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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Cinema e saúde mental

No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental da Escola Superior de Saúde de Viseu, fui convidado a dissertar sobre a relação entre o cinema e a saúde mental. Aceitei o desafio como aceitei, há três anos, dissertar sobre o suicídio e o cinema (ver aqui) num simpósio sobre o tema. O título que escolhi: "A Psique Cinematográfica: A Saúde Mental Representada no Cinema".

Foi um bom desafio que me obrigou a ver (ou rever) uma série de filmes e a investigar literatura especializada. Após elaborar uma pré-selecção de 60 filmes, reduzi a apresentação para 35 títulos que me pareceram absolutamente incontornáveis. Dois critérios essenciais serviram para essa selecção: a qualidade cinematográfica/artística de cada filme escolhido e a relevância temática.

Cheguei à conclusão que os distúrbios mentais mais frequentes abordados pelo cinema são: múltiplas formas de esquizofrenia, paranóia, transtorno obsessivo-compulsivo, comportamentos psicóticos, psicose maníaco-depressiva, transtorno bipolar, transtorno dissociativo de personalidade, etc.

A minha apresentação na Escola Superior de Cinema decorreu no dia 8 deste mês num auditório com 200 lugares lotados com estudantes de saúde mental, professores, enfermeiros, psicólogos e psiquiatras. Mostrei uma apresentação visual na qual constavam o título do filme, o realizador, o ano de produção e uma imagem ilustrativa (como estas duas que ilustram este post: "Shock Corridor" de Samuel Fuller e "Spider" de David Cronenberg). Depois ia dissertando sobre cada filme...
No final apresentei uma bibliografia especializada: cinema como terapia, loucura e cinema, psiquiatria e filmes, etc. Já não houve tempo para debate com a assistência.

Para dar o mote ao início da prelecção citei uma frase de uma personagem do filme “Grand Canyon” (1991) de Lawrence Kasdan: “Se estás com problemas vai ao cinema. Os filmes têm a resposta para todos os problemas da vida.” 

Os filmes foram citados por ordem cronológica.



"O Gabinete do Dr. Caligari” (1920) – Robert Wiene
“A Page of Madness” (1926) – Teinosuke Kinugasa
“Un Chien Andalou” (1929) – Luis Buñuel
“M - Matou” (1931) – Fritz Lang
“Spellbound” (1945) – Alfred Hitchcock
“The Snake Pit” (1948) – Anatole Litvak
“Él – O Alucinado” (1952) – Luis Buñuel
“As Três Faces de Eva” (1957) – Nunnally Johnson
“Psycho” (1960) – Alfred Hitchcock
“David e Lisa” (1962) – Frank Perry
“Shock Corridor” (1963) – Samuel Fuller
“Fogo Fátuo” (1963) – Louis Malle
“Repulsa” (1965) – Roman Polanski
"Persona" (1966) - Ingmar Bergman
“Uma Mulher Sob Influência” (1974) – John Cassavetes
“Jaime” (1974) – António Reis
“Voando Sobre um Ninho de Cucos” (1976) – Milos Forman
“Eraserhead” (1977) – David Lynch
“The Shining” (1980) – Stanley Kubrick
“Nostalgia” (1983) – Andrei Tarkovsky
“Misery” (1990) – Bob Reiner
“Despertares” (1990) – Penny Marshall
“Garota, Interrompida” (1999) – James Mangold
“Uma Mente Brilhante” (2001) – Ron Howard
“K-Pax” (2001) – Iain Softley
“As Horas” (2002) – Stephen Daldry
“Spider” (2002) – David Cronenberg
“O Aviador” (2004) – Martin Scorsese
“O Maquinsta” (2004) – Brad Anderson
“Loucuras de um Génio” (Doc, 2005) – Jeff Feuerzeig
“Bug” (2006) – Wiliam Friedkin
“Cisne Negro” (2010) – Darren Aronofsky
“Take Shelter” (2011) – Jeff Nichols
“Alive Inside” (Doc, 2013) – Michael Rossato-Bennett
“Pára-me De Repente o Pensamento” (Doc, 2014) – Jorge Pelicano
“Esta é a Minha Casa” (Doc, 2014) – Pedro Renca
“Birdman” (2014) – Alejandro Gonzalez Iñárritu

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Trilogias

Há mais trilogias no cinema do que se pensa. Trilogias unidas por uma temática, uma estética, uma ideia narrativa. Eis algumas das mais célebres trilogias da história do cinema:

Trilogia das Cores de Krzysztof Kieslowski: Bleu | Blanc | Rouge 

Trilogia da Era Glacial de Michael Haneke: O Sétimo Continente | O Vídeo de Benny | 71 Fragmentos... 

Trilogia Alemã de Hans-Jürgen Syberberg: Ludwig | Karl May | Hitler 

Trilogia do Silêncio de Ingmar Bergman: Através de um Espelho | Luz de Inverno | O Silêncio 

Trilogia da Incomunicabilidade de Michelangelo Antonioni: A Aventura | A Noite | O Eclipse 

Trilogia da Alemanha Ocidental de Rainer Werner Fassbinder: Maria Braun | Lola | Veronika Voss

Trilogia Gangster de Rainer Werner Fassbinder: O Amor É Mais Frio Que A Morte | O Soldado Americano | Os Deuses da Peste 

Trilogia dos Apartamentos de Roman Polanski: Repulsa | O Bebé de Rosemary | O Inquilino

Trilogia de Hollywood de David Lynch: Estrada Perdida | Mulholland Drive | Inland Empire 

Trilogia da Vida de Pier Paolo Pasolini: Decameron | Os Contos de Canterbury | As Mil e Uma Noites

Trilogia das Fronteiras de Theodoros Angelopoulos: O Passo Suspenso da Cegonha | Um Olhar a Cada Dia | A Eternidade e Um Dia

Trilogia da Vida de Apu de Satyajit Ray: A Canção da Estrada | O Invencível | O Mundo de Apu 

Trilogia do Amor de Andrzej Zulawski: O Importante é Amar | A Mulher Pública | A Revolta do Amor 

Trilogia da Desvirtude de Luis Buñuel: Viridiana | O Anjo Exterminador | Simão do Deserto 

Trilogia Flamenca de Carlos Saura: Bodas de Sangue | Carmen | Amor Bruxo 

Trilogia da Injustiça Social de Pedro Costa: Ossos | No Quarto da Vanda | Juventude em Marcha 

Trilogia da Arte de Alain Resnais: Van Gogh | Gauguin | Guernica 

Trilogia da Memória de Alain Resnais: Hiroshima, Meu Amor | Ano Passado em Marienbad | Muriel ou o Tempo de um Retorno 

Trilogia Dr. Mabuse de Fritz Lang: Dr. Mabuse | O Testamento do Dr. Mabuse | Os Mil Olhos do Dr. Mabuse  

Trilogia da Guerra de Roberto Rossellini: Roma, Cidade Aberta | Paisà | Alemanha, Ano Zero 

Trilogia Qatsi de Godfrey Reggio: Koyaanisqatsi | Powaqqatsi | Naqoyqatsi  

Trilogia do Casamento de John Cassavetes: Faces | Assim Falou o Amor | Uma Mulher Sob Influência 

Trilogia da Depressão de Lars von Trier: Anticristo | Melancolia | Ninfomaníaca: Volume 1 & 2

Trilogia da Morte de Alejandro González Iñárritu: Amores Perros | 21 Gramas | Babel 

Trilogia O Padrinho de Francis Ford Coppola: Parte I | Parte II | Parte III 

Trilogia da Vingança de Chan-wook Park: Mr. Vingança | Oldboy | Lady Vingança 

Trilogia O Senhor dos Anéis de Peter Jackson: A Sociedade do Anel | As Duas Torres | O Retorno do Rei  

Trilogia dos Dólares de Sergio Leone: Por um Punhado de Dólares | Por uns Dólares a Mais | Três Homens em Conflito 

Trilogia Regresso ao Futuro de Robert Zemeckis: Parte I | Parte II | Parte III

sexta-feira, 20 de março de 2015

Os (verdadeiros) primeiros filmes

Toda a gente sabe nomear um bom filme das filmografias de realizadores como Pedro Almodóvar, David Lynch, Sofia Coppola, Lars Von Trier, Martin Scorsese, Godard ou Roman Polanski. Mas poucos saberão dizer quais foram os seus primeiros filmes. E não me refiro às longas-metragens, mas sim às primeiras experiências cinematográficas no formato de curta-metragem. Por exemplo, quando falamos no primeiro filme de David Lynch julgamos que falamos do clássico de culto "Eraserhead" (1977) mas nada mais errado. O seu primeiro filme, no formato de curta é um desconcertante e surrealista filme chamado "The Alphabet" (na imagem em baixo).

É verdade que algumas dessas primeiras obras de cinema até foram bastante marcantes na vida de alguns realizadores. Por exemplo, "Un Chien Andalou" (1929) de Luis Buñuel ou "The Steam Roller and the Violin" de Andrei Tarkovski. No entanto, muitas das curtas-metragens de início de carreira de grandes cineastas ficaram esquecidas no tempo. Graças ao Youtube e ao site Taste of Cinema foi publicada uma preciosa lista com as "25 melhores curta-metragens de realizadores famosos". Realizadores de todas as épocas, nacionalidades e géneros estão aqui representados. Alguns destes pequenos filmes até já foram comentados neste blogue.

Para além de sinopse descritiva do filme, o site disponibiliza a visualização de cada uma das obras no Youtube. Uma boa forma de conhecer o trabalho menos conhecido de grandes mestre do cinema. Link.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Música para "Repulsa"


Antes de fazer carreira de sucesso como Nick Cave enquanto cantor a solo com os seus Bad Seeds, Nick Cave teve uma banda australiana chamada The Birthday Party (entre 1977 e 1983 - na imagem). Uma banda com nome pueril mas que exorcizava os resquícios do punk fazendo uma música de grande visceralidade e fúria.
Esta banda editou apenas três álbuns de originais, mas foram suficientes para incendiar o panorama rock daqueles anos. Nick Cave cantava como um possuído sobre loucura, morte, auto-destruição e dependência de drogas. Uma dessas músicas que aborda o lado mais decadente do ser humano é "Zoo Music Girl". 
Ora, alguém se lembrou de colar essa música agreste e à beira do precipício com imagens do filme "Repulsa" (1965) de Roman Polanski, um dos seus mais perturbadores e negros filmes sobre a loucura (com a notável, bela e ainda jovem Catherine Deneuve).
A montagem das imagens do filme de Polanski coaduna-se na perfeição com a música dos The Birthday Party e quase ficamos convencidos que esta canção poderia ter sido criada a pensar na mulher alucinada de "Repulsa". E faria todo o sentido...

sexta-feira, 29 de março de 2013

A última aparição de Truffaut



Em 1984, o realizador francês François Truffaut, pouco tempo antes de morrer, fez a sua última aparição pública na televisão francesa. Foi no célebre programa cultural "Apostrophe" do não menos célebre jornalista Bernard Pivot. Neste programa, emitido em pleno horário nobre da televisão pública francesa (coisa rara hoje em dia),  discutiam-se temas culturais como literatura, teatro, cinema e música e com artistas de relevo em estúdio.
Em Abril de 1984, Truffaut foi convidado a falar sobre as entrevistas que fez a Alfred Hitchcock e que foram publicadas em livro. No mesmo programa estava também o realizador Roman Polanski. Entre todos (Pivot, Truffaut e Polanski), estabeleceu-se um diálogo muito interessante à volta do cinema de Hitchcock.
Depois desta entrevista ao programa de Pivot, o cineasta francês nunca mais apareceu na televisão nem realizou mais nenhum filme. Truffaut já sofria de um tumor cerebral maligno o qual, seis meses mais tarde, em Outubro de 1984, lhe tiraria a vida com apenas 51 anos de idade.
Eis um excerto da referida entrevista.

sábado, 9 de março de 2013

"Vi o meu rim na mão dele"

Esta história daria um bom argumento para um filme de David Cronenberg ou de Roman Polanski: a história de sobrevivência de um judeu às mãos do "Anjo da Morte" do campo de extermínio nazi de Auschwitz: o terrível Josef Mengele.
Chama-se Yitzchak Ganon (na primeira imagem), 88 anos, vive em Israel e só quando foi ao médico revelou que é um sobrevivente das monstruosas experiências "médicas" de Mengele durante o Holocausto Nazi.
Em 1944 foi deportado para Auschwitz onde viu toda a sua família ser morta. Um dia esteve prestes a entrar na câmara de gás onde cabiam 200 vítimas. Yitzchak era o número 201 e não entrou. 
Mais tarde, o campo foi libertado e o judeu grego conseguiu escapar à morte quase certa. Há pouco tempo Yitzchak foi operado ao coração.
Os médicos disseram-lhe: "Pensámos que não sobreviveria. Não sei se sabe, mas tem apenas um rim." Yitzchak respondeu: "Eu sei. A última vez que o vi estava na mão de um homem chamado Josef Mengele, médico de Auschwitz." 
Como milhares de outras vítimas de Mengele, Yitzchak foi torturado durante vários meses. O pior momento foi quando Mengele lhe tirou um rim... a sangue frio! Revela: "Cortou-mo sem anestesia. Foi uma dor indescritível. Senti cada um dos cortes do bisturi. Depois, vi o meu rim na mão dele. Gritei como um louco. Pedi a Deus para morrer." 
O instinto sádico de Josef Mengele não se ficou por aí. Obrigou Yitzchak a passar uma noite numa banheira em água gelada para testar as funções dos seus pulmões.
Não admira que, durante 66 anos após a experiência de Auschwitz, Yitzchak Ganon tenha adquirido fobia a médicos.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Polanski e a Prada

Já não é de agora que realizadores consagrados fazem pequenos anúncios para o mundo da publicidade. Há muitos anos que tal acontece. 
David Fincher, Martin Scorsese ou David Lynch, são apenas três cineastas famosos que já realizaram spots publicitários para grandes marcas internacionais. Roman Polanski é o último exemplo: há uns meses realizou um spot publicitário (de título "Prada Suits Everyone") de pouco mais de 3 minutos para a prestigiada marca de luxo Prada. 
A história é simples e tem quase, quase, a dimensão de curta-metragem: Helena Bohnam Carter é uma paciente que visita o consultório do psiquiatra Ben Kingsley. A paciente descalça os seus sapatos Prada, deita-se no divã e começa a debitar as suas angústias (é uma mulher solitária e tem pesadelos), enquanto Kingsley começa a fixar o seu olhar no exuberante casaco de pêlo que ela trazia vestido.
Polanski atribui ao final deste pequeno filme um toque irónico (quase cínico) colocando a nu, de certo modo, o fascínio que a ostentação do luxo provoca em mentalidades mais, digamos, susceptíveis. Mesmo na mentalidade de um suposto psiquiatra...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A carnificina de Polanski


O filme de Roman Polanski, “O Deus da Carnificina”, baseado numa peça de teatro de Yazmina Reza, estreou ontem nas salas portuguesas.
É uma obra que remete para os fantasmas do recorrente imaginário 'polanskiano': a claustrofobia (literal e metafórica) dos espaços, o conflito latente entre personagens e a natureza maléfica das pulsões humanas. Dois casais, aparentemente civilizados e bem formados, encontram-se num apartamento de um deles para conversarem sobre um episódio de violência ocorrido com os filhos de ambos casais. Mas o que sucede ao longo do tempo real da discussão é uma disputa quase irracional que comprova que a comunicação entre adultos é um processo complexo, árduo e difícil. Aos poucos, a arrogância, o cinismo e a violênica verbal tomam conta da conversa dos dois homens e duas mulheres, invadindo temas que nada tinham a ver com o tópico inicial.
Definitivamente, aquele apartamento transforma-se num ringue de combate, de diatribe verbal destravada com consequências nefastas para todas as pessoas envolvidas. Afinal de contas, os instintos mais básicos do ser humano invadem o apartamento e assumem valores que destroem a capacidade racional de diálogo e de cordialidade. É uma visão negra e pessimista que questiona a possibilidade de uma comunicação humana eficaz (Jodie Foster diz: “Porque é que as coisas têm de ser tão difíceis?”), enfatizada com a incessante utilização do telemóvel por parte da personagem de Christoph Waltz, elemento profundamente perturbador da dinâmica de diálogo (e que será um elemento detonador do conflito no seio do próprio casal).

Polanski encena magistralmente este crescendo de desorientação e de desmontagem de aparências, recorrendo a um humor negro desconcertante, sendo que as interpretações dos quatro actores são absolutamente decisivas para o notável resultado final.
“O Deus da Carnificina” tem reminiscências estilísticas de dois ou três filmes: “Quem Tem Medo de Virgínia Wolf?” (1966), pela densidade dramática criada por dois casais; “12 Homens em Fúria” (1957) de Sidney Lumet, filme circunscrito a uma sala claustrofóbica; e “A Corda” (1948), de Hitchcock, película realizada num cenário idêntico (apartamento) e filmada em tempo real da história.
A carnificina do título do filme de Polanski é de índole moral, escalpelizando alguns dos males da civilização moderna: o individualismo, as deturpações no processo de comunicação, os jogos de aparências, a falsidade da bondade humana e a ausência de valores éticos reguladores da vida em sociedade.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Top 2011 - Os filmes

De ano para ano, o número de estreias de filmes nas salas aumenta: em 2009 estrearam 347 filmes; em 2010, 440; e em 2011, passaram pelas salas portuguesas nada menos do que 509 filmes!
Claro que em meio milhar de películas, haverá 10 ou 15 filmes realmente fora de série. Não que eu tenha visto os 500 filmes de todo o ano, muito longe disso. Mas dos que vi, dá para concluir que foi um bom ano cinematográfico.
Convém fazer uma nota prévia dizendo que ainda não vi filmes possíveis candidatos à lista dos melhores do ano, como "Sangue do Meu Sangue", "Restless", "Nos Idos de Março", "O Tio Boonmee Que se Lembra das Suas Vidas Anteriores", "The Artist", "A Autobiografia de Nicolae Ceausescu", "Aurora", "Temos Papa", "Isto Não é Um Filme", "O Miúdo da Bicicleta", "As Serviçais" ou "Um Método Perigoso".
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Assim, do que já vi destacaria 12 títulos.
A saber:
12 - "Super 8" - J.J. Abrams (Uma feliz revisitação pela memória do cinema à mistura com ficção científica: um bom divertimento para miúdos e graúdos).
11 - "50/50" - Jonathan Levine (Porventura um dos melhores e mais honestos filmes sobre a sensível temática do cancro. Joseph Gordon-Levitt arranca uma brilhante interpretação).
10 - "O Cisne Negro" - Darren Aronofsky (Um retrato inquietante sobre a degradação psicológica de uma mulher que apenas almeja a perfeição).

9 - "Meia-Noite em Paris" - Woody Allen (O regresso de Woody Allen ao mais fino humor intelectual numa obra que compete com as suas melhores comédias de sempre).
8 - "Essential Killing" - Jerzy Skolimowski (Vincent Gallo é portentoso no soldado fugitivo que procura salvação sem dizer uma palavra. Realização prodigiosa de Skolimowski).
7 - "Uma Separação" - Asghar Farhadi (É um retrato sem espinhas sobre uma separação que é também uma metáfora dos problemas da sociedade moderna).
6 - "A Árvore da Vida" - Terrence Malick (Filme metafísico sobre as questões da vida e da morte, do homem e do amor, com a natureza elegíaca como pano de fundo).
5 - "48" - Susana Sousa Dias (Um dos mais originais documentários sobre a tortura a que foram sujeitas as vítimas do salazarismo. Inovação estética sem paralelo no cinema português).
4- "Drive" - Nicolas Winding Refn (Sofisticado e visualmente arrojado filme que deve tanto a Michael Mann como a "Taxi Driver". Violento e mordaz, num filme em que o silêncio conta).
3 - "Melancolia" - Lars Von Trier (Obra apocalíptica, negra e completamente nihilista sobre as relações humanas, mais do que sobre o fim do mundo).
2 - "O Deus da Carnificina" - Roman Polanski (É Polanski "vintage", realização segura e interpretações de elevado nível. É sobre a natureza psicológica das relações humanas).
1 - "O Cavalo de Turim" - Béla Tarr (Último filme de um profeta do cinema. Obra austera e difícil, mas de alcance artístico inigualável, Béla Tarr é um visionário raro do cinema actual).

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Há Oliveira e há os outros

A idade é um posto, diz-se na gíria popular. E é verdade.
No universo do cinema, apesar do português Manoel de Oliveira liderar a lista mundial dos realizadores mais velhos no activo com os seus (quase) impensáveis 103 anos de idade, outros há que também deitaram para trás das costas a palavra "reforma" e continuam a fazer filmes com a experiência acumulada de muitas décadas de trabalho: Clint Eastwood (81 anos), Alain Resnais (89), Jean-Luc Godard (81), Roger Corman (85), Chris Marker (91), Jacques Rivette (83), Agnès Varda (83), Claude Chabrol (80), Jonas Mekas (88), Frederick Wiseman (81), Jean-Marie Straub (78), Carlos Saura (80), Roman Polanski (78), William Friedkin (76), entre outros.
Cineastas que são verdadeiros modelos a seguir - na vida como na arte - para os jovens aspirantes a realizadores.

terça-feira, 5 de julho de 2011

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Cinema - O momento da revelação

Todos os cinéfilos guardam na memória imagens marcantes de filmes, igualmente, marcantes. Mas raramente retêm aquelas imagens nas quais surgem incrustados os títulos dos filmes.
Tema de importância menor? Talvez. Mas como disse o Rato Cinéfilo num dos seus últimos comentários, a imagem ainda é uma componente fundamental na memória de qualquer cinéfilo.
Eis alguns exemplos de grandes obras de cinema e dos "screenshots" exactos dos respectivos títulos - ou seja, o "momento da revelação":












segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"Kavkazskaya Plennitsa, Ili Novye Priklyucheniya Shurika"


O portal de cinema Imdb.com é um colossal site de informação sobre cinema. Já o sabemos. Por vezes dou-me ao trabalho de averiguar o que referem os tops e as listagens que estão anexadas ao portal - "os melhores filmes por décadas", "o top dos western, comédias", entre outras.
Quando há tempos vi o top de melhores filmes sob o género de "Music" (atenção que não é o mesmo que "Musical") deparei-me com duas surpresas e uma perplexidade: a primeira surpresa é que no primeiro lugar desta listagem encontrei um filme sobre a Segunda Guerra Mundial, "O Pianista" de Roman Polanski.
É certo que o filme de Polanski tem música tocada por um pianista, mas daí a compará-lo com "Amadeus" ou "Walk the Line", parece-me abusivo. A segunda (boa) surpresa foi ver o filme "Control" de Corbijn na 7ª posição.
A perplexidade tem a ver com o segundo lugar dessa peculiar lista: o famosíssimo e conhecidíssimo filme do realizador russo Leonid Gadai - "Kavkazskaya Plennitsa, Ili Novye Priklyucheniya Shurika", de 1966, do mesmo cineasta que em 1990 realizou o blockbuster mundial "Chastnyy Detektiv, Ili Operatsiya Kooperatsiya".
Deveras desconcertante...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

"Cisne Negro": jogo de espelhos


Não é por acaso que Darren Aronofsky intitulou o seu último filme "Cisne Negro" e não "Cisne Branco". É bom de ver que o que interessou ao realizador foi explorar (como já o fizera em filmes seus anteriormente) o lado mais obscuro e negro da mente humana. É essa estranha força negra que tudo absorve, que tudo destrói. Daí o fascínio pelo lado negro e desconhecido da realidade...
A frágil e doce bailarina Nina é arrastada para o abismo, precisamente, quando sabe que tem de encarnar o cisne negro. É é nesta dicotomia entre dois mundos opostos que o filme de Aronofsky ganha pontos: na forma como encena o bailado como plataforma de uma terrível e alucinada luta interior de uma mulher dilacerada e dividida por duas pulsões antagónicas.
Natalie Portman é sublime na forma como encarna as duas facetas da personagem e o jogo de espelhos que a levará à loucura (a própria refere que o facto de ter estudado psicologia a ajudou na construção da mesma).
Darren Aronofsky é prodigioso no modo como constrói uma narrativa progressivamente opressiva, angustiante e devastadora.
Na minha memória ficará guardada, durante muito tempo, a espantosa sequência na qual Nina se transforma em cisne negro - a dançar no palco e a ficar coberta de penas negras, enquanto a câmara a filma em movimentos circulares.
São bem evidentes, em "Cisne Negro", a influência directa de grandes obras do cinema sobre paranóia e alucinação, como os notáveis "O Inquilino" (1976) e "Repulsa" (1965), ambos de Roman Polanski, "Don't Look Now" (1973) de Nicolas Roeg e alguns filmes de David Cronenberg (pelo lado da metamorfose da carne). O filme de Aronofsky espelha, de certo modo, o ambiente de crescente paranóia e desagregação de personalidades que os filmes citados abordam.
E uma certeza é inabalável: o Óscar não irá fugir a Natalie Portman.

domingo, 9 de janeiro de 2011

O Holocausto segundo Lanzmann

O cineasta, jornalista e escritor francês Claude Lanzmann (ex-director da revista "Les Temps Modernes", fundada por Jean-Paul Sartre) deu uma entrevista ao diário espanhol El País.
Lanzmann é o realizador do documentário definitivo sobre o Holocausto nazi: "Shoah". "Shoah", palavra judaica para descrever o Holocausto, foi estreado em 1985 e é um monumental trabalho de recolha de informação (mais de 350 horas de filmagem ao longo de 11 anos de pesquisa e de entrevistas a sobreviventes), que resultou em 9 horas de filme.
Ao jornal espanhol, Lahmann e questionado sobre filmes de ficção sobre o Holocausto, refere que gosta de "O Pianista" de Polanski e não gosta de "A Lista de Schindler". Defende que nenhum dos dois filmes conseguem ir ao verdadeiro fundo do problema: "São obras sobre a sobrevivência, enquanto que eu realizei um documentário sobre a morte".
Este documentário (ainda só vi metade) não deixa ninguém indiferente perante os horrores dos campos de extermínio como o de Auschwitz ou Treblinka, com dezenas de entrevistas a sobreviventes que escaparam ao horror nazi. Este filme foi editado comercialmente no mercado DVD espanhol pela editora Filmax.
Agora pergunta-se: para quando a urgente edição portuguesa?