quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A morte no último Haneke

Ainda não vi o filme vencedor da Palma de Ouro do último festival de Cannes, "A Fita Branca" do austríaco Michael Haneke. Mas pelos poucos excertos que se podem encontrar no YouTube, revela potencialidades para ser, deveras, um grande filme.
Veja-se, a título de exemplo, este espantoso diálogo entre uma criança e uma rapariga (não sei se familiar, amiga ou empregada): falam sobre a morte. A simplicidade desarmante do diálogo é esclarecedora. Percebe-se que a criança se confronta, pela primeira vez, com a tragédia e inevitabilidade do fim da existência, fazendo perguntas atrás de perguntas. E espanta-se pelo facto da sua mãe ter morrido e toma consciência da sua própria e irremediável morte (ainda que quando "chegar a velho", como diz a rapariga). O rosto petrificado da criança (realçada pela magnífica fotografia a preto e branco) e a sua derradeira atitude de revolta perante o conhecimento que obteve, revela grande parte da essência da condição humana: a angústia perante a morte.
As legendas estão em francês (não encontrei em inglês), mas o diálogo é tão simples e directo que qualquer pessoa que saiba o mínimo da língua francesa percebe a mensagem.
PS - Reparei agora que não se conseguem visualizar totalmente as legendas. O melhor é ver directamente no YouTube.

8 comentários:

Pedro disse...

Estou no mínimo ansioso por este novo de Haneke.

F disse...

Eu também.

Diamond disse...

"Veja-se, a título de exemplo, este espantoso diálogo entre uma criança e uma rapariga (não sei se familiar, amiga ou empregada): falam sobre a morte"

A criança e a rapariga, no filme, são irmãos.
Filme absolutamente impactante... vi-o (um amigo arranjou-mo) de uma assentada e tenciono revê-lo.
Muito bom mesmo.

Cumps.

LN disse...

Se estás à espera de uma cena filosófica à Bergman, podes esperar sentado. Esse é o único diálogo desse genéro. É pretensioso e quase imbecil...

O filme é razoável (com jeitinho), nunca mais do que isso.

Anónimo disse...

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jp, le miserable disse...

quando ouvi falar do vencedor de Cannes não fiquei muito curioso.

agora sim.

cumps

Álvaro Martins disse...

Já o tenho aqui para o ver mas ainda não lhe peguei. Veremos se este fim-de-semana tenho tempo para lhe pegar a esse e ao Tetro que também já o tenho por aqui :)

António disse...

como já se disse, são irmãos. Vi-o no festival de cinema do Estoril. Está muito bem feito e o máximo que se pode apontar é repisar temas mais que vistos. Não deixa de ser muito bom e levantar temáticas (que continuam) mais que actuais por isso.
Não sei se tem "cena filosófica à Bergman" porque, em primeiro lugar, não sei o que é isso, visto que não vi Bergman fazer filosofia em filme nenhum, mas apenas e por vezes tentativas pessoais de ultrapassar questões que a filosofia coloca. Isso não é filosofia. Quando muito, uma referência filosófica. Se era isso, tudo bem, não tem.
Em segundo lugar não tem porque, muito simplesmente, não pretende ter.
Recomendo o filme.