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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Ressuscitar com Kubik

Interrompo a "morte" deste blog por um motivo muito especial. Curiosamente, também para falar de morte. Mas neste caso, para dizer que a morte é aqui entendida como uma homenagem, uma dedicatória sentida ao meu pai, falecido há 8 meses. 
Como músico (projecto Kubik) senti necessidade de lhe prestar uma singela homenagem com uma música original. Só passado este tempo, com o devido distanciamento emocional, consegui compor a música que acompanha este vídeo. As imagens são evocações das memórias e das vivências do meu pai. E sendo uma homenagem, apesar de pessoal, tem mais sentido se for partilhada publicamente. 

Por isso ressuscito, momentaneamente, o meu blog para partilhar convosco esta música "Walking on Air" (a partir do poema "Atmosphere" de Ian Curtis/Joy Division). Depois o blog volta ao descanso eterno (ou talvez não)...

 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O rock enérgico das Savages

O grupo feminino de rock Savages vai lançar um novo álbum no início de 2016 ("Adore Life"). Para aguçar o apetite, acabam de editar o primeiro single: "The Answer" é um espantoso tema de pura e enérgica efervescência rock, provando que as Savages são das melhores propostas de rock dos últimos anos. Tal como os fãs do videoclip (filmado em Lisboa), ao ouvir esta música só apetece saltar em movimentos descontrolados do corpo.
 

quarta-feira, 11 de março de 2015

A dança mecânica

Chama-se Bryan "Chibi" Gaynor e é um jovem com uma qualidade rara: consegue mover o seu corpo como se fosse um robôt. É um dançarino que movimenta o seu corpo de forma hipnótica ao som da música electrónica do dubstep. Chega a não parecer humano, como um autómato que mexe os membros em câmara lenta (ou não) e que por vezes dá a impressão que está em gravidade zero.
É uma arte corporal mais difícil do que parece à primeira vista porque exige um total controlo dos mais ínfimos músculos do corpo, de forma a criar a ilusão de movimentos mecanizados e minuciosamente coreografados (num misto de expressão corporal de um mimo com o breakdance). E claro que a sincronia entre movimentos corporais e a música dubstep ajuda a criar esse mesmo efeito.

Mais vídeos no seu canal do Youtube. 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Velvet em versão francesa

Eis um belo estímulo para começar bem a semana: uma deliciosa versão do clássico "Femme Fatale" dos The Velvet Underground & Nico, interpretada por um rapaz e uma rapariga franceses de nome Mathieu e Pauline. Uma versão tão deliciosa que até o escritor Neil Gaiman a partilhou na sua conta de Twitter:
 

domingo, 16 de novembro de 2014

Scott Walker on fire

Scott Walker, 71 anos, um dos songwriters de maior culto dos últimos 40 anos, surpreende tudo e todos ao juntar-se ao grupo de drone metal, Sunn O))). O resultado é o disco "Soused" editado há escassas semanas e que, certamente, marcará o presente ano musical. 
A voz sempre possante de Scott Walker à mistura com os ambientes dark e os densos riffs de guitarra dos Sunn O))), eis uma receita estética improvável mas altamente estimulante. Não é música para meninos, porque se mergulha num universo onde o sonho e o pesadelo andam de mãos dadas. É uma espécie de registo "Scott Walker on fire".

"Brando" é um dos temas do referido álbum, e é preciso estofo para conseguir ouvi-lo até ao fim (8'40'') e ver o enigmático - e belo - videoclip realizado por Gisèle Vienne (num estilo muito David Lynch).

Uma verdadeira experiência:

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Perfume Genious

Perfume Genius é, provavelmente, o músico mais sofisticado do panorama actual da música pop.

terça-feira, 4 de março de 2014

Dead Combo: o regresso

Os Dead Combo regressam com um novo álbum: "A Bunch of Meninos". Não sei se o título do disco tem alguma coisa a ver com o célebre filme "The Wild Bunch" (1969) de Sam Peckinpah, mas é bem provável, ou não tivessem os Dead Combo um gosto muito especial pela iconografia western (música e imagens). 
Os músicos, Tó Trips e Pedro Gonçalves, continuam a criar ambientes cinematográficos com fortes influências do imaginário do western, mas também do rock, do fado e de ritmos de várias latitudes planetárias que constroem as canções sempre instrumentais (que se encaixavam tão bem na voz de um Tom Waits!).  São estas características que conferem aos Dead Combo toda a sua originalidade no panorama musical português. 
Pensando bem, a música destes "bunch of meninos" assentaria que nem uma luva num qualquer western violento de Sam Peckinpah.
Aqui pode ouvir-se o álbum (com canções com títulos tão singulares como "Miúdas e Motas", "Hawai em Chelas", "Dona Emília" ou "Snowden's Dream"; e aqui pode ver-se o tema-título "A Bunch of Meninos":

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Videoclips sem... música

Na Internet em geral e no Youtube, em particular, existem toneladas de informação e de entretenimento, muitas são mero lixo, outras são deveras experiências criativas e bem interessantes. É o caso deste exemplo tão simples e tão eficaz: um tal Mario Wienerroither teve uma ideia criativa realmente original - pegou em videoclips famosos e retirou-lhes... a música! 
O que ficou? Ficou um trabalho minucioso de edição áudio, destacando todos os sons que surgem nas imagens (ruídos do meio ambiente) e as partes vocais isoladas da própria música. É um trabalho de paródia visual e sonora (publicado no Youtube), porque o resultado final é realmente bizarro aos nossos sentidos, mas também muito divertido. 
Eis dois exemplos paradigmáticos com dois conhecidos videoclips dos Prodigy e dos Queen:

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A criatividade de Kutiman

Kutiman é o alter-ego de Ophir Kutiel, um músico e artista israelita que ganhou fama por fazer música unicamente a partir de sons retirados de vídeos de músicos amadores do Youtube (como se pode ver e ouvir aqui). 
Depois desta experiência criativa bem sucedida, Kutiman enveredou por projectos mais elaborados, como foi fazer uma espécie de retrato sonoro e visual de determinadas cidades do mundo, como Jerusalém, Cracóvia ou Tóquio.
O trabalho criativo de Kutiman parte de um pressuposto simples mas de execução complexa: neste esplêndido exemplo de Tóquio, Kutiman percorreu a cidade filmando-a sob vários pontos de vista de forma a dar a conhecer as suas intrínsecas características sócio-culturais. Para além disso, pediu a diversos músicos, amadores e profissionais, que tocassem aleatoriamente pequenos trechos musicais representativos da tradição musical japonesa. Kutiman gravou-os para, posteriormente, num processo meticuloso de "corte-e-cola", proceder a um laborioso processo de reciclagem estética fundindo sons, ritmos e melodias.
O resultado pode-se ver e ouvir no vídeo que se segue: mestria e criatividade visual e musical para o século XXI. Não é propriamente um videoclip, uma curta-metragem ou um documentário. "Thru Tokyo" é antes um notável e surpreendente postal ilustrado turístico-cultural do Japão em formato audiovisual.

sábado, 14 de setembro de 2013

The Avalanches e o "corte e cola"

Conhecem o projecto The Avalanches? Trata-se de um projecto musical electrónico australiano muito interessante que trabalha exclusivamente a partir de samples de discos. Dito de outro modo: o objectivo dos The Avalanches é recriar uma nova música a partir da meticulosa montagem de excertos de músicas e sons (ritmos, melodias, ruídos...) oriundos dos mais variados discos e géneros. Trabalhar com samples já vem de longe, e lançaram em 2000 um discos fenomenal intitulado "Since I Left You".
Para além da construção musical a partir de pedaços sonoros alheios, os The Avalanches praticam também um humor corrosivo muito especial, como se comprova com este divertido videoclip "Frontier Psychiatrist" (talvez a música mais conhecida do grupo).
Agora tentem fazer este exercício simples para perceber como esta música foi construída: vejam e ouçam primeiro o videoclip e de seguida vejam o segundo vídeo que explica a origem dos sons que foram manipulados. Irão perceber de que disco foi retirada a linha de baixo, os coros, o ritmo, os sopros e o resto dos instrumentos.
É um trabalho de reciclagem musical muito meticuloso recorrendo à técnica do "corta e cola" ("cut and paste"), de forma a que todas as peças sonoras díspares consigam um alcançar um sentido musical e estético final coerente e apelativo.
É o caso.


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Jazz rock

Amon Tobin (enquanto projecto Cujo) a fazer jazz rock? Talvez sim. Ou não. Isto porque Amon Tobin faz de tudo e sempre bem. Mas a verdade é que se trata de alguém que pegou na música "Traffic" do álbum "Adventures in Foam" (1996) e a colou a um videoclip saído de um clube de jazz dos anos 40.
O contraste entre as imagens rústicas e a sofisticação da música é desconcertante, e a sincronia entre os instrumentos que supostamente "tocam" o que ouvimos bem divertida.
 Uma outra forma de ouvir e "ver" a música de Tobin.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O blues de Hugh Laurie




Hugh Laurie ficou mundialmente conhecido por interpretar o Dr. House na série de sucesso com o mesmo nome. Porém, Hugh Laurie não é apenas um carismático actor, é também um talentoso músico de blues. Há dois anos editou um promissor álbum de estreia intitulado "Let Them Talk". 
Agora acaba de lançar o segundo disco de nome "Didn't It Rain". É um disco de homenagem ao blues de Nova Orleães, com referências directas a alguns mestres deste género musical (entre temas originais e versões de "standards"). 
Já tive a oportunidade de ouvir o álbum na íntegra (pode ser ouvido aqui) e confirma-se o brilhantismo do actor-agora-músico: Hugh Laurie tem uma voz que encarna o verdadeiro espírito do blues, toca exemplarmente bem guitarra e piano e faz-se rodear de músicos de primeira categoria. E tem canções irresistíveis de expressivo feeling blues.
Como aperitivo, eis um videoclip quase em registo de curta-metragem:

segunda-feira, 25 de março de 2013

The Quartet of Woah!



É uma das melhores surpresas da música portuguesa dos últimos anos: The Quartet of Woah! (com ponto de exclamação e tudo). São quatro fantásticos músicos oriundos de anteriores formações rock que se juntaram para um projecto que foi beber à herança do rock psicadélico e progressivo dos anos 70, ao qual juntaram pitadas de stoner rock. O resultado musical desta mescla é realmente fulgurante, com o álbum de estreia recentemente editado, "Ultrabomb", ser já um disco muito elogiado até pela imprensa estrangeira especializada.
Os temas são construídos com base numa forte presença rítmica apoiada em riffs de guitarra, fraseados de teclado Farfisa e fantásticas linhas vocais (são três vocalistas). As melodias e os riffs mais agressivos misturam-se de modo explosivo, a energia solta-se desenfreadamente, e as canções, exemplarmente construídas, revelam-se blocos sonoros fascinantes. Por isto e por mais, os The Quartet of Woah! são já uma das mais significativas revelações do rock nacional e, se tiverem o merecido apoio e reconhecimento, poderão afirmar-se cá dentro e lá fora.
O novíssimo videoclip "U Turn" serve de comprovativo da garra da banda. E o álbum "Ultrabomb" pode ser escutado e/ou comprado aqui.

domingo, 3 de março de 2013

Bowie, Tilda e Floria

David Bowie regressou em 2013 de forma surpreendente. Lançou um single no dia do seu aniversário e vai lançar um novo álbum este mês. E há apenas dois dias divulgou um novo videoclip do segundo single retirado de "The Next Day"
O videoclip é realizado pela consagrada realizadora italiana Floria Sigismondi, criadora de alguns dos melhores videoclips da última década para os mais variados músicos e grupos (Sigur Rós, The White Stripes, Interpol, Leonard Cohen, Marilyn Manson, Fiona Apple...).
Neste excelente videoclip "The Stars (Are Out Tonight)", David Bowie assume papel de actor juntamente com uma grande actriz, Tilda Swinton. A história do videoclip é algo rocambolesca e bizarra, um pouco ao estilo visual de David Lynch, e quase num formato de curta-metragem.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Amon Tobin em registo de violência

Eis um videoclip para a polémica: o novo videoclip do projecto Two Fingers de Amon Tobin. Musicalmente não traz grandes novidades, com o estilo habitual electrónico (breakbeat/dubstep) a que nos habituou Amon.
É nas imagens que a controvérsia se instalou. A violência gráfica desmedida num contexto claramente infantil. Uma espécie de massacre gore e sanguinário sem escrúpulos com brinquedos de criança. Claro que é preciso ver o videoclip até ao fim para perceber o significado de tanta violência, mas não deixa, por isso, de ser um notável trabalho de animação (porventura com uma mensagem subliminar...).
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Já agora, eis o que o press release informa:
Amon Tobin presents the next brutalist masterpiece wired up under his Two Fingers guise, "Vengeance Rhythm." A low-slung exercise in violence, brooding power and pure production smarts, in the words of a recent Resident Advisor feature, it's "a little like dubstep built on an interplanetary scale." The tune has been brought to life (and death) in a truly jaw-dropping video from stop-frame animator and director Chris Ullens. Ullens transforms a pile of toys, a love of super slo-mo explosions and a huge pile of mince into the funniest, most eye-popping and shocking exercise in animated ultra-violence since Walt Disney discovered Mickey and Donald were engaged in Un-American Activities together

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Blixa e Becker

E agora para algo completamente diferente: uma das músicas mais sedutoras e belas dos anos 90, interpretada em duo por Blixa Bargeld (do grupo alemão Einstürzende Neubauten) e a actriz e cantora Meret Becker. O videoclip foi realizado por Jonathan Batowski:

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Tom Waits e o novo videoclip

Matt Mahurin é um reconhecido ilustrador, fotógrafo e realizador americano de videoclips musicais. O seu percurso foi sobretudo cimentado através de um considerável currículo na realização de videoclips para músicos e bandas como os U2, Peter Gabriel, Metallica, Lou Reed ou Tom Waits.
Para este último icónico músico, Matt Mahurin realizou dois videoclips em 1999: "Hold On" e "What's He Building". Agora acaba de consumar a sua terceira colaboração com Tom Waits: criou as imagens para a música "Hell Broke Luce" (do álbum "Bad as Me"). E que imagens! Matt Mahurin recorreu à sua diversificada experiência acumulada como ilustrador e realizador e conseguiu criar um espantoso e surpreendente manifesto visual para os sons (e palavras) de Tom Waits. A música "Hell Broke Luce" é densa e negra e as imagens correspondem na perfeição a estas premissas, naquele que é já considerado um dos melhores videoclips dos últimos anos de Tom Waits: