quinta-feira, 4 de março de 2010

A arte (ou a indiferença) do genérico


Há um filme de Woody Allen (creio que "Annie Hall") em que a personagem interpretada pelo próprio realizador desiste de entrar na sala de cinema porque já tinha sido exibido o genérico inicial do filme. Faz sentido. Podia ter perdido um genérico extraordinário. E o filme começa no genérico (quando os há). Durante décadas, no período clássico de Hollywood, os genéricos (opening credits) foram quase sempre iguais, com o mesmo ritmo, a mesma estética visual, a mesma forma de apresentação dos créditos artísticos e técnicos, com poucas variações na própria sequência gráfica dos títulos. Por isso, muitas das vezes, serviam apenas para aborrecer os espectadores, deixando-os indiferentes.
Porém, a partir de um dado momento, os genéricos sofreram alterações profundas, no estilo, na forma, no conteúdo. Outros realizadores optam até por prescindir dos genéricos iniciais (Francis Ford Coppola), outros há que são fiéis a um mesmo estilo (Woody Allen) durante largos anos.
Por vezes um bom genérico inicial de um filme é determinante para incutir no espectador o fascínio das imagens, a envolvência emocional da película. Saul Bass criou alguns dos genéricos mais originais para filmes de Alfred Hitchcock, ou para "Anatomy of Murder" de Otto Preminger. Nos últimos anos, David Fincher tem sido um dos poucos cineastas que atribui valor artístico ao genérico, talvez devido à sua formação inicial como realizador de videoclips.
O genérico é uma arte e imprime identidade artística a um cineasta, e não tem que ter uma função meramente funcional (como a de apresentar a lista de actores e intervenientes do filme). Eis um site que sugere 10 grandes "opening credits" do cinema recente.

5 comentários:

Nekas disse...

Bom tópico!

Foi em Annie Hall o que descreveste. Concordo contigo quanto ao genérico inicial, pode fazer toda a diferença numa visualização de um filme, recordo-me de Star Wars que apresenta um apanhado da história a par de uma banda sonora espectacular!

Abraço
http://nekascw.blogspot.com/

Rui Luís Lima disse...

Os genéricos de Hitchcock são maravilhosos, sendo o meu favorito o de "Vertigo", mas também há trailers fascinantes. Recordo-me do de "Bufallo 66", que deixou muito boa gente entusiasmada, ao mesmo tempo que se interrogava (os mais novos) sobre a identidade do autor da música que pontuava as imagens de forma soberba, a assinatura pertencia aos Yes.
Abraço cinéfilo
Rui Luís Lima

Pi disse...

Concordo totalmente com a importância de um bom genérico... inovador ou mais do mesmo.

Nada me deixa mais feliz do que reconhecer a letra de um genérico do woody :)

vasco disse...

eu acrescentaria alias os seguintes sites:

http://www.smashingmagazine.com/2008/12/19/30-unforgettable-movie-title-sequences/

e ainda nao menos interessante:

http://www.annyas.com/screenshots/1965-1969/

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Obrigado Vasco, boas sugestões.