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sábado, 26 de setembro de 2015

O olhar ameaçador de Goebbels

Não sei de que ano é a fotografia, mas certamente é anterior ao início da 2ª Guerra Mundial. Nela vemos, sentado, o feroz e temível nazi Joseph Goebbels, braço direito de Adolf Hitler. Goebbels era um fanático anti-semita, odiava de morte os judeus e foi um dos maiores responsáveis (houve outros) pelo Genocídio em massa dos judeus. 
Ora, o que esta fotografia tem de extraordinário é o olhar terrífico de Goebbels. Segundo consta, nesse momento em que estava a ser fotografado foi informado pelo seu colaborador que o fotógrafo era... judeu. Como reacção o dirigente nazi lançou este olhar de profundo desprezo, ameaça e ódio, qual cão raivoso pronto a atacar. No fundo, o seu rosto simboliza a campanha de ódio, terror e morte que os nazis lançaram contra o povo judeu.

A minha única inquietação é saber o que terá acontecido ao fotógrafo judeu após ter tirado esta espantosa - e medonha - fotografia.

domingo, 13 de setembro de 2015

Wim Wenders fotógrafo

O realizador alemão Wim Wenders é também conhecido por ser fotógrafo. Um fotógrafo que privilegia a exploração das paisagens desertas da América (como no filme "Paris, Texas"). Eis o que o cineasta diz para explicar a sua visão da fotografia:

"I see myself as an interpreter, as a translator, a guardian of stories that places tell me. I think I had wide-open eyes for America, and ‘the American landscape’ in a general sense seemed extremely attractive to me, both as a photographer and filmmaker."





terça-feira, 14 de julho de 2015

Kalatozov

E de repente Mikhail Kalatozov tornou-se num dos meus cineastas preferidos. Pelo menos um dos cineastas russos preferidos. Isto porque depois de ter visto duas obras-primas - "Quando Passam as Cegonhas" (1957) e "Soy Cuba" (1964) vi o filme de permeio "Letter Never Sent" (1960). O estilo de realização de Kalatozov é único na forma como cria movimentos de câmara, ângulos e planos. A fotografia a preto e branco é sempre soberba e de uma intensidade tocante.

A história de "Letter Never Sent" que vi ontem resume-se a quatro exploradores geólogos (3 homens e uma mulher) que se aventuram na Sibéria à procura de diamantes. E o filme resulta numa apaixonante e tempestuosa relação entre os homens e as forças hostis da natureza, numa aventura de sobrevivência que vai ao limite da resistência humana. Kalatozov é prodigioso na forma como filma longos planos sequência no meio da natureza mais agreste, num trabalho de fotografia deveras deslumbrante. Veja-se esta magnífica sequência inicial do filme.
Um filme espantoso, portanto.

Trailer:

domingo, 10 de maio de 2015

Berlim, 70 anos depois


Por estes dias assinalam-se os 70 anos do fim da 2ª Guerra Mundial, o maior conflito da história da Humanidade. Em Maio de 1945 os fotógrafos (amadores e profissionais) registavam os últimos combates selvagens na batalha por Berlim. O  exército russo lutava contra os nazis nos últimos dias de resistência dos alemães. A destruição estava espalhada por toda a capital alemã. Nada escapou à violência: ruas, monumentos e edifícios. 
Graças à perícia de fotógrafos actuais foi possível fazer a comparação visual entre o antes e o depois da destruição de Berlim (ou seja, os locais actuais da cidade que foram palco das batalhas). 

Mais fotografias aqui. 


O mesmo princípio para Paris mas com as fotografias originais inseridas na realidade contemporânea. Link.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Momentos (únicos) de concertos

Os concertos ao vivo podem ser memoráveis. Podem ser momentos de catarse. Podem ser manifestos de pura energia e de cumplicidade entre artistas e o público. É o que provam estas fotografias magníficas que captam momentos de concertos tão especiais que nunca mais se esquecem.
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The Ramones
The Doors
AC/DC
Fugazi
Jimi Hendrix
Iggy Pop
Elton John

sábado, 28 de março de 2015

Uma fotografia cheia de artistas

Houve um tempo em que era possível reunir numa só fotografia grandes génios das artes e da cultura. Sobretudo nas décadas de 1920/30, em Paris, cidade onde se reunia a nata dos artistas de vanguarda (surrealismo futurismo, literatura, artes plásticas e cinema).
Senão, vejamos quem faz parte desta fotografia (datada de 1930).

Em cima: Paul Eluard, Jean Arp, Yves Tanguy e Rene Crevel
Em baixo: Tristan Tzara, Andre Breton, Salvador Dali, Max Ernst e Man Ray.

Ou seja, nesta imagem histórica estão reunidos quase todos os principais artistas de vanguarda da época. Para completar e enriquecer a fotografia só falta o realizador Luis Buñuel, que nesta altura já tinha realizado a curta-metragem surrealista "Un Chien Andalou" (1929) com Salvador Dali e era amigo de quase todos estes visionários.

terça-feira, 10 de março de 2015

Snowden merecia mais



Vi o documentário "Citizenfour" de Laura Poitras (estreia para a semana em Portugal) sobre o ex-analista informático da NSA Edward Snowden. Este documentário ganhou o Óscar na sua categoria e eu ainda estou para saber como. Só tenho uma explicação: pela controvérsia política e actual que o filme suscita (a famigerada vigilância electrónica à escala global).
Achei o filme de uma vulgaridade tremenda, aborrecido na sua estrutura (entrevista atrás de entrevista), verborreico até à sonolência (são citados dezenas de termos técnicos de espionagem que desnorteiam o espectador). Nem o facto de Steven Soderbergh ser o produtor salva o documentário da pobreza estética. A singular figura de Edward Snowden merecia outro tratamento e outro realizador mais ousado.

Enfim, há um outro documentário nomeado aos Óscares bem mais interessante: "Finding Vivian Maier" sobre a fotógrafa com o mesmo nome (falei dele mais abaixo). Está bom de ver que na Academia de Hollywood preferem os temas políticos quentes do que fotografia enquanto arte...

terça-feira, 3 de março de 2015

À procura de Vivian Maier


Vivian Maier (1926 - 2009) era até há dois ou três anos uma autêntica anónima. Agora passou a ser conhecida por ter sido uma das melhores fotógrafas dos EUA durante décadas. Personalidade reservada e bizarra (tinha um lado sombrio e enigmático - não conseguia estar ao lado de homens), Vivian Maier era uma simples ama que nos tempos livres se dedicava a fotografar as ruas e as pessoas de Nova Iorque e de outras cidades. O incrível é que ela tirou mais de 100 mil fotografias e guardou todos os rolos em dezenas de caixotes. Ou seja, não revelou praticamente nenhuma fotografia! O seu comportamento era compulsivo, doentio, quase como uma obsessão vital em registar momentos quotidianos da sociedade norte-americana.

Sempre a preto e branco e num ângulo sempre idêntico (tinha uma máquina Leica), as suas fotografias denotam um olhar perspicaz sobre rostos anónimos, pessoas comuns (entre burguesia e mendigos) e paisagens urbanas. Também fazia auto-retratos (vulgo selfies hoje). Todo o seu gigantesco espólio - grande parte ainda por revelar - foi descoberto por acaso por um jovem chamado John Mallof, co-autor do documentário sobre a sua vida. Comprou-o num leilão e agora dedica a sua vida a divulgar o seu trabalho e a exibir as fotografias de Vivian em museus e galerias de arte. 

"Finding Vivian Maier" ("À Procura de Vivian Maier") é o título do documentário candidato aos Óscar deste ano na mesma categoria. Procura desvendar quem foi esta mulher estranha e contraditória através de depoimentos de pessoas que lidaram com ela em vida. Provavelmente Vivian Maier nunca autorizaria em vida a publicação das suas fotografias. O motivo desconhece-se. Uma coisa é certa: o seu legado só veio enriquecer a história da fotografia do século XX.





quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

James Dean e Dennis Stock

Dennis Stock (1928 - 2010) foi um importante fotógrafo da prestigiada agência Magnum e da revista Life que fotografou algumas das figuras mais fulgurantes do cinema, da música e do espectáculo da segunda metade do século XX. Foi amigo pessoal de James Dean e é dele uma das fotografias mais célebres e icónicas do actor - aquela em que se vê Dean a passear debaixo da chuva em Times Square (Nova Iorque, 1955).

Acontece que o realizador Anton Corbijn ("Control") fez um filme intitulado "Life" no qual retrata a amizade entre Dennis Stock e James Dean. Robert Pattinson interpreta o fotógrafo, enquanto que Dane DeHaan encarna o mítico actor falecido aos 24 anos vítima de acidente de automóvel. Apesar de ainda não haver trailer do filme, já se especula pela internet acerca da forma como Corbijn terá retratado a relação entre ambos no grande ecrã (a única imagem que se conhece do filme é esta).

Enquanto esperamos pelo filme, deleitemo-nos com as maravilhosas fotografias de Stock (ordem): 
- Dennis Stock e James Dean
- Audrey Hepburn
- James Dean em Times Square
- James Dean
- Miles Davis

sábado, 31 de janeiro de 2015

Kubrick fotógrafo, 1946

Em 1946, com apenas 17 anos, Stanley Kubrick fotografou para a revista Look o dia-a-dia  do metro de Nova Iorque. Diz-se que durante duas semanas intensivas tirou cerca de 15 mil fotografias.
Eis apenas quatro exemplos do seu peculiar olhar.