sábado, 17 de outubro de 2009

O legado de Leni Riefenstahl


A realizadora Leni Riefenstahl representa um fenómeno excepcional na história das imagens do século XX. Odiada e adorada em igual proporção, Leni Riefenstahl será sempre conotada com o hediondo regime nazi. Adolf Hiltler e Goebbels escolheram-na para ser a cineasta da propaganda (Fritz Lang tinha negado tal "convite", exilando-se nos EUA), impressionados com o talento artístico revelado nos seus primeiros documentários (anos 30). Fruto dessa colaboração, Riefenstahl realizou dois monumentos estéticos de exaltação da raça ariana germânica. "O Triunfo da Vontade" (1935) e "Olympia" (1938), duas obras belas e grandiosas ao serviço de uma ideologia ditatorial e racista que preconizou o Holocausto.
Há quem assuma não poder apreciar a obra da realizadora alemã por causa da sua óbvia ligação ao nazismo (ainda que desmentida ou relativizada pela própria Leni); outros há, como eu, que conseguem estabelecer uma separação no âmago da obra de Riefenstahl: separar a vertente estética da vertente política e ideológica. O pioneiro trabalho da realizadora alemã foi determinante para a história do cinema, sobretudo ao nível da linguagem do documentário - Leni era uma vanguardista visionária, experimentalista, na forma como utilizou inovadoras técnicas de filmagem, planos, enquadramentos, movimentos de câmara, fotografia, montagem, etc.
Mas a obra de Leni Riefenstahl não se resumiu aos dois enormes monumentos estéticos em prol do ideal nazi. Antes dessa colaboração, fez outros documentários importantes. Além disso, manteve-se activa até ao fim da vida (morreu em 2003 com 101 anos!), filmando o mundo subaquático e tribos africanas. Neste preciso fim-de-semana, o blogue de cinema My One Thousand Movies, dedica um ciclo especial à obra desta controversa cineasta. Vale a pena descobrir.

9 comentários:

My One Thousand Movies disse...

Comecem pelo "A Luz Azul". É um filme fascinante.

Gaspar Garção disse...

Curiosamente, conheço bem esses filmes e preparo-me para começar a ler uma biografia dela, emprestada por outro "homem que sabe demasiado", o meu amigo Luís Vintém, que tu conheceste, professor de Cinema cá na ESTG. Temos tido belas conversas sobre esse livro e sobre a realizadora, e ele refere-me que ela, além de uma grande cineasta, era uma oportunista incorrigível e uma má "compagnon de route", renegando amigos e roubando-lhes créditos e louros (apesar do que depois referiu, teve também várias atitudes anti-semitas nesta época)...
Sei que não é fácil uma objectividade em relação a tamanha personagem (e o doc sobre ela, que costumava passar na TV2, é brilhante precisamente porque a "desconstruíu"), eu sou dos que alinham no 1º grupo, ou seja, que acho que ela tinha uma responsabilidade social e moral de não ter colaborado ou apoiado regime tão hediondo, e como outros "indivíduos decentes", foram responsáveis pricipais pelo endeusamento de personagens venais, medíocres e patológicamente criminosas.
Entre rever um filme dela, ou o grande "Sargento da Força 1", um "Casablanca" ou o "Infância de Ivan", não hesito...

Victor Afonso disse...

Olá Gaspar.
Percebo a tua perspectiva.
Mas Leni foi uma grande cineasta. Vê o filme "A Luz Azul", sugerido pelo My One Thousand Movies - foi feito antes da colaboração com o regime nazi, e é um notável filme.

Gaspar Garção disse...

Amigo Vítor, conheço esse filme,das saudosas noites da TV2, assim como alguns dos que ela fez da série de alpinistas e das montanhas.

Mas não consigo ser imparcial, tenho-lhe demasiado "asco"...


Adoraria rever o doc sobre ela, e também o da Traudl Junge, a secretária do Hitler (que aparece no final de "A Queda")...

Ando a ver se arranjo coragem para ver uma série da BBC, o "The Nazis: A Warning From History" (6 horitas...), mas quando tenho folga só me apetece é ver clássicos "leves"... :)

Victor Afonso disse...

Gaspar: tenho esses dois documentários que falas: o da secretária de Hitler e o "The Nazis - a warning..." mas em eidções espanholas. Posso gravar-te!

Gaspar Garção disse...

Obrigado!!!

O da secretária dele adorava ter, é um documento impressionante!!!!

O outro, embora a versão que tenha seja em dvdrip, têm qualidade (razoável) e com boas legendas portuguesas.

Depois fazemos uma troca!!!

Luis Baptista disse...

Uma grande obra, deixemos politicas de fora, o que está em causa é o taleto e esse é evidente.

Anónimo disse...

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O Homem Que Sabia Demasiado disse...

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