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sexta-feira, 10 de abril de 2015

"O Grito" em animação


Em 1893 o pintor norueguês Edvard Munch pintou uma obra-prima do expressionismo que se tornaria numa das obras mais famosas de sempre: "O Grito". Uma obra que representa o desespero e a angústia existencial. Nela podemos ver um ser andrógino a gritar em sofrimento numa ponte. O céu tem cores carregadas, difusas, e ao fundo vemos duas figuras (supostamente) a passear.
Munch disse que este quadro representava uma "visão apocalíptica" do mundo e a inspiração para a pintura ocorreu quando o pintor passeava com dois amigos e olhou para o céu porque este ficou de repente vermelho. Os amigos foram andando e ele ficou parado a contemplar, assustado e ansioso, aquele estranho céu.

Em 2014 um realizador de animação romeno chamado Sebastian Cosor resolveu transformar "O Grito" numa animação. Para tal, recorreu a uma das músicas mais famosas dos Pink Floyd: "The Great Gig in The Sky" (do seminal álbum "The Dar Side of The Moon", 1973). Sebastian criou um diálogo ficcionado dos dois homens (sobre a morte) até que surge a figura que grita ao som do canto lírico etéreo da cantora Clare Torry (colaboradora no disco dos Pink Floyd).

Em apenas 3 minutos de duração o resultado deste trabalho é muito interessante na forma como toda a animação está construída, os cenários, a composição plástica, a relação entre a música e o diálogo e a dança da figura que grita. Em suma, uma animação que faz justiça à pintura icónica de Edvard Munch.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Danny Elfman ao vivo!

Vai acontecer no dia do Halloween, dia 31 de Outubro e também dia 1 de Novembro no Nokia Theatre de Los Angeles: Danny Elfman interpreta (canta) ao vivo, acompanhado de uma orquestra, a banda sonora do filme "The Nightmare Before Christmas", obra prima de Tim Burton. Já o tinha feito há precisamente um ano em Londres e agora volta a fazê-lo - segundo o próprio - pela última vez.
Meu deus... Tivesse eu dinheiro e a esta hora já teria comprado o bilhete de avião e o do respectivo espectáculo!

Ver aqui mais informação e uma breve entrevista a Danny Elfman.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Robert Mitchum (em boneco)

A Evil Corporation é uma empresa de animação que trabalha para empresas de publicidade. Mas também cria merchandise relativo à cultura popular, nomeadamente, relacionada com o cinema e a televisão. 
É o caso destas duas imagens que retratam, em forma de bonecos, os protagonistas do filme "The Shining" (1989) de Kubrick e o inesquecível Robert Mitchum no papel do inquietante reverendo no filme "A Noite do Caçador" (1955) de Charles Laughton. 
Este boneco de Robert Mitchum não ficaria mal na prateleira de qualquer cinéfilo...
Ver mais aqui.

 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Para que serve a literatura?

Para que serve a literatura? Mesmo que julgue ter a resposta, sugiro ver esta pequena e surpreendente animação que explica a função dos livros nas nossas vidas.
 

domingo, 21 de setembro de 2014

A inspiração de Jackson Pollock

Bela curta-metragem de animação sobre o tema da inspiração na arte tendo como protagonista o pintor expressionista abstracto, Jackson Pollock.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Um medley animado de Hitchcock

Eis um tributo engraçado ao mestre Alfred Hitchcock. 
O nome diz tudo: "Hitchcock Animated Medley", uma curta-metragem (menos de 2 minutos) de Tim Luecke com referências cruzadas a títulos emblemáticos da carreira de Hitch como "O Homem Que Sabia Demasiado", "39 Degraus", "Vertigo", "Janela Indiscreta" ou o inevitável "Psycho":

sábado, 15 de março de 2014

Danny Elfman na animação

"Mr Peabody e Sherman" estreia por estes dias em Portugal. 
É mais um filme de animação dos estúdios Dreamworks Animation. Ainda não vi nem sei se é um bom filme. O que me interessa realçar é que esta  nova animação tem banda sonora de Danny Elfman, quanto a mim, o melhor e mais criativo compositor de cinema dos últimos 20 anos. 
Basta ouvir este tema para identificar o estilo inconfundível de Danny Elfman. Se o filme estiver ao nível da música, já valerá a pena....

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

As rugas da vida

"Rugas" é um belíssimo filme de animação espanhol sobre temas ainda tabus na sociedade actual: os velhos e o que fazer com eles. Baseado numa novela gráfica premiada de Paco Roca, o realizador Ignacio Ferreras adaptou a banda desenhada de forma exemplar, com um enorme respeito pelo traço e pela estética do seu criador.
"Rugas" aborda directamente e de forma frontal a velhice e todos os seus principais problemas: a perda de memória (Alzheimer), decadência física, dependência para tarefas quotidianas, a depressão, o afastamento da família, a frieza da institucionalização em lares, as relações sociais nestes espaços, etc. Paco Roca conta que teve a ideia de fazer esta BD quando pensou que havia muito pouca BD dedicada ao tema da terceira idade. Perante o envelhecimento dos seus pais (com 80 anos), o artista resolveu contar esta história sensível e realista sobre a vida de vários idosos num lar.
Um filme de uma surpreendente sensibilidade no tratamento do tema, com momentos comoventes (e não lamechas), divertidos e que obrigam à reflexão sobre o papel que os idosos devem ter na sociedade.
Ah, e a dobragem dos diálogos para português é excelente!
Mais informação no site oficial.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Estatueta dourada para Portugal?

Não é todos os anos que nos podemos orgulhar de ter um português no lote de nomeados para os Óscares. É verdade que não se trata de uma nomeação nas categorias principais e mais mediáticas, mas não deixa por isso de ser importante. O realizador, Daniel Sousa (nascido em Cabo Verde) é o português com muito talento que conseguiu ver distinguida a curta-metragem pela Academia de Hollywood. A curta chama-se "Feral" e é já o sexto filme de Daniel Sousa. Ou seja, os grandes filmes não se medem em tamanho.
A curta revela a história de um menino selvagem que tenta adaptar-se à cidade. O filme de Sousa já ganhou diversos prémios de animação e prepara-se agora para poder ganhar a tão desejada estatueta dourada. 
Eis o trailer:

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

"iDiots"

O mundo das tecnologias invadem o nosso quotidiano e somos já homens, mulheres, jovens e crianças completamente dependentes (uns mais do que outros) dos aparelhos tecnológicos. Designadamente, dos telemóveis, que usamos para tudo e para nada, comprando o último modelo da moda porque é "fashion" ou instalando aplicações inúteis que só servem para perder tempo (e às vezes dinheiro). E é nesta perspectiva crítica e satítica que os estúdios de animação Big Lazy Robot (Barcelona) criaram esta curta-metragem deliciosa sobre a dependência dos telemóveis. 
A curta tem o título de "iDiots", uma clara referência ao iPhone e à Apple, e é a história de simpáticos robots (modelos que existem à venda no Japão) que fazem fila para comprar o modelo 4 do iDiot para se entreterem com actividades inúteis... E mais não conto, porque é preciso ver até ao fim esta divertida história - muito bem filmada e sonorizada - para perceber (e meditar) o nível de dependência que a sociedade tem face à tecnologia.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

"Dumbland" de David Lynch

Confesso que nunca tinha visto com atenção a mini-série de animação "Dumbland" de David Lynch. Produzida em 2002 e editada em DVD em 2005, "Dumbland" é um conjunto de pequenos episódios (2, 3 minutos) que o próprio Lynch divulgou no seu site oficial. No total foram feitos 8 episódios, com uma duração final de 33 minutos. 
Só agora, dez anos depois, me dei ao trabalho de ver todos os episódios desta louca animação de Lynch. Na verdade, este é o universo lynchiano puro e duro, bizarro e negro, sarcástico e escatológico, violento e surreal, tão ou mais do que o realizador revela nos seus filmes. Basicamente, "Dumbland" é cosntituído por pequníssimos episódios nos quais vemos Randy, o bruto, estúpido e violento chefe de uma família disfuncional e completamente alienada.
Cada episódio conta uma história breve, repleta de humor corrosivo e violência absurda até à náusea. A crítica feroz à sociedade americana está implícita em cada episódio. 
A estética de animação de "Dumbland" é, propositadamente, rude e básica (em conformidade com o teor agreste das pequenas histórias). A sonoplastia é rigorosa e cuidada, realçando os aspectos absurdos de todo aquele universo grotesco e surrealista. Há momentos de puro humor absurdo e hilariante (os Monty Python deviam adorar), mas não é um humor para todos os gostos. 
Neste vídeo estão compilados os 8 episódios (legendados em espanol) desta louca série de David Lynch:

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Melhor filme de animação

Hoje perguntaram-me qual o melhor filme de animação que vi nos últimos anos. Não hesitei ao responder que o melhor filme de animação que vi nos últimos 10 anos, sem sombras de dúvida, foi este.

terça-feira, 7 de maio de 2013

A morte de Ray

Hoje morreu, aos 92 anos, um dos grandes mestres - ainda que pouco conhecido das massas - do cinema mundial: Ray Harryhausen
O chamado pai dos efeitos especiais e artista maior da animação "stop-motion" (que tanto influenciou Tim Burton), Harryhausen foi responsável por uma autêntica revolução na arte dos efeitos especiais, dando vida a esqueletos guerreiros, serpentes gigantes ou monstros imaginários em filmes dos anos 40 a 70.
Quando estive em Londres no verão passado, visitei o magnífico London Film Museum no qual estava patente uma grande ala dedicada à obra de Ray Harryhausen (que o próprio inaugurou - ver aqui). 
Nessa exposição, intitulada "Myths & Legends",  pude ver maquetas utilizadas por Harryhausen em filmes de ficção científica, fotografias de rodagem, modelos de bonecos, storyboards, técnicas de animação, etc. 
Estas são as fotografias que tirei nessa exposição temporária do museu:

sábado, 20 de abril de 2013

A loja dos suicídios



Fixem este filme: "A Pequena Loja dos Suicídios" ("Le Magasin des Suicides", 2012). 
Trata-se de um dos melhores filmes de animação que vi nos últimos anos. É a primeira experiência na animação do consagrado cineasta francês Patrice Leconte, estreou no último Festival de Cannes e irá estrear em breve em Portugal. 
"A Pequena Loja dos Suicídios" é baseado num livro homónimo do escritor francês Jean Teulé e revela-se de uma comédia musical negra sobre uma cidade tão triste, deprimida e desesperada que os cidadãos (e até os animais) se suicidam de forma quotidiana. Para tal, muito contribui uma loja que vende todo o tipo de material e instrumentos facilitadores do acto suicida (cordas para enforcamento, venenos, armas, etc). O filme está brilhantemente bem realizado, tem personagens icónicas e todo o ambiente e a história fazem lembrar o universo macabro de Tim Burton (até na referência à música de Danny Elfman, aqui da autoria do compositor francês Étienne Perruchon - ouvir aqui uma excelente canção de introdução à excêntrica família Tuvache que gere a loja dos suicídios).  
O filme destila um humor bastante negro e absurdo, mais vocacionado para os adultos do que para as crianças (a ideia de que o cinema de animação é só para público infanto-juvenil é um dogma que tem de ser desfeito). E tal como o realizador Leconte explicou numa entrevista, "A Pequena Loja dos Suicídios" é uma metáfora da sociedade actual que tem como pano de fundo a crise económica, o desespero da incerteza do futuro, a angústia existencial e a ausência de valores. Tudo isto é abordado nesta brilhante animação com inteligência e criatividade. 
A animação francesa a marcar pontos, portanto.
Eis o trailer:

sábado, 11 de agosto de 2012

A criatividade de Svankmajer

Desde 1964 que o realizador checo Jan Svankmajer faz filmes de animação stop-motion (e não só) baseados num universo estético e visual único: ambientes claustrofóbicos e kafkianos, humor surrealista, personagens bizarros, sátira social... Tudo com recurso exímio a elementos quase rudimentares: animação de volumes (plasticina, barro), vegetais e muitos outros objectos do quotidiano. Sem palavras, mas com uma imaginação visual desconcertante.
"Dimensions of Dialogue" é uma das obras-primas mais surpreendentes de Svankmajer. Dividido em três partes, este filme é um espantoso testemunho do poder visual que a animação stop-motion pode alcançar quando é recheada de plena criatividade. 
O vídeo em baixo revela a primeira parte surrealista (de apenas 3 minutos), concebida com vegetais e outros materiais. Especial atenção para a magnífica sonoplastia: 

As partes 2 e 3 de "Dimensions of Dialogue" podem ser vistas no Youtube.

domingo, 25 de março de 2012

Gilliam antes dos Python

Enquanto não esperamos pelo novo filme da trupe Monty Python, podemos recordar algumas obras antigas que fizeram história... ainda antes da própria história dos Monty Python ter começado. É o caso da carreira de Terry Gilliam (o único elemento americano do grupo) que revelou o seu peculiar talento - visual e humorístico - com as suas animações que viriam a ser um dos elementos de maior destaque na estética “pythoniana”.
Ainda antes do programa que celebrizou o grupo “E Agora, Algo Completamente Diferente” ter ido para o ar na televisão britânica, Terry Gilliam tinha já desenvolvido a linha visual e o tom de humor nonsense que iria caracterizar os monty Python. A prova disso é a curta-metragem realizada por Gilliam em 1968, intitulada “Storytime”:

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O regresso de Tim Burton à animação


Eis o poster de "Frankenweenie", um filme animado em stop-motion da Disney, filmado em preto e branco e adaptado a 3D, com a assinatura de Tim Burton. Esta longa-metragem é baseada numa curta realizada em 1984 por Burton que, segundo dizem as más línguas, decretou a saída do realizador da Disney. O filme estreia só em Outubro próximo, mas a expectativa e ansiedade estão já instalados nos admiradores de Tim Burton (sobretudo dos fãs, como eu, do genial filme de stop-motion "Nightmare Before Christmas").
A notícia aqui.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Os "Doodles" de cinema


Por vezes a Google surpreende com os famosos "Doodles", versões divertidas do logótipo convencional da Google. No início, estas criações serviam sobretudo para comemorar feriados, aniversários, eventos desportivos e personalidades de dimensão mundial.
De há uns anos para cá, a Google também tem assinalado figuras artísticas de reconhecido mérito (Fernando Pessoa e Amália Rodrigues, em Portugal, por exemplo).
Ora, hoje, dia 6 de Fevereiro, a Google resolveu assinalar os 80 anos do nascimento do realizador francês François Truffaut (na imagem em cima). Na verdade, não são muitos os "Doodles" dedicados a cineastas e ao cinema (há muitos mais acerca da temática musical).
Por isso resolvi investigar e averiguar quais as figuras ou eventos de índole cinemetográfico que a Google já criou:

20 anos de Wallace & Gromit

Nino Rota - 100 anos do nascimento

Akira Kurosawa

Jim Henson - 75 aniversário

The Flinstones - 50 anos

1ª Exibição Cinematográfica

Federico Fellini - 92 anos do nascimento

Charles Chaplin - 122 anos do nascimento

"O Feiticeiro de Oz" - 71 anos

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A animação surrealista de Jan Svankmajer

É preciso ter disposição para perder 16 minutos e 22 segundos - que é o que dura o vídeo em baixo - para compreender e fruir a enorme criatividade do realizador de animação checo chamado Jan Svankmajer.
Desde 1964 que Svankmajer faz filmes de animação (e não só) baseados num universo estético e visual único: ambientes cláustrofóbicos e kafkianos, humor surrealista, personagens bizarros, sátira social... Tudo com recurso exímio a elementos quase rudimentares: animação de volumes (plasticina, barro e muitos outros objectos do quotidiano), mas também à "live action". Sem palavras, mas com muita imaginação. A sua filmografia é relativamente escassa e espalha-se entre curtas-metragens e meia-dúzia de longas-metragens.
Diz-se que Svankmajer influenciou, de forma determinante, o imaginário de Tim Burton e de Terry Gilliam (uma verdade incontestável). Actualmente com 77 anos, Jan Svankmajer continua a realizar filmes surpreendentes e únicos. E é pena que tão pouca gente conheça o seu magnífico e original trabalho.
"Food" é uma obra dividida em três partes: "Breakfast", "Lunch" e "Dinner". Três momentos incrivelmente originais nos quais o realizador faz uma demolidora crítica à forma como os homens comem alimentos. Mistura animação com pessoas reais. E tem de ser visto para se acreditar: