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sexta-feira, 20 de março de 2015

Os (verdadeiros) primeiros filmes

Toda a gente sabe nomear um bom filme das filmografias de realizadores como Pedro Almodóvar, David Lynch, Sofia Coppola, Lars Von Trier, Martin Scorsese, Godard ou Roman Polanski. Mas poucos saberão dizer quais foram os seus primeiros filmes. E não me refiro às longas-metragens, mas sim às primeiras experiências cinematográficas no formato de curta-metragem. Por exemplo, quando falamos no primeiro filme de David Lynch julgamos que falamos do clássico de culto "Eraserhead" (1977) mas nada mais errado. O seu primeiro filme, no formato de curta é um desconcertante e surrealista filme chamado "The Alphabet" (na imagem em baixo).

É verdade que algumas dessas primeiras obras de cinema até foram bastante marcantes na vida de alguns realizadores. Por exemplo, "Un Chien Andalou" (1929) de Luis Buñuel ou "The Steam Roller and the Violin" de Andrei Tarkovski. No entanto, muitas das curtas-metragens de início de carreira de grandes cineastas ficaram esquecidas no tempo. Graças ao Youtube e ao site Taste of Cinema foi publicada uma preciosa lista com as "25 melhores curta-metragens de realizadores famosos". Realizadores de todas as épocas, nacionalidades e géneros estão aqui representados. Alguns destes pequenos filmes até já foram comentados neste blogue.

Para além de sinopse descritiva do filme, o site disponibiliza a visualização de cada uma das obras no Youtube. Uma boa forma de conhecer o trabalho menos conhecido de grandes mestre do cinema. Link.


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Almodóvar em registo fantástico?

Pedro Almodóvar realizará um filme de... ficção científica inspirado no clássico do fantástico "The Invasion of the Body Snatchers"? Ao que parece, é mesmo verdade.

domingo, 30 de setembro de 2012

O estado da cultura em Espanha

Antón Reixa, carismático cantor e poeta do grupo pop-rock galego Os Ressentidos (nos anos 80), é o actual presidente da SGAE, a entidade espanhola equivalente à Sociedade Portuguesa de Autores.
Antón Reixa veio reafirmar aquilo que outros artistas e personalidades da cultura espanhola (como o realizador Pedro Almodóvar) já disseram: que a cultura está (e vai continuar a estar) num processo de degradação absoluta.
Essa degradação deve-se ao aumento do IVA que afecta dramaticamente as actividades culturais e à redução substancial do orçamento do Governo espanhol no apoio à cultura e às artes.
Lamenta Antón Reixa: "Os governantes tendem a compreender a cultura não como algo produtivo mas como algo ornamental. Esta crise está a contribuir para a liquidação da esperança como se a criatividade colectiva e individual e o acesso aos espectáculos culturais fossem algo de supérflúo".
Para Reixa, a "indústria cultural gera autoestima, identidade, riqueza e postos de trabalho", pelo que está decidido a estabelecer todas as linhas de diálogo com o Governo para que a situação calamitosa da cultura em Espanha mude.
Qualquer semelhança com a realidade portuguesa não é mera coincidência.
 

sábado, 28 de julho de 2012

Pela Cultura!

Os espanhóis continuam a lutar contra as medidas de austeridade impostas pelo Governo de Mariano Rajoy. Tudo porque o primeiro-ministro espanhol decidiu aumentar o valor do IVA na cultura, que passará de 8% para 21%. Este facto tem levantado uma onda de protestos em Espanha, não só por parte da população, mas também e sobretudo, pelos agentes culturais, artistas, actores, músicos, escritores, realizadores, etc. Todos os dias, na imprensa e nos diferentes órgãos de comunicação social, os artistas exprimem a sua voz contra este aumento brutal do IVA, que consideram que irá prejudicar gravemente a dinâmica cultural espanhola.
Várias manifestações foram organizadas para contestar esta medida do governo espanhol, e numa das últimas esteve uma cara bem conhecida do cinema, o actor Javier Bardem que, apesar de se considerar um privilegiado por filmar em Hollywood, não deixou de se solidarizar com a comunidade artística de Espanha. O mesmo fez o mais famoso cineasta espanhol, Pedro Almodóvar, que encabeça o movimento  "Por La Cultura", juntamente com dezenas de figuras de destaque da cultura espanhola.
E o que tem acontecido em Portugal? Tirando uma tímida petição online de contestação pelas duras medidas contra a cultura e uma manifestação fugaz à frente do Parlamento (apenas do mundo do cinema), nada mais houve de relevante. Por cá, a letargia continua. Mas como um cartaz espanhol refere: "Cultura não é um luxo".

sábado, 25 de fevereiro de 2012

John Williams vs. Alberto Iglesias


"A música actual para cinema abusa de lugares-comuns. Existe uma espécie de estilo internacional que serve para tudo. O estilo de John Williams está bem para naves espaciais e para dinossauros, que é o que faz, mas é mau quando utiliza este estilo para tudo com o intuito de chegar às nomeações a qualquer preço."
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Esta declaração foi proferida pelo compositor para cinema Alberto Iglesias numa entrevista ao jornal espanhol El Mundo. Iglesias ficou conhecido pelas bandas sonoras dos filmes de Pedro Almodóvar e nos últimos anos tem recebido o reconhecimento por aprte da Academia de Hollywood: obteve três nomeações ao Óscar de Melhor Banda Sonora Original. Este ano está nomeado pela música que compôs para o filme "Tinker Tailor Soldier Spy" de Thomas Alfredson.
Mas dificilmente conseguirá ganhar, porque no lote de nomeados está o veterano John Williams (tem 80 anos) que conta no currículo com um impressionante 'score': 5 Óscares e 47 nomeações em cinco décadas de carreira (e com muitos anos de colaboração com Steve Spielberg). Este ano está duplamente nomeado: pela composição para "As Aventuras de Tintin" e para "War Horse".
Mas a verdade é que, sem menosprezar o papel central que John Williams detém na história do cinema, eu concordo com a afirmação de Albert Iglesias. Ou seja: actualmente, o estilo de composição orquestral e épico de John Williams está datado e o compositor americano adapta-o a todo o tipo de género cinematográfico: dramas, aventuras, ficção científica, acção ou até comédias. A sua estética remeteu-se para um conservadorismo sem tréguas e para um caminho do qual não se vislumbra qualquer elemento de originalidade. E é claro que o seu estilo se adapta, como uma luva, ao gosto musical - também ele conservador - da Academia de Hollywood (longe vai o tempo em que Williams surpreendia com imensa criatividade como no filme "Tubarão").
O espanhol Alberto Iglesias é, sem dúvida, um talentoso compositor. E há outros talentosos e jovens compositores para cinema com ideias refrescantes e originais. Pena é que a Academia só premeie a previsibilidade e - pegando nas palavras de Iglesias - os "lugares-comuns".

domingo, 28 de agosto de 2011

A rentrée do cinema


No último suplemento Ípsilon do jornal Público foi publicado um destaque à chamada "rentrée" cultural que se avizinha (de Setembro a Dezembro deste ano).
De todas as dezenas de referências enumeradas ao nível de filmes, as que eu mais aguardo ansiosamente são:
- "O Hospício" - John Carpenter
- "Meia-Noite em Paris" - Woody Allen
- "Cave of Forgotten Dreams" - Werner Herzog
- "Sangue do Meu Sangue" - João Canijo
- "Restless" - Gus Van Sant
- "La Piel que Habito" - Pedro Almodóvar
- "Habemus Papam" - Nanni Moretti

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Cannes prometedor


Grandes realizadores concorrem para a Palma de Ouro no próximo festival de Cannes: Pedro Almodóvar, Terrence Malick, Nanni Moretti, Aki Kaurismaki, Nuri Bilge Ceylan, Lars Von Trier, Jean-Pierre e Luc Dardenne, Alain Cavalier, entre outros.
E na sempre interessante secção "Un Certain Regard" ainda vão estrear os novos filmes de Woody Allen, Jodie Foster e Gus Van Sant.
Um festival prometedor.
Visto aqui.

sábado, 22 de janeiro de 2011

O cinema e o filão da internet


David Fincher realizou o filme "A Rede Social" sobre o Facebook e tem havido rumores da possibilidade de surgirem outros filmes sobre a internet e a tecnologia. É provável que, com a actual crise de inspiração na indústria cinematográfica de Hollywood, se explorem novos filões que sigam o êxito do filme de Fincher.
Depois da febre dos remakes e das sequelas, os filmes sobre conteúdos, redes sociais e programas da internet poderão ser o próximo passo a explorar por produtores e realizadores. Com o exemplo de sucesso demonstrado por David Fincher, é inevitável fazer um exercício retórico sobre outros possíveis exemplos.
Do tipo:
- David Cronenberg realizar um filme sobre o Twitter
- Anton Corbijn realizar um filme sobre o Myspace
- Michael Haneke realizar um filme sobre o Blogger
- Lars Von Trier realizar um filme sobre o o Messenger
- Woody Allen realizar um filme sobre o Hi5
- Alejandro González Iñárritu realizar um filme sobre o WikiLeaks
- Pedro Almodóvar realizar um filme sobre o YouTube
- Spike Lee realizar um filme sobre o i-Tunes
- Clint Eastwood realizar um filme sobre o Flickr
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Passe um certo absurdo e ironia destas sugestões, a verdade é que não é assim tão descartável a ideia deste tipo de filme surgirem em catadupa nos próximos tempos.
Adenda: depois de publicar este post li esta notícia que confirma a realização de uma biografia em filme do autor do WikiLeaks, Julian Assange!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Que grande ano cinematográfico...

Que grande ano cinematográfico seria 2011 se estreassem novos filmes de Gus Van Sant, Béla Tarr, Todd Solondz, Larry Clark, Alexander Sokurov, Wim Wenders, William Friedkin, Spike Jonze, Alejandro Jodorowsky, Nanni Moretti, François Ozon, Spike Lee, Terence Malick, Wong Kar Wai, Jim Jarmusch, Werner Herzog, Godfrey Reggio, David Cronenberg, Lars Von Trier, Julian Schnabel, Wes Anderson, Chris Marker, David Lynch, Manuel Mozos, Peter Greenaway, Andrei Zvyagintsev, Jean-Claude Brisseau, Kim Ki-Duk, André Téchiné, Pedro Almodóvar, Bruno Dumont, , Christian Mungiu, Martin Scorsese, Emir Kusturica, Frank Darabont ou Francis Ford Coppola.
Era bom, não?

domingo, 5 de dezembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Almodóvar prendado


O tempo em que Pedro Almodóvar fazia crochet com a sua mãe num banco de jardim (na gloriosa década de 80).

segunda-feira, 8 de março de 2010

Óscares 2010: as minhas impressões


Mais uma maratona a ver a 82ª edição dos Óscares 2010. Sem querer alongar-me muito, eis as minhas impressões e destaques gerais:

- Globalmente, esta edição dos Óscares foi um espectáculo de entretenimento televisivo muito pobre, sem ritmo, monótono, lento, sem inovações de produção.

- Alec Baldwin foi um claro erro de casting como apresentador: não se sentiu à vontade a debitar piadas e só Steve Martin, por ser comediante e ter mais experiência, salvou a honra do convento (Hugh Jackman revelou-se, no ano transacto, um verdadeiro anfitrião com talento musical).

- A produção prometeu um arranque de noite dinâmico; pelo contrário, foi fraco e previsível, assim como previsível e medianas foram as coreografias a meio da noite.
- A inclusão nos apresentadores de ídolos adolescentes como Miley Cyrus ou Zac Efron, como estratégia de cativar público adolescente para a cerimónia.

- O momento de lembrar os artistas da sétima arte falecidos em 2009, "in Memoriam", houve um esquecimento crasso: Farrah Fawcett.

- George Clooney esteve toda a noite com ar cerrado e superior, não reagiu às piadas, como que aborrecido de morte por estar na primeira fila do Kodak Theatre.

- O momento divertido da rábula de Ben Stiller como personagem Navi de Pandora (no outro ano imitou Joaquim Phoenix; quem será para o próximo ano?).

- A excelente montagem em jeito de tributo dedicada a clássicos do cinema de terror.

- O anúncio feito à pressa por Tom Hanks do Melhor Filme.

- Quantin Tarantino não ganhou no Melhor Argumento Original.

- Kathryn Bigelow fez história ao ser a primeira mulher a ganhar o Óscar de melhor realização.
- O único discurso de agradecimento inteligente da noite: Christoph Waltz.

- O fracasso absoluto de "Avatar" face a "The Hurt Locker" como se a Academia quisesse prova que, afinal, não se deixa levar pelos fenómenos mediáticos e comerciais e ainda tem sensibilidade para obras de fulgor artístico independente.

- A surpresa do vencedor na categoria de Melhor filme Estrangeiro - "El Secreto de Sus Ojos" - em detrimento dos favoritos "O Laço Branco" e "Um Profeta".
- A feliz escolha para a dupla de apresentadores do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro: Pedro Almodóvar e Quentin Tarantino.
- O comentário do realizador argentino Juan José campanella, vencedor do Óscar Melhor Filme Estrangeiro: "I'd like to thank the Academy for not considering Na'vi a foreign language!".
- A consagração de Jeff Bridges por "Crazy Heart".

- O discurso lacrimejante de Sandra Bullock (que ficará na história como a primeira actriz a ganhar, simultaneamente, um Razzie e um Óscar).

- O final da cerimónia (como é habitual) sempre atabalhoada e em cima do joelho, anunciada pelos apresentadores logo após os agradecimentos da equipa do filme "The Hurt Locker".
- Os bons momentos de partilha de opinião cinéfila, com críticos e amantes de cinema, ocorrida no fórum online especial do Público.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Lars e Penélope


Penélope Cruz continua em alta. Enquanto espera se lhe sai em sorte um segundo Óscar, a actriz espanhola vai integrar o elenco do próximo filme de... Lars Von Trier (de habitual "chica" de Almodóvar para "femme fatale" de Lars, eis o que chamo de mudança radical no cinema).
O filme do realizador dinamarquês, intitulado "Melancholia", pretende ser uma "visão psicológica sobre o desastre" (não são todos os filmes de Trier sobre "desastres"?) e será estreado no festival de Cannes de 2011. Talvez para reeditar a polémica que houve em Cannes 2009 por causa de "Anticristo".

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Óscares - a presença espanhola


No que diz respeito à lista de nomeações aos Óscares, Espanha volta a dar cartas no panorama internacional, havendo boas razões para celebrar (não só agora, como de há uns anos a esta parte, com os Óscares de Fernando Trueba, Pedro Almodóvar e Javier Bardem): a actriz Penélope Cruz foi nomeada (a terceira vez na sua carreira) pela sua interpretação no filme "Nine" e arrisca-se a levar para casa a estatueta dourada, apenas dois anos depois de ter ganho com "Vicky Cristina Barcelona" de Woody Allen. Mas há mais: Espanha não está apenas representada nos Óscares unicamente pela actriz, mas também através de co-produções internacionais importantes.
Produtores espanhóis co-produziram dois filmes que estão nomeados à categoria de Melhor Filme Estrangeiro: "La Teta Asustada" (Peru) e "El Secreto de Sus Ojos" (Argentina). Gostava um dia de poder abrir um post sobre este tema e substituir "Espanha" por "Portugal" na primeira frase...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Perguntas indiscretas - 18


Se perguntasse, assim de repente, qual o melhor filme de toda a carreira do realizador Pedro Almodóvar, que película escolheriam?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Estoril Film Festival


Abre hoje o terceiro Estoril Film Festival. Estive a ver com atenção o site oficial e trata-se, efectivamente, de um evento de grande qualidade e interesse. É impressionante como em apenas três edições, os organizadores conseguiram projectar este festival internacionalmente, ao ponto de conseguir mobilizar figuras mundiais do cinema como Pedro Almodóvar, David Lynch, Bernardo Bertolucci (estes três na edição do ano transacto), David Cronenberg, Francis Ford Coppola, Juliette Binoche, David Byrne, Peter Handke, Sasha Grey, Dominique de Villepin, Emanuel Ungaro, Victor Erice, Robert Frank ou Jacques Audiard. Para além dos convidados de luxo, o programa do festival conta ainda com um interessante cardápio de eventos que se estende até dia 14 de Novembro: exposições, workshops, conferências, debates, retrospectivas (cineastas "raros", Max Ophuls, David Fincher, guerra civi espanhola), entre outras actividades que enriquecem o festival.
Claro que um considerável orçamento de 3,5 milhões de euros pode ajudar no lançamento de um festival deste género, mas não explica tudo. Os contactos privilegiados no mundo do cinema do produtor e director do festival, Paulo Branco, também contribuem para a crescente valorização ano após ano. A ambição de Paulo Branco é que o Estoril Film Festival se torne num grande festival de cinema à escala europeia, para vir a competir um dia com Veneza, Berlim ou até Cannes. A ver vamos.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Madrid me mata - 2



A livraria madrilena Ocho y Medio é um caso especial. Não é só por se tratar de uma livraria especializada numa dada matéria. É um caso especial porque se trata de uma livraria que parece obedecer a um conceito próprio, especializada em cinema e em cultura audiovisual, num espaço bastante amplo e acolhedor, bem no centro de Madrid. Não deverão existir muitas assim no mundo. Em Espanha, pelo menos, é única. Foi fundada há 20 anos e desde há 6 que se encontra na rua Martin de Los Heros, numa transversal da Plaza de Espanha, mesmo em frente a salas de cinema que programam filmes alternativos. É um espaço no qual o cliente respira a paixão pela sétima arte, não só pela imensidão de livros que cobrem as prateleiras sobre todas as temáticas possíveis e imaginárias sobre cinema, mas também pela decoração da própria livraria, pelos objectos que estão expostos nos vários espaços. A música é seleccionada e de muito bom gosto, criando um ambiente ainda mais agradável para os clientes. Enfim, um paraíso para cinéfilos, amantes de livros e coleccionadores.

Fiquei surpreendido com a quantidade de mensagens (devidamente molduradas) que realizadores e actores famosos deixaram, em jeito de autógrafo, à livraria: desde os granes cineastas espanhóis como Pedro Almodóvar, Bigas Luna, Alejandro Aménabar, Carlos Saura, Alex de La Iglesia, até Woody Allen ou Kim Ki-Duk - sem esquecer actores como Javier Bardem, Penélope Cruz, Natalie Portman entre outros, que passaram pela Ocho y Medio e deixaram o seu especial testemunho de apreço para com esta singular livraria (como a imagem em baixo revela, de Pedro Almodóvar: "O cinema educou-me!"). Para além dos muitos objectos ligados ao cinema (que oferecem um colorido muito especial ao ambiente), destaque para um quadro a giz que serviu de adereço no filme "Volver" (2006), de Pedro Almodóvar. Esse quadro, oferecido pelo realizador à livraria, servia de anúncio do restaurante da protagonista do mesmo filme, Penélope Cruz.
De referir que ainda a livraria dinamiza uma programação própria, como sessões de autógrafos, exposições ou apresentação de livros e tertúlias, como a que aconteceu há poucos meses com o encontro de José Saramago e o realizador Fernando Meirelles, como se pode ver neste vídeo.

A primeira sensação que se fica quando se entra é de grandeza. Julgava que seria uma pequena livraria com meia dúzia de prateleiras. Não imaginava uma espaço tão grande e arejado, com prateleiras imensas divididas por múltiplos temas: realizadores, história do cinema, cinema do mundo, fotografia e cinema, géneros cinematográficos, literatura, biografias de actores, guiões de filmes (alguns com anotações manuscritas pelos próprios realizdores!), cartazes, temas relacionados com produção e questões técnicas, audiovisual, som e música no cinema, t-shirts, revistas (muitas em segunda mão), muitas edições espanholas, mas também francesas e inglesas, etc. Alguns livros são particularmente caros, chegando aos 35 ou 40 euros.

Não houve tempo para vasculhar, prateleira a prateleira, os livros à venda. Seria necessário quase um dia inteiro. Demasiados livros interessantes. Como uma colecção de quatro volumes da editora Salvat sobre a relação entre cinema e música ao longo da história. Só não a trouxe porque custava... 90€. Outro aspecto muito positivo é que a livraria tem três funcionários altamente compententes, conhecedores e atenciosos.
Assim, fiz uma selecção criteriosa e trouxe para casa os seguintes livros:
- "Luis Buñuel: Entre Los Sueños y la Pesadilla" - Jorge Manuel Pardo (uma magnífica biografia sobre o pai do surrealismo no cinema).
- "Acerca de Andrei Tarkovski" - Vários autores (colecção de textos e artigos de técnicos, actores e familiares sobre o cineasta russo).
- "Kubrick - Biografia" - John Baxter (biografia muito interessante sobre a vida e obra do autor de "Laranja Mecânica").
- "En Busca de Woody Allen: Sexo, Muerte y Cultura en su Cine" - Ramón Luque (uma abordagem singular ao universo temático da obra de Woody Allen).
Para ver um vídeo de apresentação da livraria, clicar aqui ou visitar o blogue.

domingo, 23 de agosto de 2009

Madrid me mata


Cinco dias na capital espanhola dão para muita ou pouca coisa. Depende de vários factores. Seja como for, regressar a Madrid depois de 10 anos é sempre uma experiência revigorante: pelo irresistível ambiente cosmopolita da grande metrópole, pela diversidade e qualidade da oferta cultural, pela riqueza do património histórico, pela simpatia do povo espanhol, e por mais o que se queira. Apesar das altíssimas temperaturas (média de 35 a 45 graus) e do sol impiedoso, passear pelos bairros de Madrid, pela Plaza Mayor, Plaza Cibeles, pela Puerta del Sol ou pela Gran Via, é sempre uma incessante descoberta de sensações. Uma cidade que acolhe turistas de todo o mundo, que fervilha de actividades e propostas para todos os gostos, bolsas e exigências culturais. Um dos motivos que contribuiu para a revitalização cultural da Madrid deveu-se ao movimento cultural na ressaca do franqusimo, ocorrido no início dos anos 80, com a célebre "movida madrileña", da qual fizeram parte inúmeros artistas (músicos, cineastas, artistas plásticos) como o realizador Pedro Almodóvar.
Na capital de "nuestros Hermanos" sente-se que o urbanismo é levado a sério; os transportes públicos funcionam lindamente; não se vê um único prédio degradado (por mais centenas de anos que tenha), os espaços verdes abundam, a arquitectura é límpida e bela como poucas, a limpeza das ruas é imaculada, e os museus oferecem algumas das melhores propostas de arte de toda a Europa. Foi um prazer regressar aos labirintos de salas do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, e redescobrir os eternos Dalí, Picasso, Man Ray, Miró, Duchamp, Max Ernst, Lichtenstein, Picabia, Klein, Magritte, mas também as exposições temporárias do surpreendente Juan Muñoz (já passou por Serralves). Também surpreendente foi a exposição sobre o modernismo e surrealismo, com obras literárias e audiovisuais dos mestres de sempre. Em duas salas diferentes, duas projecções de dois filmes essenciais de Luís Buñuel: "Las Hurdes" (1933) e "La Edad de Oro" (1930) em cópias magníficas cedidas pela Filmoteca de Madrid.
Por seu lado, outro importante museu da cidade, o Thyssen-Bornemisza, expõe uma extraordinária retrospectiva de Matisse, com pinturas nunca expostas em Espanha. Isto já para não falar da notável exposição permanente de Jan Van Eyck. O museu, que se situa quase em frente do incontornável Prado, implementou uma nova política de portas abertas: até às 23h, diariamente. À custa desta iniciativa, já recebeu perto de 150 mil visitantes nocturnos. A exposição de Matisse mantém-se até 22 de Setembro. De realçar, igualmente, a importante exposição de fotografia de Annie Leibovitz, que se pode contemplar, até dia 6 de Setembro, na Sala de Exposições Alcalá de Madrid. “Annie Leibovitz - Vida de uma fotógrafa, 1990-2005”, compõe-se de duas centenas de instantâneos, entre imagens de grande formato, fotografias do lado mais íntimo e familiar da norte-americana, paisagens a preto e branco e retratos de pequeno formato, também a preto e branco.

Outra experiência notável (especialmente para as minhas duas filhas pequenas) ocorreu com o visionamento de um filme no Cine Imax. Trata-se da projecção mais sofisticada e avançada de sempre, visto que utiliza na mesma sala dois ecrãs gigantes (um tem 900m2, o maior da Europa) com a mais alta qualidade de imagem (3D) e de som digital. A esta inovação de alta tecnologia é chamada de Imax Integral. O sentido de imersão do espectador com as imagens é muito mais intenso do que um vulgar filme de sala comercial em 3D (como o recente "Up"). O desenho da sala é em estilo de anfiteatro romano, com uma incrível inclinação de 45º das cadeiras, permitindo uma visão perfeita de todos os pontos da sala. O filme visionado foi "Gigantes do Oceano", um simpático documentário narrado por Johnny Depp e Kate Winslet. Valeu pela experiência sensitiva de ver um tipo de projecção vanguardista. Veremos se o novo filme de James Cameron irá bater esta tecnologia Imax.
Um aspecto menos positivo de Madrid é a considerável quantidade de músicos-pedintes nas ruas mais movimentadas e no metro. Alguns são banais intérpretes instrumentais, mas outros há que parecem ter saído directamente de uma orquestra profissional, dada a destreza técnica revelada. Cheguei a ver, à porta do El Corte Inglés, um quarteto de cordas a tocar, maravilhosamente, as "Quatro Estações" de Vivaldi, em troca de umas singelas moedas dos transeuntes...
Na passagem pelo Teatro Lope de Vega (em plena Gran Via) não deixei de reparar no enorme cartaz que anuncia o musical "Spamalot" dos Monty Python (a partir de 10 de Setembro), numa produção do famoso grupo Tricicle.
Entretanto, a minha maior descoberta de Madrid foi a livraria especializada em cinema "Ocho Y Medio", bem ao lado da Plaza de Espanha, sobre a qual darei mais informações num próximo post.
Imagem 1: pormenor da Puerta del Sol.
Imagem 2: pormenor da entrada do CineImax.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Almodóvar, o Papa e o conceito de família


Sempre gostei muito de Pedro Almodóvar. Não só pelos seus filmes, mas pelas suas tomadas de posição em relação aos assuntos mais diversos: cinema, sociedade, cultura, arte. A propósito da estreia do seu novo filme "Los Abrazos Rotos" na Alemanha, Almodóvar deu uma entrevista ao semanário alemão Die Zeit. Na entrevista, refere que, apesar de ser não crente, se sente uma espécie de Deus quando está atrás da câmara, considerando que o retrato da sociedade actual que transmite nos seus filmes é bem mais próximo da realidade do que o modelo que o Vaticano propaga: "O Papa deveria sair do Vaticano e verificar o que é hoje uma família - uma família de hoje não está de acordo com nenhum dogma, mas apenas com os compromissos da vida."
O cineasta espanhol insiste ao dizer que "há mais de vinte anos que faço filmes, e as minhas famílias foram sempre mais reais do que as que o Papa propaga. Uma família é um grupo de pessoas que se ama, cumprem as suas necessidades sem importar se se trata de pais separados, travestis, transexuais ou padres com sida."

quarta-feira, 1 de julho de 2009