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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Remakes & sequelas, não obrigado

Recentemente estreou o filme "Carrie", remake do clássico de Brian De Palma filmado em 1976. Eu não vi nem quero ver. Geralmente e por princípio, sou contra remakes. São raros os remakes que são superiores ao filmes originais. E por vezes piores do que remakes são as inefáveis sequelas, que não acrescentam valor nenhum ao filme original (compare-se a trilogia de "O Padrinho" com "Matrix", por exemplo).

Mas há filmes que, pelas suas características artísticas, estéticas e de culto, dificilmente algum produtor terá coragem de fazer um remake (mas enfim, sabemos que em Hollywood há malucos para tudo). Assim, duvido que algum produtor, realizador ou estúdio de cinema arrisque fazer remakes ou sequelas de filmes como:

- "A Noite do Caçador" 
- "Blade Runner" 
- "Eraserhead" 
- "Reservoir Dogs" 
- "Aguirre: A Cólera de Deus" 
- "The Wild Bunch" 
- "A Laranja Mecânica" 
- "Blue Velvet"
- "Stalker" 
- "Morte em Veneza" 
- "Paris, Texas" 
- "Seven"
- "Ladrões de Bicicletas" 
- "O Eclipse" 
- "A Pianista" 
- "Lost in Translation" 
- "Hiroshima meu Amor" 
- "A Estrada" 

domingo, 13 de maio de 2012

Michelle Pfeiffer

Michelle Pfeiffer já foi uma das mais talentosas, sensuais e belas actrizes dos últimos 30 anos. Filmes como "Scarface - A Força do Poder" (1983) de Brian De Palma, "Ligações Perigosas" (1988) de Stephen Frears, "Os Fabulosos Irmãos Baker" (1989) de Steven Kloves (na imagem), "A Casa da Rússia" (1990) de Fred Schepisi, "Batman Regressa" (1992) de Tim Burton, "A idade da Inocência" (1993) de Martin Scorsese, elevaram Michelle Pfeiffer a um panteão raramente alcançado.
Três vezes nomeada ao Óscar de Melhor Actriz, nunca ganhou, mas não é por isso que a sua carreira foi beliscada. É verdade que, se os anos 80 e 90, foram proveitosos para Michelle, o mesmo já não se poderá dizer da primeira década de 2000, na qual não teve nenhum papel absolutamente relevante como nos filmes citados. Pfeiffer regressa agora, aos 53 anos, num filme de grande projecção, novamente às ordens de Tim Burton - "Dark Shadows". Ainda não vi o filme, mas a fazer fé em críticas que já li, parece que a actriz se revela uma pálida imagem do que já foi. A ser verdade, é pena que assim seja, mas todos os cinéfilos sabem bem quão difícil é a para a geração de actrizes de Michele Pfeiffer (50 anos) conseguirem bons papéis em bons filmes.

sábado, 26 de novembro de 2011

A escadaria de Odessa

É, indiscutivelmente, uma das melhores sequências de cinema jamais filmadas e que mais influência e fascínio exerceu sobre gerações de realizadores e cinéfilos: a sequência do massacre da escadaria de Odessa na obra-prima "O Couraçado Potemkine" (1925) de Serguei Eisenstein.
A teoria da montagem do cineasta russo é posta à prova neste magnífico trabalho de realização e montagem. Todos os planos têm um significado e a montagem é composta com um extraordinário sentido do ritmo e da cadência de imagens. Para a posteridade, ficaram as cenas da mãe com o filho morto ao colo que acaba por ser morta com um tiro no olho; os soldados cossacos a descer em parada a escadaria fuzilando a população; e o carrinho de bebé que desce, desgovernado, a escadaria.
Nas décadas seguintes, foram muitas as referências a esta famosa sequência, umas mais sérias, outras mais em registo de paródia, umas mais óbvias, outras mais subtis. Por exemplo, é impossível não perceber a homenagem que o realizador Brian De Palma faz ao filme de Eisenstein quando cita esta sequência do tiroteio na escadaria no seu filme "Os Intocáveis" (1987).
Para além deste filme de De Palma, muitos outros fizeram referência à escadaria de Odessa, como está bem patente visitando este link.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O gangster Tony Montana


E por falar em Sam Peckinpah, no dia 9 de Dezembro de 1983, há precisamente 25 anos, estreava um dos filmes paradigmáticos dos anos 80 e um dos que mais polémica levantou por causa do uso excessivo da violência na esteira de Peckinpah: "Scarface", de Brian de Palma (uma espécie de remake livre do clássico filme de gangsters de 1932 realizado por Howard Hawks).
Com argumento ousado de um jovem chamado Oliver StoneAdicionar imagem, um alucinante Al Pacino no papel do implacável gangster sem escrúpulos Tony Montana, e com uma estreante e bela Michelle Pfeiffer, "Scarface" tornou-se num fascinante objecto de culto durante muitos anos. Um marco que influenciaria dezenas de outros filmes similares.
Lembro-me de o ver "Scarface" no cinema, por volta de 87 ou 88, e de ter ficado siderado com tão marcante interpretação de Pacino e com a história carregada de adrenalina à volta de traficantes de droga e corrupção em Miami. E mais fascinado fiquei ao ver os últimos 10 minutos de película, nos quais o irascível Tony Montana, submerso em drogas e alucinações derivadas de traições familiares (reminiscências da saga "O Padrinho"), reage violentamente ao assalto à sua mansão na qual tem uma estátua com a irónica inscrição - "The World is Yours". Uma impressionante sequência de tiroteio que o realizador que estilizou a violência gráfica, Sam Peckinpah, não desdenharia.

sábado, 17 de abril de 2010

Olhos & olhares

"Psycho" (1960) - Alfred Hitchcock
"Whirlpool" (1949) - Otto Preminger
"The Fury" (1978) - Brian De Palma
"Repulsion" (1965) - Roman Polanski
"Reflections in a Golden Eye" (1967) - John Huston
"Not of This Earth" (1957) - Roger Corman

"Love is Colder Than Death" (1969) - R. W. Fassbinder

"Father of The Bride" (1950) - Vincente Minnelli
"The Elephant Man" (1980) - David Lynch
"Badlands" (1973) - Terrence Malick

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Uma realizadora de armas

Gostei de ver "Estado de Guerra" ("The Hurt Locker") de Kathryn Bigelow arrecadar 6 prémios nos British Academy of Film and Television Arts (BAFTA). Mais: gostei de ver Kathryn Bigelow levar a palma relativamente ao seu ex-marido, James Cameron e o filme "Avatar". O filme de Bigelow é um portentoso manifesto antibelicista e um exercício de cinema ao mais alto nível (montagem, fotografia, realização). Um mulher que filma de forma tão intensa e nervosa um cenário de conflito, no meio do deserto e rodeada de homens, tem de ser uma realizadora talentosa.
O filme de Kathryn Bigelow tem semelhanças estéticas com outro magnífico olhar sobre a guerra do Iraque - "Redacted" (2007) de Brian De Palma - mas "Estado de Guerra" leva mais longe a reflexão sobre os dramas (sem sentido) de um conflito que tende a eternizar-se.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O arrepiante espisódio de Hitchcock

Uma das séries televisivas que porventura mais marcou o imaginário popular dos anos 60 e 70 foi "Hitchcock Apresenta" (que eu vi em reposição na década de 80). Juntamente com "Twilight Zone", ambas foram séries do bizarro e do inesperado, colando os espectadores ao pequeno ecrã e influenciando diversos realizadores - John Carpenter, Steven Spiellberg, Peter Jackson, Brian de Palma, etc.
Foram mais de 300 episódios de apenas 30 minutos cada, nos quais Hitchcock apresentava pequenas histórias intrigantes, macabras, misteriosas e de desfecho quase sempre surpreendente. O humor negro (negríssimo) e a sensibilidade para gerir o suspense psicológico de Hitchcock eram elementos que não podiam faltar a esta série televisiva. Por isso se tornou viciante e houve inclusive um remake da série nos anos 80 (com realização de cineastas como Spielberg ou Joe Dante).
Recordo-me particularmente de um episódio que me marcou sobremaneira e que me causou arrepios gélidos na espinha. Conta-se numa penada: eu era adolescente, estava na cozinha a comer qualquer coisa enquanto assistia a mais um episódio de Mr. Hitch: era a história de um presidiário que tinha subornado o velho coveiro da prisão para que o deixasse esconder-se no caixão do próximo presidiário que morresse. Ambos combinaram que, assim que o caixão fosse enterrado no cemitério (no exterior da prisão), o coveiro o desenterrasse a tempo para não sufocar, para desta forma fugir rumo à liberdade.

Um dia, quando o presidiário ouviu o sino a indicar o falecimento de um outro presidiário, dirigiu-se à morgue e, no escuro, escondeu-se dentro do caixão ao lado do cadáver. Esperou ansioso. Pelo movimento do caixão, percebe que o estão a enterrar. Não vê a hora do coveiro o desenterrar. Angustiado pela demora, o presidiário, assomado por uma curiosidade mórbida, acende um fósforo para ver quem tinha morrido. Assim que ilumina o rosto do cadáver, vê a cara... do coveiro! O episódio termina com um grito lancinante e a luz do fósforo a esfumar-se. Lembro-me que fiquei estarrecido e muito incomodado psicologicamente com aquele desfecho arrepiante, e naquela noite dormi mal a pensar como teria sido se alguém passasse por aquela situação horrenda. E fiquei também a saber outra coisa: que o sentido mórbido de Alfred Hitchcock não tinha limites para impressionar o espectador.
Nota: faz parte do mito urbano que esse episódio despoletou nalguns espectadores a tafofobia (ou tafefobia), ou seja, a fobia que se caracteriza pelo medo mórbido de ser enterrado vivo e acordar preso dentro de um caixão sob o solo, tão caro a escritores como Edgar Allan Poe. Para quem sentir arrepios na espinha só de pensar em tal situação, não aconselho a ler esta lista de dez casos reais de pessoas enterradas vivas. Brrrr!...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Stephen King - as adaptações ao cinema


Se há um nome incontornável da literatura moderna de terror esse nome só pode ser Stephen King. Herdeiro da tradição literária dos contos góticos e fantásticos de Edgar Allan Poe e Lovecraft, King desenvolveu um extraordinário talento para contar histórias de notável suspense e horror, sobrenaturais ou não. E não esqueçamos que King se revelou, não apenas como escritor do género de terror, como também ao nível da ficção que nada tem a ver com o medo. São os casos dos livros "Stand by Me" e "Shawshank Redemption".
Por outro lado, se há escritor cujas obras foram, bastas vezes, adaptadas ao cinema (e à televisão), Stephen King também lidera a lista. Foram, literalmente, dezenas e dezenas de filmes com base em contos, novelas e romances do mestre do terror fantástico. Muitas adaptações são sofríveis porque apenas exploraram o filão comercial do nome do escritor sem quaisquer resultados em termos artísticos. Mas muitos outros realizadores conseguiram transpor para o grande ecrã as histórias de King com grande mestria. E há até realizadores que, praticamente, só fazem filmes com base em histórias de King (como Frank Darabont). De todos os filmes que conheço baseados na obra de Stephen King, eis os meus 12 filmes favoritos:

12 - "A Janela Secreta" (2004) de David Koepp
11 - "Pet Sematary" (1989) de Mary Lambert
10 - "1408" (2007) de Mikael Håfström"
9 - "Christine" (1983) de John Carpenter
8 - "Carrie" (1976) de Brian De Palma
7 - "The Green Mile" (1999) de Frank Darabont
6 - "The Mist" (2007) de Frank Darabont
E o magnífico top 5:
5 - "Misery" (1990) de Bob Reiner

4 - "The Dead Zone" (1983) de David Cronenberg

3 - "Stand by Me" (1986) de Bob Reiner

2 - "Os Condenados de Shawshank" (1994) de Frank Darabont

1 - "The Shining" (1980) de Stanley Kubrick

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Tony Montana - o gangster que queria o mundo


Dia 9 de Dezembro de 1983, há precisamente 25 anos, estreava um dos filmes paradigmáticos dos anos 80 e um dos que mais polémica levantou por causa do uso excessivo da violência: "Scarface", de Brian de Palma. Com argumento de um jovem chamado Oliver Stone, um alucinante Al Pacino no papel do gangster sem escrúpulos Tony Montana, e com uma estreante e bela Michelle Pfeiffer, "Scarface" tornou-se num fascinante objecto de culto durante duas décadas e meia. Um marco que influenciaria dezenas de outros filmes similares. Lembro-me de o ver no cinema, por volta de 86 ou 87, e ter ficado siderado com tão marcante interpretação de Pacino e com a história carregada de adrenalina à volta de traficantes de droga e corrupção. E mais fascinado fiquei ao ver os últimos 10 minutos de película, nos quais o irascível Tony Montana, submerso em drogas e alucinações derivadas de traições e desconfianças familiares (reminiscências da saga "O Padrinho"?), reage violentamente ao assalto à sua mansão na qual tem inscrita a irónica máxima - "The World is Yours".
Uma impressionante sequência de tiroteio que o realizador que estilizou a violência gráfica, Sam Peckinpah, não desdenharia (e que rivaliza com esta outra célebre sequência).

sábado, 19 de julho de 2008

Eisenstein - visão e revolução


Saiu ontem mais um volume da colecção "Grandes Realizadores - Cahiers du Cinema" do Público. Desta vez, um livro de 100 páginas sobre o genial realizador russo Serguei Eisenstein e o DVD "O Couraçado Potemkine", prodigioso objecto cinematográfico sobre a rebelião dos marinheiros do navio Potemkine. O cineasta que tantos problemas teve com Estaline e o poder soviético foi o criador de uma linguagem visual assente no poder da "montagem das atracções", uma ferramenta (técnica e estética) indissociável da vanguarda russa (com Dziga Vertov e Pudovkin) - a arte de colar um plano a seguir ao outro de forma a criar ritmos e significados distintos, formas de expressão visual específicas, conforme as necessidades da narrativa fílmica.
Sobre o filme "O Couraçado Potemkine" (1925) não há muito a dizer, já que é porventura um dos filmes mais estudados, comentados e citados de todo o mundo. Como fez Brian de Palma no seu filme "Os Intocáveis" (1987), no qual cita (homenageia, ao mesmo tempo) a célebre sequência da escadaria de Odessa - um carrinho de bebé que desce as escadas descontroladamente enquanto se gera um tiroteio.
Lembro-me bem quando vi esta obra-prima de Eisenstein numa sala de cinema. Foi em 1995, inserido num programa de comemorações dos 100 anos do cinema. Já o conhecia da televisão e do vídeo, mas vê-lo numa sala escura e em ecrã gigante era um momento imperdível. A experiência de ver o filme em sala escura foi portentosa, só perturbada por um grupo de estudantes de comunicação (ensino superior) que não sabia ao que estava a assistir. Daí os comentários ingénuos: "filme a preto e branco?" "Ainda por cima mudo e russo?!". Claro que o professor acompanhante não tinha preparado os estudantes para o que iriam ver. Era preciso ter feito uma contextualização histórica, social e artística do filme.
"O Couraçado Potemkine" é um filme que contribuiu enormemente para a evolução estética da linguagem cinematográfica, e uma ode à força do espírito humano, à libertação face à repressão do homem pelo homem. No final, não existe apenas um único herói na revolta do Potemkin, existe também a heroicidade do povo, das massas anónimas.

Para todo sempre, ficará sempre gravada na memória esta que é, porventura, a mais espantosa sequência jamais filmada: o massacre da escadaria de Odessa. A arte da montagem em todo o seu esplendor, a violência gráfica e emocional dos acontecimentos, a tensão psicológica patente no grito mudo da mulher com o filho morto nos braços, os passos ritmados dos soldados cossacos (guarda imperial do Czar russo) a descer a escadaria, as sombras e os esgares do povo a ser trucidado, as estátuas que parecem erguer-se perante tamanha carnificina, em suma, o puro fascínio das imagens a que designámos de arte sétima.

terça-feira, 29 de abril de 2008

28 anos sem o mestre


Como a designação deste blogue se refere a um filme (e ao espírito artístico) de Alfred Hitchcock, não podia passar em branco este dia: faz hoje 28 anos que o mestre Hitch deixou a terra dos vivos para partir, quem sabe, para a "Twilight Zone". Imagino que as grandes celebrações para este dia estarão reservados daqui a dois anos, quando se comemorarem 30 anos de desaparecimento do cineasta. A comunicação social tende a celebrar apenas os números redondos. Mas se o fizer, terá porventura de dar atenção primeiro ao próximo ano, já que se vão comemorar 100 anos do nascimento (13 de Agosto de 1899). E sempre é mais mediático celebrar 100 anos do nascimento do que 30 anos de falecimento.
Comemorações à parte (que até não são o mais importante), o que gostaria de referir é que a obra de Hitchcock continua a influenciar muitos realizadores e artistas (ver post sobre Douglas Gordon). A sua marca estilística, o seu refinamento estético, a sua relação com os actores e, acima de tudo, as histórias de suspense que contava nas suas múltiplas obras-primas continuam a servir de referência obrigatória para novas e velhas gerações de cineastas. Ainda há um ano estreou um filme intitulado "Disturbia" que continha toda a linguagem narrativa e visual que Hitchcock estabeleceu (para não referir filmes de 2º e 3º categoria). O realizador Brian de Palma foi um seguidor (para não dizer imitador) acérrimo de Hitchcock no início da sua carreira. Algumas das sequências e imagens mais emblemáticas da história do cinema são da autoria de Hitchcock. Por mais remakes, citações, venerações, cópias, imitações que existam, o seu cinema permanecerá imutável e único. Como uma tela de Pollock ou um prelúdio de Debussy.
Diz-se que Hitchcock era um homem severo, tirânico, crispado, teimoso. Mas talvez tenham sido essas as características que lhe permitiram concretizar, com total liberdade artística, a sua obra (enfrentando a pressão de produtores gananciosos, por exemplo) e que lhe deram reconhecimento internacional. Com os filmes de Hitch, o espectador é um voyeur que gosta de sofrer com o sofrimento dos personagens. É um cinema de profunda sugestão, de jogos de relações, de encantamento, medos e perplexidades. O seu cinema, imenso e de superior qualidade, continuará a servir de modelo para provar que a 7ª arte é mesmo uma arte (cimeira).
Os meus Hitchcock preferidos:
1 - "Os Pássaros"
2 - "Psycho"
3 - "Vertigo"
4 - "A Corda"
5 - "Janela Indiscreta"
6 - "Intriga Internacional"
7 - "Rebecca"
8 - "O Homem Que Sabia Demasiado"
9 - "Sabotagem"
10 - "Os 39 degraus"
...
(nota: todos estes títulos estão disponíveis em edição DVD nacional)

domingo, 10 de fevereiro de 2008

A ironia macabra de Mr. Hitch

A propósito do post sobre as séries televisivas de ficção, não posso deixar de referir aquela que porventura mais marcou o imaginário popular dos anos 60 e 70: "Hitchcock Apresenta". Juntamente com "Twilight Zone", ambas foram séries que colaram os espectadores ao pequeno ecrã, ambas influenciaram diversos realizadores - John Carpenter, Steven Spiellberg, Peter Jackson, Brian de Palma, etc. Quando muitos cineastas julgavam que a televisão era um meio de comunicação menor (anos 50/60) face à arte do cinema, Hitchcock soube vislumbrar as potencialidades narrativas da "caixa que mudou o mundo". Foram mais de 300 episódios de apenas 30 minutos cada, nos quais Hitchcock apresentava pequenas histórias intrigantes, macabras, misteriosas e de desfecho quase sempre inesperado. O humor negro (negríssimo) e a sensibilidade para gerir o suspense psicológico de Hitchcock eram elementos que não podiam faltar a esta série televisiva. Por isso se tornou viciante e houve inclusive um remake da série nos anos 80 (com realização de cineastas como Spielberg ou Joe Dante).
Recordo-me particularmente de um episódio que me marcou sobremaneira e que me causou arrepios gélidos na espinha. Conta-se numa penada: era adolescente, estava na cozinha a comer qualquer coisa enquanto assistia a mais um episódio de Mr. Hitch. Era a história de um presidiário que tinha subornado o velho coveiro da prisão para que o deixasse esconder-se no caixão do próximo presidiário que morresse. Ambos combinaram que, assim que o caixão fosse enterrado no cemitério (no exterior da prisão), o coveiro o desenterrasse a tempo para não sufocar, para desta forma fugir rumo à liberdade. Um dia, quando o presidiário ouviu o sino a indicar o falecimento de um outro presidiário, dirigiu-se à morgue e, no escuro, escondeu-se dentro do caixão ao lado do cadáver. Esperou ansioso. Pelo movimento do caixão, percebe que o estão a enterrar. Não vê a hora do coveiro o desenterrar. Angustiado, o presidiário acende um fósforo para ver quem tinha morrido. Assim que ilumina o rosto do cadáver, vê a cara... do coveiro! O episódio termina com um grito lancinante e a luz do fósforo a esfumar-se. Lembro-me que fiquei estarrecido e muito incomodado psicologicamente com aquele desfecho arrepiante, e naquela noite dormi mal a pensar como teria sido se alguém passasse por aquela situação horrenda. E fiquei também a saber outra coisa: que o sentido mórbido de Alfred Hitchcock não tinha limites para impressionar o espectador.
Nota: faz parte do mito urbano que esse episódio despoletou nalguns espectadores a tafofobia (ou tafefobia), ou seja, a fobia que se caracteriza pelo medo mórbido de ser enterrado vivo e acordar preso dentro de um caixão sob o solo. Brrrr!...