sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Perguntas indiscretas - 16


Porque é que só na época festiva do Natal e do Ano Novo é que é possível ver na televisão (RTP), em horário nobre, concertos de música clássica? E porque é que o repertório das orquestras é sempre baseado em peças clássicas de Johann e Richard Strauss?

1 comentário:

Carmen disse...

O concerto inclui peças da família Strauss (Johann Strauss I, Johann Strauss II, Josef Strauss e Eduard Strauss), mas aconteceram ocasiões de serem interpretadas peças de outros compositores austríacos, como Joseph Hellmesberger, Joseph Lanner, Wolfgang Amadeus Mozart, Carl Otto Nicolai, Emil von Reznicek, Franz Schubert, Franz von Suppé, Karl Michael Ziehrer e Josef Haydn. Em 2009, foi a primeira vez que uma obra de Joseph Haydn foi tocada (o quarto movimento da Sinfonia Nº45, tocada para celebrar o segundo centenário da morte de Haydn).

Normalmente são tocadas doze peças, com uma duração de aproximadamente duas horas, com uma palsa de trinta minutos. O concerto tem polkas, valsas e marchas. O concerto acaba tradicionalmente com três encores. O primeiro é normalmente uma polka rápida (música tradicional austríaca), a segunda é a famosa valsa, o Danúbio Azul, de Johann Strauss II, em que, também segundo a tradição, os primeiros acordes são interrompidos com aplausos de reconhecimento da audiência, após o que o maestro e a orquestra endereçam, coletivamente, ao público os seus votos de Feliz Ano Novo. Segue-se então a interpretação do Danúbio Azul, após isso, o concerto encerra com a Marcha Radetzky. Durante a execução desta composição alegre e festiva, a audiência é convidada, pelo maestro, a participar, aplaudindo ao ritmo indicado pelo maestro, que se vira ao público.

Os concertos de Ano Novo são realizados no Salão Maior (em alemão Großer Saal) do Musikverein desde 1939. A partir de 1980, as flores que decoram profusamente a sala são ofertas da cidade de Sanremo, na Itália. Durante o concerto, algumas peças são acompanhadas por ballet, com a participação ao vivo ou gravada em diversos monumentos famosos da Áustria (Palácio de Schönbrunn, Schloss Esterházy, a Ópera Estatal de Viena, por exemplo) e partes do Musikverein, por dançarinos do Ballet da Ópera Estatal de Viena.

[editar] História
O concerto de Ano Novo da Orquestra Filarmônica de Viena realizou-se pela primeira vez em 1939, dirigido pelo maestro Clemens Krauss. Nesse ano, no que foi a primeira e última vez, o concerto realizou-se no dia 31 de Dezembro. Do seu programa apenas constaram obras de Johann Strauss filho. Nesse primeiro ano não houve encores (cuja tradição se teria iniciado apenas em 1945). Surpreendentemente, o Danúbio Azul foi apresentado pela primeira vez em 1945, e só como encore. Só no ano seguinte interpretar-se-ia pela primeira vez a Marcha Radetzky, também como encore. As duas peças fariam frequentemente parte do programa, mas só a partir de 1958 se estabeleceria permanentemente a tradição de encerrar o concerto com estas duas peças como encore. A partir deste ano só excepcionalmente se quebraria a tradição, nomeadamente em 1967, com o maestro Willi Boskovsky, que incluiu o Danúbio Azul no programa principal do concerto, e em 2005, quando Lorin Maazel terminou com o Danúbio Azul, não executando a Marcha Radetzky, em sinal de respeito com as vítimas do Terramoto do Índico de 2004.

Boskovsky, director musical da orquestra de 1936 a 1979, dirigiu a orquestra nos concertos de Ano Novo de 1955 a 1979. Em 1980, Lorin Maazel tornou-se o primeiro maestro não austríaco num concerto de Ano Novo, tendo-o feito também nos 7 anos seguintes. A partir de 1987 institui-se a tradição de convidar anualmente um maestro reputado, seleccionado por votação entre os membros da orquestra, para dirigir o concerto de Ano Novo. O primeiro foi Herbert von Karajan (pensa-se que a tradição de rotação de maestros foi pensada como forma de homenagear o velho maestro austríaco).