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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dia Mundial da Criança

No Dia Mundial da Criança, recordo um dos melhores filmes feitos sobre esta fase da idade. “Conta Comigo” (“Stand by Me”, 1986) de Bob Reiner.

Baseado num conto do mestre do terror Stephen King, “Conta Comigo” relata uma bela história de quatro amigos de 12 anos que se envolvem numa aventura durante dois dias. Nesse espaço de tempo e durante esse percurso, cada uma das crianças revela os seus medos e sentimentos, num jogo de partilha e união entre todos. Os verdadeiros laços da amizade, do companheirismo e da experiência do crescer estão reflectidos neste filme original.

Dois factos: 1) Stephen King prova que não é apenas um notável especialista na manipulação do medo, mas também um escritor sensível à exploração das emoções humanas; 2) River Phoenix tem neste filme o início da sua fulgurante e curta carreira, visto ter morrido aos 23 anos, após ter participado na saga Indiana Jones.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Stephen King - as adaptações ao cinema


Se há um nome incontornável da literatura moderna de terror esse nome só pode ser Stephen King. Herdeiro da tradição literária dos contos góticos e fantásticos de Edgar Allan Poe e Lovecraft, King desenvolveu um extraordinário talento para contar histórias de notável suspense e horror, sobrenaturais ou não. E não esqueçamos que King se revelou, não apenas como escritor do género de terror, como também ao nível da ficção que nada tem a ver com o medo. São os casos dos livros "Stand by Me" e "Shawshank Redemption".
Por outro lado, se há escritor cujas obras foram, bastas vezes, adaptadas ao cinema (e à televisão), Stephen King também lidera a lista. Foram, literalmente, dezenas e dezenas de filmes com base em contos, novelas e romances do mestre do terror fantástico. Muitas adaptações são sofríveis porque apenas exploraram o filão comercial do nome do escritor sem quaisquer resultados em termos artísticos. Mas muitos outros realizadores conseguiram transpor para o grande ecrã as histórias de King com grande mestria. E há até realizadores que, praticamente, só fazem filmes com base em histórias de King (como Frank Darabont). De todos os filmes que conheço baseados na obra de Stephen King, eis os meus 12 filmes favoritos:

12 - "A Janela Secreta" (2004) de David Koepp
11 - "Pet Sematary" (1989) de Mary Lambert
10 - "1408" (2007) de Mikael Håfström"
9 - "Christine" (1983) de John Carpenter
8 - "Carrie" (1976) de Brian De Palma
7 - "The Green Mile" (1999) de Frank Darabont
6 - "The Mist" (2007) de Frank Darabont
E o magnífico top 5:
5 - "Misery" (1990) de Bob Reiner

4 - "The Dead Zone" (1983) de David Cronenberg

3 - "Stand by Me" (1986) de Bob Reiner

2 - "Os Condenados de Shawshank" (1994) de Frank Darabont

1 - "The Shining" (1980) de Stanley Kubrick

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A revolução na leitura de livros


Jeff Bezos, fundador e presidente da poderosa Amazon.com, com a ajuda do escritor Stephen King, apresentou há dias o novo e revolucionário (dizem os especialistas) leitor multimédia de livros, o Kindle 2. Para se perceber a importância desta apresentação, basta referir que estavam presentes mais de duzentos jornalistas de todo o mundo. O Kindle 2 tem a altura de um lápis, é mais fino que um iPhone, tem melhor resolução e pode armazenar uma biblioteca de 1.500 livros em formato electrónico (a livraria online Amazon.com disponibiliza 230 mil livros neste formato). O Kindle 2 permite ainda navegar na internet (fazer download directo dos livros), ver vídeos, fotografias e ouvir mp3. Vai estar à venda nos EUA a partir de 24 de Fevereiro a um preço de 359 dólares.
O primeiro Kindle vendeu uma soma de meio milhão de exemplares. As previsões é que este novo e moderno modelo venha suplantar o milhão de vendas e ser um autêntico fenómeno popular como aconteceu com o iPod. Todos os estudos e especialistas do mercado livreiro apontam este leitor (entre outros modelos concorrentes) como a próxima revolução no domínio da cultura digital. Vivemos mesmo tempos incertos para o formato livro tal como o conhecemos.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O livro de Jack Torrance



No genial filme “The Shining” do genial Stanley Kubrick, a loucura apodera-se de Jack Torrance (Jack Nicholson) enquanto tenta arranjar inspiração para escrever o seu livro no isolado Overlook Hotel. O estado mental de Torrance sofre alucinações progressivas e a espiral de violência psicológica adensa-se perigosamente junto do resto da família. Numa determinada sequência do filme, a mulher de Jack Torrance, Wendy (Shelley Duvall), descobre, horrorizada, que o marido tinha passado dias a escrever, obsessivamente, a mesma frase na máquina de escrever: “All Work and no Play Makes Jack a Dull Boy” (tradução livre – “muito trabalho e pouco divertimento torna Jack um rapaz deprimido”). Começa nesta cena, aparentemente banal e inconsequente, a descida aos infernos encenada por Kubrick de forma absolutamente terrorífica.
Jack Torrance escreveu dezenas de páginas com a mesma frase, apenas disposta na folha branca de formas diferentes, jogando com o efeito visual das palavras. O filme de Kubrick foi baseado no livro de Stephen King, e nesta obra do mestre do terror contemporâneo, a personagem de Jack Torrance nunca concluiu o livro. Por isso, um jovem artista e escritor inglês, chamado Phil Buehler, fã de King e de Kubrick, resolveu assumir o papel de Jack Torrance e “escrever” o livro que o personagem do livro e do filme nunca editou. Ou seja, Phil Buehler escreveu um livro com 80 páginas inspirando-se no que Jack Torrance fazia no filme: apenas com a frase "All Work and No Play Makes Jack a Dull Boy", Buehler contruiu múltiplas formas visuais (geométricas, abstractas...), como se incarnasse o verdadeiro espírito atormentado de Torrance. Neste link pode-se ver as primeiras 15 páginas do livro (as páginas são visionadas carregando com o rato). Resumindo: um livro real de um escritor de ficção.

sábado, 13 de dezembro de 2008

O terror que vem do homem, não dos monstros

O filme “The Mist” (“Nevoeiro Misterioso”) de Frank Darabont – o mesmo que fez o celebrado “Os Condenados de Shawshank” – é uma parábola sobre o medo civilizacional. Baseado num livro do mestre do terror Stephen King, “The Mist” não é um simples filme com criaturas alienígenas. É uma profunda reflexão sobre o comportamento humano face a um perigo eminente e desconhecido. É um estudo sobre o confronto entre o racional e o irracional, a lucidez e a paranóia, num mundo onde o fanatismo religioso se pode tornar tão perigoso quanto monstros medonhos. Um grupo de cidadãos fica retido num supermercado por causa de um ameaçador nevoeiro que esconde perigos desconhecidos. No entanto, percebe-se ao longo do filme que o verdadeiro e mortal perigo se encontra entre o s humanos, incapazes de estabelecer laços de confiança e entre-ajuda. 
O desejo de sobrevivência a todo o custo provoca consequências violentas e imprevisíveis e, perante o perigo, surgem os instintos de sobrevivência mais primários. Stephen King, grande conhecedor dos mecanismos da psique humana, soube engendrar uma história que se torna profundamente assustadora, não tanto pelas tais criaturas que não se sabe de onde surgem, mas porque as reacções humanas face ao perigo desencadeiam acontecimentos conflituosos e terríveis. “The Mist” remete directamente para outros ensaios decisivos, em forma de cinema, sobre o medo do desconhecido, como os clássicos “O Nevoeiro” (1980) e The Thing(1982), ambos de John Carpenter. Mas “The Mist” vai mais longe nas consequências desse medo imanente no ser humano, bem patente no final do filme. Um final que, de tão imprevisível e angustiante, se torna num perturbante manifesto de ausência de fé e esperança na raça humana (não me alongo no final para os que ainda não viram o filme) . O realizador Frank Darabont encena o medo e o terror de forma magistral, com personagens bem definidas e o tal final chocante e apocalíptico, que contraria o habitual “happy end” dos filmes de Hollywood. Aliás, depois do murro no estômago que é a sequência final de “The Mist”, o final do filme Seven – 7 pecados Mortais” parece-se mais com um final da Disney do que com um thriller puro e duro (que é, de facto). Uma das mais fascinantes e bem conseguidas experiências de terror dos últimos anos.


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O filme e o livro (e vice-versa)



aqui tinha abordado a relação entre o cinema e a literatura. É sabido que desde o início da história do cinema que a literatura (o teatro, menos) tem servido de inspiração para a evolução da 7ª arte. Grandes obras-primas do cinema resultaram de adaptações de livros menores e grandes obras literárias redundaram em filmes medíocres. José Saramago recusou, durante anos, autorizar a adaptação de livros seus para cinema, invocando o argumento de que o cinema "destrói a imaginação". Compreendo o sentido da afirmação, mas refuto que seja uma verdade tão linear. A literatura e o cinema são duas linguagens muito diferentes e, cada uma à sua maneira, projectam a imaginação do receptor (espectador/leitor) de formas distintas. O cinema, quanto mim, não só não destrói a imaginação como a estimula para terrenos que, porventura, a literatura não provoca. Os estímulos visuais potenciam e enriquecem outros estímulos. E as imagens associadas a essa tão eficiente expressão artística que é a música, chegamos a um resultado imagético total e irrepreensível. Uma coisa me parece certa: nem um bom livro substitui um bom filme, e vice-versa. São duas formas de fruição estética que, no fundo, se complementam.
Por isso uma conversa que me parece redundante é aquela que se centra na relação de qualidade entre um livro e o filme que se baseou nesse mesmo livro. Ou seja: saber qual é melhor: o livro "As Vinhas da Ira" de John Steinbeck ou adaptação cinematográfica de John Ford? É melhor o filme "O Processo" de Orson Welles ou o livro homónimo de Franz Kafka? Qual tem mais qualidade artística: o livro "Ensaio Sobre a Cegueira" de Saramago ou o filme "Blindness" de Meirelles? Dezenas de outros exemplos poderiam ser enumerados. Quanto a mim, é uma conversa inconsequente.
O curioso é que o site List Universe acabou de publicar uma interessante (e discutível) lista de filmes que são melhores do que os livros que lhe deram origem. Lá podemos encontrar filmes como "O Padrinho", "Tubarão", "Silêncio dos Inocentes" ou "Blade Runner". O melhor filme recenseado é o "Stand by Me" de Bob Reiner com base num livro de Stephen King. Nada contra. Link.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

domingo, 23 de dezembro de 2007

Conta comigo


A sociedade do espectáculo impinge-nos a ideia de que a época de Natal é a época do amor, do enaltecimento da amizade, da confraternização entre os homens. Seja. Curiosamente, ontem mesmo vi um filme que é o paradigma de todos esses valores, ainda por cima protagonizado por crianças: “Conta Comigo” (“Stand by Me”, 1986) de Bob Reiner. Baseado num conto do mestre do terror Stephen King, “Conta Comigo” relata uma bela história de quatro amigos de 12 anos que se envolvem numa aventura durante dois dias. Nesse espaço de tempo e durante esse percurso, cada uma das crianças revela os seus medos e sentimentos, num jogo de partilha e união entre todos. Os verdadeiros laços da amizade, do companheirismo e da experiência do crescer estão reflectidos neste filme original. Dois factos: 1) King prova que não é apenas um notável especialista na manipulação do medo, mas também um escritor sensível à exploração das emoções humanas; 2) River Phoenix tem neste filme o início da sua fulgurante e curta carreira, visto ter morrido aos 23 anos, após ter participado na saga Indiana Jones.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Livros e cinema - afinidades selectivas


A relação entre o cinema e a literatura remonta, praticamente, aos primórdios da história do cinema. Ainda no período do cinema mudo, foram muitas as obras literárias, dos mais variados géneros, a serem adaptadas ao cinema. Todavia, nem sempre grandes livros originaram grandes filmes. O inverso também é verdade: muitos livros desinteressantes resultaram em magníficas obras cinematográficas. Ao longo de mais de cem anos de história do cinema, realizadores consagrados e menos consagrados basearam os seus filmes em obras literárias: John Huston, Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick, Murnau, Francis Coppola, François Truffaut, Rainer Fassbinder, John Ford, entre muitos outros. De igual modo, inúmeras obras de escritores, dos clássicos aos contemporâneos, foram objecto de adaptações ao cinema: Philip K. Dick, Alexandre Dumas, Julio Verne, Stephen King, Ernest Hemingway, Virginia Wolf, Michael Crichton, Marguerite Duras, Isabel Allende, John Steinbeck, George Orwell, Graham Greene, Tolkien, Ray Bradbury, William S. Burroughs, Vergílio Ferreira, José Cardoso Pires, Manuel Tiago, entre muitos outros exemplos.À volta deste assunto, geram-se debates acalorados no que concerne às eventuais diferenças de qualidade do objecto “livro” e do objecto “filme”: qual o verdadeiro conceito de adaptação literária ao cinema? O realizador deve basear-se literalmente no livro ou tem o direito de recriar o conteúdo do mesmo? Até que ponto o cinema, como expressão artística autónoma, necessita da literatura para se exprimir? É melhor o filme ou livro? Quais as fronteiras estéticas entre a linguagem da literatura e do cinema?

Sem querer assumir o risco das respostas, deixo aqui apenas uma pequeníssima lista de grandes obras literárias que originaram grandes filmes:

Livro: “FARENHEIT 451” de Ray Bradbury
Filme: “FARENHEIT 451” de François Truffaut

Livro: "SOLARIS" de Stanislav Lem
Filme: "SOLARIS" de Andrei Tarkovski

Livro: “THE PROCESS” de Franz Kafka
Filme: “O PROCESSO” de Orson Welles

Livro: “BRAM STOKER’S DRACULA” de Bram Stoker
Filme: “DRACULA” de Todd Browning (e a versão de Coppola)

Livro: “MACBETH” de William Shakespeare
Filme: “MACBETH” de Orson Welles

Livro: “THE THIRD MAN” de Graham Greene
Filme: “O TERCEIRO HOMEM” de Carol Ree

Livro: “UMA ABELHA NA CHUVA” de Carlos de Oliveira
Filme: “UMA ABELHA NA CHUVA” de Fernando Lopes

Livro: “THE NAKED LUNCH” de William S. Burroughs
Filme: “O FESTIM NU” de David Cronenberg

Livro: “QUERELLE” de Jean Genet
Filme: “QUERELLE” de Rainer Fassbinder

Livro: “MANHÃ SUBMERSA” de Vergílio Ferreira
Filme: “MANHÃ SUBMERSA” de Lauro António

Livro: “AMERICAN PSYCHO” de Bret Easton Ellis
Filme: “AMERICAN PSYCHO” de Marry Harron