sábado, 9 de outubro de 2010

Portugal: a corda a rebentar

Passei pelo Público online e fiquei deprimido com algumas notícias que li:
- "Cortes nos salários levam médicos espanhóis a abandonar o país".
- "FMI avisa que Portugal será a pior economia da UE em 2015".
- "PSD prepara chumbo do orçamento e adensa-se cenário de crise política".
- "Taxa de desemprego vai subir ainda mais do que na Grécia".
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O futuro - o ano de 2011 e não só - afigura-se negro para Portugal. A situação económica vai de mal a pior, afectando gravemente o nível de vida, a produtividade e a... criatividade. É que só se tem falado do impacto que a grave situação económico-financeira nacional está a ter na Função Pública (a classe mais sacrificada) e no funcionamento de vários organismos do Estado. E a cultura? O apoio aos jovens artistas e criadores? O financiamento à gestão dos equipamentos culturais do país? Com os cortes e as medidas de austeridade (que não vão parar por aqui!), o funcionamento das estruturas culturais e de criação artística em Portugal vai ser fortemente abalado.
Dos 15 Ministérios do actual Governo e do Orçamento de Estado para 2010, a verba mais baixa foi atribuída ao Ministério da Cultura. Tem sido assim todos os anos com o Governo de José Sócrates: a cultura é sempre o parente pobre do investimento público do Estado. Não é entendido como um factor de desenvolvimento do país. O orçamento para a Cultura é de 235 milhões de euros, mas subiu em relação a 2009 - uns inexpressivos 0,4% - uma estratégia que serviu para calar os críticos e fazer a afirmação populista que o orçamento "aumentou". Mas a verdade é que se tratou de um valor que nem dava para pagar uma parcela das despesas hercúleas de uma grande obra pública como o TGV ou um novo aeroporto. E é neste contexto que o país é gerido pelos governantes: sem uma estratégia de desenvolvimento sustentado, com despesismo chocante em obras e ordenados públicos astronómicos, com hipócritas pedidos de sacrifício aos mais carenciados, com uma visão política enevoada e de curto alcance acerca da cultura e da educação, etc.
Como refere o ex-Ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, é necessário uma profunda reforma do pensamento político, novos ideias em cima da mesa. Caso contrário, este país vai estar a saque não tarda muito...

1 comentário:

Ricardo Martins disse...

Lavagem cerebral pura e simples. O país está à beira da bancarrota - quantas vezes não ouvimos já esta lengalenga.

Por essas e por outras é que eu já não me dou ao trabalho de ler jornais.