quarta-feira, 24 de junho de 2009

A história do jazz através das capas dos discos

Joaquim Paulo tornou-se num caso único em Portugal: foi o primeiro português a editar um livro pela prestigiada e famosa editora de arte (e não só) Taschen. Foi a sua paixão pelo jazz e pelos discos de vinil que o levou a propor ao sr. Benedict Taschen (patrão da editora) a edição de um livro integralmente constituído por capas de discos. Ou seja, representar a história do jazz através das capas dos discos. Para tal, Joaquim Paulo socorreu-se da sua impressionante coleccção privada de discos, nada menos que 25 mil títulos, espalhados cuidadosamente por estantes que preenchem as paredes da sua casa.
Durante dois anos Paulo seleccionou os discos e compilou testemunhos de personalidades-chave ligadas à arte gráfica, engenheiros de som e produtores de jazz. E assim surgiu "Jazz Covers", um magnífico livro que reproduz cerca de 700 capas de vinis de jazz, que vão dos anos 1940 ao final da década de 1990, e seleccionados da riquíssima discoteca pessoal de Joaquim Paulo. Contém ainda fichas técnicas detalhadas, comentários e entrevistas que contextualizam historicamente cada vinil. Grandes nomes do jazz – entre outros mais desconhecidos – estão representados nesta edição músicos imortais como Miles Davis, Chet Baker, Thelonious Monk, John Coltrane, Ornette Coleman, Count Basie, Art Blakey, Bill Evans, Ella Fitzgerald e Chick Corea. Curiosamente, nenhum músico ou disco português está representado. O esforço por este trabalho foi compensador: para além das excelentes críticas obtidas e das boas vendas em todo o mundo, "Jazz Covers" foi distinguido no final de 2008, como o melhor livro de jazz editado, prémio atribuído pela importante Academia Francesa de Jazz. Selo de qualidade, portanto.

Como é que Joaquim Paulo conseguiu levar a cabo esta aventura editorial tão exigente? Qual foi o seu método para, no meio da vastidão de 25 mil discos, conseguir escolher apenas 700? Como relaciona o design gráfico das capas com a própria música jazz (estética musical vs. estética visual)? É verdade que o autor português se encontra já a preparar uma futura edição, também pela Taschen, dedicada às capas de disco de soul e funk?
Estas e outras perguntas terão, certamente, resposta, na tertúlia hoje à noite no Café Concerto do Teatro Municipal da Guarda: "A História do Jazz Através das Capas dos Discos", com a presença de Joaquim Paulo.

4 comentários:

F disse...

A Love Supreme, de John Coltrane: grande album. Ouvi kms dele.

Ana Pena disse...

Deram-me esse livro nos anos, fiquei louca! É uma bíblia maravilhosa!Manda um beijinho meu ao Joaquim Paulo e please pergunta-lhe se está também a preparar uma edição dedicada à música brasileira da década de 70 que eu ouvi dizer que sim, e era fantástico se isso fosse verdade!:)

godgil disse...

E então? Não será melhor ouvir a música do que olhar para as capas dos discos? Já sei, folheamos as páginas do livro e ficamos logo com uma vastíssima cultura enciclopédica sobre este género musical. Fiquei esclarecido. Há coisas que me não param de me espantar...

Victor Afonso disse...

F: "A Love Supreme" é também o disco de jazz preferido do Joaquim Paulo.
Ana Pena: o autor confirmou que está já a preparar uma nova edição para a Taschen sobre música soul e funk dos anos 60. Sobre música brasileira referiu que também lhe interessa, mas para já não há projecto de livro.
Godgil: em que parte do meu post é que se diz que "folheamos as páginas do livro e ficamos com uma cultura enciclopédica sobre o jazz"? O livro é um mero complemento gráfico à música, como dois elementos artísticos indissociáveis e com uma lógica específica entre o trabalho visual e a estética musical. Quem quiser ficar com um conhecimento enciclopédico (e o autor é o primeiro a recusar que o seu livro é uma enciclopédia) tem também de ouvir música, como é óbvio. É o mesmo que ter um livro com cartazes de filmes mas depois não os ver.
Mas este livro é um precioso e valioso documento para ficar a conhecer a cultura visual e gráfica ligada às capas dos discos de jazz, que tem especificidades gráficas (muito interessantes de analisar) conforme a editora, a época, o género musical ou o designer gráfico envolvido.
O autor explicou muitíssimo bem (e melhor do que eu) estes e muitos outros temas complementares na sua sessão de apresentação. Garanto que terias ficado esclarecido.