sábado, 31 de outubro de 2009

Ir ao cinema noutros tempos

Antes da era consumista dos centros comerciais e dos seus multiplexes com dez salas de cinema, os filmes eram vistos em grandes e sumptuosos teatros. Os títulos dos filmes estavam bem visíveis em neon e os espectadores esperavam longas filas para conseguirem bilhetes. Eram tempos em que ir ao cinema era, não só um hábito cultural, como também um ritual social. Tempos em que a fruição de um filme não se resumia à escolha de um filme qualquer dos seis ou sete que estreiam numa semana, seguido do acto de levar para a sala (igual a tantas outras: insossas e insípidas) baldes industriais de pipocas e de coca-cola. A arquitectura dos grandes teatros impunha outra dignidade ao acto de ver filmes. Um acto quase, quase religioso.

The Arden Theater, Lynwood, Los Angeles, 1944

The Regal, Chicago, 1941

Huntington Cinema, Huntington Beach, 1964

The Fox Alcazar Theater, California, 1946
The Chapultepec Theater, Mexico City, 1944

La Reina Theater, Sherman Oaks, 1938

4 comentários:

CINE31 disse...

Belo post! Serviu de desculpa para eu criar este:
http://cine31.blogspot.com/2009/10/lembrar-outros-tempos.html

É uma época que lamento não ter vivido.

analima disse...

As mudanças que descreves são inevitáveis. Nas minhas primeiras idas ao cinema ainda fui a salas de uma dimensão (o Condes, por exemplo) que nos permitia pensar no cinema como uma arte maior. Hoje ir ao cinema é, para muita gente, apenas mais uma coisa que se faz, entre comer um hambúrguer e comprar uns sapatos. Mas ainda há cinemas onde é o cinema o que mais interessa. Os da Medeia Filmes são um exemplo. Mas o mais importante é o espírito de quem vai ao cinema. E, às vezes, mesmo no meio do cheiro das pipocas e do barulho dos que insistem em comê-las, conseguimos mergulhar noutra dimensão e ver um filme.
Gostei de ver as fotos, mas é como dizes..."Tempos"...

Hugo disse...

Concordo plenamente com o que você escreveu. Eu cresci na década de oitenta e ainda tive a oportunidade de conhecer salas de cinema grandiosas (apesar de um pouco mal cuidadas na época) e era uma experiência completamente diferente deste cinema "fast food" que vivemos hoje.

Vivo em São Paulo e por aqui existiam salas para até 800 pessoas, com tela gigante e inclusive um sala totalmente diferente com três telas, sendo que em qualquer lugar que você estivesse sentado veria apenas uma das telas, algo que o pessoal de hoje nem imagina.

Abraço

::Andre:: disse...

Concordo com a analima, apesar de tudo é possível mergulharmos noutra dimensão. Mas Vitor, lá fora isso ainda acontece. Da última vez que estive em Madrid lá estava um grande placard com o último do Woody; ir a Londres e passar na Leicester Square é encontrar n de pessoas em filas para ir ao cinema... Portugal está sobrecarregado de centros comerciais, mas lá fora ainda é possível ir ao Cinema. Sou do Porto, resta-me o Campo Alegre e pouco mais, mas um filme lá vale tanto tanto...