terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O serial killer, o estudante, o livro e o filme


Na vasta e rica (pelas piores razões) história de serial killers americanos, John Wayne Gacy ocupa um lugar de destaque. Em apenas seis anos, entre 1972 e 1978, matou, torturou e violou 33 adolescentes (todos rapazes). Era tido como um cidadão comum e pacato, casado, trabalhava num vulgar e pequeno negócio e vestia-se de palhaço (daí a alcunha de "Palhaço Assassino", na imagem) para animar inocentes festas familiares. Foi com este disfarce que seduziu rapazes jovens para os seus jogos sexuais de perversidade inimaginável. Depois da tortura impiedosa que infligia às malogradas vítimas, John Gacy matava-as com grande crueldade e enterrava-as no quintal de casa. Até que foi descoberto pela polícia...
Foi preso em 1978 e condenado à morte por injecção letal. No entanto, só seria executado em 1994, quando contava já 52 anos.
[William Forsythe no papel de John Gacy]
Há uma história interessante pelo meio de tudo isto: Jason Moss, um jovem estudante de psicologia criminal com um fascínio mórbido por serial killers, decidiu fazer a tese de licenciatura sobre o assassino John Gacy. Decorria o ano de 1993 e o estudante de 18 anos, inteligente e destemido, encetou um contacto regular com o assassino, enviando cartas para ganhar a confiança do criminoso. Fez-se passar por homossexual para seduzir Gacy (enviou-lhe fotos ousadas), contou-lhe pormenores da sua vida pessoal e falou com o serial-killer (este a partir da prisão) por carta e telefone.
A perigosa intimidade entre os dois foi de tal ordem que perturbou a vida quotidiana do jovem estudante, tornando-se até violento. Durante vários meses, Jason Moss quis ir ao fundo da psicologia do assassino, compreender as suas motivações e a sua personalidade. Até que um dia, pouco antes de John Gacy ser executado, este solicita a presença física de Jason moss na prisão, para se conhecerem pessoalmente.
E é nesse particular momento que se atinge o clímax de tensão entre ambos: apesar de se considerarem "amigos", John Gacy ameaça matar Jason Moss em plena cela (na ausência dos guardas prisionais), revelando toda a natureza malévola do serial killer (imagem em baixo).
Mais tarde, Jason Moss escreveria um livro para descrever os pormenores deste relacionamento doentio, assim como a correspondência que estabeleceu com outros famosos assassinos em série presos: Charles Manson, Jeffrey Dahmer e Henry Lee Lucas.
Esse livro, "The Last Victim", teve um assinalável êxito de vendas, dando origem a um filme assaz interessante - "Dear Mr. Gacy" (2010), com um fantástico e perturbador William Forsythe no papel do sinistro John Gacy. Um filme que retrata, com imperturbável serenidade, a conturbada e perigosa relação entre Gacy e Moss (no YouTube pode-se ver uma entrevista de Jason Moss na qual conta os pormenores desta relação).

Entretanto, Jason Moss dedicou-se à advocacia durante alguns anos, mas sempre referindo que o episódio da sua visita a Gacy na prisão o marcou para sempre. Emocionalmente instável, cometeu suicídio aos 31 anos, numa curiosa data que suscitou interpretações "satânicas": seis de Junho de 2006 (ou seja, 6-6-6, o "número da Besta"). Mera coincidência?

Os verdadeiros John Gacy e Jason Moss, quando este visitou o serial-killer na prisão (momentos antes de ambos entrarem para uma cela... sozinhos).

Trailer do filme "Dear Mr. Gacy".

4 comentários:

Angela Cristina - SP/Brasil disse...

nossa!!!
esse post despertou minha curiosidade. muito intrigante.

Álvaro Martins disse...

Victor, deve ser 6 de Junho e não Julho. É que Julho já é o sétimo mês e não o sexto ;)

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Tens razão, Álvaro. Obrigado pela rectificação. Ele morreu mesmo no mês seis, ou seja, em Junho. O lapso foi meu.

ArmPauloFer disse...

Puxa que agora tornaste esse filme ainda mais interessante, ao o contextualizares perante a história. Esperemos que seja um filme que se aguente perante tão interessantes factos.

Isto faz-me lembrar o ainda hoje misterioso caso da Dália Negra, uma aspirante a actriz que foi brutalmente assassinada (corpo cortado em dois, a genitalia removida e ainda decapitada), ao qual Brian De Palma se dedicou a dar nova luz com o seu filme mas que se espalhou com semelhante material (mesmo assim gostei do filme). Cheguei a dedicar a este assunto/filme o artigo "Filme "A Dália Negra (The Black Dahlia)", breve história e factos reais" onde abordo um pouco mais este assunto (e tem fotos deste macabro crime).