Mostrar mensagens com a etiqueta Sam Peckinpah. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sam Peckinpah. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 21 de maio de 2014

As influências artísticas no cinema

Não há artista que não sofra influências. Quem disser que não tem influências, directas ou indirectas, é um artistas intelectualmente desonesto. No cinema podem fazer-se muitas analogias mais ou menos óbvias que nos permitem afirmar que determinado realizador foi influenciado por outro determinado cineasta. É o exercício que o site Taste of Cinema fez: seleccionou 15 realizadores e indicou - explicando porquê - as respectivas influências estéticas. 
A título de exemplo: François Truffaut teve como mentor Jean Vigo; Michael Mann procura inspiração em Sam Peckinpah; ou Fritz Lang serviu como guia espiritual para Tim Burton.
Eis toda a informação neste link.

terça-feira, 4 de março de 2014

Dead Combo: o regresso

Os Dead Combo regressam com um novo álbum: "A Bunch of Meninos". Não sei se o título do disco tem alguma coisa a ver com o célebre filme "The Wild Bunch" (1969) de Sam Peckinpah, mas é bem provável, ou não tivessem os Dead Combo um gosto muito especial pela iconografia western (música e imagens). 
Os músicos, Tó Trips e Pedro Gonçalves, continuam a criar ambientes cinematográficos com fortes influências do imaginário do western, mas também do rock, do fado e de ritmos de várias latitudes planetárias que constroem as canções sempre instrumentais (que se encaixavam tão bem na voz de um Tom Waits!).  São estas características que conferem aos Dead Combo toda a sua originalidade no panorama musical português. 
Pensando bem, a música destes "bunch of meninos" assentaria que nem uma luva num qualquer western violento de Sam Peckinpah.
Aqui pode ouvir-se o álbum (com canções com títulos tão singulares como "Miúdas e Motas", "Hawai em Chelas", "Dona Emília" ou "Snowden's Dream"; e aqui pode ver-se o tema-título "A Bunch of Meninos":

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Remakes & sequelas, não obrigado

Recentemente estreou o filme "Carrie", remake do clássico de Brian De Palma filmado em 1976. Eu não vi nem quero ver. Geralmente e por princípio, sou contra remakes. São raros os remakes que são superiores ao filmes originais. E por vezes piores do que remakes são as inefáveis sequelas, que não acrescentam valor nenhum ao filme original (compare-se a trilogia de "O Padrinho" com "Matrix", por exemplo).

Mas há filmes que, pelas suas características artísticas, estéticas e de culto, dificilmente algum produtor terá coragem de fazer um remake (mas enfim, sabemos que em Hollywood há malucos para tudo). Assim, duvido que algum produtor, realizador ou estúdio de cinema arrisque fazer remakes ou sequelas de filmes como:

- "A Noite do Caçador" 
- "Blade Runner" 
- "Eraserhead" 
- "Reservoir Dogs" 
- "Aguirre: A Cólera de Deus" 
- "The Wild Bunch" 
- "A Laranja Mecânica" 
- "Blue Velvet"
- "Stalker" 
- "Morte em Veneza" 
- "Paris, Texas" 
- "Seven"
- "Ladrões de Bicicletas" 
- "O Eclipse" 
- "A Pianista" 
- "Lost in Translation" 
- "Hiroshima meu Amor" 
- "A Estrada" 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

As "famílias" do cinema

Chamem-lhe grupos, gangs, famílias. Tanto faz.
São homens e rapazes unidos por uma forte identidade. Por ideais comuns, códigos de conduta comuns, objectivos comuns. Por vezes a corrupção e a traição destroem esses laços (quase) tribais. São quase sempre movidos por maus instintos, pela ganância, pelo ódio, pela afirmação social, pelo poder, pelo dinheiro ou pela vingança.
A violência e o desrespeito por normas morais e legais fizeram parte da vida (e da morte) destes grupos. E por isso todas estas pandilhas de personagens fascinaram gerações de espectadores e marcaram a história do cinema:
"Cidade de Deus"
"Suburbia"
"Gangs of New York"
"The Long Riders"

"Rumble Fish"

"The Outsiders"

"The Wild Bunch"

"Snatch"

"Clorkwork Orange"

"Oceans's Eleven"
"The Usual Suspects"

"Reservoir Dogs"

"The Untouchables"

"The Godfather"

"The Goodfellas"

domingo, 29 de julho de 2012

"Straw Dogs" no grande ecrã

1971 foi um ano particularmente fértil na produção de filmes sobre a violência: “Dirty Harry” de Don Siegel (com o implacável polícia interpretado por Clint Eastwood), o icónico “A Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick e “Straw Dogs – Cães de Palha” do mestre (maldito) Sam Peckinpah.
Os dois últimos filmes foram banidos e censurados ao longo de décadas, inclusive, em países ditos liberais como a Inglaterra e os EUA pela sua violência explícita e estilizada. “Cães de Palha” é um impressionante manifesto sobre a violência, sem moralismos facciosos. É a história de um homem comum, um professor de matemática interpretado por um perturbante Dustin Hoffman, que vai viver para o campo com a sua mulher no intuito de encontrar sossego para o seu trabalho. Acontece que, a partir de dado momento, os habitantes da aldeia invadem o território do casal e inicia-se uma incrível espiral de violência gráfica e realista (como a sequência da violação, à data altamente polémica e ousada). É também um filme sobre como um cidadão comum reage sob extrema pressão psicológica face a situações de brutal e crescente adversidade. Um estudo sobre o lado mais animalesco da mente humana com um toque tão radical e pessoal quanto o do Sam Peckinpah (uma das maiores influências, por exemplo de Quentin Tarantino).
Vem isto a propósito do facto deste filme de culto ser exibido, dia 30 de Julho, na Cinemateca Portuguesa. Sugiro ainda a leitura da acertada crítica de Luís Mendonça no blog À Pala de Walsh.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Os filmes no ano em que nasci


Uma aplicação define quais os filmes em destaque no ano em que cada pessoa nasceu. Tendo nascido em 1969, posso considerar que nasci num ano cinematográfico interessante:

1. "True Grit"
2. "Butch Cassidy and the Sundance Kid"
3. "Easy Rider"
4. "Midnight Cowboy"
5. "On Her Majesty's Secret Service"
6. "The Wild Bunch"
7. "The Italian Job"
8. "Hello, Dolly!"
9. "Paint Your Wagon"
10. "Z"
-----
Só que esta lista omite outros títulos de 1969 impossíveis de ignorar (pelo menos para mim): "Andrei Roublev" de Andrei Tarkovski; "Satyricon" de Fellini ou "The Damned" de Visconti.

sábado, 20 de agosto de 2011

O remake inútil, parte 2


No dia 30 de Julho escrevi neste post a inutilidade do remake do filme "Straw Dogs" de Sam Peckinpah. Agora, qual o meu espanto, quando leio a seguinte notícia:
"A Warner Bros quer lançar um remake do clássico western de 1969, «A Quadrilha Selvagem», que ficou conhecido pelas cenas de violência explícita, anuncia a revista «Variety». Os estúdios confirmaram esta quinta-feira o avanço do projecto e encontram-se em negociações com Tony Scott para que dirija o remake".
Ou seja, Hollywood resolveu apostar em força nos remakes dos clássicos de Sam Peckinpah! E logo com um dos melhores últimos western de culto de sempre, "A Quadrilha Selvagem" ("The Wild Bunch"), com o elenco de luxo que integrava actores de fibra tais como William Holden, Robert Ryan, Ernest Borgnine, Ben Johnson ou Warren Oates.
Se já era, para mim como cinéfilo, uma infâmia tocar numa obra como "Straw Dogs", mais infâmia é querer reconstruir o melhor western de Peckinpah e um dos mais emblemáticos do final da era dourada deste género cinematográfico.
Afinal de contas, qual a necessidade de recriar um filme que é uma obra-prima do género - à semelhança do que acontece no caso de "Straw Dogs"? Qual a razão da repentina obsessão dos produtores de Hollywood num cineasta que em tempos foi maldito e mal-amado pelos grandes estúdios como Peckinpah?
Pior ainda: a fazer-se o dito remake, como é possível entregar a enorme responsabilidade a um realizador tarefeiro e previsível como Tony Scott (se ainda fosse o Ridley Scott...)?
Já agora: qual o próximo remake dos filmes de Sam Peckinpah que os estúdios norte-americnaos vão anunciar ao mundo? "Cross of Iron"? "The Ballad of Cable Hogue"? "Bring me The Head of Alfredo Garcia"?
Enfim...

sábado, 30 de julho de 2011

Remake inútil

Juro que não percebo a obsessão de Hollywood em fazer remakes de filmes clássicos e de culto. É o sintoma definitivo do esgotamento de ideias da indústria cinematográfica norte-americana: à falta de argumentos arrojados e inovadores, capazes de mobilizar novos espectadores às salas de cinema, os produtores preferem investir na reconstituição moderna de filmes que outrora foram marcantes. Para quê? É a pergunta a que ninguém consegue responder...

Nos últimos tempos as notícias de remakes são sucessivas e imparáveis. Ainda há dias lia acerca do remake de "The Thing" de John Carpenter e agora deparei-me, ao ler a revista Total Film, do remake do espantoso clássico do mestre Sam Peckinpah, "Straw Dogs" ("Cães de Palha"). Vi o trailer e fiquei a pensar quão inútil e desnecessário deve ser este filme realizado por um tal Rob Lurie. Qual o objectivo deste remake quando o original é tão bom? Pelo que vi e li, só mudam praticamente os actores, a história mantém-se idêntica, e há até planos iguais aos do filme de Peckinpah. Até o cartaz é igual ao protagonizado por Dustin Hoffman! Enfim, dinheiro e tempo desperdiçados.

Estou em crer que, por este andar, ainda veremos infames remakes de obras como "Citizen Kane" ou "O Couraçado Potemkine"...

Sobre "Straw Dogs" (o meu Peckinpah preferido) já tinha escrito este post.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Bob Dylan - uma questão de gosto


Bob Dylan comemorou 70 anos de idade.
A propósito desta efeméride, as rádios e a imprensa escrita têm dado bastante atenção ao autor de "Mr. Tambourine Man". A verdade é que, para mim, Dylan nunca foi um músico de eleição. Reconheço-lhe qualidades como compositor e é indiscutível que o seu lugar na história da música popular está garantido há muitos anos, mas ainda assim, nunca nutri grande admiração por este autor. Talvez pelo timbre da voz e pela forma de cantar tão particular (que para os fãs será interpretado como uma marca original), ou por ter dedicado a sua carreira à folk, género musical que nunca me atraiu por aí além.

A verdade é que, como noutras coisas da arte e da vida, o motivo pela minha renúncia a Dylan reside simplesmente numa questão de gosto: não me fascina a obra de Bob Dylan, naquele sentido em que, inversamente, me fascina a música de um Tom Waits ou de um Leonard Cohen (ressalvando as devidas diferenças, obviamente).

Já da sua escassa incursão pelo cinema gosto muito da actuação de Bob Dylan no grande western de Sam Peckinpah, "Pat Garrett & Billy the Kid" (1973), filme para o qual Dylan escreveu diversas músicas.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Haneke, Haendel e Zorn


"Funny Games" (1997) de Michael Haneke é um filme controverso e violento, uma espécie de súmula de "Laranja Mecânica" (Kubrick) e "Cães de Palha" (Peckinpah) com um toque de "voyeurismo" do espectador. Haneke força o espectador a uma reflexão incómoda sobre o papel da violência na sociedade moderna, numa simples história que se conta numa frase: dois psicopatas invadem a casa de uma família em férias, sequestrando-os e forçando-os a participar em sádicos jogos de tortura (física e psicológica) e de morte.
Mas a leitura desta história vai mais para além do óbvio. Haneke construiu um perturbante estudo psicológico sobre a violência mediatizada (os assassinos usam o vídeo para gravar os actos, a televisão está em alto volume numa cena de violência) e a agressividade extrema sem aparente justificação ou motivação.
"Brincadeiras Perigosas" continua a ser, por isso, um dos mais perturbantes ensaios sobre a violência das imagens do cinema moderno, uma reflexão sobre a banalidade da sua "aceitação". E repare-se como em pouco mais de 1 minuto, o trailer do filme condensa todo o espírito paradoxal do filme: não só pela montagem meticulosa, mas também pela espantosa e inteligente utilização da música, com a agressividade da música dos Naked City (John Zorn) a sobrepor-se à doçura erudita da música de Haendel que a família ouve no carro (mas que não se vê neste trailer).
Impressionante.

sábado, 2 de outubro de 2010

Grandes Filmes Frustrados - 7: Paul Verhoeven e "As Cruzadas"


A HISTÓRIA: Paul Verhoeven, realizador holandês dos inenarráveis "Showgirls" e "Starship Troopers", quis um dia aventurar-se num projecto megalómano: em 1997, Verhoeven apresentou ao estúdio a intenção de concretizar uma super-produção sobre a Guerra Santa das cruzadas medievais, intitulada precisamente, "As Cruzadas".
Contactou com Arnold Schwarzenegger para interpretar o papel principal, Hagen, e entregou a responsabilidade do argumento a Walon Green, o responsável do guião da obra-prima "The Wild Bunch" de Sam Peckinpah.
Em 1998 tudo parecia estar preparado para o arranque do filme, elenco incluído: Charlton Heston, Robert Duvall e Jennifer Lopez.
CONCLUSÃO: Paul Verhoeven calculava que precisaria entre duzentos e trezentos milhões de dólares de orçamento para levar a cabo o projecto. Quando os produtores foram confrontados com esta colossal exigência financeira, a "cruzada" do realizador terminou aí.
Ainda assim, em 2001 o projecto teve novos financiadores que poderiam impulsionar o início das filmagens, mas em Setembro desse ano um monumental atentado contra as Torres Gémeas levou tudo a perder de novo: a ideia de "Guerra Santa" para o filme não era, de todo, conveniente e apropriado explorar.
Nove anos depois, "As Cruzadas" de Paul Verhoeven mantêm-se no limbo do esquecimento...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O gangster Tony Montana


E por falar em Sam Peckinpah, no dia 9 de Dezembro de 1983, há precisamente 25 anos, estreava um dos filmes paradigmáticos dos anos 80 e um dos que mais polémica levantou por causa do uso excessivo da violência na esteira de Peckinpah: "Scarface", de Brian de Palma (uma espécie de remake livre do clássico filme de gangsters de 1932 realizado por Howard Hawks).
Com argumento ousado de um jovem chamado Oliver StoneAdicionar imagem, um alucinante Al Pacino no papel do implacável gangster sem escrúpulos Tony Montana, e com uma estreante e bela Michelle Pfeiffer, "Scarface" tornou-se num fascinante objecto de culto durante muitos anos. Um marco que influenciaria dezenas de outros filmes similares.
Lembro-me de o ver "Scarface" no cinema, por volta de 87 ou 88, e de ter ficado siderado com tão marcante interpretação de Pacino e com a história carregada de adrenalina à volta de traficantes de droga e corrupção em Miami. E mais fascinado fiquei ao ver os últimos 10 minutos de película, nos quais o irascível Tony Montana, submerso em drogas e alucinações derivadas de traições familiares (reminiscências da saga "O Padrinho"), reage violentamente ao assalto à sua mansão na qual tem uma estátua com a irónica inscrição - "The World is Yours". Uma impressionante sequência de tiroteio que o realizador que estilizou a violência gráfica, Sam Peckinpah, não desdenharia.

domingo, 4 de abril de 2010

Duelo de banjo e guitarra

O filme "Deliverance (Fim-de-Semana Alucinante)" (1972) começou agora na RTP2. Vi-o há muitos anos na televisão e revi-o há uns tempos em DVD. Desde a primeira vez que o vi que me ficou na memória uma sequência em especial. E não me refiro a nenhuma cena de violência associada ao filme que tanto deu que falar nos anos 70. Refiro-me à cena do duelo de banjo e guitarra, logo no início do filme, entre um dos personagens principais e um miúdo mudo. Um magnífico diálogo musical que não prepara o espectador para o clima de tensão que vem depois...

PS - Este filme de John Boorman era para ter sido realizado por Sam Peckinpah, que acabou por fazer "Straw Dogs". E não se perdeu nada, dado que este filme também é um estudo fascinante sobre a violência.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Uma boa leitura


O número de fevereiro da revista de cinema Premiere traz uma série de boas e interessantes reportagens:
- Destaques a "Shutter Island" com entrevista a Leonardo Di Caprio
- Artigo desenvolvido e biográfico de um marginal genial de Hollywood: Sam Peckinpah
- Destaque à programação do próximo Fantasporto
- "10 Filmes de 5 Tostões" (filmes de baixo orçamento com receitas gigantescas)
- Top dos melhores filmes de 2009 e da década
- Top das melhores bandas sonoras de 2009 e da década
- Artigo longo sobre o auge e queda de uma estrela - Judy Garland
- Entrevista a Woody Allen a propósito de "Whatever Works"
- Crítica a uma edição DVD de uma obra-prima de F.W. Murnau - "Tabu"
- Destaque à filmografia de John Ford editada em DVD
Uma boa leitura, portanto.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O sangue em Tarantino


Quentin Tarantino, ainda a gozar das boas críticas ao seu recente "Inglourious Basterds", disse em Londres (na Academia de Cinema e Televisão), que a violência é o elemento mais atractivo do cinema. "A violência é genial, vês um filme porque há violência e esta afecta o público de forma tremenda", referiu o cineasta. Para que um filme seja impactante, Tarantino defende que se deve mostrar muito sangue no grande ecrã porque "quando alguém recebe um tiro no estômago, deve sangrar como um porco e isso é o que quero ver, não uma pequena e insignificante mancha vermelha no meio da barriga", defendeu.
Nada que já não se soubesse das intenções do cinema de Tarantino. O seu gosto pela violência explícita, fortemente influenciado pelo cinema violento de Sam Peckinpah, cedo se revelou no filme de culto "Cães Danados" (1992), com Mr. Orange (Tim Roth na imagem) a esvair-se em sangue durante tormentosos minutos. No entanto, apesar das palavras de Tarantino não soarem a novidade, encaro-as como algo redutoras e até simplistas do seu cinema. Os filmes de Tarantino são muito mais do que mera apologia da violência gráfica, até porque não concordo que a violência seja a coisa mais atractiva no cinema, como refere o realizador de "Kill Bill". Felizmente que continua a a haver muito e bom cinema sem que haja recurso a violência - pelo menos violência visual.
Basta lembrar o cinema do recém desaparecido Eric Rohmer, autor de um cinema altamente depurado, narrativo até à medula, com recurso à palavra e ao mais puro do realismo. E, sem quaisquer resquícios de violência ou de sangue, não é por isso que o seu legado cinematográfico deixa de ser rico e grandioso.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Momentos e Imagens - 39


O realizador Sam Peckinpah dá instruções ao actor William Holden num momento antes da rodagem de uma sequência da obra-prima "The Wild Bunch" (1969).

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Os preferidos de Tarantino


É sabido que o realizador Quentin Tarantino desenvolveu o seu gosto cinéfilo quando trabalhava num videoclube de filmes alternativos. Nesses anos, viu todo o tipo de filmes de culto, desde a filmografia integral de George Romero, Sam Peckinpah e Roger Corman, até obscuros filmes de artes marciais de série B. Tarantino costuma dizer que foi graças a esses anos de intensa aprendizagem a ver filmes que se dedicou à realização. E a sua careira é o que se sabe...
Agora o cineasta de "Sacanas Sem Lei" revelou ao site "Skymovies" os seus 20 filmes preferidos dos últimos 17 anos - sensivelmente desde que começou a realizar filmes com o fulminante "Reservoir Dogs". A lista é bastante diversificada e, nalguns casos até, surpreendente. Espanta-me, por exemplo, que Tarantino escolha em 2ºlugar da lista um filme, quanto mim, totalmente menor de Woody Allen - "Anything Else", ou que escolha um filme de mero entretenimento inconsequente como "Team America" como um dos melhores das duas últimas décadas. E surpreende-me, igualmente (mas pela positiva), que o cineasta tenha nas suas preferências filmes tão singulares como "Dogville" de Lars Von Trier ou "O Protegido" de Shyamalan.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Dicionário de Cinema Para Snobs - Parte 4

"Apesar de se orgulharem de ter um gosto extremamente afinado, os cinéfilos snobs são também criaturas perversas capazes de elogiar perdidamente alguns trabalhos de chapa mais flagrantes, a que os próprios realizadores não ligam puto ("é isso que os torna tão brilhantes, tão audazes!"). Por vezes, os snobs iludem-se e convencem-se de que aquele estrume cinematográfico, ao qual dedicaram horas sem fim e webzines pagas do seu próprio bolso, tem algum significado cultural digno de uma dissertação doutoral e impossível de ser apreendido pelos fãs de Tom Cruise.
Segue-se um guia do consumidor para uma snobeira fidedigna."

Dez Causas Célebres dos Snobs Que Valem a Pena:
- Robert Aldritch
- John Cassavetes
- Manny Farber
- "Freaks"
- Nouvelle Vague
- Expressionismo Alemão
- Guy Maddin
- Sam Peckinpah
- Spaghuetti Western
- Wire-Fu

Dez Causas Célebres dos Snobs Que São Fraudulentas:
- "O Impérios dos Sentidos"
- Maya Deren
- Dogma 95
- Robert Downey Jr.
- Peter Greenaway
- "L'Atalante"
- Tom Laughlin
- Filmes de luta livre mexicana
- "O Insustentável Peso do Trabalho"
- Filmes de mulheres-na-prisão

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Massacre memorável


O tiroteio que encerra o fabuloso western "The Wild Bunch" ("A Quadrilha Selvagem", 1969) do grande e pouco citado Sam Peckinpah, é considerado o mais brutal e complexo jamais rodado: quatro homens enfrentam duzentos e ninguém sobrevive. A cena dura dez intensos minutos, para os quais foram necessários 27 dias de filmagem. Usaram-se mil armas e mais de noventa mil carregadores de munição de fogo. A novidade que Peckinpah introduziu neste filme foi a de mostrar o impacto dos disparos em câmara-lenta ("super-slow motion") e o sangue jorrar, estetizando a violência gráfica como raramente se tinha visto até então. Ainda para mais, "The Wild Bunch" é o primeiro filme no qual se vêem protagonistas dispararem contra crianças que se escondiam atrás de mulheres. Perante tamanha encenação coreográfica da violência, Sam Peckinpah foi censurado e acusado de pouco realista. Ao que respondeu: "O realismo não me itneressa nada; eu faço filmes, não faço documentários", declarou o cineasta, mestre e referência de realizadores como John Woo ou... Tarantino.