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terça-feira, 5 de agosto de 2014

10 Melhores Documentários de Sempre

340 realizadores e críticos de cinema escolheram os 10 melhores documentários da História do Cinema. Desta lista não vi ainda 4 dos filmes referenciados, mas concordo totalmente com os cinco primeiros eleitos (sobretudo com a obra-prima absoluta do número 1).

Eis a lista:

10 - "Grey Gardens" - Albert e David Maysles, Muffie Meyer (1975)
9 - "Dont Look Back" - D.A. Pennebaker (1967)
8 - "The Gleaners and I" - Agnès Varda (2000)
7 - "Nanook of the North" - Robert Flaherty (1922)
6 - "Chronicle of a Summer" - Jean Rouch e Edgar Morin (1961)
5 - "The Thin Blue Line" - Errol Morris (1989)
4 - "Night and Fog" - Alain Resnais (1955)
3 - "Sans Soleil" - Chris Marker (1982)
2 - "Shoah" - Claude Lanzmann (1985)
1 - "Man With a Movie Camera" - Dziga Vertov (1929)

Oportunidade para ver ou rever uma das melhores obras cinematográficas de todos os tempos, acrescida da extraordinária banda sonora do trio Alloy Orchestra (especializado em musicar filmes mudos) que eu já tive o privilégio de ver actuar ao vivo:

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Remakes & sequelas, não obrigado

Recentemente estreou o filme "Carrie", remake do clássico de Brian De Palma filmado em 1976. Eu não vi nem quero ver. Geralmente e por princípio, sou contra remakes. São raros os remakes que são superiores ao filmes originais. E por vezes piores do que remakes são as inefáveis sequelas, que não acrescentam valor nenhum ao filme original (compare-se a trilogia de "O Padrinho" com "Matrix", por exemplo).

Mas há filmes que, pelas suas características artísticas, estéticas e de culto, dificilmente algum produtor terá coragem de fazer um remake (mas enfim, sabemos que em Hollywood há malucos para tudo). Assim, duvido que algum produtor, realizador ou estúdio de cinema arrisque fazer remakes ou sequelas de filmes como:

- "A Noite do Caçador" 
- "Blade Runner" 
- "Eraserhead" 
- "Reservoir Dogs" 
- "Aguirre: A Cólera de Deus" 
- "The Wild Bunch" 
- "A Laranja Mecânica" 
- "Blue Velvet"
- "Stalker" 
- "Morte em Veneza" 
- "Paris, Texas" 
- "Seven"
- "Ladrões de Bicicletas" 
- "O Eclipse" 
- "A Pianista" 
- "Lost in Translation" 
- "Hiroshima meu Amor" 
- "A Estrada" 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Dois clássicos em sala

Não é todos os dias que podemos assistir à reposição em sala de duas obras-primas clássicas da história do cinema. É o caso agora destes dois títulos incontornáveis de Alain Resnais e Michael Curtiz (mas só em Lisboa e Porto). Oportunidade única para as novas gerações poderem assistir em ecrã gigante a duas obras maiores da arte cinematográfica.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O regresso a "Soy Cuba"

Revi o passado fim-de-semana o filme "Soy Cuba" (1964) de Kalatozov e voltei a sentir o mesmo espanto que senti quando o vi pela primeira vez. E confirmei algo que arrisco, sem problemas, dizer: este filme é das obras cinematográficas mais belas e originais de toda a história do cinema (subiu para um lugar cimeiro do meu top 10 de sempre). Só filmes grandiosos como "Touch of Evil" de Orson Welles ou "O Último Ano em Marienbad" de Alain Resnais se equiparam, em termos estéticos e formais, a esta obra do cineasta russo.
Foi necessário um cineasta da dimensão mediática de um Martin Scorsese para tirar do limbo do esquecimento este incrível filme.
Todos quantos amam o cinema e as imagens (e já agora, Cuba, deixando para trás as conotações políticas e propagandísticas que o filme transmite) devem ver esta obra de arte uma vez na vida.
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Eis aqui o que escrevi sobre esta obra ímpar de Kalatozov. 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Esplendorosa Emmanuelle Riva

O nome da actriz Emmanuelle Riva há-de ficar nos anais da história do cinema com uma característica muito especial: o de ser lembrada para sempre com dois filmes que iniciaram e terminaram a sua carreira: "Hiroshima Meu Amor" (1959) de Alain Resnais e "Amor" (2012) de Michael Haneke
53 anos separam estes dois filmes, dois filmes que têm a palavra "amor" no título, dois filmes que abordam questões essenciais sobre a ascensão e o declínio do amor. É como se Emmanuelle Riva não tivesse feito mais filmes no intervalo destas duas películas. Fez, alguns até importantes. Mas serão "Hiroshima Meu Amor" e "Amor" os títulos que ficarão para sempre na memória de qualquer cinéfilo. 
No filme de Alain Resnais, Riva tinha 32 anos, surgia no auge da sua esplendorosa sensualidade física; no filme de Haneke, a actriz apresentou-se com respeitáveis 85 anos de idade (no próprio dia da cerimónia dos Óscares fará 86 anos). Mas é como se a mesma sensualidade, carisma e intensidade não se tivessem esfumado por um único segundo com todos estes anos passados. Não importa que Riva possa não ganhar o Óscar de melhor actriz. O seu legado é maior do que qualquer estatueta dourada.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Cannes: a mais elevada expectativa


Se dúvidas houvessem, o festival de Cannes aí está para confirmar que é o melhor e mais competitivo festival de cinema do mundo. Não há realizador – por mais ou menos veterano que seja – que não queira estrear e competir em Cannes. Prova disso é (à semelhança do ano anterior) a extraordinária lista de realizadores que competem à almejada Palma de Ouro.
Convenhamos: em 21 títulos ter filmes de cineastas como Haneke, Loach, Kiarostami, Reygadas, Resnais, Salles, Cronenberg, Mungiu, Audiard ou Carax, é passar um esplêndido e inequívoco atestado de qualidade ao mais alto nível a esta edição de Cannes. Mais uma vez, Cannes volta a ser uma fabulosa montra do melhor cinema contemporâneo num patamar da mais elevada categoria artística e expectativa. E perante tantos realizadores de renome, tentar adivinhar quem levará a Palma de Ouro é arriscar no total escuro.
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Eis a lista da Competição:
“Amour”, Michael Haneke
“The Angels' Share”, Ken Loach
“Baad el mawkeaa”, Yousry Nasrallah
“Beyond the Hills”, Cristian Mungiu
“Cosmopolis”, David Cronenberg
“Holy Motors”, Leos Carax
“The Hunt”, Thomas Vinterberg
“Killing Them Softly”, Andrew Dominik
“In Another Country”, Hong Sang-soo
“In the Fog”, Sergei Loznitsa
“Lawless”, John Hillcoat
“Like Someone in Love”, Abbas Kiarostami
“Mud”, Jeff Nichols
“On the Road”, Walter Salles
“The Paperboy”, Lee Daniels
“Paradies: Liebe”, Ulrich Seidl
“Post tenebras lux”, Carlos Reygadas
“Reality”, Matteo Garrone
“Rust and Bone”, Jacques Audiard
“Taste of Money”, Im Sang-soo
“You Haven't Seen Anything Yet”, Alain Resnais

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

As sequelas inúteis

Recentemente, os cinéfilos foram surpreendidos com a sequela inútil e medíocre do filme de culto "Donnie Darko". Isto levou-me a pensar que, apesar da onda de sequelas por tudo e por nada há, potencialmente, filmes que pelas suas características (argumento, estética, realização, peso de culto...) são praticamente impossíveis de fazer sequelas, sob pena de destruirem o imaginário cinéfilo da obra original.
A título de exemplo - seria infame que houvesse sequelas de filmes como:
- "A Noite do Caçador"
- "Blade Runner"
- "Eraserhead"
- "Reservoir Dogs"
- "Aguirre: A Cólera de Deus"
- "The Wild Bunch"
- "A Laranja Mecânica"
- "Blue Velvet"
- "Morte em Veneza"
- "Paris, Texas"
- "O Feitiço do Tempo"
- "O Eclipse"
- "A Sede do Mal"
- "As Virgens Suicidas"
- "Hiroshima, Meu Amor"
- "12 Angry Men"
- "Ed Wood"
Sempre queria ver a "coragem" dos produtores de Hollywood...

sábado, 1 de janeiro de 2011

Balanço 2010 - Os filmes


De referir que ainda não vi certos filmes que, potencialmente, poderiam ser incluídos na lista dos melhores do ano, como "Lola" de Brillante Mendoza, "O Mágico" de Sylvain Chomet, "Eu Sou o Amor" de Luca Guadagnino, "O Segredo dos Teus Olhos" de Juan José Campanelleou ou "Mistérios de Lisboa" de Raúl Ruiz.

1 - "Shutter Island" - Martin Scorsese
2 - "O Laço Branco" - Michael Haneke
3 - "O Escritor Fantasma" - Roman Polanski
4 - "Filme do Desassossego" - João Botelho
5 - "Whatever Works" - Woody Allen
6 - "As Ervas Daninhas" - Alains Resnais
7 - "Fantasia Lusitana" - João Canijo
8 - "Um Homem Singular" - Tom Ford
9 - "Ruínas" - Manuel Mozos
10 - "Polícia Sem Lei" - Werner Herzog
11 - "Toy Story 3"- Lee Unkrich
12 - "A Rede Social" - David Fincher
13 - "The Road" - John Hillcoat
14 - "Buried" - Rodrigo Cortés
15 - "Cela 211" - Daniel Monzón

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Playtime #16


A solução: "Last Year at Marienbad" (1961) - Alain Resnais
Quem descobriu: Anónimo-sem-paciência-que-queria-um-biscoito-por-se-ter-dado-ao-trabalho-de-responder

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Uma colecção a não perder


A próxima colecção de DVD do Público é absolutamente imperdível: 15 filmes essenciais (uns mais do que outros) de 15 realizadores essenciais (uns mais do que outros). Intitula-se, bem a propósito, "Grandes Realizadores" e vai contar com filmes de John Ford, Moretti, Godard, Pialat, Resnais, Jarman, Kiarostami, Cassavetes, Sokurov, Bresson, entre outros.
As edições fazem parte do rico catálogo da Midas Filmes e o primeiro DVD sai já na próxima sexta-feira com a magnífica obra "Young Mr. Lincoln" de John Ford, a um preço irrisório: 1.99€.
Só não percebi se se trata de preço de lançamento ou não...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Dois livros para compreender melhor o cinema


Num mundo superpovoado de imagens, quais os critérios para avaliar as imagens verdadeiras das inúteis? Que valor e impacto tem uma imagem da televisão face a uma outra do cinema ou da internet? Que mecanismos devemos ter para compreender e interpretar as múltiplas configurações que a imagem contemporânea adquire na sociedade rápida da velocidade tecnológica e digital? Que dinâmicas visuais existem na cultura audiovisual e de que forma enriquecem ou empobrecem a nossa experiência social, comunicacional e estética?
Estas e muitas outras perguntas são respondidas neste esplêndido livro "Compreender o Cinema e as Imagens" das Edições Texto & Grafia. Um livro que reúne um conjunto vasto de ensaios e textos críticos de diversos especialistas mundiais na área do cinema e da comunicação audiovisual (com organização de René Gardies).
O livro é de grande interesse não só pela forma como analisa os aspectos essenciais relativos à linguagem do cinema (com muito exemplos de análise e de imagens), como também pela opção de integrar, no contexto da cultura audiovisual contemporânea, a imagem produzida pelos meios tecnológicos que revolucionaram a comunicação actual: vídeo, Internet, televisão, publicidade, telemóveis...).
"Estética da Montagem" pretende traçar um panorama das diferentes concepções da montagem ao longo da história do cinema, e propor uma análise desta técnica em numerosos domínios de representação. O autor ilustra a sua exposição com exemplos de montagens de filmes, especialmente de autores como Orson Welles, Alain Resnais ou Maurice Pialat, mostrando em que medida a evolução das técnicas e das práticas de montagem influencia a estética dos filmes.
Estes dois livros inserem-se na colecção "Mi-Mé-Sis", vocacionada para a divulgação das artes do espectáculo e suas distintas formas de expressão e de contaminação (a colecção integra outros títulos sobre a relação entre o cinema ou sobre o argumento no cinema). Escrito numa linguagem fluente, nada técnica ou académica, e com grande rigor formal, este dois livros são, sem dúvida, um precioso auxiliar para especialistas ou meros interessados na compreensão do fenómeno pluridimensional das imagens.
Livros à venda na Fnac.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Top 10 cinema italiano


O cinema italiano, à semelhança do francês, é um cinema que teve períodos de grande relevância histórica, cultural e estética na história do cinema mundial. São dois países cujas marcas de autor e de originalidade mais se fizeram sentir ao longo de décadas. Duas cinematografias muito criativas e pujantes.
Se em Itália emergiu o movimento Neo-Realista (Rossellini, Vittorio De Sica, Visconti) logo no pós-guerra, em França surgiu a não menos importante Nova Vaga na década de 60 (Godard, Truffaut, Rohmer, Rivette, Resnais...), que trouxe uma nova sensibilidade e uma nova forma de fazer cinema que marcaria para sempre a Sétima Arte.
Numa deambulação que fiz pela internet sobre cinema italiano, deparei-me com uma lista dos 10 melhores cineastas italianos de sempre. E é esta, por ordem decrescente:

10 - Robert Benigni
9 - Sergio Leone
8 - Pier Paolo Pasolini
7 - Franco Zeffirelli
6 - Roberto Rossellini
5 - Luchino Visconti
4 - Vittorio De Sica
3 - Bernardo Bertolucci
2 - Michelangelo Antonioni
1 - Federico Fellini
______________________
As listas valem o que valem, mas custa-me a acreditar que Bertolucci seja considerado melhor realizador do que Visconti ou do que Vittorio De Sica. Assim como me causa certa estranheza ver o Zeffirelli à frente de Pasolini e do Sergio Leone. Ou nem sequer constar Nani Moretti.
Já os dois primeiros lugares - Fellini e Antonioni - são, quanto a mim, inquestionáveis.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O filme sobre Auschwitz


No dia em que se assinalam 65 anos da libertação de Auschwitz, relembro uma das obras de cinema que, quanto a mim, melhor conseguiu retratar os horrores nazis cometidos no infame campo: "Noite e Nevoeiro" ("Nuit et Brouillard", no título original, 1955) de Alain Resnais.
“Noite e Nevoeiro” foi o primeiro grande documentário sobre o sistema concentracionário e de extermínio criado pelos nazis, sobre o Genocídio e o Holocausto, sendo considerado um marco na História do Cinema. Realizado em 1955, dez anos apenas após a libertação do campo de extermínio de Auschwitz, o filme de Resnais confirma que nenhuma descrição ou imagem pode dar a verdadeira dimensão dos acontecimentos ocorridos. À altura em que “Noite e Nevoeiro” foi realizado, a erva já tomara conta de Auschwitz: o antigo cenário do horror era uma paisagem verdejante, campestre, serena; a ruína do campo ameaçava já a ruína da memória. Era preciso reavivá-la e, para isso, Resnais intercalou o que ele próprio filmou em Auschwitz com imagens de arquivo captadas pelos aliados no fim da guerra ou pelos alemães, e com fotografias comentadas com uma lentidão litúrgica, “uma doçura terrífica”, notou François Truffaut.
De resto, este célebre cineasta francês disse uma vez que “Noite e Nevoeiro” era o “melhor filme jamais feito”. O filme tem uma voz off impressiva. É a voz do escritor francês Jean Cayrol, combatente da Resistência Francesa que foi preso político no campo de concentração de Mauthausen (Áustria).
O título, “Noite e Nevoeiro”, foi retirado do título do livro de Jean Cayrol, “Poèmes de la Nuit et Brouillard”, que por sua vez retirou a expressão ao nome do decreto alemão “Nacht und Nebel”, que estipulava a deportação para locais secretos de pessoas acusadas de conspirar contra o regime nazi. “Noite e Nevoeiro” rejeita quaisquer formatos convencionais de narrativa histórica; expõe factos em vez de os explicar, revela o horror em vez de o compreender racionalmente. E mais do que tudo, refuta a exploração fácil do sentimentalismo, do apego à emoção dramática, pelo que a câmara de Resnais filma com uma suavidade inaudita, sem cedências ideológicas ou emocionais.

A frieza e a neutralidade com que cada plano-sequência é filmado, revela-se uma agulha espetada no espírito humano, como se Alain Resnais perguntasse a cada espectador: “como foi possível?” O filme foi rodado a cores (presente, 1955) e a preto e branco (imagens de arquivo). É assim que o realizador francês aborda a montagem das imagens com as quais apresenta a sua “visão expiatória” do extermínio dos Judeus. Montagem, manipulação e reconstrução de imagens muitas vezes insustentáveis, que "produzem uma forte impressão de irrealidade que dão uma sensação de vertigem àqueles que têm que fazer este trabalho”, nas próprias palavras de Alain Resnais.
O rigor ético e estético deste filme, a música subtil de Hanns Eisler (antigo colaborador de Brecht) e as palavras poéticas de Cayrol fazem de “Noite e Nevoeiro” uma experiência cinematográfica única, para não falar da inerente importância histórica deste documentário.
"Noite e Nevoeiro" tem apenas 30 minutos de duração e pode ser visto integralmente aqui.

domingo, 30 de agosto de 2009

Momentos e Imagens - 31


A actriz Delphine Seyrig e o realizador Alain Resnais num momento descontraído durante as filmagens de um dos mais belos e enigmáticos filmes de sempre: "O Último Ano em Marienbad" (1961).

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O regresso a Marienbad


Li no blogue Sound + Vision que a editora Criterion vai lançar no mercado DVD um dos mais singulares e originais objectos de cinema de sempre: "O Último Ano em Marienbad" (1961) de Alain Resnais. Um filme magistral que marcou a "nova vaga francesa" sobre os labirintos da memória e das paixões humanas (é também uma obra-prima de realização e fotografia).
Pelo que se pode comprovar pela ficha técnica desta edição, é fácil constatar que se trata de mais um excelente DVD lançado pela prestigiada Criterion. Extras e mais extras de qualidade (entrevistas, documentários, booklet...), já para não falar da cópia restaurada digitalmente. Todos os pormenores são de extrema importância para a exigente Criterion - em termos de conteúdo e em termos formais - até a capa do DVD é esteticamente irrepreensível.
Sobre o filme, falei dele aqui.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

"Não viste nada em Hiroshima" e outras frases


A frase: "You saw nothing in Hiroshima."
Dita por: Eiji Okada como Lui
Filme: "Hiroshima Mon Amour" (1960) de Alain Resnais

A frase: "The Zone wants to be respected. Otherwise it will punish."
Dita por: Aleksandr Kaidanovsky como Stalker
Filme: "Stalker" (1979) de Andrei Tarkovski

A frase: "No, not at all. I love women. Wearing their clothes makes me feel closer to them."
Dita por: Johnny Depp como Ed Wood Jr.
Filme: "Ed Wood" (1994) de Tim Burton

Frase: "You ready to be born again, Miss Bowden?"
Dita por: Robert De Niro como Max cady
Filme: "Cape Fear" (1991) de Martin Scorsese

A frase: "It seems that envy is my sin."
Dita por: Kevin Spacey como John Doe
Filme: "Se7en" (1995) de David Fincher

A frase: "I Love the Smell of Napalm in the Morning!"
Dita por: Robert Duvall como Tenente Coronel Bill Kilgore
Filme: "Apocalypse Now" (1979) de Francis Ford Coppola

domingo, 17 de maio de 2009

Um labirinto de memórias







Num luxuoso e enorme hotel, um estranho quer convencer uma mulher casada para fugirem juntos. Porém, parece difícil ela lembrar-se que tiveram um caso (ou talvez não tiveram) no último ano em Marienbad. Este é o mote de um dos mais enigmáticos e fascinantes filmes de sempre: "L'Année Dernière à Marienbad" ("O Último Ano em Marienbad", 1961), filme do realizador francês Alain Resnais. Um filme que, mais do que qualquer outro, evoca uma inusitada energia os labirintos da consciência e da memória. O cineasta disse, a propósito deste filme: "fiz uma tentativa cria e primitiva para captar a complexidade do pensamento e os seus mecanismos."
Tudo é enigmático e barroco nesta obra de Resnais, desde as personagens ao ambiente criado, à voz off que narra acontecimentos em forma de poesia onírica, a realização em longos planos-sequência, a montagem elíptica, os hipnóticos movimentos de câmara, a narrativa cerebral. Visualmente, "O Último Ano em Marienbad" é um filme belo como poucos, feito de uma expressividade plástica depuradíssima. Para o sucesso artístico do filme muito contribuiu o texto e argumento de Alain Robbe-Grillet (um dos expoentes do chamado "Novo Romance" francês"), perfeito para a visão barroca de Alain Resnais. As personagens são todas anónimas, sem alma, e vítimas de um qualquer encantamento que povoa o palácio internacional onde toda a acção do filme se desenrola - uma espécie de cela dourada e labiríntica, afastada do mundo real, quase num universo paralelo de consciência. Um filme mítico e hipnótico, que se revê sempre com renovado prazer e surpresa.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

As Palmas de Ouro


Começou hoje o melhor festival de cinema do mundo, Cannes. A lista de realizadores com novos filmes que vai ser mostrada ao mundo nesta edição é verdadeiramente estonteante: Alain Resnais, Quentin Tarantino, Pedro Almodóvar, Lars von Trier, Francis Ford Coppola, Terry Gilliam, Gaspar Noé, Johnnie To, Ang Lee, e muitos outros grandes cineastas de autor da actualidade vão estar representados. Muitos deles, irão competir pela desejada e prestigiada Palma de Ouro, o galardão que rotula para sempre o filme (e respectivo realizador) como obra de arte cinematográfica contemporânea (ainda que haja, por vezes, discussões à volta da definição deste conceito e da justiça da atribuição do prémio).
E por falar em Palma de Ouro, estive a verificar a lista de premiados e apeteceu-me elaborar uma lista com os 10 filmes galardoados de que mais gosto. Assim, por ordem de preferência, e compreendendo apenas os filmes vencedores dos últimos 20 anos (entre 1989 - 2009):

1 - "Pulp Ficion" (1994) - Quentin Tarantino
2 - "Barton Fink" (1991) - Joel e Ethan Coen
3 - "Underground" (1995) - Emir Kusturica
4 - "O Pianista" (2002) - Roman Polanski
5 - "Coração Selvagem" (1990) - David Lynch
6 - "Elefante" (2003) - Gus Van Sant
7 - "Dancer in The Dark" (2000) - Lars Von Trier
8 - "O Piano" (1993) - Jane Campion
9 - "4 Meses, 2 Semanas e 2 Dias" (2007) - Christian Mungiu
10 - "O Quarto do Filho" (2001) - Nanni Moretti

domingo, 1 de março de 2009

Os cineastas mais velhos em actividade

A idade é um posto, diz-se na gíria popular. E é verdade. No cinema, apesar de Manoel de Oliveira liderar, com os seus incontornáveis 100 anos, a lista de realizadores mais velhos no activo, outros há que continuam a fazer filmes com a experiência acumulada de décadas de trabalho: Mario Monicelli (93 anos), Clint Eastwood (78 anos), Alain Resnais (86 anos), Jean-Luc Godard (78 anos), Eric Rohmer (88 anos), Jacques Rivette (80 anos), Agnès Varda (80 anos) e Sidney Lumet (82 anos).
Deste último, Sidney Lumet, vi recentemente em DVD o fabuloso filme "Antes Que o Diabo Saiba que Morreste" (2007), prodigioso thriller com interpretações superlativas de Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke e Albert Finney. Uma história de crime e castigo numa experiência visceral de descida à total devastação moral e existencial de uma família. Esperemos que estes cineastas, apesar da idade avançada, mantenham o alto nível de qualidade do seu cinema durante muitos anos, provando às gerações mais novas de realizadores que ainda têm muito para dar (e dizer) ao mundo.


sábado, 27 de dezembro de 2008

A morte entra em campo

Assim começa "Noite e Nevoeiro" de Alain Resnais, um brutal documentário sobre os horrores perpretados no campo de extermínio de Auschwitz:

Mesmo uma paisagem tranquila…
Mesmo um campo de colheitas com os
corvos a circular em volta da relva…
Mesmo uma estrada onde passam camponeses…


Mesmo uma vila para veraneio pode
tornar-se num campo de concentração.
Strüthof, Oraniemburg, Auschwitz,
Neuengamme, Belsen,
Ravensbruck, Dachau


Estes eram nomes como quaisquer outros
Em mapas e roteiros turísticos.
O sangue secou.
As línguas tornaram-se silenciosas.
A única visita dos blocos
é feita por esta câmara.


Uma estranha erva cobre agora
as veredas antes utilizadas pelos reclusos.
Já ninguém ousa atravessar
a vedação de arame eléctrica.
Não se ouvem passos, a não
ser os nossos próprios.

Um campo de concentração é construído
como um se fosse um hotel ou um estádio:
Com homens de negócio. Com estimativas.
Com concursos de obras.
E sem dúvida com um ou dois subornos.
Nenhum estilo específico –
Isso é deixado à imaginação:

Os comboios selados e trancados.
Milhares de pessoas compactadas em cada vagão.
Não há dia, não há noite.
Fome, sede, sufocação, loucura.
Uma mensagem cai para o chão.
Será encontrada?
A morte entra em campo.
Neste segundo dá-se a chegada
no meio da noite e do nevoeiro.


Mais desenvolvimento aqui.