terça-feira, 21 de julho de 2009

A experiência "Potemkine"

Um dia fui ao cinema ver o clássico "O Couraçado Potemkine" (1925) de Sergei Eisenstein. Foi uma oportunidade rara para poder contemplar, em grande ecrã, uma das maiores obras de cinema alguma vez realizadas. A epopeia visual de Eisenstein é, para além da sua invenção formal e estética, uma extraordinária história humana de enorme coragem e abnegação.
Nesse dia do visionamento estavam várias turmas de comunicação e artes visuais do ensino superior. Os respectivos professores acharam - e muito bem - que mostrar o filme aos alunos era uma boa sessão de cinema, de estética e de história. Acontece que os comentários dos alunos face ao início do filme foram qualquer coisa deste género: "O quê?! Um filme a preto e branco?"; "Ainda por cima russo!"; "Oh não, um filme mudo!". Foi assim, literalmente. Comentários ingénuos de quem nada conhecia sobre o filme e prova de que os professores não prepararam os alunos para o que iam assistir.
Acontece que no final da projecção falei com dois ou três desses alunos inicialmente cépticos e o feedback foi totalmente diferente. Afinal, apesar dos preconceitos iniciais, os alunos acabaram por gostar da película russa. Na verdade, o "O Couraçado Potemkine" de Eisenstein é uma obra da qual é impossível ficar indiferente, uma força cinematográfica ímpar, visualmente avassaladora. E nem as mentes mais formatadas e preconceituosas conseguem resistir a tamanha avalanche perfeita de imagens (e não me estou apenas a referir à celebrizada montagem de Eisenstein ou à sequência do massacre da escadaria de Odessa). É aquilo a que eu chamaria "A Experiência Potemkine".

5 comentários:

rui g disse...

Uma prova evidente de que vale sempre a pena lutar contra as mentes formatadas, mesmo quando o resultado final se resuma à mudança da mentalidade de duas ou três pessoas.

AddCritics disse...

Tenho mesmo de ver este filme...

Já tenho o DvD há uns tempos, mas ainda não me surgiu a vontade de o colocar no leitor. Mas, tem de ser. Parece que tem mesmo de ser

Spark disse...

É uma grande gafe da minha parte ainda n ter tido a oportunidade de ver este filme. Mas agora estou determinado em o conseguir assistir o mais breve possível.

Abraço

Stalker disse...

Totalmente de acordo, caro Victor. Não há nada como sentir o poder de um filme como este. Se ainda agora nós o sentimos, que tal imaginar o efeito na época?

Victor Afonso disse...

Sem dúvida, na altura em que estreou o filme foi uma bomba. Chaplin e Orson Welles costumavam dizer que o filme de Eisenstein era o seu preferido.