terça-feira, 20 de outubro de 2009

“The Children” e “Orphan” - as crianças e o mal



Hoje em dia são raros os bons filmes de terror. Os clichés e os pastiches são recorrentes e abunda a falta de ideias dos realizadores para projectos inovadores. Mas a verdade é que vi recentemente dois bons filmes deste género: "The Children" (2008) de Tom Shankland e "Orphan" (2009) de Jaume Collet-Serra. São abordagens muito diferentes no universo do terror, mas com um elemento em comum: ambos têm crianças como personagens do mal. Fazer terror com crianças está longe de ser original (as referências serão sempre "Village of the Damned" e "The Omen"), para além de constituir um risco de possíveis consequências nefastas. Filmar com crianças, e para mais num registo de terror, não é pêra doce até para os realizadores mais experimentados. Porém, estes dois filmes resultam num excelente trabalho, quer ao nível da originalidade das histórias, que ao nível das interpretações infantis.
"The Children" foi exibido recentemente no Motelx, o festival de cinema de terror de Lisboa, e foi considerado um dos melhores do programa. O argumento gira à volta de um grupo de crianças normais e saudáveis que, fruto de um estranho (e nunca explicado) fenómeno de contacto com a natureza, assumem atitudes violentas para com os adultos. O clima geral do filme é de tensão permanente, de desnorte perante o desenrolar dos terríveis acontecimentos. Não há propriamente uma mudança de personalidade nas crianças, apenas parecem possuídos por uma espécie de vírus do mal, e nem as próprias crianças compreendem porque se rebelam contra os pais.
Quanto ao filme “Órfã” (que está a passar praticamente despercebido em Portugal), trata-se de uma incursão no terror psicológico cuja crescente intensidade provoca calafrios nos espectadores mais insensíveis. Ambientado numa cidade americana, em época de inverno (neve sempre presente), “Órfã” é uma obra que aborda a adopção de uma criança por parte de um casal com dois filhos. Ao princípio tudo parece correr bem, até que a criança adoptada, uma adorável menina de 10 anos, começa a ter comportamentos anormalmente violentos e terroríficos. A realização do jovem realizador espanhol é segura, o ritmo narrativo muito bem conseguido, e as interpretações convincentes, com especial para a actriz Vera Farmiga e a criança que interpreta a Esther, a órfã, Isabelle Fuhrman, numa notável encarnação do mal.
Com o avolumar dos episódios terríficos perpetrados pela criança, o espectador começa a desconfiar da verosimilhança da história. Mas o “twist” narrativo final (não vou revelar para não causar “spoilers”) explica e credibiliza, objectivamente, o contexto (causas) da violência interior da sinistra órfã. Em suma, “The Children” e “A Órfã” são dois magníficos exemplos de duas obras de terror que, sem grandes inovações formais, se inscrevem na melhor da tradição de “horror movies” dos últimos anos.

3 comentários:

::Andre:: disse...

Viste o Eden Lake? Rec? The Descent? Têm surgido bons filmes de terror, o mais díficil tem sido filtrar e de vez em quando lá se perde tempo com banhadas. Dizem também que o Martyrs é porreiro...

Victor Afonso disse...

Andre: Vi o Rec e o The Descent (já falei de ambos aqui) e são excelentes filmes (está para sair a sequela do Descent). O Eden lake não vi mas está na minha "wish list". E o Martyrs tenho-o há dias mas ainda não vi. ;)

Francisco Maia disse...

Achei os dois francamente maus mas principalmente o Orfã. Não percebo quando dizes que gostaste da forma.

Tudo o que eu vi foi planos ridículos de forma a enganar o espectador e criar falsa tensão, acoplados a cliché atrás de cliché. Quanto ao final, previsível, chato e de pára-quedas.

Quanto ao primeiro, achei bom mas médio, se me faço entender hehe