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sexta-feira, 12 de junho de 2015

O top de Jarmusch

Jim Jarmusch (62 anos) é um cineasta norte-americano de culto autor de obras como "Dead Man" (1995), "Stranger Than Paradise" (1984) ou "Coffee and Cigarettes" (2003). Filma quase sempre a preto e branco com orçamentos limitados, colaborou com os músicos Tom Waits ou John Lurie e os seus filmes são produções do circuito independente. 

A lista que se segue revela os 10 filmes favoritos de Jarmusch: só grandes filmes notoriamente de um cinéfilo amante de bom cinema - todo ele a preto e branco e o mais recente de 1967.

1. L’Atalante (1934, Jean Vigo)
2. Tokyo Story (1953, Yasujiro Ozu)
3. They Live by Night (1949, Nicholas Ray)
4. Bob le Flambeur (1955, Jean-Pierre Melville)
5. Sunrise (1927, F.W. Murnau) 
6. The Cameraman (1928, Buster Keaton)
7. Mouchette (1967, Robert Bresson)
8. Seven Samurai (1954, Akira Kurosawa)
9. Broken Blossoms (1919, D.W. Griffith)
10. Rome, Open City (1945, Roberto Rossellini)

quarta-feira, 21 de maio de 2014

As influências artísticas no cinema

Não há artista que não sofra influências. Quem disser que não tem influências, directas ou indirectas, é um artistas intelectualmente desonesto. No cinema podem fazer-se muitas analogias mais ou menos óbvias que nos permitem afirmar que determinado realizador foi influenciado por outro determinado cineasta. É o exercício que o site Taste of Cinema fez: seleccionou 15 realizadores e indicou - explicando porquê - as respectivas influências estéticas. 
A título de exemplo: François Truffaut teve como mentor Jean Vigo; Michael Mann procura inspiração em Sam Peckinpah; ou Fritz Lang serviu como guia espiritual para Tim Burton.
Eis toda a informação neste link.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Carta ao Pai Natal


Querido Pai Natal: este ano de 2013 portei-me bem. Por isso peço-te gentilmente que me ofereças estas prendas em baixo descriminadas. São algumas caixas de DVDs e Blu-Ray que gostaria de receber este ano. No total serão apenas algumas centenas de euros, não é um valor significativo no teu gigantesco orçamento anual para prendas para todo o planeta. Obrigado pela tua atenção, Pai Natal.
Então faz o favor de apontar:













segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Um grande filme de 1928



Henri Langlois, famoso director da Cinemateca Francesa, afirmou em 1953 que este filme tinha uma "riqueza técnica extraordinária". E cineastas da grandeza de um Jean Vigo e de um Carl Dreyer manifestaram a sua profunda admiração pela atmosfera poética desta obra do realizador francês Jean Epstein (1897 - 1953).
A obra em causa é uma célebre adaptação de um conto de terror gótico do escritor Edgar Allan Poe: "A Queda da Casa de Usher". Uma história de uma sinistra casa isolada no meio de lagos na qual vivem um lorde (Roderick Usher) obcecado pela sua mulher. O filme foi realizado no período de ouro do cinema mudo (1928) e, apesar da inequívoca originalidade e qualidade da obra, foi mal compreendido na época.


Filme de grande beleza plástica, de efeitos e metáforas visuais de grande impacto (câmara lenta, fotografia de sombras, cenas oníricas...) , "A Queda da Casa de Usher" (que Roger Corman recriaria em 1960 com Vincent Price como protagonista) é ainda considerado um marco do cinema de vanguarda dos anos 20. Jean Epstein, amante de filosofia, de poesia, oriundo de famílias aristocráticas e de grande cultura, foi também claramente influenciado pelo surrealismo e pelas teorias estéticas do russo Dziga Vertov. Esta obra permanece como uma das melhores adaptações cinematográficas do universo de Edgar Allan Poe, seja pela criatividade expressa no estilo abstracto da narração, seja pela prodigiosa utilização da imagem, da iluminação, dos enquadramentos ou dos jogos de montagem, que conferem ao filme uma atmosfera poética admirável, carregada de surrealismo e onirismo psicológico. De referir que o realizador espanhol Luis Buñuel foi assistente de realização neste filme, experiência que o terá levado a fazer a curta-metragem "Un Chien Andalou" (1928).

Um dos mais formidáveis filmes mudos da história do cinema, "A Queda da Casa de Usher" é um belo manifesto da arte poética e visualmente expressiva que é o cinema, numa obra plena de segundos sentidos, de um formalismo fascinante e de uma atmosfera perturbadora. Para comprovar esta teoria, basta apreciar estes escassos minutos de um excerto do filme (com música original de Stephan Micus):

terça-feira, 26 de julho de 2011

A poesia de Jean Vigo


Jean Vigo, que morreu com apenas 29 anos, fez parte da primeira vaga da vanguarda francesa do cinema, com Jean Cocteau, René Clair e Luís Buñuel (apesar de este ser espanhol, foi em França que começou a carreira de realizador). E é para mim um dos mais espantosos realizadores franceses de sempre, apesar da sua curta vida e carreira.

O pai de Jean Vigo era anarquista e esta ideologia influenciou determinantemente a sua visão artística, resultando num cinema libertário, de recusa de regras académicas, fazendo um cruzamento de linguagens entre o realismo de um Jean Renoir, a poesia de um Baudelaire e o surrealismo de um Buñuel. A sua escassa filmografia é de uma riqueza singular: o documentário “A propósito de Nice” (1929) que tanto influenciou Manoel de Oliveira na sua obra “Douro, Faina Fluvial”; o documentário “Taris” sobre um nadador famoso (1931); “Zero em Conduta” (1933), obra fundamental que reflecte sobre o autoritarismo da escola; e o maravilhoso “Atalante” (1934), última obra de Vigo.

Não admira que, com esta escassa mas riquíssima filmografia, Jean Vigo se tornasse num cineasta tão amado pelos realizadores da "Nova Vaga" da década de 60. Uma curiosidade: todos os filmes de Jean Vigo tiveram como operador de câmara Boris Kaufman, irmão do fundamental cineasta russo Dziga Vertov. E desde 1951 foi instituído o “Prémio Jean Vigo” para o melhor realizador francês, atribuído anualmente.
Eis o belíssimo documentário mudo "A Propos de Nice" (1939), com música de Mark Perrone:

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Instituições e comunidade


O British Film Institute comemora este ano 77 anos de existência.
Há dois anos, esta autêntica instituição do cinema europeu solicitou a 75 personalidades ligadas ao cinema e às artes, uma votação intitulada "Visions For The Future", para cada uma delas nomear apenas um filme que fosse uma marca para o futuro do cinema.
Entre artistas consagrados e outros desconhecidos, revelaram-se algumas boas surpresas: a actriz Cate Blanchett escolheu "Stalker" de Tarkovski; o realizador Ken Russell optou por "Metropolis"; Julien Temple seleccionou a obra-prima de Jean Vigo, "L'Atalante"; para o compositor Michael Nyman, o filme que marcaria o futuro é "Silent Light" do mexicano Carlos Reygadas (de quem se diz ser o maior discípulo de Tarkovski); o produtor Mark Herbert escolheu um dos últimos filmes de Werner Herzog, "Grizzly Man".
Outros filmes escolhidos: "Do The Right Thing" de Spike Lee, "Pulp Fiction" de Tarantino, "Raging Bull" de Scorsese, entre dezenas de outros.
Este é um tipo de iniciativa que raramente vemos acontecer no panorama cultural e institucional nacional. A título de exemplo: a Cinemateca vive encerrada sobre si mesma, não solicita ou desafia a comunidade artística e muito menos a sociedade em geral. Era importante que as estruturas culturais se abrissem mais à comunidade artística (e não só), lançando desafios de colaboração e de envolvimento, apelando à contribuição dos cidadãos (anónimos ou reconhecidos) para uma dinâmica cultural mais interactiva e actuante na sociedade.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Playtime #17

A solução: "A Propos de Nice" (1930) - Jean Vigo
Quem descobriu: Anónimo e Pedro Polónio

quinta-feira, 26 de março de 2009

Zero em Conduta - o filme todo


A propósito do post sobre a sequência das almofadas do filme “Zero em Conduta” de Jean Vigo, quem não conhecer o filme na sua totalidade (tem apenas 44 minutos de duração), poderá visualizá-lo (com legendas em inglês), aqui.
Jean Vigo, que morreu com apenas 29 anos, fez parte da vanguarda francesa do cinema, com Jean Cocteau, René Clair e Luís Buñuel (a pesar de este ser espanhol, foi em França que começou a carreira de realizador). O pai de Vigo era anarquista e esta ideologia influenciou determinantemente a sua visão artística, resultando num cinema libertário, de recusa de regras académicas, fazendo um cruzamento de linguagens entre o realismo de um Jean Renoir e o surrealismo de um Buñuel. A sua escassa filmografia é de uma riqueza singular: o documentário “A propósito de Nice” (1929) que tanto influenciou Manoel de Oliveira no “Douro, Faina Fluvial”; o documentário “Taris” sobre um nadador famoso (1931); “Zero em Conduta” (1933), obra fundamental que reflecte sobre o autoritarismo da escola; e o maravilhoso “Atalante” (1934). Todos os filmes de Jean Vigo tiveram como operador de câmara Boris Kaufman, irmão do cineasta russo Dziga Vertov. Desde 1951 que foi instituído o “Prémio Jean Vigo” para o melhor realizador francês, atribuído anualmente.

Almofadas poéticas

Uma sequência de grande beleza plástica retirada do filme "Zero em Conduta" (também conhecido como "Zero em Comportamento") de um dos mais insólitos, originais (e fugazes) realizadores franceses de sempre: Jean Vigo (1905 - 1934): os alunos do colégio interno revoltam-se contra o autoritarismo e iniciam uma luta de almofadas, quase coreografada, quase onírica. Poesia visual, como quase todo o cinema de Vigo.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

75 anos de BFI


O British Film Institute comemora este ano 75 anos de existência. Para assinalar a efeméride, os responsáveis desta instituição dedicada ao cinema e ao audiovisual, decidiram lançar duas iniciativas: primeiro, uma promoção muito apetecível de venda de filmes (DVD)clássicos e de autor a um preço reduzido - £9,99. São 75 títulos do próprio e excelente catálogo do BFI.
Em segundo, uma votação intitulada "Visions For The Future", solicitada a 75 personalidades ligadas ao cinema e às artes, para cada uma delas, nomear apenas um filme que seja uma marca para o futuro do cinema. Entre artistas consagrados e desconhecidos, constatam-se algumas boas surpresas: a actriz Cate Blanchett escolheu "Stalker" de Tarkovski; o realizador Ken Russell, optou por "Metropolis"; Julien Temple seleccionou a obra-prima de Jean Vigo, "L'Atalante"; para o compositor Michael Nyman, o filme que marcará o futuro é "Silent Light" do mexicano Carlos Reygadas (de quem se diz ser o maior discípulo de Tarkovski); o produtor Mark Herbert escolheu um dos últimos filmes de Werner Herzog, "Grizzly Man".
Outros filmes escolhidos: "Do The Right Thing" de Spike Lee, "Pulp Fiction" de Tarantino, "Raging Bull" de Scorsese, entre dezenas de outros. A lista pode ser consultada aqui. Para além da votação das opções dos artistas, o site permite ainda a intervenção dos cibernautas através de debates online.