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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A mensagem de "Eles Vivem"


No filme de culto de John Carpenter "Eles Vivem" (1988), um homem chamado John Nada encontra na rua uns óculos de sol aparentemente comuns. Porém, quando os coloca, para seu espanto, passa a ver o exterior de uma forma completamente diferente: o mundo está a preto e branco, pessoas aparentemente normais são, na verdade, criaturas alienígenas disfarçadas de seres humanos, e mensagens/ordens subliminares que elas transmitem são espalhadas através da comunicação social e na cidade. O planeta Terra fora dominado por forças alienígenas e o cidadão comum nada suspeitava - a não ser que usasse os óculos especiais.
Ora, o tema deste filme de Carpenter mais não é do que uma metáfora social e política sobre o funcionamento das sociedades modernas que, na capa das democracias, revelam tiques de totalitarismo sobre os seus cidadãos. 

Enquanto que na Coreia do Norte essa sociedade opressiva e obediente à força é assumida pelo poder dominante, nas sociedades ocidentais esses mecanismos de domínio são encobertos, indirectos e subliminares. Quanto menos contestação aos ideais impostos pelas autoridades, melhor. Quanto menos pensamento independente face aos valores instituídos, melhor. Quanto mais as pessoas se distraírem na sociedade de consumo, melhor.

John Carpenter teve esse discernimento em 1988 para perceber o estado a que tinha chegado a sociedade moderna. Hoje, em 2014, no domínio absoluto da sociedade tecnológica e digital, esse discernimento é ainda mais premente.








segunda-feira, 6 de maio de 2013

Não pensar, não existir, só assistir




Hoje fui surpreendido por um graffiti numa parede da minha cidade. É um graffiti tão simples mas inteligente e que transmite uma imensa verdade: hoje a televisão é sobretudo um veículo comunicacional que potencia o embrutecimento da população (já o referi várias vezes neste blogue, aliás). À frente do televisor o indivíduo deixa de ter "existência" própria e age consoante a ditadura da informação e do entretenimento que são veiculados pela "caixa mágica". Isto é, através de uma lavagem cerebral mais ou menos oculta, deixa de "pensar" e assume um papel totalmente submisso e passivo ("só assisto"). E quando falo em pensar, falo em pensar de forma crítica e racional. 
A televisão é um instrumento que estupidifica, que se submete ao controlo dos grandes grupos económicos e se rege unicamente pela ditadura das audiências, produzindo cada vez mais lixo, cada vez mais conteúdos fúteis e supérfluos. Ver televisão é cada vez mais uma actividade boçal e de total perda de tempo. 
Isto leva-me a pensar no magnífico - e premonitório - filme "Eles Vivem" (1988) de John Carpenter. Filme em que todos os meios de comunicação social eram dominados por extraterrestres que mantinham a aparência de um mundo real quando, na realidade, o que existia era um conjunto de ordens subliminares para a população "obedecer", "não protestar", "consumir", "ver televisão", "não pensar", "dormir"... A verdadeira realidade, tenebrosa e refém de interesses iníquos, só podia ser contemplada com uns óculos especiais...
Voltando ao graffiti e contrariando a sua mensagem: devemos cada vez mais "pensar" (criticamente e pelas nossas próprias cabeças), cada vez mais "existir" (em conformidade com os tempos actuais) e cada vez menos "assistir" (passivamente, sem reacção).

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Stephen King no cinema


Durante o ano de 2012 vamos assistir, pelo menos, a dois filmes com base em obras literárias de terror do escritor Stephen King: um remake de "Carrie" e "A Good Marriage".
Se há um nome incontornável da literatura moderna de terror esse nome só pode ser Stephen King. Herdeiro da tradição literária dos contos góticos e fantásticos de Edgar Allan Poe e Lovecraft, King desenvolveu um extraordinário talento para contar histórias de notável suspense e horror (sobrenaturais ou não). E não esqueçamos que King se revelou não apenas como escritor do género de terror, como também ao nível da ficção que nada tem a ver com o medo. São os casos dos livros "Stand by Me" e "Shawshank Redemption", cujas adaptações cinematográficas foram deveras notáveis.
Por outro lado, se há escritor cujas obras foram, bastas vezes, adaptadas ao cinema (e à televisão), Stephen King também lidera a lista. Foram, literalmente, dezenas e dezenas de filmes com base em contos, novelas e romances do mestre do terror fantástico. Muitas adaptações são sofríveis porque apenas exploraram o filão comercial do nome do escritor sem quaisquer resultados em termos artísticos. Mas muitos outros realizadores conseguiram transpor para o grande ecrã as histórias de King com grande mestria.
E há até realizadores que, praticamente, só fazem filmes com base em histórias de King (como Frank Darabont). De todos os filmes que conheço baseados na obra de Stephen King, eis os meus 12 filmes favoritos:
12 - "A Janela Secreta" (2004) de David Koepp
11 - "Pet Sematary" (1989) de Mary Lambert
10 - "1408" (2007) de Mikael Håfström"
9 - "Christine" (1983) de John Carpenter
8 - "Carrie" (1976) de Brian De Palma
7 - "The Green Mile" (1999) de Frank Darabont
6 - "The Mist" (2007) de Frank Darabont


E o magnífico top 5:


5 - "Misery" (1990) de Bob Reiner

4 - "The Dead Zone" (1983) de David Cronenberg

3 - "Stand by Me" (1986) de Bob Reiner

2 - "Os Condenados de Shawshank" (1994) de Frank Darabont

1 - "The Shining" (1980) de Stanley Kubrick

domingo, 28 de agosto de 2011

A rentrée do cinema


No último suplemento Ípsilon do jornal Público foi publicado um destaque à chamada "rentrée" cultural que se avizinha (de Setembro a Dezembro deste ano).
De todas as dezenas de referências enumeradas ao nível de filmes, as que eu mais aguardo ansiosamente são:
- "O Hospício" - John Carpenter
- "Meia-Noite em Paris" - Woody Allen
- "Cave of Forgotten Dreams" - Werner Herzog
- "Sangue do Meu Sangue" - João Canijo
- "Restless" - Gus Van Sant
- "La Piel que Habito" - Pedro Almodóvar
- "Habemus Papam" - Nanni Moretti

sábado, 30 de julho de 2011

Remake inútil

Juro que não percebo a obsessão de Hollywood em fazer remakes de filmes clássicos e de culto. É o sintoma definitivo do esgotamento de ideias da indústria cinematográfica norte-americana: à falta de argumentos arrojados e inovadores, capazes de mobilizar novos espectadores às salas de cinema, os produtores preferem investir na reconstituição moderna de filmes que outrora foram marcantes. Para quê? É a pergunta a que ninguém consegue responder...

Nos últimos tempos as notícias de remakes são sucessivas e imparáveis. Ainda há dias lia acerca do remake de "The Thing" de John Carpenter e agora deparei-me, ao ler a revista Total Film, do remake do espantoso clássico do mestre Sam Peckinpah, "Straw Dogs" ("Cães de Palha"). Vi o trailer e fiquei a pensar quão inútil e desnecessário deve ser este filme realizado por um tal Rob Lurie. Qual o objectivo deste remake quando o original é tão bom? Pelo que vi e li, só mudam praticamente os actores, a história mantém-se idêntica, e há até planos iguais aos do filme de Peckinpah. Até o cartaz é igual ao protagonizado por Dustin Hoffman! Enfim, dinheiro e tempo desperdiçados.

Estou em crer que, por este andar, ainda veremos infames remakes de obras como "Citizen Kane" ou "O Couraçado Potemkine"...

Sobre "Straw Dogs" (o meu Peckinpah preferido) já tinha escrito este post.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Vivemos no mundo de Carpenter?

Cada vez mais penso que o filme de John Carpenter se assemelha à realidade dos nossos tempos. Uma realidade -a verdadeira - encoberta e escondida nas sombras, atrás das aparências empíricas quotidianas, numa espécie de "Alegoria da Caverna" moderna proporcionada pela sociedade tecnológica globalizada e manipulada pela propaganda instituída, pelos media e pelo poder que nos instiga, subliminarmente, mensagens como aquelas que o protagonista de "They Live!" experiencia:
- "Obedece"
- "Compra"
- "Não tenhas Imaginação"
- "Vê TV"
- "Sê Conformista"
- "Não Questiones a Autoridade"
- "Casa e Repoduz"...
Só nos falta saber se conseguiremos um dia identificar a realidade escondida através de uns óculos especiais ou por outros meios quaisquer.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Cinema - O momento da revelação

Todos os cinéfilos guardam na memória imagens marcantes de filmes, igualmente, marcantes. Mas raramente retêm aquelas imagens nas quais surgem incrustados os títulos dos filmes.
Tema de importância menor? Talvez. Mas como disse o Rato Cinéfilo num dos seus últimos comentários, a imagem ainda é uma componente fundamental na memória de qualquer cinéfilo.
Eis alguns exemplos de grandes obras de cinema e dos "screenshots" exactos dos respectivos títulos - ou seja, o "momento da revelação":












terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O nevoeiro



Na zona onde vivo houve hoje, durante todo o dia, um denso nevoeiro que não deixava ver um palmo à frente dos olhos. Quando o manto branco cobre tudo à volta, silencioso e misterioso, lembro-me do inquietante filme de John Carpenter, "The Fog" (1980), um grande clássico de terror.

terça-feira, 23 de novembro de 2010