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sábado, 31 de outubro de 2015

Viver de trás para a frente



A brincar a brincar, não me importaria:

"Na minha próxima vida, quero viver de trás para a frente. Começar morto, para despachar logo o assunto. Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo. E depois, estar pronto para o secundário e para o primário, antes de me tornar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí torno-me um bébé inocente até nascer. Por fim, passo nove meses flutuando num "spa" de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e com um espaço maior por cada dia que passa, e depois - "Voilá!" - desapareço num orgasmo!" 

Woody Allen

sexta-feira, 17 de julho de 2015

A cabeça de Murnau

F.W. Murnau foi um dos maiores realizadores do cinema mudo e do Expressionismo Alemão. Morreu em 1931 com apenas 42 anos num trágico acidente de viação. O autor do mítico filme de terror "Nosferatu" (1922) está sepultado na Alemanha e nos anos 70 a sua campa foi alvo de vandalismo. Mas nada comparável com o que aconteceu agora: alguém se deu ao trabalho de desenterrar o caixão para... roubar a cabeça do realizador! Este crime macabro de profanação de cadáver está a ser investigado pelas autoridades, as quais ainda não conseguiram chegar a nenhuma conclusão sobre quem terá cometido este acto e porquê.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

"Grease" metálico

Lembram-se deste vídeo que publiquei no qual Mary Poppins cantava em registo de heavy metal? Bom, parece que a moda pegou e agora alguém resolveu trocar as voltas ao conhecido tema "You're The one That I Want" do musical "Grease" (1978) com John Travolta e Olivia Newton-John. Isto é, versão death metal do clássico (para que não se lembra está aqui).

O resultado é bem divertido (e musicalmente bem conseguido):

terça-feira, 31 de março de 2015

O que acontecerá?

- O que acontecerá quando deixar de ter prazer em ver um filme clássico?
- O que acontecerá quando deixar de ter prazer em ouvir um disco novo?
- O que acontecerá quando deixar de ter prazer em ler um livro?
- O que acontecerá quando deixar de ter prazer em entrar numa livraria ou biblioteca?
- O que acontecerá quando deixar de ter prazer em partilhar com os amigos os meus prazeres?
- O que acontecerá quando deixar de ter prazer em escrever neste blogue?
- O que acontecerá quando deixar de ter prazer... no prazer?
(...)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Mary Poppins goes wild

É das coisas mais divertidas que a internet produziu nos últimos dias: a popular personagem do cinema Mary Poppins (Julie Andrews - homenageada na cerimónia dos Óscares) a cantar... death metal!
Não é preciso ser fã de rock pesado para apreciar esta original brincadeira. Uma brincadeira, diga-se, com pés e cabeça porque toda a sequência foi criada de raiz para conseguir uma sincronia eficaz entre os movimentos labiais, os bonecos animados dos músicos a tocar e a música propriamente dita (a música é uma versão hardcore da canção original do filme "Supercalifragilisticexpialidocious"). O efeito final - contraste entre o que é visto e escutado - está deveras muito bem conseguido.

Uma subversão musical e estética muito divertida (para entrar bem no fim-de-semana):

Nota: o autor desta montagem, Andy Rehfeldt, já tinha feito outras montagens "ao contrário": colou músicas da Disney a serem interpretadas por grupos de death metal como neste caso com os Slipknot.

domingo, 11 de janeiro de 2015

AC/DC como nunca os ouviu

Por norma não aprecio bandas de versões (covers). Em regra geral não têm capacidade criativa para fugir dos originais sem os deturpar. É por isso que fiquei agradavelmente surpreendido com esta espantosa versão do clássico dos AC/DC, "Thunderstruck".
Aparentemente, é um grupo de agricultores que toca mas é apenas um recurso teatral, visto que são músicos finlandeses de uma banda intitulada Steven'n'Seagulls. Esta banda consegue ser fiel ao clássico do metal ao mesmo tempo que o reinventa no ritmo, na sonoridade, nos timbres... Fantástico trabalho musical.
Nunca fui fã dos AC/DC nem deste tema em particular, mas ao escutar esta incrível versão ao som de banjo, acordeão, contrabaixo, tarola e bigorna (!), deu-me uma inusitada vontade de... dançar. E já agora de afirmar: aqui está uma versão bem mais interessante do que a canção original.

domingo, 13 de julho de 2014

Hitch, bateria e peruca

Não cesso de me surpreender com o imaginário icónico que nos deixou o realizador Alfred Hitchcock. Dono de um sentido de humor muito particular (negro e sarcástico), Hitch foi um mestre na utilização mediática da sua própria imagem. 
Quando julgava que já conhecia todas as suas divertidas e originais fotografias encenadas, eis que me deparo com uma imagem (de 1964) que me surpreendeu totalmente: o realizador sentado num banco de uma bateria, aparentemente a rezar (?) e com uma peruca de terceira categoria. 
A irreverência que Hitchcock cultivou dá realmente que pensar...

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Campeonatos

Se há um campeonato do mundo de futebol, porque é que não pode haver um campeonato do mundo de cinema? Ou um campeonato do mundo de literatura ou de música?... De quatro em quatro anos juntavam-se os melhores países que competiam entre si para ver qual o melhor filme, o melhor disco ou o melhor livro. Sem árbitros, apenas com a apreciação crítica do público que encheria estádios... de futebol.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

"Trailers" ou "spoilers"?

Os "trailers" dos filmes não deviam ter mais do que um minuto ou um minuto e meio. Isto é, 60 ou 60 segundos. Com uma montagem habilidosa, é tempo mais do que suficiente para revelar ao espectador a essência do filme, sem desvendar pormenores da história ou mostrar cenas demasiado reveladoras. 
Mas a verdade é que continuam a existir "trailers" com dois minutos e até três minutos de duração. Acho que o realizadores ou produtores que apresentam estes "trailers" não têm pudor em mostrar a essência do filme e matam a expectativa do espectador. Ou seja, em vez de "trailers", funcionam como... "spoilers"! 

terça-feira, 13 de maio de 2014

No tempo do VHS

As gerações mais novas já não saberão o que eram as cassetes VHS: caixas grandes com fitas analógicas frágeis que se gravavam (ou compravam) e facilmente ocupavam espaço nas prateleiras. Com a mesma facilidade se estragavam, ou a fita encrava no leitor ou, simplesmente, partia. No tempo das cassetes VHS havia uma certa mitologia à volta de filmes bizarros. E a bizarria começava logo no grafismo das capas das cassetes - de um gosto completamente kitsch e datado. 
Eis algumas provas de capas de VHS cujos filmes ninguém quer saber:



segunda-feira, 7 de abril de 2014

A diferença do dinheiro

Se fosse muito, muito rico:

- Comprava a colecção completa de edições Blu-Ray da Criterion.
- Marcava férias um mês em Mullholand Drive. 
- Viajava de propósito para Londres ou Paris só para comprar livros.
- Ia a Nova Iorque para andar de bicicleta no Central Park e visitar o Guggenheim.
- Criava um festival internacional de música só com artistas e músicos da minha preferência.
- Contratava um concerto particular do Tom Waits para a minha festa de aniversário.
- Marcava presença no festival de Cannes durante 15 dias no melhor hotel da cidade.
- Financiava como produtor os filmes de Béla Tarr.
- Reservava os melhores lugares para as melhores salas de espectáculo do mundo.
- Convidava todos os leitores regulares deste blogue para uma festa no melhor clube exclusivo de Barcelona, despesas pagas, com um programa recheado de bons filmes, concertos ao vivo e a presença - como mestres de cerimónia - de Ricky Gervais e Charlize Theron.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Hitchcock a dar voltas na campa

Já por diversas vezes me insurgi no blog contra o sistema de Hollywood de remakes e sequelas, como ainda há dias escrevi. Agora parece que os produtores e realizadores não têm vergonha na cara e está em marcha um remake de um clássico que se julgava intocável: "Os Pássaros" (1963) do mestre Alfred Hitchcock.
Se ao menos fosse realizado por um cineasta de culto e com qualidade... Mas não, o realizador que vai ousar profanar a obra-prima de Hitchcock é, nada mais, nada menos, do que um dos mais cabotinos, medíocres, tarefeiros e comerciais realizadores de Hollywood: Michael Bay - autor de filmes tão iníquos como "Transformers" e "Armageddon"!
A notícia sobre este assunto infame aqui.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Videoclips sem... música

Na Internet em geral e no Youtube, em particular, existem toneladas de informação e de entretenimento, muitas são mero lixo, outras são deveras experiências criativas e bem interessantes. É o caso deste exemplo tão simples e tão eficaz: um tal Mario Wienerroither teve uma ideia criativa realmente original - pegou em videoclips famosos e retirou-lhes... a música! 
O que ficou? Ficou um trabalho minucioso de edição áudio, destacando todos os sons que surgem nas imagens (ruídos do meio ambiente) e as partes vocais isoladas da própria música. É um trabalho de paródia visual e sonora (publicado no Youtube), porque o resultado final é realmente bizarro aos nossos sentidos, mas também muito divertido. 
Eis dois exemplos paradigmáticos com dois conhecidos videoclips dos Prodigy e dos Queen:

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Cruise teima em ser jovem à força

"Top Gun" de Tony Scott foi um grande êxito de 1986. Foi o filme da projecção internacional de Tom Cruise e de Kelly McGillis (que nunca nunca conseguiu desenvolver uma carreira de sucesso). 
A verdade é que se passaram quase 30 anos e Tom Cruise parece que não envelheceu comparativamente à imagem do filme (tem agora 52 anos). A actriz Kelly MgGillis, mesmo sendo 5 anos mais velha do que Cruise, envelheceu de forma natural. 
As más línguas juram que Tom Cruise gasta fortunas em cremes milagrosos e cirurgias estéticas para manter esta aparência sempre juvenil. Eu acho ridículo que o actor tenha essa obsessão pela eterna juventude. Não há nada como saber envelhecer com sobriedade e naturalidade. Aliás, tenho medo de ver a cara de Cruise quando chegar aos 60 anos...

sábado, 4 de janeiro de 2014

Desejos para 2014

Em 2014 gostaria que:

- Sergei Eisenstein fizesse um filme sobre a "Primavera Turca".
- Orson Welles filmasse a adaptação de "O Livro do Desassossego" de Fernando Pessoa.
- James Dean entrasse num filme de Wes Anderson.
- Montgomery Clift fosse o galã culto e tímido num filme de Woody Allen.
- Elvis Presley gravasse um disco com canções de Leonard Cohen.
- Frank Sinatra fizesse um dueto com Tom Waits.
- Jim Morrison entrasse num álbum dos Radiohead ou dos Queens of The Stone Age.
- Franz Kafka escrevesse um argumento para um filme de Roman Polanski.
- Marlon Brando fosse o par romântico de Charlize Theron num filme de Scorsese.
- Andrei Tarkovski convidasse Amon Tobin para fazer a música para um novo filme.
- Charlie Chaplin participasse numa comedia com Jerry Lewis.
- Jacques Tati fizesse um filme sobre o impacto das tecnologias digitais na sociedade.
- Primo Levi escrevesse um guião para um documentário sobre Hitler filmado por Errol Morris.
- Frank Zappa colaborasse num disco de Mike Patton.
- George Orwell escrevesse um ensaio sobre o estado da política actual.
- Andy Warhol fizesse uma serigrafia gigante sobre Miley Cyrus.
- Nagisa Oshima fizesse um remake de "O Império dos Sentidos" com Scarlett Johansson e Sean Penn.
- Baudelaire e Rimbaud escrevessem poemas para canções de Matt Elliott e Bob Dylan.
- Leni Rifenstahl realizasse um documentário épico sobre o Mundial de Futebol 2014 no Brasil.
- Jackson Pollock pintasse a fachada do Parlamento Português.
(...)

sábado, 12 de outubro de 2013

No dia de Natal!

Acabei de ler que o novo filme de Lars Von Trier, o controverso "Nymphomaniac", vai estrear no dia... 25 de Dezembro! O sentido de oportunidade do realizador dinamarquês é mesmo inatacável. 
Ou seja, este Natal vai ser particularmente animado.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Erros? So What?!

Ainda não vi o filme "Gravity", mas tenho lido artigos de astrofísicos reconhecidos muito preocupados com os alegados erros científicos do filme, apontando diversas inverdades científicas que passam despercebidas ao comum dos leigos em matéria espacial. E isto é, à partida, irritante.
Mas qual é o problema disso? O filme de Alfonso Cuarón é um FILME, não é uma aula de astrofísica e tem liberdade criativa, não pretende ser um documentário de ciência exacta feito por especialistas que nunca se enganam. O que importa dizer que o cabelo de Sandra Bullock devia mexer-se mais com a ausência de gravidade ou algo do género? Preciosismos sem importância...
É como o "Apocalypse Now": está listado no site Moviemistakes como tendo quase 400 erros em vários aspectos do filme (história, realização, montagem, interpretação...). E depois? Não deixa por isso de ser um dos melhores filmes de sempre. 
A cinefilia não se compadece com este tipo de obsessão pela busca da aparente verdade das coisas na arte cinematográfica.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O que é dito e o que é pensado

Lembram-se de uma cena no filme "Annie Hall" (1977) de Woody Allen na qual o realizador conversava na varanda com Diane Keaton (enquanto bebiam) e surgiam legendas dos pensamentos verdadeiros que cada um tinha enquanto falavam de assuntos banais? É algo que me ficou sempre registado na memória, porque na verdade, todos nós quando conversamos com alguém dizemos coisas fúteis e pensamos exactamente o contrário do que afirmamos. 
Esse recurso inteligente que na altura Woody Allen utilizou - o de misturar e contrastar os diálogos com pensamentos mais íntimos - foi agora desenvolvido no Brasil com resultados hilariantes: um casal de namorados encontra uma jovem que já não viam há muito tempo. A conversa desenrola-se de forma trivial e com lugares-comuns. Mas a verdade é que cada um dos três "pensa" (nas legendas) coisas bem diferentes daquilo que diz e só as convenções sociais e morais impedem que digam o que lhes vai realmente na alma. O resultado esta colisão entre o que é dito e pensado é deveras cómico e permite, no meio do humor e da sátira, perceber um bocadinho melhor o modo de funcionamento da psicologia do ser humano.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Desabafo

Já não sei o que fazer para parar com o maldito e incómodo 'spam' que ataca, todos os dias, a caixa de comentários deste blogue...