segunda-feira, 17 de agosto de 2009

"Up" e o sentido da vida


É um prodigioso filme da Pixar. Mais um. Depois no inovador Wall.E, a Pixar brinda o público de todas as idades com um sublime filme de aventuras e entretenimento de inigualável qualidade. Divertido e emotivo, ao mesmo tempo. Se dúvidas houvesse, "Up" prova uma vez mais que o cinema de animação chegou a um patamar artístico (para já não falar da componente tecnológica) que iguala - e por vezes supera - o cinema de "live-action". Não é por acaso que este foi o primeiro filme de animação a abrir o último festival de cinema de Cannes. Como escrevia o crítico Luís Miguel Oliveira no último Ípsilon, este último filme da Pixar consegue ser um filme bem mais maduro emocionalmente (e em termos narrativos) do que muitos filmes ditos convencionais.
Desde logo, pela brilhante sequência inicial, nos quais em breves minutos percorremos as vivências de Carl Fredricksen (o velhote rezingão com cara de Spencer Tracy) desde a infância até à velhice, num exemplo notável de contenção e eficácia narrativa. Depois, pela forma como a magnífica qualidade visual do filme (o 3D quase nem se nota, e ainda bem) está ao serviço de uma forte ideia de história, cujo argumento é explorado e desenvolvido de forma sublime. E recordo que é a segunda vez, desde a morte da mãe de Bambi (no filme "Bambi", 1942), que um filme de animação se centra, de forma tão verosímil e pungente, na ideia da morte (porque é a morte que despoleta os acontecimentos).
No fundo, "Up" é um filme sobre os mais profundos valores e sentimentos humanos, é um filme sobre a solidão da velhice, sobre a relação inter-geracional, sobre a consciência da defesa animal e ambiental (daí que não se restrinja, unicamente, para crianças!). É também um sensível conto sobre os sonhos adiados e nunca realizados e sobre a necessidade de dar sentido à vida mesmo na iminência da morte. Que esse sonho de Carl Fredricksen seja materializado através da fantasia de uma casa flutuante com balões, é apenas um dos contributos para o incrível imaginário que "Up" desperta.
PS - Só para dizer mais duas coisas: a versão dobrada em português é de grande qualidade; a banda sonora original é sublime, da autoria do cada vez mais interessante Michael Ciacchino (autor da música de séries televisivas - "Lost" - de jogos de vídeo e de filmes como "Star Trek", "Ratatouille" e "Cloverfield").

5 comentários:

Ritinha disse...

A versão portuguesa pode ser a melhor coisinha que alguma vez foi feita, ainda assim abomino por natureza as dobragens. Porque, queira-se ou não, é sempre uma dobragem. E os cinemas poderiam ter isso em conta, já que nem só a pequenada tem direito a ver as pelas obras com o carimbo Pixar. Cá no burgo os dois cinemas que existem exibem a versão tuga, coisas que muito me agasta, já que terei, mais uma vez, de esperar para ver a versão original. --'

De resto estou em pulgas para ver o filme.

::Andre:: disse...

Tive que o ver às 23h55 pois era a única sessão da versão original, mas valeu tanto... A Pixar não tem um filme fraco, está cada vez melhor.

Spark disse...

A animação é sem duvida de grande qualidade.

Dewonny disse...

Tbm vi "UP" e achei ótimo, uma aventura deliciosa pra lá de inspiradora, a pixar sempre surpreendendo, impressionante a criativivade de criarem histórias tão boas!
Abs! Diego!

Marta disse...

5 estrelas :) o filme e o teu blog!


Parabéns!