sábado, 26 de dezembro de 2009

Já não se aguenta a música dos 80


Distraidamente vi na televisão, no inenarrável programa Top +, que este CD duplo, "Anos 80: A Década de Ouro", entrou directamente para o quarto lugar do top de vendas das compilações. Primeiro: gostava de saber quem é que ainda tem paciência para verificar se o disco A ou B sobe ou desce de posição de venda. Que diferença faz e a quem interessa? Segundo: não me admira nada que os anos 80 continuem a vender bem. Sempre venderam, mesmo antes da nostalgia cultural pelos "eighties" ter regressado em força nos últimos tempos. Basta ouvir a música que passa nas lojas, nos hipermercados, nas rádios nacionais, nos programas de televisão, para perceber que os anos 80 continuam na crista da onda. Demasiado na crista (como referi neste post).
A década de 80 foi particularmente paradoxal. Houve da melhor e da pior produção artística. Música excelente e música horrivelmente insuportável. E este tipo de CDs com os êxitos dos anos 80 são já insuportáveis porque representam o pior da música pop dessa década: Europe, Modern Talking, Starship, Jennifer Rush, Deacon Blue, Foreigner, Cyndi Lauper, Wham e tantos outros grupos afins.
A minha dúvida existencial é esta: quem continua a ouvir, repetidamente, os mesmos êxitos musicais de há 20/25 anos? Os mesmos que ouviam nos anos 80, por mero saudosismo (sádico, diria)? Ou uma nova geração alegadamente deslumbrada com este riquíssimo espólio musical?

14 comentários:

Luis Baptista disse...

Tens razão, fez-se do melhor e pior, o exemplo é do pior, fica à consideração de cada um fazer a triagem.

My One Thousand Movies disse...

Concordo completamente contigo Victor. Eu até conheço algumas pessoas que são fanáticas por anos 80, e que por vezes me arrastam para essas famosas festas. Até acho piada ir uma ou outra vez, mas tenho a plena consciência que aquela musica é má.
Em termos de criatividade... meu deus, foi a pior década que já tivemos. Infelizmente na altura não havia muitas maneiras de divulgar música de qualidade, e eu como "rapaz da aldeia" não tinha muitas alternativas.
Eu acordei para a "vida" no final dos anos 80. Foi quando descobri um programa que dava na RFM chamado "Colar de Pérolas", mais tarde é que descobri o António Sérgio e o Nuno Calado.
Devo dizer que nasci em 1974.

Sara F. Costa disse...

Como explicar os revivalismos das novas gerações? Não penso que seja um deslumbramento com a música em si, mas sim com a época. Penso que há vários motivos. Primeiro, talvez uma saudade da altura em que uma lamechice assumida era aceite em forma romance e onde se podia falar de amor sem precisar de esfregar o rabo em qualquer coisa, como no “pop” de hoje em dia que não é pop nenhum mas sim r&b, o kitsh daquela época deixa saudades. Depois o optimismo no futuro característico da época é dos principais factores de uma nostalgia de algo que não se viveu. O revivalismo surge como um retrocesso de defesa do ego para uma altura em que o mundo não ia acabar dentro de pouco tempo devido a uma série de condicionantes climatéricas e ambientais e onde o emprego qualificado não passava por ou desemprego ou exploração liberal desenfreada. É melhor olhar para o passado quando tudo parece que vai entrar em colapso no nosso futuro.

arrssousa. disse...

Tenho de concordar contigo. Especialmente nesta época de natal, em que dá aquela música horrível dos Wham em todas as lojas e cafés, apetece-me atirar-me de um prédio. Ainda por cima com tanta música boa a ser feita nestes últimos tempos...

Hugo disse...

Eu cresci nos anos oitenta e tenho certeza absoluta de que a música que os jovens ouvem piorou em muito da metade dos anos noventa em diante. Não sou crítico especializado, mas acredito que nova geração que cresceu com música eletrônica como modelo, quando descobriu as músicas dos anos oitenta percebeu ser muito mais interessante este tipo de música para curtir a noite e as festas.
Aqui no Brasil onde grande parte dos jovens ouve coisas como Funk e Pagode, as músicas antigas estão muito acima na qualidade.

Abraço

rui g disse...

«A década de 80 foi particularmente paradoxal. Houve da melhor e da pior produção artística. Música excelente e música horrivelmente insuportável»

Precisamente o que se passou com a década de 50, de 60, de 70, de 90 e com a primeira década do século XXI. Sempre houve óptima e péssima música em todas as épocas e gerações. Um abraço e bom ano.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Sara: essa tese sobre o revivalismo está particularmente interessante.

Rui: sim, é verdade. Mas creio que nos anos 80 esse abismo entre boa e má música foi mais flagrante.

Obrigado a todos pelas opiniões.

Ricardo Martins disse...

Adoro música dos anos 80. Ouvir Modern Talking ou os Wham pode ser uma experiência hilariante.

Mesmo assim, prefiro décadas mais antigas em termos de música, como a década de 40 ou 50.

Ricardo Martins disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
dani disse...

por acaso lembro-me perfeitamente de quando começou esta febre dos 80's:

quando os gato fedorento num programa de passagem de ano da RTP escolheram esse como tema central.

Fifeco (Filipe Ferraz Coutinho) disse...

Eu já nasci no término dos anos 80 pelo que não vivi esses tempos mas desde cedo cultivei um gosto especial pela música dessa década. O meu primeiro cd inclusive foi de uma banda dos '80s ("Crossroads" dos Bon Jovi). Há bem mais de 15 anos que ouço as mesmas músicas over and over again e não o faço por masoquismo. Faço-o por gosto.

Quanto às bandas que referiste, gosto de Europe e, de certo modo, acho piada a Modern Talking. Não são do melhor que se fez nessa década mas consigo encontrar exemplos bem piores. Mas obviamente, é sempre tudo uma questão de opinião.

Luis Baptista disse...

Bem, eu vivi todos os 80 e muita musica má, se fez, mas sou obrigadoa dizer tbem que em termosdo que se fazia com qualidade, foi a década com mmais cabeças pensantes a funcionar, assim como em termos de originalidade, foi o período mais fértil de sempre musicalmente, logicamente que os ex: que acima deram era o pior, mas o melhor tbem lá estava e escuso de enunciar nomes, um bom entendor musical chega lá e já agora em termos de glamour e classe tbem ela foia melhor, excelentes visuais e atitudes, desde o goth, neo romantismo, futurismo, indie, a imagem cativava.

Anónimo disse...

só um igorante sem nenhuma cultura musical pode afirmar que nos anos 80 se fabricou do pior lixo musical.... a musica dessa decada é hoje ouvida por jovens que nasceram uma decada depois e que não se identificam com o que é produzido hoje em dia. não se trata de saudosismo nem de lamechice...tudo o que existe de melhor a nivel de pop, rock, hard rock , foi sem a minima das duvidas produzido nessa decada e no inicio dos noventas. Quem apenas consegue citar : modern talking, wham e outros; como exemplo dessa decada de ouro só demostra o quanto é infimo e limitada a sua cultura musical.
Desde finais da decada de 90 que a maioria da musica produzida é do tipo comida de plastico...salvo algumas excepções, sendo na maioria das vezes mais efeitos especiais nos videoclips do que qualidade propriamente dita. Basta referir como exemplo a musica rap e coisas do estilo que dominam 90% do horário de canais televisivos como a mcm e outros e que são lixo autentico.....ouve-se uma vez e esquece-se.

Rafael disse...

Concordo plenamente com o Rui. Sempre houve em todas as decadas, musica ruim e muica boa, como sempre vai existir. Quanto a musica dos anos 80, não me canso de ouvir nunca...