quinta-feira, 22 de abril de 2010

Um novo olhar sobre Portugal


Hoje tem início o festival IndieLisboa. E, pelas primeira vez na sua história, as honras de abertura cabem a um filme português: “Fantasia Lusitana” de João Canijo.
Um filme que, segundo a opinião do crítico Jorge Mourinha, expressa aqui, permite reavaliar os fantasmas do passado graças a um material de arquivo inédito, num mergulho perturbador no obscurantismo que dominou Portugal durante 48 penosos anos.
Há dias escrevia que faltam filmes portugueses que abordem o Estado Novo e a ditadura fascista. Faltam novos olhares, novas abordagens, de forma a exorcizar, cada vez mais fundo, as raízes do salazarismo e suas consequências no Portugal de hoje.
Daí que seja interessante ler a esclarecedora entrevista feita a João Canijo, concedida ao jornal i. Uma entrevista reveladora que prova que Portugal foi, durante cinco longas décadas, um país à deriva, inerte, atrasado e alienado que promovia uma falsa noção de prosperidade e nacionalismo bacoco.

2 comentários:

PortoMaravilha disse...

@ Victor

Parabéns pelo post !

Sou teu leitor fiel , mas nem sempre tenho tempo para comentar.

Embora não pertença a nenhum partido e que , feliz ou infelizmente, nada tenha propor , senão mais humanidade sem qualquer religião , faço parte de quem deu o salto .

Para fugir à guerra , para fugir a uma chapa construida sobre o medo que era mantida pela ignorância e pela miséria ( a fome ) e pela miséria sexual .

Faço parto de muitos , já fora , que nunca pensou que o fascismo cairia.

Pouco ou nada tem sido escrito sobre o fascismo : Lobo Antunes , Maria de Medeiros e um requiem em memória das victimas do fascismo. Deixo-te advinhar o autor.

Indirectamente : Poderiamos acrescentar Lídia Jorge e o filme feito através do livro desta.

Maria de Medeiros , quanto a mim , é a única que soube dar uma uma linguagem universal ao sofrimento do povo Português debaixo do fascismo. Isto quanto à linguagem cinematográfica.

Tenho no cosmeticas tentado apresentar aspectos do que foi o lápis azul , graças aos arquivos do Jornal do Fundão.

Pessoalmente , não apreciei a entrevista : Se é verdade que Portugal apresenta ou conhece uma crise grave , comparar o que se passa hoje com o que se viveu é propaganda.

Actualmente, chegam centenas de emigrantes a França : Mas sabem ler e escrever e utilizar um computador.

Debaixo do Fascismo , chegavam e não conheciam o que era uma banheira ou um chuveiro. E eram analfabetos.

Quem compara Portugal de hoje, independentemente de ideias políticas, com o Portugal fascista ou Salazarista ou é de má fé ou é ignorante.

Ateste-se no único critério válido : A taxa de mortalidade infantil antes e após o 25 de Abril !

Nuno

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Nuno: para além do filme de Maria de Medeiros, há também um bom documentário da irmã, Inês de Medeiros sobre o fascismo. Chama-se "Cartas a Uma Ditadura" e é de 2006.