terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Actividade Paranormal"


De dez em dez anos há um hype assim. Há dez anos aconteceu o fenómeno "Blair Witch Project", um filme independente feito com meia dúzia de tostões que rendou milhões à custa de informação viral sobre a alegada veracidade dos factos que o filme abordava. Agora, o novo hype é o filme "Actividade Paranormal" que, à semelhança do título citado, também foi feito com escassos recursos, em apenas 15 dias de filmagem (na própria casa do realizador), com uma câmara de filmar digital doméstica (de qualidade) e unicamente com dois actores. Pretendia passar como documentário verdadeiro (a captação, em vídeo doméstico, de fenómenos estranhos ocorridos numa casa durante a noite), mas tal como "Blair Witch Project", rapidamente se percebeu que mais não era do que um "bluff" comercial.
Um filme assumidamente amador, que aborda o fenómeno paranormal durante a noite (ruídos, objectos que caem, portas que se abrem, etc), mas que foi suficientemente forte para impressionar gente experimentada como Steven Spielberg (que sugeriu um novo final para o filme). E claro, as receitas subiram na ordem dos milhões de dólares...
"Actividade Paranormal" é uma fita de terror mas não mostra sangue, nem monstros, nem violência "gore". Afinal, socorre-se da exploração da emoção humana primordial: o medo. O medo do desconhecido, do imprevisível. E parece que tem surtido efeito, com plateias aterrorizadas por todo o lado (como se pode constatar aqui), clubes de fãs criados a nível mundial, pesadelos registados, filas para comprar bilhetes e críticas de jornais que classificam o filme como o "mais assustador de sempre". Exagero ou não, veremos qual será a reacção quando estrear por cá (e se o "hype" se confirma), no próximo dia 10 de Dezembro.

10 comentários:

LN disse...

Não vi, nem verei, certamente, apesar de saber do hype já há algum tempo. Não porque me parece fraquinho nas ideias... aquele género de tensão esgotada no senso(rial). Aquela adrenalina constante que tenta (mas pouco consegue, numa pessoa adulta) manter a mais profunda abjecção à fisionomia do distúrbio psíquico (menos físico e corporal, ainda que lá esteja). Nunca viste o [REC]? Também foi um fenómeno. Esse gostei muito. Consegue, a um nível bem claro, suportar as características acima. O [REC] 2, que também anda por aí, está miserável. Queda a pique.

Victor Afonso disse...

Sim, vi o [REC], e gostei bastante. Parte de um dispositivo visual muito forte. Já o 2 não vi, mas acredito que seja perfeitamente dispensável.

::Andre:: disse...

O/a LN não explica porquê que não o verá...

Adorei o [REC] tal como adorei o The Descent e afins, mas não os colocava na mesma prateleira que este. Já o vi e está muito bem feito, consegue ser credível, e lá porque é hype não significa à partida que seja mau.

::Andre:: disse...

Já agora, que final sugeriu o Spielberg? Algum link onde se possa ler sobre isso?

Victor Afonso disse...

Andre: não sei qual foi o final sugerido pelo Spielberg. Li apenas essa informação. É uma questão de fazer uma pesquisa para tentar saber o que foi alterado.

Francisco Maia disse...

Já agora: já vi o filme e não só é totalmente mediano, como o hype foi todo uma mentira descarada da imprensa.

Quanto ao Rec2: dispensavel por apenas acrescentar informação, verdade. Mas se gostam de filmes de terror, é muito engraçado, gostei bastante. Isto porque eles jogam com o teu conhecimento do primeiro. Género: "porque é que esta porta está aberta" e nós, que sabemos o porque, "NÃO ENTRES! HÁ ZOMBIES Aí!!!". Foram 90 minutos bem passados =)

cão sem raiva disse...

Achei o Blair Witch fantástico. A naturalidade aliada ao realismo cru no desempenho das personagens. Chegava a ser inquietante.
Este ainda não vi.

::Andre:: disse...

Se gostaste do Blair Witch vais gostar deste.

lumadian disse...

Acabei de chegar do cinema e apenas posso dizer que é uma porcaria!
Decepção enorme.
Não vale nada!

carla disse...

Eu achei o filme muito bom, mais no género de Blair Witch do que do Rec. Vi o Rec e gostei, mas não muito, demasiado Gore e demasiado Zombie.
Este filme é mais real, aproxima-nos das personagens e dos acontecimentos ( que na maior parte das vezes são indícios de acontecimentos).
A ideia está muito boa e muito inteligente. Neste tipo de filmes joga-se com a emoção do espectador, com os seus medos mais primários, sem isso não terá efeito e é muito difícil ficar indiferente a este filme a não ser que nos fechemos completamente a ele. Quem vai ver o filme não pode esperar ser inundado de imagens que vão aterrorizar completamente do inicio ao fim, aqui, trata-se essencialmente do medo do desconhecido, o medo arrepiante de não conseguir ver ou controlar algo que sabemos que existe e consegue mexer conosco de uma forma bizarra e incontrolável.
Eu adorei!