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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Cinema e saúde mental

No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental da Escola Superior de Saúde de Viseu, fui convidado a dissertar sobre a relação entre o cinema e a saúde mental. Aceitei o desafio como aceitei, há três anos, dissertar sobre o suicídio e o cinema (ver aqui) num simpósio sobre o tema. O título que escolhi: "A Psique Cinematográfica: A Saúde Mental Representada no Cinema".

Foi um bom desafio que me obrigou a ver (ou rever) uma série de filmes e a investigar literatura especializada. Após elaborar uma pré-selecção de 60 filmes, reduzi a apresentação para 35 títulos que me pareceram absolutamente incontornáveis. Dois critérios essenciais serviram para essa selecção: a qualidade cinematográfica/artística de cada filme escolhido e a relevância temática.

Cheguei à conclusão que os distúrbios mentais mais frequentes abordados pelo cinema são: múltiplas formas de esquizofrenia, paranóia, transtorno obsessivo-compulsivo, comportamentos psicóticos, psicose maníaco-depressiva, transtorno bipolar, transtorno dissociativo de personalidade, etc.

A minha apresentação na Escola Superior de Cinema decorreu no dia 8 deste mês num auditório com 200 lugares lotados com estudantes de saúde mental, professores, enfermeiros, psicólogos e psiquiatras. Mostrei uma apresentação visual na qual constavam o título do filme, o realizador, o ano de produção e uma imagem ilustrativa (como estas duas que ilustram este post: "Shock Corridor" de Samuel Fuller e "Spider" de David Cronenberg). Depois ia dissertando sobre cada filme...
No final apresentei uma bibliografia especializada: cinema como terapia, loucura e cinema, psiquiatria e filmes, etc. Já não houve tempo para debate com a assistência.

Para dar o mote ao início da prelecção citei uma frase de uma personagem do filme “Grand Canyon” (1991) de Lawrence Kasdan: “Se estás com problemas vai ao cinema. Os filmes têm a resposta para todos os problemas da vida.” 

Os filmes foram citados por ordem cronológica.



"O Gabinete do Dr. Caligari” (1920) – Robert Wiene
“A Page of Madness” (1926) – Teinosuke Kinugasa
“Un Chien Andalou” (1929) – Luis Buñuel
“M - Matou” (1931) – Fritz Lang
“Spellbound” (1945) – Alfred Hitchcock
“The Snake Pit” (1948) – Anatole Litvak
“Él – O Alucinado” (1952) – Luis Buñuel
“As Três Faces de Eva” (1957) – Nunnally Johnson
“Psycho” (1960) – Alfred Hitchcock
“David e Lisa” (1962) – Frank Perry
“Shock Corridor” (1963) – Samuel Fuller
“Fogo Fátuo” (1963) – Louis Malle
“Repulsa” (1965) – Roman Polanski
"Persona" (1966) - Ingmar Bergman
“Uma Mulher Sob Influência” (1974) – John Cassavetes
“Jaime” (1974) – António Reis
“Voando Sobre um Ninho de Cucos” (1976) – Milos Forman
“Eraserhead” (1977) – David Lynch
“The Shining” (1980) – Stanley Kubrick
“Nostalgia” (1983) – Andrei Tarkovsky
“Misery” (1990) – Bob Reiner
“Despertares” (1990) – Penny Marshall
“Garota, Interrompida” (1999) – James Mangold
“Uma Mente Brilhante” (2001) – Ron Howard
“K-Pax” (2001) – Iain Softley
“As Horas” (2002) – Stephen Daldry
“Spider” (2002) – David Cronenberg
“O Aviador” (2004) – Martin Scorsese
“O Maquinsta” (2004) – Brad Anderson
“Loucuras de um Génio” (Doc, 2005) – Jeff Feuerzeig
“Bug” (2006) – Wiliam Friedkin
“Cisne Negro” (2010) – Darren Aronofsky
“Take Shelter” (2011) – Jeff Nichols
“Alive Inside” (Doc, 2013) – Michael Rossato-Bennett
“Pára-me De Repente o Pensamento” (Doc, 2014) – Jorge Pelicano
“Esta é a Minha Casa” (Doc, 2014) – Pedro Renca
“Birdman” (2014) – Alejandro Gonzalez Iñárritu

sexta-feira, 20 de março de 2015

Os (verdadeiros) primeiros filmes

Toda a gente sabe nomear um bom filme das filmografias de realizadores como Pedro Almodóvar, David Lynch, Sofia Coppola, Lars Von Trier, Martin Scorsese, Godard ou Roman Polanski. Mas poucos saberão dizer quais foram os seus primeiros filmes. E não me refiro às longas-metragens, mas sim às primeiras experiências cinematográficas no formato de curta-metragem. Por exemplo, quando falamos no primeiro filme de David Lynch julgamos que falamos do clássico de culto "Eraserhead" (1977) mas nada mais errado. O seu primeiro filme, no formato de curta é um desconcertante e surrealista filme chamado "The Alphabet" (na imagem em baixo).

É verdade que algumas dessas primeiras obras de cinema até foram bastante marcantes na vida de alguns realizadores. Por exemplo, "Un Chien Andalou" (1929) de Luis Buñuel ou "The Steam Roller and the Violin" de Andrei Tarkovski. No entanto, muitas das curtas-metragens de início de carreira de grandes cineastas ficaram esquecidas no tempo. Graças ao Youtube e ao site Taste of Cinema foi publicada uma preciosa lista com as "25 melhores curta-metragens de realizadores famosos". Realizadores de todas as épocas, nacionalidades e géneros estão aqui representados. Alguns destes pequenos filmes até já foram comentados neste blogue.

Para além de sinopse descritiva do filme, o site disponibiliza a visualização de cada uma das obras no Youtube. Uma boa forma de conhecer o trabalho menos conhecido de grandes mestre do cinema. Link.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Saul Bass numa hora

Saul Bass, o génio das artes visuais que revolucionou os genéricos dos filmes durante quatro décadas. Alguns dos seus trabalhos são tão reconhecíveis e famosos como os próprios filmes de Hitchcock, Preminger ou Scorsese. Os genéricos de Bass são fortemente icónicos e seguem uma linha estética gráfica muito própria. 
Todos os "opening titles" estão compilados nesta montagem com filmes que vão de 1955 a 1995. A montagem tem a duração de 65 minutos, mas vale a pena ver nem que seja em fast forward.
 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Cinéfilo, eu?

Por vezes discute-se o que é ser cinéfilo. Segundo João Bénard da Costa, ex-Director da Cinemateca Portuguesa, há uma significativa diferença entre "gostar" de cinema e "amar" o cinema.
E é verdade que esta diferença define o que é um verdadeiro cinéfilo e um espectador vulgar de cinema.
Repare-se na seguinte tabela comparativa que elaborei. Não se trata de um estudo científico e académico. É aquilo que a minha intuição e experiência dizem: uma pessoa que goste de cinema e que tenha alguns conhecimentos, fará uma lista de preferências como aquelas que estão na tabela da esquerda. Será, por assim dizer, um Cinéfilo QB (quanto baste). Mas para os mesmo filmes haverá o verdadeiro Cinéfilo, aquele que tem um conhecimento mais profundo da história do cinema e um gosto mais definido, por isso, escolhe outros filmes menos conhecidos dos mesmos cineastas.

Cinéfilo QB                                                                          Cinéfilo
"Citizen Kane"-------------------Orson Welles ------------------"Macbeth" (1948)
"2001 - Odisseia no Espaço"---Stanley Kubrick---------------"The Killing" (1956)
"O Sétimo Selo"-----------------Ingmar Bergman-------------"A Fonte da Donzela" (1959)
"Manhattan"----------------------Woody Allen-------------------"Zelig" (1983)
"Janela Indiscreta"---------------Alfred Hitchcock--------------"The Lodger" (1927)
"A Lista de Schindler"----------Steven Spielberg---------------"Duel" (1971)
"Nosferatu"-----------------------F.W. Murnau-------------------"Tabu" (1933)
"O Padrinho"---------------------Francis Coppola----------------"Rumble Fish" (1983)
"O Touro Enraivecido"---------Martin Scorsese-----------------"Mean Streats" (1973

Depois há outra facção de cinéfilos, que são os hardcore, aqueles "ratos de cinemateca" que acham que até os filmes da coluna da direita são demasiado mainstream para o seu gosto refinado. Estes cinéfilos hardcore gostam é dos clássicos mais obscuros, dos títulos de culto das sessões da meia-noite e de festivais de cinema independentes. São os amantes incondicionais do cinema mais alternativo/vanguardista, formando uma espécie de elite cinéfila.

Uma lista de filmes preferidos dos Cinéfilos Hardcore será por exemplo assim:

"Meshes of the Afternoon" (1943) - Maya Deren 
"Woman in The Dunes" (1964) - Hiroshi Teshigahara
"Pastoral: To Die In The Country" (1974) - Shuji Terayama
"Warning Shadows" (1923) - Arthur Robinson
"Thunderbolt" (1929) - Josef von Sternberg
"The Stranger on The Third Floor" (1940) - Boris Ingster
"Begotten" (1990) - E. Elias Merhige
"O Quadro Negro" (2000) - Samira Makhmalbaf
"Daisies" (1966) - Vera Chytilová
"Flaming Creatures" (1963) - Jack Smith
"O Anjo das Ruas" (1928) - Frank Borzage
"My Degeneration" (1990) - Jon Moritsugu
"Love Making"  (1969) - Stan Brakhage

E o caro leitor, em que categoria de cinéfilo se integra?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O bom cinema que veremos em 2015

Agora que 2015 começou há que antecipar o ano em termos culturais. No que diz respeito ao cinema, a imprensa e as redes sociais têm indicado muitos títulos que irão marcar o ano. 
Na minha humilde opinião começo por destacar os filmes que serão totalmente dispensáveis de ver:

- "As Cinquenta Sombras de Grey"
- "Velocidade Furiosa 7"
- "Vingadores: a Era de Ultron"
- "Resident Evil 6"
- "Taken 3"
- "Rambo 5"
- "Mission Impossible 5"
- "Terminator: Genisys"
- "Paranormal Activity: The Ghost Dimensions"
- "Hitman: Agent 47"
- "The Fantastic Four"
- "[REC] 4: Apocalypse"
- "Ted 2"
- "The Hunter Games: Mockingjaxy part 2"
- "Superman vs Batman"
- "Mad Max: Fury Road"

Ou seja, fujo de tudo quanto cheire a blockbuster de entretenimento repetitivo e com fórmulas mais do que gastas, a sequelas e prequelas de blockbusters para consumir pipocas no meio da assistência apática de adolescentes imberbes.

Posto isto, vamos ao verdadeiro cinema enquanto Arte. E assim, os filmes que vão estrear (pelo menos em Portugal) em 2015 que mais me suscitam (muita) vontade de ver são (e não digam que não vai ser um grande ano de cinema!):

- "Flashmob" - Michael Haneke
- "Onomatopoeia" - Jean-Luc Godard 
- "Blackhat" - Michael Mann 
- "Leviathan" - Andrey Zvyagintsev
- "Silence" - Martin Scorsese
- "The Hateful Height" - Quentin Tarrantino
- "American Sniper" - Clint Eastwood
- "Inherent Vice" - Paul Thomas Anderson
- "Olhos Grandes" - Tim Burton
- "Queen of the Desert" - Werner Herzog 
- "I Walk With The Dead" - Nicolas Winding Refn
- "Sierra-Nevada" - Cristi Puiu
- "The Early Years" - Paolo Sorrentino
- "Sea of Trees" - Gus Van Sant 
- "Life" - Anton Corbijn
- "Francophonia: Le Louvre Under German Occupation" - Aleksandr Sokurov
- "The Assassin" - Hou Hsiao-hsien 
- "Idol's Eye" - Olivier Assayas
- "Dance of Reality" - Alejandro Jodorwosky 
- "Ferryman" - Wong Kar-Wai
- "D" - Roman Polanski
- "Sunset Song" - Terence Davies 
- "Mountains May Depart" - Jia Zhangke 
- "Crimsom Peak" - Guillermo del Toro
- "The Lost City of Z" - James Gray
- "Uma Dívida de Honra" - Tommy Lee Jones
- "Regression" - Alejandro Aménabar
- "Pasolini" - Abel Ferrara
- "Babi Yar" - Sergei Loznitsa 
- "Birdman" - Alejandro Gonzales Iñarritu
- "Cemetery of Kings" - Apichatpong Weerasethakul 
- "Knight of Cups" - Terrence Malick 
- "Women’s Shadow" - Philippe Garrel 
- "Three Memories of Childhood" - Arnaud Desplechin 
- "Louder Than Bombs" - Joachim Trier 
- "Arabian Nights" - Miguel Gomes 
- "Montanha" - João Salaviza
- "Carol" - Todd Haynes  
- "The Last Vampire" - Marco Bellocchio 


E certamente que esta lista não está fechada. 
Outros filmes de qualidade serão anunciados para enriquecer ainda mais este ano cinematográfico. 


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Filmes que dizem que viram (mas mentem)



Quem nunca disse que viu um filme sem o ter realmente visto, que atire a primeira pedra. Em qualquer conversa sobre cinema pode vir à baila um determinado filme (por norma, clássico) supostamente famoso que "toda a gente já viu". Mas a verdade é que não é bem assim e, para não se ficar inferiorizado e dar má figura cultural de si próprio, a tendência é dizer que já se viu.
Ora, a revista de cinema espanhola Cinemania publicou uma sondagem na qual revela 10 filmes que as pessoas costumam dizer que já viram mas, na verdade, mentem.

Eis a lista com a respectiva percentagem de mentirosos:

1. "O Padrinho" (30%)
2. "Casablanca" (13%)
3. "Taxi Driver" (11%)
4. "2001: Odisseia no Espaço" (9%)
5. "Reservoir Dogs" (8%)
6. "This is Spinal Tap" (7%)
7. "Apocalypse Now" (6%)
8. "Goodfellas" (5%)
9. "Blade Runner" (5%)
10. "A Grande Evasão" (4%) 

Conclusão: ninguém que se diga amante de cinema pode ousar dizer que nunca viu nenhum destes clássicos (daí a mentira forçada).Deduzo, igualmente, que esta sondagem tenha sido feita a jovens.

domingo, 3 de agosto de 2014

Scorsese artista aos 11 anos

Que Martin Scorsese é um realizador que recorre sempre ao storyboard, já se sabia. O que não se sabia é que este gosto especial do cineasta pelos desenhos das cenas dos filmes advém desde o tempo de criança. Scorsese sempre revelou talento para o desenho. E, com apenas 11 anos, Scorsese desenhou um storyboard para um filme imaginário com o título "The Eternal City", um épico da época romana ao estilo Cecil B. DeMille. 
Com uns ainda imberbes 11 anos, Scorsese impressiona pelo nível de detalhe plástico destes desenhos e pelos próprios enquadramentos "pensados" para o cinema. Mais: o então ainda jovem cineasta em potência tinha até um elenco perfeito para este filme: Marlon Brando, Richard Burton e Alec Guiness!
Claro que o projecto para o filme "The Eternal City" nunca foi concretizado. Mas fica o registo desta incrível precocidade artística que viria a confirmar-se, posteriormente, na brilhante carreira de um dos maiores realizadores dos últimos 35 anos.

sábado, 28 de junho de 2014

A música para Max Cady

Um das bandas sonoras compostas para cinema de que mais gosto é a do filme "Cape Fear" ("Cabo do Medo"), original de J. Lee Thompson (1962) e alvo de um brilhante remake de Martin Scorsese em 1991. Fui vê-lo duas vezes seguidas à sala de cinema, não só pela realização, pelas interpretações, pela história ou pela montagem. Foi também pela música. Originalmente foi composta pelo grande Bernard Herrmann e adaptada por Elmer Bernstein para o filme de Scorsese.
A cada segundo de música cria-se o ambiente soturno e inquietante adequado à história de vingança de Max Cady (magnético Robert De Niro). Uma música que é, igualmente, uma espécie de personagem do próprio filme.
Vale a pena, por isso, rever o genérico inicial do genial Saul Bass (trabalhou com Hitchcock) e sentir os arrepios na pele com o tema principal do filme:

terça-feira, 10 de junho de 2014

Biopic sobre os VU?

Os biopics de personalidades musicais estão na moda em Hollywood. Os próximos sonantes são os filmes sobre a vida de James Brown e de Whitney Houston
Na realidade, há poucos bons filmes biográficos de músicos que me interessam. O melhor dos últimos anos foi "Control" sobre Ian Curtis/Joy Division. Haveria um biopic que me interessaria muito: The Velvet Underground.
Mas para tal era preciso saber qual seria o realizador ideal para tal empreitada (e numa segunda fase, saber quais seriam os actores). Que cineasta poderia reunir os requisitos artísticos e a sensibilidade (cinematográfica e musical) para levar a bom porto um projecto destes? 
Eu arrisco: 

- Anton Corbijn 
- Gus Van Sant 
- Paul Thomas Anderson
- Abel Ferrara
- Martin Scorsese 
- Jim Jarmusch 
- Clint Eastwood 
- Darren Aronofsky 
- Steven Soderbergh 
- Joel e Ethan Coen

sábado, 25 de janeiro de 2014

Improvisação que corre bem

Todos sabemos que no acto de representar dos actores pode haver lugar à improvisação (quando os realizadores permitem) que, por vezes corre bem, outras corre mal. Mas quando as situações - sobretudo os diálogos - resultam bem, acabam por ficar na montagem final. Mais: às vezes até ficam para a história como momentos icónicos e de culto de determinado filme.
Por exemplo: é do conhecimento geral que a frase "You Talkin' to Me?" no clássico "Taxi Driver" de Scorsese foi totalmente improvisada no momento por Robert De Niro.
Ora, eis aqui mais 9 situações memoráveis de filmes cujas improvisações dos respectivos actores acabaram por enriquecer o filme.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Scorsese e o perfume

O spot publicitário que está a passar na televisão promovendo o perfume "The One" da Dolce & Gabbana tem apenas 30 segundos. Mas o que poucos sabem é que o realizador deste anúncio é Martin Scorsese. Com as estrelas Matthew McConaughey e Scarlett Johansson, Scorsese filmou uma versão com maior duração (2'35'') mas por motivos comerciais não passa nas televisões. 
Esta curta-metragem foi filmada numa cidade italiana (não especificada) e conta com uma canção italiana famosa, "Il Cielo in Una Stanza" da cantora Mina.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Scorsese: 40 factos desconhecidos

É fã de Martin Scorsese? Julga que sabe tudo sobre ele?
Bom, talvez não saiba que o realizador é profundamente supersticioso e que tem fobia ao número 11. Ou que o próprio Scorsese entrou no filme "Taxi Driver" porque o actor contratado ficou doente nesse dia. Ou talvez desconheça que é o próprio Scorsese que desenha os storyboards dos seus filmes.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

As "famílias" do cinema

Chamem-lhe grupos, gangs, famílias. Tanto faz.
São homens e rapazes unidos por uma forte identidade. Por ideais comuns, códigos de conduta comuns, objectivos comuns. Por vezes a corrupção e a traição destroem esses laços (quase) tribais. São quase sempre movidos por maus instintos, pela ganância, pelo ódio, pela afirmação social, pelo poder, pelo dinheiro ou pela vingança.
A violência e o desrespeito por normas morais e legais fizeram parte da vida (e da morte) destes grupos. E por isso todas estas pandilhas de personagens fascinaram gerações de espectadores e marcaram a história do cinema:
"Cidade de Deus"
"Suburbia"
"Gangs of New York"
"The Long Riders"

"Rumble Fish"

"The Outsiders"

"The Wild Bunch"

"Snatch"

"Clorkwork Orange"

"Oceans's Eleven"
"The Usual Suspects"

"Reservoir Dogs"

"The Untouchables"

"The Godfather"

"The Goodfellas"

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O regresso a "Soy Cuba"

Revi o passado fim-de-semana o filme "Soy Cuba" (1964) de Kalatozov e voltei a sentir o mesmo espanto que senti quando o vi pela primeira vez. E confirmei algo que arrisco, sem problemas, dizer: este filme é das obras cinematográficas mais belas e originais de toda a história do cinema (subiu para um lugar cimeiro do meu top 10 de sempre). Só filmes grandiosos como "Touch of Evil" de Orson Welles ou "O Último Ano em Marienbad" de Alain Resnais se equiparam, em termos estéticos e formais, a esta obra do cineasta russo.
Foi necessário um cineasta da dimensão mediática de um Martin Scorsese para tirar do limbo do esquecimento este incrível filme.
Todos quantos amam o cinema e as imagens (e já agora, Cuba, deixando para trás as conotações políticas e propagandísticas que o filme transmite) devem ver esta obra de arte uma vez na vida.
------
Eis aqui o que escrevi sobre esta obra ímpar de Kalatozov. 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Christopher Nolan - cinéfilo improvável

E já que publiquei (ver post abaixo) a lista dos 10 filmes preferios de Roger Corman, eis mais uma série de listas bem interessantes divulgadas pelo site Flavorwire. Trata-se de uma lista de 10 realizadores - de Woody Allen a Quentin Tarantino, de Francis Ford Coppola a Stanley Kubrick.
Claro que há listas mais interessantes do que outras. A de Kubrick, Scorsese ou do Woody Allen são reveladoras da sua imensa cinefilia. Mas a lista que mais me surpreendeu foi a de Christopher Nolan ("Batman" e "Inception") que demonstra ter um gosto cinéfilo deveras aguçado.
A saber: Nolan cita como filmes preferidos "Twelve Angry Men" de Sidney Lumet, "Greed" de Eric von Stroheim, "The Testament of Dr. Mabuse" de Fritz Lang, o (raramente) citado "Mr. Arkadin" (também conhecido como "Confidential Report") de Orson Welles ou "Koyaanisqatsi" de Godfrey Reggio. Sem dúvida que Nolan conhece bom cinema clássico, algo que nem sempre transparece nos seus filmes "mainstream".
Ver aqui a lista completa.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Scorsese e o storyboard

Martin Scorsese atribui muita importância ao storyboard (desenhos que antecipam as cenas captadas pela câmara), ao contrário de outros realizadores, como Werber Herzog, que rejeita simplesmente a ideia de o utilizar.
É o próprio cineasta norte-americano que explica que o storyboard expressa a forma como ele pretende comunicar. Para compreender a importância que esta técnica tem para Scorsese, basta visualizar esta sequência do filme "Taxi Driver", em que podemos comprovar que a realização seguiu, praticamente à risca, os desenhos do storyboard:

quarta-feira, 6 de março de 2013

De Niro nos grandes filmes

Talvez não seja mera coincidência que o actor Robert De Niro tenha participado nalguns dos melhores filmes americanos dos anos 70 e 80: "O Padrinho 2" (1974) de Coppola, "Taxi Driver" (1976) de Scorsese, "O Caçador" (1978) de Michael Cimino, "O Touro Enraivecido" (1980) de Scorsese e "Era Uma Vez na América" (1984) de Sergio Leone.
E como eu gosto deste épico de 4 horas de Leone! Monumental e arrebatadora história de amizade e traição que decorre ao longo de várias décadas, numa homenagem sentida sobre a identidade histórica, social e cultural dos EUA. A música de Ennio Morricone é eterna, sublime nas pontuações aos múltiplos episódios narrativos, imagética como só a sua música mais esplendorosa consegue ser.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Nova Iorque no cinema

Nova Iorque é, porventura, a cidade do mundo mais filmada para cinema e séries de televisão de toda a história. Nunca tive a felicidade de a conhecer in loco enquanto turista (é um dos meus desígnios da vida terrestre), mas construí todo um imaginário visual com tantos e tantos filmes que já vi passados na "Big Apple". 
Ao longo das últimas 3 ou 4 décadas, Nova Iorque tornou-se absolutamente icónica para os cinéfilos de todo o mundo através de centenas de filmes e séries de televisão. Nova Iorque há-de ter um encanto e uma magia muito especiais para atrair tantos realizadores e produtores. Por exemplo, o cineasta Abel Ferrara refere que "New York is the best place to shoot. I know the neighborhoods. The light is really nice here, for some reason". 
Eis um belo vídeo com algumas das mais célebres imagens e citações de Nova Iorque no cinema: 
Há pelo menos meia-dúzia de grandes realizadores (quase todos vivem na própria metrópole) que engrandeceram a cidade e o cinema através da realização de filmes nas ruas e locais nova-iorquinos.

Quanto a mim, os 6 cineastas que mais e melhor filmaram Nova Iorque são:

6º - Sydney Pollack
5º - Spike Lee
4º - Abel Ferrara
3º - Jim Jarmusch
2 º - Martin Scorsese
1º - Woody Allen


“I’ve done about 32 pictures in New York, and I can still find good locations to shoot”
Woody Allen