sábado, 4 de setembro de 2010

Nihil Aut Mors


Quem já acedeu ao meu perfil, sabe que eu sou músico.
No final dos anos 80 tive uma banda, os Nihil Aut Mors, que bebia, sofregamente, as influências alternativas do rock saído do punk: Joy Division, The Fall, Bauhaus, Siouxsie and the Banshees, The Birthday Party, Swans, Sonic Youth, Killing Joke, Einsturznede Neubauten, entre muitos outros grupos.
A sonoridade inicial era ainda fortemente marcada por uma dureza e austeridade similar à dos Warsaw (primeira banda antes dos Joy Division). Depois, com a natural maturidade e experiência, essa sonoridade transformou-se em algo mais polido, sofisticado, mas sem perder o lado da exploração experimental. O Blitz chegou a dizer que a música dos Nihil Aut Mors era uma fusão entre Mão Morta e Swans e, talvez, tivesse razão.
O vocalista cantava sobretudo em latim (tal como o nome da banda), mas também em inglês e francês. Era muito performático em palco. Nihil Aut Mors significa "nada ou a morte" e era óbvia uma certa sensibilidade negra e tendência urbano-depressiva na banda (basta reparar na capa da maqueta).
Os NAM chegaram a tocar no mesmo palco com os Sitiados, Pop Dell'Arte, É M'as Foice, Censurados, A Kausa, GNR... Tiveram inúmeros temas em compilações nacionais e internacionais. Entrevistas e reportagens em fanzines e revistas. Poderiam ter ido mais longe, mas devido à vida profissional de cada elemento, a banda terminou em meados dos anos 90.
Agora, com o prestimoso trabalho do Misterioso Impossível, esse blogue especializado em resgatar da memória a música independente dos anos 80 e 90, a maqueta "Super" dos Nihil Aut Mors está disponível num rápido download.
Para fazer uma escuta de 4 temas desta maqueta, basta abrir o myspace dos NAM.

7 comentários:

NanBanJin disse...

Fantástico!

Ele há coisas incríveis que só nos é possível (re)visitar neste tempo de hoje — graças à internet e a espaços de excelência como este magnífico blogue.

O Victor certamente não saberá desta história que agora e a propósito deste artigo lhe conto.

Também eu nos idos do início da década de 90 fui guitarrista numa banda que partilhava de várias das influências que o Victor menciona terem preenchido o universo dos NAM.
Éramos na altura todos muito miúdos. Eu teria os meus 16 ou 17 anos e as idades dos demais membros oscilariam entre os 16/17 e os 20, e lutávamos, nós também, pela conquista de um lugar no claustrofóbico espaço do rock made in Portugal de então.
Pelo menos eu e um outro membro, o baterista, conhecíamos razoavelmente o trabalho dos NAM que era, aliás, uma referência para nós.
O curioso é que chegámos a considerar adoptar onome 'Nihil Obstat' que acábamos precisamente por pôr de parte devido à já notória envergadura, na altura, dos Nihil Aut Mors — não queríamos, como é óbvio, levar com quaisquer acusações de 'colagem' ou de usurpação de ideias — e por isso optámos pelo nome 'Noblesse Oblige' do qual eu nunca gostei, a dizer a verdade.
Creio que dos membros que fizeram parte dos 'N.O.' o único que ficou de pedra e cal no rock foi o nosso 'frontman', o Pedro Laginha que hoje, tanto quanto sei (não nos vêmos há anos) lídera os 'Mundo Cão'.

Uma historieta engraçada que não resistia a deixar aqui.

Com Um Abraço
do Japão,

L.Afonso, NBJ

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

L.Afonso/NBJ: obrigado por esta história. De facto o mundo é bem pequeno com a Internet!

É bom saber que os Nihil Aut Mors eram uma referência naquela época. Lembro-me do nome da banda Noblesse Oblige mas já não me recordo se alguma vez cheguei a ouvir.

Grande abraço!

António Caeiro disse...

Um projecto interessante e que vale sempre a pena recordar.

Anónimo disse...

ando a ouvir o Super (:

Christian disse...

Sou um grande admirador de Nihil Aut Mors.
Infelizmente nasci nos 90's e por muita pena minha não tive a oportunidade de ver estas bandas que surgidas em Portugal que foram esquecidas com o tempo tais como Bastardos do Cardeal, Pai Melga, Ecos da Cave...
Acho interessante a ideia de misturar a melancolia do post punk dos anos 80 com letras e vocais frenéticos em Latim e com um lado mais experimental, como que uma mistura de Bauhaus e Sonic Youth.
Resta-me dar as minhas felicitações ao autor do blog/guitarrista dos NAM pelo magnífico trabalho :)

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Caro Christian: obrigado pela opinião. É bom saber que, afinal, o trabalho dos NAM ainda hoje desperta interese junto de gerações mais novas.

Já agora, basta ir ao Youtube e colocar "Nihil Aut Mors" para ouvir temas da maqueta "Super".
Abraço.

Manuel Moreira disse...

Grande Demo que eu ouvia no inicio anos 90. Chegou-me ás mãos através do meu irmão (Tozé) que andava no Politécnico da Guarda.
Infelizmente perdi a cassete no tempo... gostava de saber se ainda é possivel adquirir uma cópia (de preferência que não seja k7)

manel_moreira@netcabo.pt