quarta-feira, 20 de abril de 2011

Um pequeno (grande) filme




Por vezes somos surpreendidos com filmes como este "The Sunset Limited" (2011). Filmes que não têm quaisquer pretensões comerciais, de concepção totalmente minimalista e com dois trunfos inestimáveis: um magnífico argumento e dois actores em estado de graça - Tommy Lee Jones e Samuel L. Jackson.

"The Sunset Limited" é a adaptação de um livro de um grande escritor americano, Cormac McCarthy - o mesmo que escreveu "The Road", adaptado em 2009 pelo realizador John Hillcoat.

O filme é um projecto pessoal do actor Tommy Lee Jones (que assumiu também a realização) para o canal de televisão HBO, e contou com o apoio e argumento adaptado do próprio escritor. Durante uma hora e meia, o filme passa-se integralmente no espaço da sala de estar da cada de um dos personagens e tudo gira à volta da discussão entre estes dois homens de quem nem se conhecem os respectivos nomes.

A personagem de Samuel L. Jackson salva, no último momento, Tommy Lee Jones do suicídio na estação de metro The Sunset Limited (Nova Iorque). Leva-o para o seu apartamento. E, em tempo real da acção, vemos o diálogo intenso e dramático (por vezes divertido) entre estes homens que representam duas visões antagónicas do mundo e da vida: um é ex-evangelista, crente em Deus e na esperança da vida; o outro é um desolado e pessimista ateu que deseja morrer em paz. Os diálogos, alheios a lugares-comuns, são de uma grande subtileza e profundidade sobre a morte, o sentido da vida, o papel da religião, os valores morais da sociedade, o direito ao suicídio.

Um filme que explora magistralmente as contradições da natureza humana, as suas aspirações e desilusões, de uma forma absolutamente exemplar. Para tal muito contribui o argumento acutilante e inteligente de Cormac McCarthy e o desempenho fascinante de Samuel L. Jackson e Tommy Lee Jones. É um filme que não teve - e dificilmente terá brevemente - estreia nas salas portuguesas (foi concebido para a televisão americana). Um filme discreto e minimalista, mas infinitamente superior a 90% dos filmes que estreiam semanalmente em Portugal. Altamente aconselhável.


5 comentários:

Anónimo disse...

johnny guitar

sublinho tudo o que disse. Vale mesmo a pena ver este filme.

Abraço

Anónimo disse...

O link, antes válido, agora pede código. Há forma de contornar isto?

Grato

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Humm... Pois é.
Esqueci-me que este site já não tem serviço gratuito e exige um registo. Mas também não é nada do outro mundo: basta um simples registo e pagar uns 4€ e depois é só fazer o respectivo download.

passarola disse...

mas ainda dá para fazer registo? Eu confesso que na altura não fiz porque não sei quem é que está por trás do site e desconfio sempre de coisas que pedem números de telemóvel na net...

Álvaro Martins disse...

isso no pirate bay arranja-se bem. Eu já o tenho, depois vais ao opensubtitles e também deves arranjar as legendas na boa