terça-feira, 12 de maio de 2009

Bolero!

O “Bolero” (1928) de Maurice Ravel é uma das obras musicais mais populares do reportório clássico do século XX. Um feito para uma composição com pouco mais de 17 minutos de duração. Quando compôs a peça musical, Ravel pretendia fazer um mero estudo sobre dinâmica e orquestração, mas o compositor conseguiu que “Bolero” constituísse uma das obras musicais mais ouvidas e emblemáticas de sempre. Há uma aparente simplicidade nesta peça: a melodia e a harmonia seguem uma lógica repetitiva, em registo circular, tornando o ambiente sonoro quase hipnótico. O ritmo tocado na caixa da orquestra - ou tarola - (que se resume a uma única frase rítmica, na imagem), de dificuldade técnica muito reduzida, torna-se complexo de executar dado que o músico tem de estar muito concentrado para repetir, sem falhas, 169 vezes o mesmo “ostinato”. As diferentes famílias de instrumentos (sopros, cordas, percussão) vão introduzindo-se progressivamente, formando uma massa sonora cada vez maior e imponente.
Mas a faceta de “Bolero” mais singular é o extraordinário trabalho ao nível da dinâmica (intensidade). A peça começa de forma quase inaudível, em registo “piano”, até eclodir num clímax sonoro nos últimos andamentos. É aqui que reside a originalidade do trabalho de composição de Ravel.
A partir de uma simples frase rítmica (em cima na partitura), Ravel soube equilibrar as cadências, gerir o crescendo sonoro, aumentando a intensidade de forma quase imperceptível mas com resultados fascinantes (influenciou toda uma série de compositores, com especial relevo para os minimalistas americanos: Steve Reich ou Philip Glass).
Há quem se canse de ouvir o “Bolero”, porque não existem linhas melódicas novas, não há uma orquestração exuberante, não há mudanças bruscas de ritmo (neste aspecto, “Bolero” é a antítese de “A Sagração da Primavera” de Stravinsky). Eu, sempre que ouço “Bolero”, fico magnetizado com o poder que esta obra emana. E especialmente, com a orquestra dirigida por um carismático maestro Herbert von Karajan (último andamento até ao final).

6 comentários:

Teresa Queiroz disse...

les uns et les outres... :)

Victor Afonso disse...

Exactamente.

rui g disse...

Um pequeno estudo que resultou num texto magnífico, Victor.

Victor Afonso disse...

Obrigado Rui.

F disse...

Lembrei-me disto (ao minuto 4:45): http://www.youtube.com/watch?v=K1FZMIP9SK4

e lembrei-me disto:
http://www.youtube.com/watch?v=2lXPgbWGbG8

EU disse...

Também me lembrei de: http://www.youtube.com/watch?v=vINtNxnGMBg

http://www.youtube.com/watch?v=nfP0u_zf3EE


http://www.youtube.com/watch?v=KwwKFBeZr5Q

Geniais, acho eu.
O Bolero: Sublimeeeeeeeeeeeeeeeeee...
Beijinhos, PGA