domingo, 20 de dezembro de 2009

O segundo filme de Richard Kelly


Lembram-se de "Donnie Darko" (2001), um filme independente de culto que marcou o início da década? Pois bem, o realizador do mesmo, Richard Kelly, realizou um segundo filme que, tanto quanto sei, nem estreia comercial teve em Portugal (nem sequer em DVD). Chama-se "The Box" e tem a actriz Cameron Diaz como protagonista.
A história conta-se de uma penada: um casal, a viver na América dos anos 70, enfrenta uma grave crise financeira e vê a sorte chegar na forma de uma caixa abandonada à frente da sua casa. Nela, encontra-se um estranho recado: basta carregar num botão para ficarem milionários. Mas há um senão. Como consequência, um desconhecido morrerá no acto. Um bom ponto de partida para um jogo de tensão e mistério. Só que as qualidades evidenciadas por Richard Kelly no brilhante "Donnie Darko" parece que se esfumaram neste sofrível "The Box". A gestão do suspense é penosa, a realização não dá margem para a imaginação do espectador funcionar e o enredo não cria a esperada tensão psicológica, resultando num banal "thriller". A espaços nota-se a evidente influência de "The Shining" de Kubrick (a forma como Kelly filma os corredores e os olhares dos personagens alienados), mas nota-se que Richard Kelly não tem (ainda) o domínio do olhar estético do cineasta inglês. Este argumento nas mãos de David Fincher ou David Lynch teria, certamente, um resultado muito mais satisfatório.
Aguardemos por uma terceira obra para confirmar se o talento de Kelly evidenciado em "Donnie Darko" se confirma.

9 comentários:

Gaspar Garção disse...

Amigo Vítor, duas correcções: antes deste filme, ele fez outro chamado Southland Tales, que teve uma recepção tão má em Cannes que foi completamente remontado para a estreia comercial, embora tivesse sido há mesma um fracasso da critíca e de público. o The Box ainda não estreou em Portugal, saíu há duas semanas nos E.U.A., e pela bela memória do D.D., espero que não seja tão "mau" como o pintas... :)

E é baseado num conto do grande Richard Matheson, que já tinha sido adaptado para a brilhante Twilight Zone.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Olá Gaspar, obrigado pela correcção.

De facto, o filme tem muito do ambiente de Twillight Zone, mas quanto a mim está muitos furos abaixo de "Donnie Darko".

Gaspar Garção disse...

E já agora, amigo Vítor, qual a versão que preferes do D.D.?

A original ou o Director's Cut?

Por vezes, quanto menos se explica dos funcionamentos internos do argumento dum filme, mais fascinante ele se torna, e há o pequeno pormenor daquela musiquinha no início...

Acho que é fácil perceber para que versão eu pendo...

A Lunar... :)

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Pois, a "musiquinha do início" que é uma grande música dos Echo & The Bunnymen! Também prefiro a versão "Lunar".

Cristiano Contreiras disse...

Eu acredito que este filme seja interessante!

ArmPauloFerreira disse...



Já que se recordou o original Donnie Darko e a "Killing Moon"
... também sou dos que preferem a versão "Lunar". Se bem que a Director Cut, quando a vi em DVD não foi com a atenção máxima... mas foi a versão original (a de cinema) que mais me marcou... e arranca logo com uma das minhas preferidas canções!

Este o The Box, tenho ouvido falar dele, não muito bem, por esperarem tão bom ou melhor que o DD. Isso é impossível de acontecer... mas também já li que o The Box não é assim tão mau quanto o pintam. Já circula nos torrents uma versão R5... talvez o apanhe assim que possa...

::Andre:: disse...

Já viste a sequela do Darko?

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Não vi nem tenho interesse em ver.

Wellvis disse...

Eu tbm nao queria ver (a sequela 'S.Darko' dessa vez, a irmã, Samantha) mas vi uma entrevista dos realizadores, que eram fãs xiitas do filme original e queria recuperar a 'saga' fui correndo atrás. Deve ser dos piores e mais constrangedores filmes que vi na vida. Sem exageros. Tem menos de duas horas e parece ter vinte. Não perca mesmo o seu tempo.