quarta-feira, 21 de abril de 2010

A fé de Sam Harris na ciência


O Vaticano está a passar um mau bocado devido aos escândalos da pedofilia. E os EUA estão a viver um período complexo no que concerne à educação e ao paradigma de valores que incutem nas novas gerações. É que, por incrível que pareça, em pleno Século XXI, há muitos milhões de americanos que acreditam na corrente criacionista da vida, isto é, uma corrente que interpreta à letra os postulados da Bíblia. Significa isto que os defensores do criacionismo defendem a ideia de que o homem descende de Adão e Eva, que conviveu com os dinossauros e que o Dilúvio existiu mesmo, entre outros tantos delírios romanceados.
Na prática, os defensores desta corrente religiosa refutam todas as evoluções científicas e teóricas conseguidas pelo homem durante o século XIX e XX, como a teoria da Evolução das Espécies de Charles Darwin e todas as conquistas técnicas e tecnológicas. Em contraposição, o Evolucionismo é uma teoria científica fundamentada em achados fósseis concretos ou em experiências bio-genéticas realizadas, enquanto que o Criacionismo é abstracto, indemonstrável e desprovido de quaisquer bases científicas.
E o que tem este livro, “O Fim da Fé”, a ver com tudo isto? Tem tudo a ver porque ataca toda a religião conotada com o Criacionismo, e todo o tipo de manifestação religiosa, como causas dos males do mundo. Na verdade, Sam Harris, mais do que Richard Dawkins ou Christopher Hitchens, escreveu um dos mais violentos ataques contra os paradigmas religiosos, sejam de tendências extremistas ou moderadas. Defende que a razão e a ciência são as únicas estruturas basilares que sustentam a evolução da humanidade e que o terrorismo se baseia na má interpretação da fé. “O Fim da Fé” (lançado pela Tinta da China), reclama o direito do homem a ser um pensador livre, sem amarras de dogmas infundados definidos em escrituras milenares e aponta a fé como a mais infame e fantasiosa forma de entender a vida humana, o mundo e qualquer fenómeno natural. Sam Harris leva o seu ateísmo militante às últimas consequências, em defesa da razão e contra o fundamentalismo dogmático de qualquer religião ou de fantasias pseudo-religiosas.
Site oficial de Sam Harris.

4 comentários:

bebeto_maya disse...

Caro, algumas conseiderações.

"É que, por incrível que pareça, em pleno Século XXI, há muitos milhões de americanos que acreditam na corrente criacionista da vida,"

Questão de dogma. Você trata, nessa passagem, a crença como algo patológico, uma doença.

"Significa isto que os defensores do criacionismo defendem a ideia de que o homem descende de Adão e Eva, que conviveu com os dinossauros e que o Dilúvio existiu mesmo, entre outros tantos delírios romanceados."

Mentira escancarada. Há vários níveis de criacionismo.Desse mais fantasioso até o design inteligente e teorias muito bem embasadas, que não negam a seleção natural, como as teorias de Michael Behe, propostas no livro "A caixa preta de Darwin". Você tem o direito de defender seus ídolos, mas seria interessante ser mais factível.

"Sam Harris leva o seu ateísmo militante às últimas consequências, em defesa da razão e contra o fundamentalismo dogmático de qualquer religião ou de fantasias pseudo-religiosas. "

Ele mesmo é um fundamentalista. é incrível como essa gente lança livro e vira celebridade. Basta odiar a religião, pregar o Darwinismo, e pronto, nem precisa ser elaborado, você já ganha uma multidão de fãs.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Para mim toda a crença que seja assente em dogmas fundamentalistas e irracionais são - na sua expressão - algo de patológico. Não concebo a vida de outra forma.

Sam Harris não é fundamentalista naquio em que acredita. O que faz é denunciar os excessos cometidos em nome da fé - seja ela de que religião for. Também não é nenhuma celebridade - a não ser em círculos intelectuais e académicos restritos. E ao contrário do que refere, o seu livro é extremamente bem escrito e fundamentado.

Alexander Sweden disse...

Quando diz: "Na prática, os defensores desta corrente religiosa refutam todas as evoluções científicas e teóricas conseguidas pelo homem durante o século XIX e XX, como a teoria da Evolução das Espécies de Charles Darwin" das duas uma: Ou acredita piamente naquilo que escreveu e revela desconhecer algumas teorias criacionistas, o que demonstra pouco estudo e pesquisa, ou pretendeu mandar um cliché para o ar sem pensar muito bem no que estava a escrever, o que revela na minha humilde opinião pouco rigor e isenção.

Compreendo que muita gente, e acredito que não seja o caso do autor deste belo blog, procura superiorizar-se intelectualmente perante os restantes mortais com os famigerados ateísmos e acérrimos defensores da máxima: Só acredito naquilo que a ciência consegue provar". Mas questiono: Quando apenas acreditamos naquilo que a ciência nos consegue provar não estaremos a colocar o homem, os seus 5 falíveis sentidos e a sua limitada capacidade pensante no centro do universo? Não poderá isso ser tão ou mais errante como o mundo onde vivemos alicerçado e desenvolvido por esse mesmo homem?

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

1. Alexander: não posso dizer que fiz uma pesquisa aprofundada sobre o criacionismo, mas li e vi (documentários) o suficiente para tirar as minhas próprias conclusões que expressei no post. Continuo a achar que o Criacionismo é uma crença em dogmas primários, anacrónicos e perfeitamente falíveis.

2. Claro que não tenho quaisquer pretensões de mostrar superioridade intelectual. Apenas exponho a minha opinião sobre as coisas que escrevo no blog (neste caso, religião) que podem - e devem - ser rebatidas e contrapostas por outros. E na verdade, não há tema que mais divida opiniões do que o tema de Deus e da religião.