segunda-feira, 2 de novembro de 2009

"A rádio não incendeia nada"


BLITZ - "Quais foram para si os anos áureos da rádio em Portugal?"

António Sérgio
- "Os anos dos programas de autor na antiga Rádio Comercial, ainda pertencente à RDP. A rádio era ouvida com uma clubite muito especial. Uma das funções da rádio é espalhar magia: nós não temos cara, temos vozes, e isso ajuda a incendiar o imaginário dos ouvintes. E esta rádio de hoje, coitada, não incendeia absolutamente nada. Põe o ouvinte a um canto e diz-lhe: ouve isto, que não te maça, não te assusta, não te provoca, não te faz comprar discos. Outra verdade: a rádio de hoje não te faz comprar discos - as rádios de autor conseguiam fazer as pessoas ter paixão por comprar música."
(Entrevista de 2007, publicada na BLITZ nº17)
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Completamente de acordo. Aliás, já o tinha dito, de outro modo, aqui e aqui.

9 comentários:

Papagaio Mudo disse...

"programas de autor". Isso é (ou era, ainda restam alguns. O Bazar Maravilha do Tutti Maravilha, na Rádio Inconfidência, aqui em BH já completou 14 anos no ar ininterruptamente) muito bom e como foi citado "raro", no bom gosto e na 'forma' de apresentar a programação. O futuro está no rádio.
abç

Gustavo

Diamond disse...

É curioso como me recordo daquelas rádios alternativas que divulgavam imensa música completamente diferente e inovadora e que curiosamente contribuiam para que fosse à procura desses projectos. Por vezes acabava mesmo por os comprar.

Sim, tempos houve em que a rádio incendiava o imaginário dos ouvintes.

Cump.

F disse...

Total e completamente de acordo, também.

Luis Baptista disse...

Penso que esse periodo da Comercial foi o melhor de sempre e nunca será comparavél: Antonio Sergio, Luis F. Barros, Rui Morrisson, Paulo Coelho, João D. Nunes e fora da comercial Ricardo Saló, estes são alguns exemplos de qualidade que será muito dificíl igualar.

Anónimo disse...

"Luis F. Barros"
Como ? Importa-se de repetir?

Luis Baptista disse...

Sim, não era o melhor, mas tbem passava alguma qualidade, depois com o avançar do tempo degenerou, mas ainda me deu algum gozo ouvi-lo...

MrBike disse...

Concordo plenamente!
Abaixo a rádio que serve apenas interesses económicos!
Acho que esta foi uma resposta que caracteriza antena 3 e outras rádios na perfeição!

Ricardo Guimaraes disse...

Este post, infelizmente escrito a circunstâncias menos boas, demonstra que a rádio em Portugal anda um pouco pelas ruas da amargura.

Trabalho com muito orgulho,na rádio, há 2 anos e 8 meses, e tento, em parceria com mais dois amigos, lutar contra o fagelo da comercialidade e até do actual hipsterismo que há.


Quando ouvimos música, ela inevitavelmente, vai despertar em nós, a curto ou longo prazo, uma reacção quimíca, seja boa ou má, mas jamais, poderá levar-nos ao conformismo, onde escolhem o que ouvimos, devindo ao bombardeamento que as editoras fazem, pagando ás rádios para passarem X músicas 5 ou 6 vezes por dia.

A música, é um todo,um global, um universo,uma dimensão,tendo imensos géneros e consequentes sub-géneros.

O nosso ouvido, merece ser bem tratado, ter prazer, para depois transmiti-lo á nossa mente e depois ao nosso corpo, pois ele já trabalha tanto durante o dia-a-dia que merece também mimos.

Tenho pena das pessoas surdas, porque são assim,algumas á nascença e outras não, mas as outras, que têm ouvidos sãos, tratem-nos bem! Ouçam música, procurem, esmiuçem.

Estou grato por estar numa idade onde posso discernir e apreciar certos álbuns,concertos,batidas, o som em geral.

Ouçam música, música boa! Esqueçam géneros ou se ela está na moda ou não.

Cumprimentos,

Ricardo Guimarães

P.S - Deixo aqui também o site que tenho www.caixapirata.net, onde disponibilizo podcasts que são gravados em directo na R.C.P.F

Se alguém quiser informações sobre os artistas de podcasts mais antigos, visto colocarmos apenas a playlist mais recente, contactem connosco: indiefrente@caixapirata.net

Victor Afonso disse...

Obrigado Ricardo pelo teu contributo.