segunda-feira, 5 de julho de 2010

Livros para férias


Se há assunto que vem à baila sempre que se fala de férias, é o do "livros para férias." Inquéritos a personalidades mais diversas (desde o jet-set até ao intelectual empedernido), referem sempre os livros que vão ler nas férias. Os nossos amigos e familiares têm a mesma mania. A verdade é que nunca percebi muito bem porque é que nas férias de Verão se deva - ou se consiga ler - mais do que nas restantes estações do ano. É uma falácia. Eu já tentei. E acabei quase sempre por trazer para casa os livros que queria ler e que não consegui (ou não me deu vontade) ler uma página. Ler na praia é uma actividade que raramente levo a bom porto. Os barulhos circundantes, o calor, o sol, os amigos e a família, acabam por me distrair. É mais interessante passear à beira-mar do que tentar ler duas páginas seguidas de um livro qualquer.
À partida será pela suposta disponibilidade e tempo para a leitura. Mas este facto não é válido para toda a gente. O culto do ócio e da preguiça (que ajuda a reflectir, dizia o escritor Albert Cossery) é uma premissa que deve presidir nas prioridades do tempo de férias. Logo, a leitura não se torna um recurso de primeira necessidade. Pelo menos para os que têm por hábito ler (com regularidade) o resto do ano (como eu).
Viajar, estar com os amigos e a família, passear até ao desconhecido, fazer desporto, beber copos até às tantas, olhar para o tecto sem fazer nada, ver todo o dia o canal História e Odisseia, ouvir música ininterruptamente, apanhar brisa do mar ao fim da tarde, visionar na íntegra as últimas séries do "Lost" são apenas algumas actividades que se podem fazer durante o (sempre curto) período de férias.
Para quê massacrar ainda mais o escasso e precioso tempo com leituras que se podem retomar no regresso à rotina habitual?

9 comentários:

Francesa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Francesa disse...

Ipsis verbis! As férias são para vegetar, estar consigo próprio e com os outros, sem horário, sem stress. Jogar as cartas, passear, dançar, ouvir música... Nada de livros. Mas aposto que os livros em voga este verão serão os do Saramago porque de repente, e não consigo perceber bem porquê, os portugueses se interessaram pelo o que ele escreveu.

Rolando Almeida disse...

é um cliché Vitor. As pessoas que lêem livros nas férias são aquelas que também os lêem fora das férias. E as nunca os leram durante o ano também não vão ler nas férias. Ainda assim não devo deixar de fora as pessoas que até gostam de ler e não têm tempo devido às suas profissões. Em tempos publiquei um texto curto para mostrar outra falácia, a do argumento de que não se lê porque não há tempo para ler. Está aqui: http://criticanarede.com/html/ed135.html

Pedro disse...

POis eu costumo aproveitar o tempo das férias para ler. Nada como um bom livro junto de uma boa sombra, nas proximidades da retemperante ondulação. E para começar, Livro do Desassossego!

::Andre:: disse...

Eu também gosto de ler nas férias. Desde aproveitar as horas dum voo até a um fim de tarde sossegado e fresco à beira-mar, eu gosto. Nesses momentos também posso reflectir, talvez até inspirado pelas frases do livro.

F disse...

Ora bem; ler na praia já não vai sendo actividade para mim. Como há alguns anos que uso óculos (só) para ler e como na praia não consigo estar sem óculos-do-sol e como as lentes dos meus óculos-do-sol não são graduadas e como essa logística acaba por me irritar um pouco e como já não consigo estar ao Sol simplesmente a tostar e como também gosto de saborear o quentinho do Sol e aí não há lugar para leituras, mas como também passo algum tempo à sombra e sentada e aí já lia qualquer coisa... Ufa! Quero dizer que ainda não resolvi muito bem esta questão, na praia.
Já na montanha, onde também passo uma parte das minhas férias... Aí a coisa muda de figura. Leio, leio e mais leio. E a leitura e o silêncio absoluto são coisas que combinam na perfeição.
Portanto já tenho uma pilha de livros à espera de serem seleccionados, mas ainda não decidi: o Rayuela, de Julio Cortázar parece-me um bom livro para iniciar (e eventualmente acabar) nas férias. Estou a ler (a meias) o Filósofo e o Lobo, de Mark Rowlands, que também irei levar se até lá não o tiver acabado. Estou a meio do Musicofilia que tenciono levar para dar mais um adianto, enfim... E mais alguns para o caso de conseguir despachar os que tenho entre mãos.

Jorge Silva disse...

Pois o que eu não consigo compreender é qual o grau de gozo que tem estar imobilizado durante horas em cima de areia e por baixo de sol tórrido sem fazer absolutamente mais nada.

Para mim, é perda de tempo quando poderia utilizar esse tempo a fazer algo mais útil.

No entanto, como a mulher e o puto gostam disso aproveitei a morte de Saramago paras ler as suas "Intermitências da Morte"!

Alexander Sweden disse...

Eu acho que cada caso é um caso. Consigo compreender que haja casos em que faz sentido colocar a leitura em dia aproveitando as férias do verão. Dou um exemplo: Alguém que devido aos compromissos profissionais e familiares raramente tem disponibilidade mental para se dedicar a ler um bom livro. Estou a referir-me a alguém por exemplo como eu, que para ler um livro necessita de uma certa disponibilidade e frescura mental para absorver cada detalhe como minúcia e ver passar na sua mente o filme que aquele lhe vai revelando.

E depois acredito que haja pessoas para quem a leitura é sempre bem vinda, bastando para isso que tenha tempo-livre, faça chuva, faça sol...

Penso também que é um pouco redutor vermos as coisas apenas pelo nosso prisma. Acho que é preferível procurar ver as coisas de várias perspectivas tendo em conta os diversos estilos de vida também.

Aproveito para dar os meus parabéns ao autor por este Blog muito enriquecedor.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Obrigado Alexandre pela opinião e pelo comentário ao blog.