segunda-feira, 5 de abril de 2010

Orson Welles barroco e genial



Costumo dizer que "Touch of Evil" (1958) é, à semelhança de "How Green Was My Valley" (filme de John Ford), um dos mais belos e adequados títulos alguma vez idealizados para um filme. Em "Sede do Mal", de Orson Welles perpassa a sofreguidão pelo mal, pelo desejo obsessivo do poder, pela devassa da corrupção corporizado por esse inspector tenebroso e repelente chamado Hank Quinlan (interpretado pelo próprio Orson Welles).
A partir de uma banal história de literatura policial (um detective investiga um assassínio na fronteira mexicana), Welles constrói um filme negro, negríssimo, à volta de uma viagem ao submundo do crime e da corrupção, uma viagem sem regresso aos meandros obscuros da psique humana. Filme de 1958, com magníficas interpretações de Charlton Heston, Janet Leigh, Marlene Dietrich e o do próprio Welles este é um filme avassalador e, para mim, esteticamente superior a "Citizen Kane".
Em termos formais este é talvez o filme visualmente mais rebuscado e barroco da filmografia de Orson Welles (mesmo contando com os expressionistas “O Processo” e “Macbeth”). Welles ensaia nesta obra alguns dos mais inovadores movimentos de câmara (como o longo plano-sequência inicial), invulgares ângulos e planos de filmagem, ritmo de montagem, fotografia. Perante tamanha criatividade do realizador, os produtores de “Sede do Mal” cilindraram a obra e apresentaram, à data da estreia, uma versão amputada. Orson Welles passou o resto da vida a reclamar o “director’s cut” do filme. Felizmente com o advento do DVD, os cinéfilos puderam regozijar-se com essa versão da montagem final segundo a visão artística do realizador.
Um filme grandioso e excessivo, uma obra ímpar para a maior das galerias imortais das imagens em movimento.

4 comentários:

My One Thousand Movies disse...

Um dos melhores filmes de sempre...

jose disse...

isto é que é introspecção
A falar demasiado desde 22/11/07
cacoethes scribendi
cést magnifique mais ce nést pas normal
é por essas qwe dizem qwe os profs num fazem nada
e não devia ser o homi qwe sabia demais mas il comentario ao lado

2227 posts este é o mais maniaco blog qwe vi
600 e tal por ano in media

num é elogio nem o reverso é a realidade também só comecei a ver blogs há 2 meses pode ser qwe este seja normalissimo
uma pululação frenética de palavras
isso num é saber demasiado é ausência de controle todas as maniaws devem ser controladas
é o meu conselho profissional...
também sou um maníaco mas estou medicado...

Rui Herbon disse...

E agora pergunto eu: há quanto tempo não passa um filme de Welles (só para referir um dos grandes) nos canais de serviço público?

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

É isso mesmo Rui. E eu por acaso vi o filme pela primeira vez na televisão, mas espanhola, há muitos anos.