terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ser ou não ser Hitler


A edição online do Jornal de Notícias dá conta de uma notícia surpreendente sobre o ditador alemão Adolf Hitler: uma investigação de uma revista francesa descobriu que Hitler terá tido um filho de uma jovem francesa. Já por si, a ser verdade, esta é uma notícia deveras bombástica. Mas eu queria chamar a atenção para outro pormenor inerente ao próprio corpo da notícia tal e como é veiculada: a imagem que surge a acompanhar a referida notícia não é de Adolf Hitler, mas sim do actor Bruno Ganz a interpretar... Adolf Hitler no filme "A Queda" (2004). Porque é que o jornalista ou editor do jornal não colocou uma fotografia do verdadeiro ditador? Só há duas hipóteses:

1) Por ignorância: o jornalista achou que esta imagem representa mesmo o Hitler real.
2) Por negligência: o jornalista até sabe que este é um actor no papel de Hitler mas julgou que não tinha importânica nenhuma utililizá-la à mesma.
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Seja qual for a razão, na era da informação e do conhecimento à distância de um clique, não há desculpas para cometer uma imprudência deste tipo. Pegando num filme actual, seria o mesmo que divulgar uma notícia sobre a ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher e surgir a acompanhar uma fotografia da sua representação fictícia no cinema: Meryl Streep.

6 comentários:

Hugo disse...

Os grandes portais da internet aqui no Brasil também cometem erros absurdos, além de textos extremamente mal escritos, principalmente em reportagens assinadas pela "redação", sem crédito para algum jornalista específico.

Abraço

Anónimo disse...

Mais um post à João Lopes! Fantástica capacidade de mimetismo!

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Sinceramente, pensava que o leitor anónimo que recorrentemente me compara ao João Lopes (de forma depreciativa) tinha deixado de ler o blog. Afinal ainda lê.
Obrigado e volte sempre!

Rolando Almeida disse...

Muito bem visto. Já agora para o comentador anónimo (porque será que os ataques pessoais são sempre anónimos?): explique-me qual é exactamente o problema de escrever à João Lopes, fazer música à JOy Division ou pintar à Picasso? Para mim pior que tudo isso é escrever anonimamente à parvo. mas também é possível!

Peter Gunn disse...

Isto de confundir a realidade com a ficção tem muito que se diga (ou escreva)... eu pessoalmente já vi tantas vezes o filme "The Doors" que às vezes já acho que o Val Kilmer é que é o verdadeiro Jim Morrison... quanto mais o Hitler possivelmente que já tinha morrido à 50 anos quando este jornalista nasceu!!!

Ele não ter usado a imagem do Chaplin no grande ditador já foi uma sorte ;)

Cumprimentos

PortoMaravilha disse...

Olá,

A mim não me choca (maneira de escrever)na medida em que a semelhança existe. Já muito mais chocante e aí sim é erro de deontologia (mas posso me enganar)é que não seja citada a fonte. Uma revista fr, sim mas qual. Pois bem foi o "Le Point", revista nascida duma separação com "L'Express" há cerca de 20 anos."Le Point" é sobretudo lido por uma classe intelectual e financeiramente abastada. Nem sempre tem uma posição clara quanto ao passado e à colobaração do regime de Pétain com a Alemanha Nazie. Em contrapartida, os historiadores são formais: Não há qualquer prova que demonstre que Hitler tenha tido um filho com a pessoa citada.
Mas certamente o mais reveladore é a vontade de mostrar a humanidade (sic) dos dirigentes e pensadores nazis. Agora está na moda dizer que Goebels não tinha conhecimento da solução final. Uma estratégia segundo parece do grupo bmw que tenta limpar o passado da empresa, já que bmw estava ligado aos nazis.
Desculpem se fui longo.Mas o indefinido virou assim definido.

Nuno