementos sem explicação, mesmo no contexto da fantasia dos sonhos (não quero aprofundar esta matéria para não causa "spoilers"). Leonardo DiCaprio parece repetir, em piloto automático, o papel que tivera, um ano antes, em "Shutter Island" (sem a vertente paranóica do personagem do filme de Scorsese).
Ellen Page não tem maturidade e experiência para um papel tão exigente - nunca convenceu como a grande arquitecta dos sonhos. Até Mariion Cotillard parece subaproveitada num papel previsível que se adivinhava ser o cerne do problema de toda a história (engraçado o facto da música "La Vie en Rose" servir de mote para a acção, quando foi esta actriz francesa que encarnou Edith Piaf há uns anos).
Outro aspecto que me desagrada nos filmes de Cristopher Nolan e que está bem patente em "The Dark Knight" e neste "Inception": o excesso de música. Gosto muito de música para cinema e até considero que a partitura de Hans Zimmer é expressiva e com força dramática. Só que 90% (se não for mesmo 95%) da duração do filme têm música. E o excesso de música num filme como este acaba por ser contraproducente. Sobretudo na última meia hora de película, a música quase que se sobrepõe à acção e aos diálogos, sem dar descanso ao espectador, sem dar importância aos sons do meio ambiente do filme (sonoplastia), ao silêncio, tão importante quanto a banda sonora. À força de o realizador querer incutir emoção e dramatismo com a omnipresença da música, acaba, quanto a mim, a produzir um efeito contrário: indiferença, previsibilidade e cansaço. Senti-me mesmo esgotado no final do filme (e não era só porque o filme acabou às 3 da manhã), sensação idêntica à que senti no final do "The Dark Knight".
Jorge Mourinha, do Público, refere que Nolan será dos poucos cineastas a trabalhar no "mainstream" de Hollywood com marca de autor. Percebo o teor desta afirmação, mas custa-me a acreditar nela. Nolan é um realizador competente, um artífice com créditos firmados, tem ideias interessantes para os seus filmes, mas "Inception" não me arrebatou nem me fez convencer que estamos na presença de um "novo" Hitchcock (pelos motivos apontados). A grandiosidade operática em jeito de thriller revelou-se, afinal, uma opereta superficial-arty sem resultados artísticos irrefutáveis. "Inception" valoriza o lado frio, matemático e cerebral da narrativa, em detrimento da emoção, da fruição, do prazer estético.
E mais surpreendente, para mim, é constatar que "Inception" esteja já no terceiro lugar da lista dos 250 melhores filmes de sempre do Imdb.com. Um exagero apenas com justificação no reino dos sonhos mais profundos...

26 comentários:

My One Thousand Movies disse...

Gostei da crítica e concordo inteiramente.
Eu pessoalmente gostei do filme, mas não é nada de deslumbrante. As pessoas andam malucas com este filme por causa do hype que gerou, mas daqui a um tempo vão olhar para ele com outros olhos.
O Dark Knight para mim nunca foi uma obra genial, e também gerou um hype por causa da morte de um actor. Continuo a preferir os Batmans do Tim Burton.
Ninguém tira o mérito ao Nolan de ser um grande realizador, mas daí para génio ainda um longo caminho.
Talvez um dia...

Flávio Gonçalves disse...

Entendo muita coisa do que aqui foi dito e concordo com alguma mas, como já pudeste ler, gostei, e muito. Embora não considere Nolan um génio ou um artista do cinema, ou aos seus filmes obras-primas, a mim não me aborreceu, achei frenético todo aquele ritmo e prendeu-me do início ao fim. É sem dúvida um óptimo trabalho de entretenimento, um espectáculo de duas horas igualável a poucos outros. Um verdadeiro blockbuster.

jp, le miserable disse...

não vi o filme... talvez veja, o trailler pôs-me um pouco a dúvida? filme incrível ou previsível? uma coisa é certa, pela visualização deste e do trailler de shutter island, pelo menos a personagem do di caprio era muito semelhante. tinha imensos traços comuns.

só isso... não vi o filme, não tenho material para mais.

cumps

Álvaro Martins disse...

" Como começar? Talvez dizendo que, quanto a mim, o único filme verdadeiramente extraordinário de Chris Nolan é "Memento". " Não podia estar mais de acordo contigo Victor.

Quanto a este Inception, acho que é desta que já nem vejo o filme (p'ra vontade que tenho de o ver eheh).

João Gonçalves disse...

"Inception valoriza o lado frio, matemático e cerebral da narrativa, em detrimento da emoção, da fruição, do prazer estético."

Muito bem dito. Quanto à crítica inteiramente de acordo embora eu tenha gostado do filme. Tem muitas falhas, seja na realização, na interpretação dos actores ou até na montagem. Referiste muito bem a música constante ao longo do filme. Foi algo que me incomodou muito sobretudo quando me apercebi que ela não iria desaparecer. Incomoda.

João Ruivo disse...

Ainda não vi este filme e devo dizer que sempre tive um bocado de pé atrás. Concordo no entanto nos louvores que tece a Memento e na sobrevalorização de Dark Knight.

Quanto ao top 250... bem isso é tudo fruto do hype que é movimentado pelos filmes de Nolan. Já o Dark Knight estreou-se num escandaloso primeiro lugar dessa lista.

Alexander Sweden disse...

Não concordo com quase nada do que aqui foi dito sobre este filme.

O autor do blog afirma que "quanto ao argumento, tido por muitos como complexo (a exigir um segundo visionamento) é, quanto a mim, um debitar de lugares-comuns sobre o consciente e subconsciente da mente, filosofar sobre o real e o virtual (...)". Mais à frente não deixa todavia de reconhecer que "o argumento tem pontas soltas, elementos sem explicação, mesmo no contexto da fantasia dos sonhos". Sem querer questionar uma aparente contradição nestas afirmações, recomendo a todos aqueles que já viram o “Inception” uma segunda ida ao cinema para perceberem que não há nenhumas pontas soltas ao nível do argumento.

Quando aos elementos sem explicação, mesmo que os houvesse, isso não seria necessariamente mau, até porque a necessidade de ter de se compreender tudo num filme é castrador e não deve ser um dos factores primordiais na hora de se optar por entrar numa sala de cinema. Sou apologista da prioridade ao impacto que cada filme pode ou não proporcionar no âmago do nosso ser em detrimento da tentativa de escalpelizar cada frame para se compreender tudo, caso contrário há muito que teria desistido dos filmes do Linch, algo que me recuso determinantemente a fazer.

Já a comparação com a Alegoria da Caverna parece-me infeliz, pois segunda esta, tal como no “The Matrix”, os “prisioneiros” estão inicialmente inseridos num ambiente que lhes parece autentico e posteriormente avançam em direcção ao mundo real. Aqui é exactamente o oposto, procura-se racionalmente a saída da realidade, do mundo lá fora, para o mundo dos sonhos, “a caverna”.

Sobre o uso excessivo da música, apesar de não ser inédito (quem não se recorda do "The Hours" e das recorrentes críticas pelo recurso à mesma estratégia?), é um estilo, e que aqui resulta muito bem.

Sobre as interpretações, considero que a Ellen Page continua a revelar-se como uma das melhores actrizes da sua geração, o DiCaprio comprovou uma vez mais a razão de grandes realizadores continuarem a exigir a sua participação, o Joseph Gordon-Levitt pode aspirar a ser bem mais do que um actor de séries e o Cillian Murphy assentiu ao inúmeros cinéfilos que continuam a vê-lo como um actor-fetiche, sem esquecer os bons desempenho do Tom Hardy, Ken Watanabe, Tom Berenger e Lukas Haas.

Apesar de tudo não é um filme nota 10 (mas alguém acreditava nisso?), reconheço que as cenas de acção ficam aquém do expectável, principalmente as da neve, mas que vale pelas excelentes "foto-imagens" proporcionadas, pelo recurso ao super slow motion bem contextualizado, pelo enredo "helter skelter", pelo desempenho dos actores, pela banda sonora e pela originalidade do argumento.

Por último e em jeito de post scriptum considero que não devia sequer passar pela cabeça de ninguém a tentativa de comparar o Nolan ao Hitchcock, não só porque são comparações estéreis que não levam a lado nenhum, mas principalmente porque é mais honesto reconhecer simplesmente que existem pessoas com um talento único, incomparável e irrepetível.

::Andre:: disse...

O Alexander ja disse tudo. E' um excelente blockbuster e como tal os cliches e lugares comuns estao la. A partida ja sabemos ao que vamos, as pipocas caiem bem e sabemos isso. Comparaçoes com o Hitchcock ou constataçoes no imdb tambem sao escusadas. E para aqueles que ja decidiram nao o ver, vao perder os melhores ultimos 45 minutos dum filme. Um gajo agarra-se a cadeira e so a larga com o excelente final. Suspiramos e levantamo-nos. Valeu!

Sam disse...

Antes de mais, parabéns pelo excelente texto... só é pena, tal como alguns puderam fazê-lo antes, discordar inteiramente do seu teor.

Talvez tenha sido um erro (da imprensa? do público?) em elevar Nolan ao patamar de "génio", mas eu, enquanto cinéfilo, não utilizo esse termo para NENHUM cineasta que tenha vivido em mais de cem anos da Sétima Arte. Génios, só os das lâmpadas do Aladino...

Nolan será, talvez, um visionário: compreende perfeitamente as "regras do jogo" (daí a segunda parte recheada de acção) e consegue impor originalidade num ramo tão hermético como é o do blockbuster.

Mas este é o fascínio do Cinema, que possibilita aceso debate sobre diferentes pontos de vista. INCEPTION pode ser, segundo a tua opinião, um filme banal. Para mim, "roça" a obra-prima e faz-nos recordar o prazer que é assistir a um filme no grande ecrã.

E também obriga-nos a falar que se farta sobre ele, não é? :)

Cumps cinéfilos.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Alexandre: quando escrevi o meu texto já sabia, de antemão, que viria alguém a dizer exactamente o oposto e a refutar os meus argumentos. É bom que assim seja: pluridade de opiniões é sempre saudável.

Alexander Sweden disse...

Claro que sim e respeito a tua opinião até porque pelos teus posts dá para ver que gostas realmente de cinema.

Anónimo disse...

Já esperava uma crítica destas. Quando um filme é bom, aclamado como bom, aceite massivamente como bom, quando as massas o consideram bom, tem sempre de haver um intelectualóide a considerar o filme sofrível e a aprontar críticas. Não é perfeito, mas é um óptimo filme. Fosse este um filme de um desconhecido realizador do Cazaquistão e então sim, seria óptimo. E porquê? Porque para os supostos intelectuais só é bom o que é reservado a um número restrito de pessoas, o que é desconhecido da maioria!

DiogoF. disse...

Consigo compreender a crítica e até considero o filme susceptível de criar ou grandes desilusões ou grandes venerações, dependendo da mentalidade com que for visto, ou do tipo (e aqui falo em "tipo" e não "quantidade" ou "grau") de expectativas que foram criadas.

Só posso falar por mim, mas ia à espera de ver um puro blockbuster que, ainda assim, conseguisse ser um blockbuster, com toques que me deixassem satisfeito, que não sentisse serem uma batida na mesma tecla - e encontrei-os no argumento, na montagem e na música, que adorei.

De qualquer forma, boa crítica.

lisacarolfremont disse...

ainda não vi, nem tão pouco sei se irei ver o filme. quanto a elevarem nolan a um novo hitchcock... acho um perfeito exagero. Alfred era o que era, na altura em que o era. o que há hoje no cinema n pode ser comparável, assim, gratuitamente, a um dos maiores mestres do cinema.

aproveito para dizer que gostei muito de aqui entrar e peço desculpa pela maneira talvez um pouco crua como deixei o meu comentário.
ass: uma fã, do hitchcock, está claro.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Ao anónimo: lamento desapontar mas essa crítica não me assenta. Aliás, esse discurso (intelectual vs. massas, etc) já eu o tive várias vezes no meu blogue: eu próprio sou crítico dos intelectuais que arrasam filmes (ou músicas, ou livros...) comerciais só porque fazem sucesso. Não me considero intelectual, Apenas um gajo que gosta de cinema (e de outras coisas) e que emite as suas opiniões neste espaço virtual. E mais: permite que haja discussão séria e honesta à volta dos assuntos - como é o caso deste post sobre o "Inception", que eu já sabia que iria dividir opiniões. Mas se o anónimo segue este blogue, sabe que essa crítica não me afecta rigorosamente nada.

disse...

A música é "Non, Je Ne Regrette Rien" e não "La Vie en Rose"...

Parecendo que não há uma (grande) diferença, até simbólica...

Estou em desacordo de resto...
é um filme muito original e inovador...consegue ser um "Blockbuster" que não chama "ESTÚPIDO" ao espectador...

The movie_man disse...

Boa crítica, apesar de discordar com a mesma.

Eu estava à espera dum bom blockbuster, com um bom argumento. As minhas expectativas eram altas e foram totalmente superadas. Adorei o ritmo do filme, a banda-sonora, as interpretações, a história, enfim, tudo! E compreendo e aceito que acabe por se tornar num marco dentro do género. Mas como todas as boas obras, as opiniões acabam sempre por ser diferentes. Goste-se ou não, Inception é um filme que acaba por não ser esquecido. A obra de Nolan consegue fazer algo que hoje em dia é extremamente raro: ser um blockbuster que não trata as pessoas como idiotas e que pede a total atenção ao espectador, fazendo com que este pense no que está a ver, algo que é difícil de encontrar numa grande produção como esta. Para além disso, o filme já é alvo de várias teorias (e todas elas podem ser aceites) sobre a verdadeira resolução do filme (novamente, algo difícil de fazer hoje em dia). Acaba por ser um filme que consegue ser discutido e relembrado bem depois do seu visionamento (daí ser recomendado pelo menos dois visionamentos).
No entanto, é realmente exagero comparar Nolan com Hitchcock. Nolan ainda não é um realizador genial mas consegue criar momentos geniais dentro dos seus filmes. Mas é um óptimo realizador (um dos meus favoritos) e sabe o que faz com que lhe é dado. E, no mundo mainstream de Hollywood, isso é algo a ter muito em conta.

Vi o filme no dia de estreia e ainda não me saiu da cabeça. E pela net fora, as teorias são imensas e mesmo a banda-sonora de Hans Zimmer tem uma grande importância para a história e uma relação muito intima com a música de Edith Piaff.

Até agora, é o melhor filme do ano, pessoalmente. Porque senti algo que não sentia há muito numa sala de cinema: satisfação, entretenimento e desafio pelo argumento.

No entanto, é sempre interessante ler opiniões diferentes. É assim que se criam discussões saudáveis e interessantes que podem até mesmo fazer com que alguém veja certas obras com olhos diferentes. E não é preciso ofender ninguém para tal.

Cumprimentos.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Obrigado Zé pela rectificação.

::Andre:: disse...

"A obra de Nolan consegue fazer algo que hoje em dia é extremamente raro: ser um blockbuster que não trata as pessoas como idiotas e que pede a total atenção ao espectador, fazendo com que este pense no que está a ver, algo que é difícil de encontrar numa grande produção como esta."

Gostei muito deste comentário, diz bastante sobre o filme.

::Andre:: disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anfilófio disse...

As minhas expectativas para este filme eram altas, e impulsionadas pelo facto de ter visto, de antemão, que este filme estava nos lugares cimeiros no top de filmes da imdb.

O filme desiludiu, estava à espera de algo mais extraordinário, que virasse qualquer página no cinema.
A dois terços do filme, e tamanha é a densidade das cenas de acção, oferece um lugar ao soninho; este era filme para se fazer 2 intervalos pelo menos.
Contudo, e apesar de concordar em grande parte com a sua crítica, acho que foi demasiado severo no que concerne ao argumento, que acho que está bem conseguido, e também relativamente à prestação de Ellen Page, que não lhe vejo falta de talento. É uma menina com futuro.

Álvaro Martins disse...

O Oliveira arrasou o filme, deu-lhe uma estrela e a dada altura da crítica diz "pobres devem ser os sonhos de Nolan, tão visualmente enfadonho é o seu filme (que tem muito mais a ver com "second lives" e "third lives"...." eheh. E o Vasco Câmara ainda não deve ter visto o filme...
Cada vez mais acho que quando o vir vou detestá-lo. Por isso lhe estou a dar tempo eheh

The Monster Without a Name disse...

Bem de uma coisa eu tenho a certeza quando vejo os filmes de Nolan, como já disseram aqui em cima, ele não chama o espectador de estúpido, e penso que o que melhor o distingue dos seus demais contemporâneos (refiro-me a Blockbusters e à maior parte do cinema comercial americano actual) é que Nolan dá a papinha toda, ou seja, todas as informação necessária, mas dá-a à velocidade da luz. É mais que natural que quando se vê um filme de Nolan não se compreenda ou não se apanhe tudo a primeira.

Bem devo acrescentar que quando entrei na sala de cinema para ver o Inception, entrei com o pé esquerdo, não estava à espera que o filme me agradasse tanto.

Dom Carlos Coronário disse...

Acho exagero colocar o menino nolan no mesmo nivel do mestre hitchcock, mas não acho pecado compara-los...

Acho fascinante a obsseção do realizador em contar uma historia, o tema recorrente que já fora tratado no excelente "the prestige", que é a estrutura do cinema propriamente dito... a metafora se apresenta em inception de forma ainda mais poderosa... naquele time do personagem do Dicaprio podemos identificar a cenografa(arquiteta), o ator(o falsificador), o produtor(a cena em gravidade zero é algo que só o cinema poderia nos proporcionar, linda), o produtor executivo(entrando com o dinheiro)... e claro o diretor... em the prestige e inception enxergo a estrutura e a historia do cinema em si, épocas diferentes em que a arte se desenvolveu... a decepção talvez venha da expectativa de uma discussão psicanalitica mais profunda ou de um filme de ação do nivel de um Michael Mann...
no primeiro filme a metafora da ilusão remete aos primordios do cinema, no segundo um momento posterior, onde a estrutura se torna mais complexa vemos as narrativas paralelas...
é sob esse ponto de vista que achei inception excepcional...

no mais... ótimo blog... todo o respeito...

Francesa disse...

Vi o filme no fim de semana passado. Tinha lido esta crítica e ouvido críticas positivas por parte de amigos.
Tive que voltar aqui ao blog para voltar a ler a tua opinião.
Não concordo textualemente mas confesso que o filme me aborreceu, não achei o argumento interessante apesar da ideia inicial poder ser interessante. Não percebo como se pode sobrecarregar um filme baseado numa enredo psicológico com efeitos especiais. Surgem algumas cenas e deixas típicas do cinema americano e completamente desnecessárias ao meu gosto. Existem demasiadas repetições da mesma ideia, como se o telespectador não tivesse percebido a primeira... enfim. Não percebo a classificação do imdb. Li as críticas positivas e fiquei sem me identificar com elas.

Anónimo disse...

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