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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Mauricio Kagel - RIP



Mauricio Kagel (1931 - 2008) - compositor argentino
"A música é como uma língua acústica que se altera ao ritmo das expectativas que o indivíduo e a sociedade, em cada tempo, dela têm ou nela depositam. A importância da nova música está dependente de uma ‘iluminação em permanência’ - esclarecer as pessoas e educá-las. Sim, desde que se deixem educar. Ensino aos meus alunos a honestidade e rectidão de carácter. Se aprenderem a não mentir, têm hipóteses de se descobrir."

domingo, 20 de abril de 2008

Adolfo Luxúria Canibal - A visão de Maldoror



Há dias, no programa "Quem Quer Ser Milionário" da RTP, apareceu esta pergunta: "quem é o vocalista e líder do grupo Mão Morta?". O concorrente não sabia e estava indeciso entre duas possibilidades apresentadas: Adolfo Luxúria Canibal e Adérito Murmúrio Visceral (grande nome, sem dúvida). Concursos televisivos à parte, este intróito serve para dizer que o vocalista dos Mão Morta é uma das personalidades musicais portuguesas mais interessantes e marcantes dos últimos 20 anos. Já lidei com ele quer em contexto profissional, quer em contexto pessoal, e atrevo-me a dizer que o Adolfo é a maior referência musical para os cultores da cultura alternativa e independente. Tem uma visão artística, política, cultural e social bem vincada em valores que foi adquirindo com as leituras dos autores malditos (Sade, Lautréamont, Bataille, Heiner Müller, Debord, Ginsberg...) e a assimilação das referências estéticas do rock mais experimental.
Os Mão Morta, identidade musical negra e danada, delinearam um imaginário estético próprio, único na forma e no conteúdo a nível nacional (ainda que com óbvias referências a grupos estrangeiros). Os seus discos tiveram, quase todos, uma base temática explorada até ao tutano, expondo as feridas de uma sociedade podre de valores, absorta de referências. O culto à volta do grupo foi-se gerando a partir do segundo álbum, "Corações Felpudos", 1990), fruto de concertos míticos, teatralizados e nos quais Adolfo se expunha como se sentisse na pele o estigma da expiação dos pecados mundanos. As letras soturnas sobre sangue, morte, decadência, raiva, transgressão, insurreição, deram consistência à aura do grupo de Braga.
Agora, numa transmutação artística mais abrangente e ousada, os Mão Morta vão apresentar quarta-feira, na Culturgest, o espectáculo "Maldoror" com base no célebre livro maldito "Os Cantos de Maldoror" do francês Isidore Ducasse, mais conhecido como Conde de Lautréamont. No Expresso deste Sábado, em formato de entrevista, Adolfo Luxúria Canibal expõe, de forma concisa e pragmática (como é seu hábito), a trajectória de 25 anos de vida artística, desde as vivências na Braga conservadora pós-25 de Abril, até à actualidade. Para além de outros aspectos interessantes do seu discurso, o vocalista dos Mão Morta refere que na sua vivência de estudante se vivia a política de outra forma: "A política nessa altura tinha um carácter muito cultural. As pessoas não se limitavam a discutir política ou a ler Marx e Lenine. Lia-se de tudo, discutiam-se muitas ideias, viajava-se muito, falava-se de pintura. A partilha de impressões sobre as mais variadas artes era enorme. Comecei a interessar-me pela literatura antes de me interessar pela música, e o livro "Os Cantos de Maldoror" entusiasmou-me porque só conhecia os clássicos da literatura portuguesa. A leitura de "Maldoror" entusiasmou-me com a violência da linguagem, com as imagens e descrições muito fortes. Todo aquele ímpeto contra Deus, contra a religião e contra o homem, eram ideias e imagens fascinantes para mim, sobretudo por estar inserido numa sociedade altamente politizada logo após o 25 de Abril e numa cidade como Braga."
Parece-me que este discurso de Adolfo seria impossível ouvi-lo da boca de um jovem da sociedade de hoje. Precisamente porque os tempos sociais e políticos são outros, e porque as novas gerações já não sentem o mesmo ímpeto de procurar linguagens artísticas alternativas à cultura dominante. Já não existe essa vontade de libertação e de afirmação por certos ideais utópicos que mobilizavam gerações há 30 anos atrás. O comodismo assentou arraiais, a política é um conceito completamente alheio aos jovens, não incentiva à mobilização, ao combate, à procura de formas alternativas de cultura. Adolfo Luxúria Canibal continua a ser uma voz inconformada, libertária e revoltosa, uma voz que denuncia e remexe nas feridas abertas (ideológicas, sociais ou artísticas).

Nota: na imagem, Adolfo a ler o livro "A Cozinha Canibal" de Roland Topor.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A bandeira de Jasper Johns


Costuma ser o pintor menos conhecido e reconhecido do movimento da Pop Art norte-americana mas a sua obra permanece como baluarte de uma intervenção artística única. Para além de Andy Warhol, de Roy Lichtenstein e Robert Rauschenberg, Jasper Johns foi outro notável ponta-de-lança da pintura da segunda metade do século XX. Aos 5 anos tomou a decisão de ser pintor. E foi toda a vida. Parte da sua obra é também identificada como neo-dadaísta, mas visto ter utilizado inúmeros ícones da cultura de massa, é também incluído na corrente pop. Jasper Johns tem 78 anos e continua a trabalhar. A sua pintura mais famosa é "Flag", de 1955 (na imagem), a representação da bandeira americana que se revelou um ícone cultural da segunda metade do século XX. Johns desconstrói reconstruindo a identidade dos objectos e da sua representação, revelando ironia e apurado sentido plástico e estético.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Taschen - modelo de sucesso


Começou por ser uma simples editora de livros maioritariamente de arte fundada em 1980 por Benedikt Taschen em Colónia, Alemanha. Passaram quase três décadas e hoje a Taschen é uma referência mundial absoluta no mercado de livros e catálogos sobre os mais variados assuntos: para além da arte genérica (sobretudo moderna e contemporânea), há a destacar o design, a arquitectura, o cinema e a fotografia. O sucesso deveu-se, em grande medida, à forma como o seu fundador desenvolveu uma política editorial rigorosa e centrada em dois critérios fundamentais: qualidade das edições (na forma e no conteúdo) e baixo preço (ou preço muito módico comparado com outras edições especializadas). Por isso a Taschen é popularmente conhecida em todo o mundo. Por certo que não haverá um único apreciador de artes (cinema, pintura ou fotografia) que não tenha pelo menos uma edição desta editora nas suas estantes de livros. A Taschen combateu firmemente o elitismo no acesso à literatura sobre arte e as inerentes editoras especializadas em livros de arte (e também a sua política de preços caríssima), possibilitando a formação cultural de um novo público (sobretudo jovem) ao longo destes 30 anos de existência. Longa vida, portanto.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Sem petição


Não foi necessária uma petição nacional para trazer esta cantora/compositora/intérprete a Portugal: Suzanne Vega ao vivo no Teatro Municipal da Guarda, dia 9 de Julho de 2008.

terça-feira, 11 de março de 2008

Harold Lloyd - um génio esquecido


Quando falamos nos génios do cinema cómico mudo (porque há os outros génios do cinema dramático), referimos os inevitáveis nomes de Charlie Chaplin e Buster Keaton. Geralmente, esquecemos um outro artista que, tendo trabalhado quase sempre na sombra daqueles dois, conseguiu ser um actor de valor idêntico: Harold Lloyd (1893 - 1971). Tal como Chaplin e Keaton, também Lloyd pugnou por construir uma imagem própria e intransmissível e desenvolver uma linguagem cómica única. Construiu uma personagem bonacheirona, de chapéu e óculos redondos pretos. Ainda hoje mantém uma legião de fãs por todo o mundo, se bem que seja uma legião de fãs mais pequena do que a de Keaton e Chaplin. A sua maior obra-prima é o filme "Safety Last" (1923), no qual Lloyd cria a espantosa sequência - mesmo para os dias de hoje - em cima de um prédio. É desse filme uma das imagens mais conhecidas e representativas de todo o cinema mudo: Harold Lloyd pendurado, perigosamente, nos ponteiros de uma relógio (quem quiser ver o filme e esta sequência, basta ir ao youtube). Enquanto Chaplin sobreviveu artisticamente ao advento do sonoro, já Buster Keaton e Harold Lloyd não o conseguiram, arrastando as suas carreiras com filmes menores e sofríveis. Seja como for, Harold Lloyd, por ter sido sempre o menos (re)conhecido dos três génios do burlesco americano, merece ser reavaliado e valorizado pela sua arte e criatividade.

sábado, 1 de março de 2008

Admiração & respeito - 12


Boris Vian (1920 - 1959)
Em 39 anos de vida: engenheiro, mecânico, inventor, músico e crítico de jazz, poeta, romancista, encenador, tradutor, cronista, actor e intérprete. Génio.