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terça-feira, 20 de outubro de 2015

O universo perturbador de Ballard

Aqui está uma edição que nenhum admirador do universo literário de J.G. Ballard pode perder: pela primeira vez no mercado nacional é editado "High Rise", em português "Arranha-Céus", escrito em 1975.

O livro decorre no espaço fechado de um arranha-céus onde moram duas mil pessoas, condomínio fechado de onde ninguém precisa de sair para o exterior. Criado o ambiente claustrofóbico e pós-histórico típico do universo ballardiano, este prédio é um simulacro da vida social moderna onde tudo parece correr bem até começarem a surgir os primeiros indícios de crime e violência que vão transformar o arranha-céus numa paisagem primitiva, onde o humano dá lugar a um bestiário de predadores: primeiro atacam-se os automóveis na garagem, depois os moradores. Um incidente conduz a outro e, acossados, os vizinhos agrupam-se por pisos possuídos por instintos animalescos. Quando aparecem as primeiras vítimas, a festa mal começou. É então que o personagem Richard Wilder, realizador de documentários, resolve avançar, de câmara em punho, numa viagem por uma inexplicável orgia de destruição, testemunhando o colapso do que nos torna humanos.

Entre a alucinação e a anarquia, a visão violenta e pessimista de J.G. Ballard oferece-nos um retrato demencial de como a vida moderna nos pode empurrar, não para um estádio mais avançado na evolução, mas para as mais primitivas formas de sociedade.

O romance foi adaptado ao cinema e deve chegar às salas ainda este ano, com a assinatura de Ben Wheatley (tem nos principais papéis os actores Jeremy Irons, Sienna Miller e Tom Hiddleston). No próximo ano, a editora Elsinore conta reeditar "Crash", celebrizado no sublime e perturbador filme homónimo de David Cronenberg.


sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Cinema e saúde mental

No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental da Escola Superior de Saúde de Viseu, fui convidado a dissertar sobre a relação entre o cinema e a saúde mental. Aceitei o desafio como aceitei, há três anos, dissertar sobre o suicídio e o cinema (ver aqui) num simpósio sobre o tema. O título que escolhi: "A Psique Cinematográfica: A Saúde Mental Representada no Cinema".

Foi um bom desafio que me obrigou a ver (ou rever) uma série de filmes e a investigar literatura especializada. Após elaborar uma pré-selecção de 60 filmes, reduzi a apresentação para 35 títulos que me pareceram absolutamente incontornáveis. Dois critérios essenciais serviram para essa selecção: a qualidade cinematográfica/artística de cada filme escolhido e a relevância temática.

Cheguei à conclusão que os distúrbios mentais mais frequentes abordados pelo cinema são: múltiplas formas de esquizofrenia, paranóia, transtorno obsessivo-compulsivo, comportamentos psicóticos, psicose maníaco-depressiva, transtorno bipolar, transtorno dissociativo de personalidade, etc.

A minha apresentação na Escola Superior de Cinema decorreu no dia 8 deste mês num auditório com 200 lugares lotados com estudantes de saúde mental, professores, enfermeiros, psicólogos e psiquiatras. Mostrei uma apresentação visual na qual constavam o título do filme, o realizador, o ano de produção e uma imagem ilustrativa (como estas duas que ilustram este post: "Shock Corridor" de Samuel Fuller e "Spider" de David Cronenberg). Depois ia dissertando sobre cada filme...
No final apresentei uma bibliografia especializada: cinema como terapia, loucura e cinema, psiquiatria e filmes, etc. Já não houve tempo para debate com a assistência.

Para dar o mote ao início da prelecção citei uma frase de uma personagem do filme “Grand Canyon” (1991) de Lawrence Kasdan: “Se estás com problemas vai ao cinema. Os filmes têm a resposta para todos os problemas da vida.” 

Os filmes foram citados por ordem cronológica.



"O Gabinete do Dr. Caligari” (1920) – Robert Wiene
“A Page of Madness” (1926) – Teinosuke Kinugasa
“Un Chien Andalou” (1929) – Luis Buñuel
“M - Matou” (1931) – Fritz Lang
“Spellbound” (1945) – Alfred Hitchcock
“The Snake Pit” (1948) – Anatole Litvak
“Él – O Alucinado” (1952) – Luis Buñuel
“As Três Faces de Eva” (1957) – Nunnally Johnson
“Psycho” (1960) – Alfred Hitchcock
“David e Lisa” (1962) – Frank Perry
“Shock Corridor” (1963) – Samuel Fuller
“Fogo Fátuo” (1963) – Louis Malle
“Repulsa” (1965) – Roman Polanski
"Persona" (1966) - Ingmar Bergman
“Uma Mulher Sob Influência” (1974) – John Cassavetes
“Jaime” (1974) – António Reis
“Voando Sobre um Ninho de Cucos” (1976) – Milos Forman
“Eraserhead” (1977) – David Lynch
“The Shining” (1980) – Stanley Kubrick
“Nostalgia” (1983) – Andrei Tarkovsky
“Misery” (1990) – Bob Reiner
“Despertares” (1990) – Penny Marshall
“Garota, Interrompida” (1999) – James Mangold
“Uma Mente Brilhante” (2001) – Ron Howard
“K-Pax” (2001) – Iain Softley
“As Horas” (2002) – Stephen Daldry
“Spider” (2002) – David Cronenberg
“O Aviador” (2004) – Martin Scorsese
“O Maquinsta” (2004) – Brad Anderson
“Loucuras de um Génio” (Doc, 2005) – Jeff Feuerzeig
“Bug” (2006) – Wiliam Friedkin
“Cisne Negro” (2010) – Darren Aronofsky
“Take Shelter” (2011) – Jeff Nichols
“Alive Inside” (Doc, 2013) – Michael Rossato-Bennett
“Pára-me De Repente o Pensamento” (Doc, 2014) – Jorge Pelicano
“Esta é a Minha Casa” (Doc, 2014) – Pedro Renca
“Birdman” (2014) – Alejandro Gonzalez Iñárritu

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Três dos grandes

Três dos meus realizadores preferidos têm muita coisa em comum: são da mesma geração, têm grande talento para o cinema, partilham um olhar intenso e penteados parecidos (muito cool!): David Lynch, David Cronenberg e Jim Jarmusch.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Cannes 2014


O mês de Maio aproxima-se e com ele o maior festival de cinema do mundo: Cannes
E esta edição promete ser histórica com grandes nomes da realização e da interpretação presentes.

Senão, vejamos, Cannes 2014 vai contar com novos filmes de:

- Hou Hsiao-Hsien
- Alejandro Gonzales Inarritu
- Tim Burton
- Olivier Assayas
- Wim Wenders
- Tommy Lee Jones (como realizador)
- Ryans Gosling (como realizador)
- Paul Thomas Anderson
- Terrence Malick
- Ken Loach
- Andrey Zvyagintsev
- David Cronenberg
- Mike Leigh
- Laurent Cantet
- Peter Bogdanovich
- Jean-Pierre e Luc Dardenne
- Abel Ferrara
- Nuri Bilge Ceylan
- Noah Baumbach
- ...

Impressionante, não?
Mais informação aqui.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Os adereços especiais de Cronenberg

A revista Empire é considerada a revista de cinema mais vendida do mundo. Será. Mas os seus leitores são, na sua maioria, seguidores dos blockbusters de Hollywood e do cinema comercial em geral. Raramente há bons artigos sobre cinema de autor ou filmes de culto/clássicos. 
No entanto, de quando em vez surgem uns artigos interessantes sobre determinadas temáticas de cariz mais cinéfilo. É o caso da edição de Novembro que publica quatro páginas dedicadas aos objectos e adereços orgânicos que marcaram o cinema de David Cronenberg: desde os efeitos especiais do filme "A Mosca", até à arma de "eXistenZ" ou a máquina de escrever de "O Festim Nu", a reportagem explica como Cronenberg imaginou a criação destes objectos tão singulares do seu cinema de "terror orgânico".

terça-feira, 5 de novembro de 2013

"A Bela Suicida"

No dia 1 de Maio de 1947, Evelyn McHale, de 23 anos, depois de discutir com o seu namorado, lançou-se para o vazio desde o miradouro situado no andar 86 do famoso Empire State Building de Nova Iorque (no bolso do seu casado havia uma nota: "Ele está muito melhor sem mim, não seria uma boa esposa").
No outro lado da rua, Robert Wiles, estudante de fotografia, ao ouvir o tremendo impacto aproximou-se com  a sua câmara e fotografou o corpo da bela jovem que caíra sobre o tecto de uma limusine de um mandatário das Nações Unidas, estacionada perto da Quinta Avenida. Esta fotografia correria mundo e ficou conhecida como "The Most Beautiful Suicide".
"A Bela Suicida". 
A imagem de Evelyn morta no meio dos destroços da limusine é, ao mesmo tempo, chocante e enternecedora. E prova como a morte e o acto suicida, por mais brutal que seja, pode ter contornos poéticos. A fotografia quase parece encenada: repare-se como a sua mão esquerda parece acariciar o colar de pérolas. A serenidade do seu rosto, as pernas cruzadas e a elegância do seu corpo como se estivesse simplesmente deitada a descansar - sem vestígios de sangue - no meio da destruição, criam uma imagem quase onírica (terá sido esta imagem que motivou David Cronenberg a realizar o filme "Crash"?). 
A fotografia apareceu publicada em Maio de 1947 na revista Life e anos mais tarde, em 1963, o guru da Pop Art, Andy Warhol, fascinado pela iconografia trágica, utilizou a mesma foto de Robert Wiles para criar um quadro intitulado "Suicide" ("Fallen Body").

quarta-feira, 26 de junho de 2013

domingo, 7 de abril de 2013

"Cultura de celebridades"


"Penso que há muitos jovens realizadores que só o querem ser porque querem ser estrelas rock. Isso é parte do problema da cultura de celebridades. Os melhores cineastas estão lá (na indústria) porque têm algo para dizer através do cinema. Há 20 anos não o diria porque os jovens de então tinham o cinema como um meio de expressão, mas agora por causa da cultura de celebridades isso é um problema."
David Cronenberg

segunda-feira, 11 de março de 2013

William S. Burroughs e os amigos

William S. Burroughs, um autor tão original quanto controverso.
A sua carreira e o seu percurso de vida são verdadeiramente notáveis, recheados de episódios e situações incríveis. Era o autor mais radical do movimento literário Beat, aquele que mais foi ao fundo das experiências alucinogénicas, criando um universo literário completamente novo ("O Festim Nu" prova isso).
Outro facto espantoso da sua vida: ao longo de várias décadas William S. Burroughs manteve inúmeras colaborações artísticas e amizades pessoais com grandes figuras das artes (música, poesia, cinema, pintura, literatura...).
Por todas estas incríveis ligações da sua vida, estou convicto de que a sua carreira artística e o seu percurso existencial dariam vasta matéria para uma filme biográfico extremamente interessante. Vejam-se estes exemplos:

Timothy Leary e William S. Burroughs

David Cronenberg e William S. Burroughs

Ministry e William S. Burroughs

William S. Burroughs e Hüsker Dü

William S. Burroughs e Gregg Beaubian

Debbie Harry e William S. Burroughs
Jean Genet, William S. Burroughs e Allen Ginsberg
Brion Gysin e William S. Burroughs
William S. Burroughs e Alene Lee
William S. Burroughs e Andy Warhol

William Burroughs e Tom Waits

William S. Burroughs e Mick Jagger

William S. Burroughs e Susan Sontag

Jimmy Page e William S. Burroughs

James Grauerholz e William S. Burroughs

William S. Burroughs e Joe Strummer (The Clash)

Patti Smith e William S. Burroughs

David Bowie e William S. Burroughs

William S. Burroughs e Kurt Cobain

William S. Burroughs e Jack Kerouac

Francis Bacon e William S. Burroughs

William S. Burroughs e Allen Ginsberg

William S. Burroughs e Frank Zappa

sábado, 9 de março de 2013

"Vi o meu rim na mão dele"

Esta história daria um bom argumento para um filme de David Cronenberg ou de Roman Polanski: a história de sobrevivência de um judeu às mãos do "Anjo da Morte" do campo de extermínio nazi de Auschwitz: o terrível Josef Mengele.
Chama-se Yitzchak Ganon (na primeira imagem), 88 anos, vive em Israel e só quando foi ao médico revelou que é um sobrevivente das monstruosas experiências "médicas" de Mengele durante o Holocausto Nazi.
Em 1944 foi deportado para Auschwitz onde viu toda a sua família ser morta. Um dia esteve prestes a entrar na câmara de gás onde cabiam 200 vítimas. Yitzchak era o número 201 e não entrou. 
Mais tarde, o campo foi libertado e o judeu grego conseguiu escapar à morte quase certa. Há pouco tempo Yitzchak foi operado ao coração.
Os médicos disseram-lhe: "Pensámos que não sobreviveria. Não sei se sabe, mas tem apenas um rim." Yitzchak respondeu: "Eu sei. A última vez que o vi estava na mão de um homem chamado Josef Mengele, médico de Auschwitz." 
Como milhares de outras vítimas de Mengele, Yitzchak foi torturado durante vários meses. O pior momento foi quando Mengele lhe tirou um rim... a sangue frio! Revela: "Cortou-mo sem anestesia. Foi uma dor indescritível. Senti cada um dos cortes do bisturi. Depois, vi o meu rim na mão dele. Gritei como um louco. Pedi a Deus para morrer." 
O instinto sádico de Josef Mengele não se ficou por aí. Obrigou Yitzchak a passar uma noite numa banheira em água gelada para testar as funções dos seus pulmões.
Não admira que, durante 66 anos após a experiência de Auschwitz, Yitzchak Ganon tenha adquirido fobia a médicos.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Top 2012 - Filmes

Depois do balanço dos discos do ano, os filmes. E com esta retrospectiva dou-me conta que, durante 2012,  estrearam mais filmes (de qualidade) que não vi do que aqueles que vi. 
Por exemplo, ainda não vi títulos que, porventura, poderiam constar na minha lista dos melhores do ano, tais como: "J. Edgar", "Attenberg", "Amor", "Holy Motors", "Le Havre", "César Deve Morrer", "Cloud Atlas", "O Gebo e a Sombra", "Killer Joe", "Looper", "Argo", "Ali - O Caçador", "Era Uma Vez na Anatólia", "Elena", "A Gruta dos Sonhos Perdidos", "Michael", "Enter The Void", "Mata-os Suavemente", "A Vida de Pi", "Deste Lado da Ressurreição"...
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Seja como for, os filmes que estrearam em 2012 que me deram mais prazer ver, são os seguintes:

1 - "O Cavalo de Turim" de Béla Tarr
2 - "Tabu" de Miguel Gomes
3 - "Moonrise Kingdom" de Wes Anderson
4 - "Shame" de Steve McQueen
5 - "Temos de Falar Sobre Kevin" de Lynne Ramsay
6 - "Oslo, 31 de Agosto" de Joachim Trier
7 - "A Invenção de Hugo" de Martin Scorsese
8 - "Take Shelter" de Jeff Nichols
9 - "Millennium 1 - Os Homens Que Odeiam as Mulheres" de David Fincher
10 - "4:44 Último Dia na Terra" de Abel Ferrara
11 - "Cosmopolis" de David Cronenberg
12 - "Os Descendentes" de Alexander Payne
13 - "O Miúdo da Bicicleta" dos irmãos Dardenne
14 - "Martha Marcy May Marlene" de Sean Durkin
15 - "The Grey" de John Carnahan
16 - "Cavalo de Guerra" de Steven Spielberg
17 - "Para Roma, Com Amor" de Woody Allen
18 - Frankenweenie" de Tim Burton:
19 - "Prometheus" de Ridley Scott
20 - "Amigos Improváveis" de Olivier Nakache
21 - "Albert Nobbs" de Rodrigo Garcia
22 - "A Minha Semana Com Marilyn" de Simon Curtis

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"Temos de Falar Sobre Kevin":






















"Take Shelter":















"O Cavalo de Turim":

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Be afraid. Be very afraid.


As "taglines" (ou slogans) de promoção de um filme são quase tão antigas quanto a própria história do cinema.
Basicamente, são frases publicitárias e de marketing referentes a um determinado filme. Algumas "taglines" revelam parte concreta da história do filme, outras são mais abstractas e subtis, outras ainda, sintetizam numa frase a essência do filme, despertando o apetite do espectador. Há frases também sem interesse e sem imaginação.
Ou seja, há "taglines" para todos os gostos e muitos filmes têm até mais do que um. Poucas são verdadeiramente interessantes e conseguem mobilizar o espectador para ver o filme (há algumas que são autênticos desastres). E há também frases más para filmes bons e vice-versa.
Os exemplos de frases promocionais que se seguem são meramente pessoais e listados por ordem cronológica. Não quer dizer que sejam as melhores ou as mais famosas frases de promoção de um filme. São algumas das minhas preferidas. Há muitas outras "taglines" famosas, mas estas são para mim, exemplos de frases promocionais de objectos fílmicos que representam pequenas obras-primas de criatividade e capacidade de síntese:

"The shadow of this woman darkened their love." - "Rebecca" (1940)
"They had a date with fate in Casablanca." - "Casablanca" (1942)
"Life is in their hands, death is on their minds!" - "12 Homens em Fúria" (1957)
"Check in. Relax. Take a shower." - "Psycho" (1960)
"You are cordially invited to George and Martha's for an evening of fun and games." - "Quem Tem Medo de Virgina Wolf" (1966)
"Being the adventures of a young man whose principal interests are rape, ultra-violence and Beethoven." - "Laranja Mecânica" (1971)
"On every street in every city, there's a nobody who dreams of being a somebody." - "Taxi Driver" (1976)
"In space no one can hear you scream." - "Alien" (1979)
"He loved the American Dream. With a Vengeance." - "Scarface" (1963)
"Be afraid. Be very afraid." - "A Mosca" (1986)
"It's a strange world." - "Veludo Azul" (1986)
"Harry Angel is searching for the truth... Pray he doesn't find it." - "Angel Heart" (1987)
"Exterminate all rational thought." - "Festim Nu" (1991)
"You won't know the facts until you've seen the fiction." - "Pulp Fiction" (1994)
"Movies were his passion. Women were his inspiration. Angora sweaters were his weakness." - "Ed Wood" (1994)
"The greatest fairy tale never told." - "Shreck" (2001)
"Dark. Darker. Darko" - "Donnie Darko" (2002)
"Intelligence is Relative" - "Destruir Depois de Ler" (2008)
"Why so Serious?" - "Dark Knight" (2008)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Pattinson & Cronenberg

Tento compreender mas não consigo. Qual é a razão, afinal, do histerismo feminino à volta do actor Robert Pattinson? É um actor assim tão extraordinário? Tem uma beleza e um carisma tão insuperáveis? Não me parece. O que demonstrou na saga "Twilight" é que não passa de um actor mediano cujo papel principal poderia ser interpretado por dezenas de outros actores da sua geração. Mas pronto, caiu no gosto das adolescentes que o elevaram a um ícone actual. A tal ponto que hoje, para o verem de perto, muitas dezenas de raparigas esperaram (durante horas) o actor à entrada do Centro Cultural de Belém (algumas vieram até de Espanha) para a estreia do filme "Cosmopolis" de David Cronenberg.
Claro que 90% das adolescente não farão a mais pequena ideia quem é Cronenberg e que tipo de cinema faz (e fez). Também é matéria que não interessa. O que interessa a estas jovens fanáticas é ver o seu ídolo num filme. Seja em que filme for. 
Posto isto, duas coisas me assaltam o espírito:
1) Duvido que as adolescentes venham a gostar da estética bizarra e ousada de "Cosmopolis"; 
2) Duvido que David Cronenberg aprecie esta idolatria à volta de um actor de um filme seu.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Stephen King no cinema


Durante o ano de 2012 vamos assistir, pelo menos, a dois filmes com base em obras literárias de terror do escritor Stephen King: um remake de "Carrie" e "A Good Marriage".
Se há um nome incontornável da literatura moderna de terror esse nome só pode ser Stephen King. Herdeiro da tradição literária dos contos góticos e fantásticos de Edgar Allan Poe e Lovecraft, King desenvolveu um extraordinário talento para contar histórias de notável suspense e horror (sobrenaturais ou não). E não esqueçamos que King se revelou não apenas como escritor do género de terror, como também ao nível da ficção que nada tem a ver com o medo. São os casos dos livros "Stand by Me" e "Shawshank Redemption", cujas adaptações cinematográficas foram deveras notáveis.
Por outro lado, se há escritor cujas obras foram, bastas vezes, adaptadas ao cinema (e à televisão), Stephen King também lidera a lista. Foram, literalmente, dezenas e dezenas de filmes com base em contos, novelas e romances do mestre do terror fantástico. Muitas adaptações são sofríveis porque apenas exploraram o filão comercial do nome do escritor sem quaisquer resultados em termos artísticos. Mas muitos outros realizadores conseguiram transpor para o grande ecrã as histórias de King com grande mestria.
E há até realizadores que, praticamente, só fazem filmes com base em histórias de King (como Frank Darabont). De todos os filmes que conheço baseados na obra de Stephen King, eis os meus 12 filmes favoritos:
12 - "A Janela Secreta" (2004) de David Koepp
11 - "Pet Sematary" (1989) de Mary Lambert
10 - "1408" (2007) de Mikael Håfström"
9 - "Christine" (1983) de John Carpenter
8 - "Carrie" (1976) de Brian De Palma
7 - "The Green Mile" (1999) de Frank Darabont
6 - "The Mist" (2007) de Frank Darabont


E o magnífico top 5:


5 - "Misery" (1990) de Bob Reiner

4 - "The Dead Zone" (1983) de David Cronenberg

3 - "Stand by Me" (1986) de Bob Reiner

2 - "Os Condenados de Shawshank" (1994) de Frank Darabont

1 - "The Shining" (1980) de Stanley Kubrick

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sabemos que no mundo do cinema muitos projectos mudam de mãos. Nesta perspectiva, eis alguns filmes clássicos que quase foram parar a outros realizadores:

- "Breakfast at Tiffany's" de Blake Edwards, quase realizado por John Frankenheimer
- "Harry Potter e a Pedra Filosofal" de Chris Columbus, quase realizado por Steven Spielberg.
- "O Padrinho" de Francis Coppola, quase realizado por Sergio Leone.
- "Tubarão" de Steven Spielberg, quase realizado por Dick Richards.
- "Dune" de David Lynch, quase realizado por Alejandro Jodorowsky.
- "O Exorcista" de William Friedkin, quase realizado por Peter Bogdanovich.
- "Alien" de Ridley Scott, quase realizado por Roger Corman.
- "A Face Oculta" de Marlon Brando, quase realizado por Stanley Kubrick.
- "Jurassic Park" de Steven Spielberg, quase realizado por Tim Burton.
- "Total Recall" de Paul Verhoeven, quase realizado por David Cronenberg.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Cannes: a mais elevada expectativa


Se dúvidas houvessem, o festival de Cannes aí está para confirmar que é o melhor e mais competitivo festival de cinema do mundo. Não há realizador – por mais ou menos veterano que seja – que não queira estrear e competir em Cannes. Prova disso é (à semelhança do ano anterior) a extraordinária lista de realizadores que competem à almejada Palma de Ouro.
Convenhamos: em 21 títulos ter filmes de cineastas como Haneke, Loach, Kiarostami, Reygadas, Resnais, Salles, Cronenberg, Mungiu, Audiard ou Carax, é passar um esplêndido e inequívoco atestado de qualidade ao mais alto nível a esta edição de Cannes. Mais uma vez, Cannes volta a ser uma fabulosa montra do melhor cinema contemporâneo num patamar da mais elevada categoria artística e expectativa. E perante tantos realizadores de renome, tentar adivinhar quem levará a Palma de Ouro é arriscar no total escuro.
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Eis a lista da Competição:
“Amour”, Michael Haneke
“The Angels' Share”, Ken Loach
“Baad el mawkeaa”, Yousry Nasrallah
“Beyond the Hills”, Cristian Mungiu
“Cosmopolis”, David Cronenberg
“Holy Motors”, Leos Carax
“The Hunt”, Thomas Vinterberg
“Killing Them Softly”, Andrew Dominik
“In Another Country”, Hong Sang-soo
“In the Fog”, Sergei Loznitsa
“Lawless”, John Hillcoat
“Like Someone in Love”, Abbas Kiarostami
“Mud”, Jeff Nichols
“On the Road”, Walter Salles
“The Paperboy”, Lee Daniels
“Paradies: Liebe”, Ulrich Seidl
“Post tenebras lux”, Carlos Reygadas
“Reality”, Matteo Garrone
“Rust and Bone”, Jacques Audiard
“Taste of Money”, Im Sang-soo
“You Haven't Seen Anything Yet”, Alain Resnais