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domingo, 28 de novembro de 2010

A Nova Iorque de Woody Allen


Pensar no cinema de Woody Allen é, à partida, incontornável pensar em Nova Iorque. Muitos dos seus filmes tiveram como cenário a intensa e fotogénica cidade que "nunca dorme". Neste contexto, em Espanha acaba de ser editado um livro suculento para os fãs do realizador e/ou da cidade norte-americana: um livro em jeito de guia turístico que revela 75 lugares (ruas, avenidas, edifícios, jardins, lojas...) de Nova Iorque que serviram de cenário a muitos filmes de Allen.
Dois exemplos simples: Village Chess Shop, que serviu de cenário para o filme "Whatever Works":

E Bank Street, rua na qual viveram Yoko Ono e John Lennon (antes de se mudarem para o edifício Dakota) e que serviu de cenário para o filme "Manhantan Murder Mistery":

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Viva Salinger!


Durante muitos anos ouvi falar deste livro como sendo uma referência de culto para várias gerações. Durante muitos anos li que o seu escritor, J. D. Salinger, se tinha isolado após ter escrito esta obra em 1951. Durante muitos anos ouvi dizer que se tratava de uma obra literária de grande inovação formal e estilística. Só a morte do escritor, em Janeiro deste ano, me despertou, definitivamente, para a leitura de "À Espera no Centeio" ("The Catcher in the Rye"). Atraso após atraso, lá o li este Verão. E em boa hora.
Salinger expôs neste livro uma escrita áspera e rude, mas extremamente fluída e consistente. Uma escrita repleta de humor cáustico sobre a vida de um impulsivo e depressivo adolescente - Holden Caufield - revoltado e em crise existencial. Holden Caulfield, narrador e protagonista desta história, revela-se um jovem angustiado perante as incertezas da sua vida e do seu relacionamento com os outros. Holden é expulso do colégio e foge de casa deambulando por uma Nova Iorque excitante de animação e aventura (o livro foi controverso por fazer uso de muito calão e de ter abordado, sem pudor, episódios sobre sexo promíscuo, drogas, álcool e violência).
"À Espera no Centeio" já não terá o impacto que teve nos anos 50 e 60 (em plena época dos "rebeldes sem causa" de James Dean) mas agora compreendi, após a leitura compulsiva, porque é que continua, ainda hoje a fascinar os leitores (nos EUA vende anualmente 200 mil exemplares). Uma obra de grande fulgor sobre a procura da identidade juvenil, sobre a alienação e a rebeldia.
Curioso o facto deste livro de Salinger ter, alegadamente, inspirado alguns crimes famosos: Mark David Chapman, o assassino de John Lennon, lia este livro minutos antes de disparar contra o músico dos Beatles. O atirador que tentou matar o presidente Ronald Reagan refere que foi inspirado pelo mesmo livro.
Outro aspecto interessante: dado o notável poder visual que este livro emana e a sua inerente importância literária, grandes realizadores e actores tentaram, ao longo de décadas, adaptá-lo ao cinema (ou na realização ou na interpretação do protagonista do livro): Elia Kazan, Billy Wilder, Jerry Lewis, Marlon Brando, Jack Nicholson, John Cusack, Leonardo DiCaprio, Terrence Malick, entre outros.
J.D. Salinger sempre recusou vender os direitos de autor. Agora que o escritor morreu, consta-se que a família descendente pondera cedê-los para levar ao grande ecrã esta fabulosa aventura literária. Seria uma excelente notícia!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Momentos e Imagens - 58


John Lennon com realizador experimental Amos Vogel.

John Lennon ausculta o asfalto.

John Lennon lê a notícia da morte de Brian Jones.

sábado, 21 de novembro de 2009

David Lynch goes to India


A recente notícia que dá conta do próximo filme de David Lynch agradou-me sobremaneira. Lynch, um adepto da meditação transcendental (como referi aqui a propósito do seu livro "Em Busca do Grande Peixe"), vai adaptar ao cinema - já com filmagens a partir de Dezembro - a vida do guru Maharishi Mahesh Yogi, o místico indiano que deu aulas de meditação nos anos 60 a diversos músicos pop-rock, sendo os mais conhecidos, os Beatles. O quarteto de Liverpool encontrou-se por diversas vezes com Mahesh Yogi e John Lennon foi um dos mais entusiásticos seguidores do mestre.
Dizia que a notícia me tinha agradado porque julgo que é altamente promissor o resultado da simbiose entre o universo estético surreal de David Lynch e o misticismo da cultura indiana. Muito promissor mesmo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Jodorowsky - cineasta maldito


É um dos grandes cineastas malditos e de culto da história do cinema da segunda metade do século XX - Alejandro Jodorowsky. E bastaria um único filme para atestar esta premissa: "The Holy Mountain" (1973). Jodorowsky mudou-se nos anos 50 para Paris onde viveu e conheceu os escritores Fernando Arrabal e Roland Topor, com quem fundou o mítico grupo teatral "Movimento Pânico" (fundia humor e terror). É também conhecido como escritor e autor de banda desenhada (ou novelas gráficas).
Há um dado curioso em relação ao filme "The Holy Mountain": o cineasta chileno foi financiado inteiramente por John Lennon e Yoko Ono para fazer realizar o filme, visto que estes ficaram impressionados com o seu filme anterior, "El Topo" (1970). "The Holy Mountain" é um filme iconoclasta, repleto de misticismo e simbolismo, e situações completamente inusitadas. Provocador face à religião e seus rituais, Jodorowsky subverte e corrompe quaisquer referências religiosas e sexuais com uma linguagem visual irreverente e um sentido de humor absurdo. Conta-se que, para fazer este filme, o realizador esteve vários dias sem dormir ao lado de um mestre Zen. Influenciado pelo imaginário estético mais bizarro de um Fellini e pelo surrealismo de um Luís Buñuel, Alejandro Jodorowsky - que chegou a estudar mímica com Marcel Marceau - tornou-se num cineasta de culto reverenciado por nomes como David Lynch, David Cronenberg ou George Romero.
Ver trailer de "The Holy Mountain".


quinta-feira, 17 de julho de 2008

Como é que é?


Uma recente sondagem de um jornal britânico sobre as melhores canções pop de sempre, resultou nesta escolha:
"Bohemian Rhapsody" - Queen
"Y.M.C.A" - Village People
"(Everything I Do) I Do It for You" - Bryan Adams
"Angels"- Robbie Williams
"Red, Red Wine" -UB40
"Imagine" - John Lennon
"Sweet Child O' Mine" - Guns N' Roses
"Billie Jean" - Michael Jackson
"Dancing Queen" - Abba
"Can't Get You out of My Head" - Kylie Minogue

Só para dizer que destas escolhas, apenas aprecio a canção dos Queen (cheguei a estudar e a tocar "Bohemian Rhapsody" enquanto estudante de música) e do Lennon. O resto parece-me uma manta de retalhos de hits comerciais sem critério nenhum. UB40? Village People? Guns N'Roses? Brian Adams? Se esta fosse a lista de algumas das canções mais populares de sempre, compreenderia. Agora as melhores?

quarta-feira, 9 de julho de 2008

David Chapman - o assassino tranquilo


A semelhança física entre estas duas imagens é assustadora. O homem da esquerda é Mark David Chapman; o homem da direita é o actor Jared Leto a interpretar Mark David Chapman no filme "Chapter 26" de J.P. Schaefer. Chapman foi o assassino de John Lennon, no fatídico dia de 8 de Dezembro de 1980, à porta de sua casa, o famoso edifício Dakota em Nova Iorque. Horas antes, Chapman esperou por Lennon à porta de sua casa para que o ex-Beatle assinasse um autógrafo no seu recente álbum "Double Fantasy", como pode ser visto nesta perturbante fotografia. Horas depois do autógrafo, David Chapmam esperou o regresso a casa de John Lennon e, sem prévio aviso, alvejou-o com 5 tiros pelas costas, perante o horror de Yoko Ono. Depois dos disparos, Chapman esperou que a polícia o viesse prender. No passeio, John Lennon agonizava e acabaria por morrer (perdeu 80% de sangue).
Chapman dizia-se obcecado com a figura de Lennon e durante toda a vida sofreu de perturbações psicológicas e neuróticas. Referiu à polícia que a inspiração para o seu crime foi a leitura compulsiva do livro "Catcher in the Rye" do escritor J.D. Salinger, no qual se narra a história de um adolescente revoltado contra os hipócritas e falhados da sociedade. David Chapman identificava-se com essa personagem, vendo em Lennon uma figura pública que encarnava essa hipocrisia. David Chapman foi sentenciado a pena perpétua, sempre em reclusão solitária devido às ameaças de morte de outros reclusos admiradores dos Beatles. Pediu várias vezes liberdade condicional, mas foi sempre negada. Actualmente com apenas 53 anos, é possível ainda que Chapman seja posto em liberdade, para desespero de Yoko Ono, Paul McCartney e fãs de John Lennon de todo o mundo.
Quanto ao filme "Chapter 26" (relacionado com o livro de Salinger) que retrata os últimos dias de David Chapman, culminando no assassinato de Lennon, foi arrasado pela crítica (vai estrear em Portugal dia 31 de Julho). Facto relevante no filme é a interpretação do actor Jared Leto - também conhecido como cantor da banda rock 30 Seconds to Mars. Leto seguiu o exemplo de Robert De Niro no filme "Touro Enraivecido" de Scorsese, ao engordar perto de 30 quilos para entregar maior realismo à personagem de Chapman. A semelhança física é notável, mas as sequelas desta exigente prova foram dolorosas para o actor, que passou mais de um ano a recuperar (com dificuldade) a sua silhueta física normal.
Interessante é que um ano antes foi realizado um outro filme sobre a morte de John Lennon centrada na figura de David Chapman - "The Killing of John Lennon" Ainda não vi nem um nem outro, por isso não posso emitir juízos de valor precipitados, mas quase arriscaria a dizer que estes dois filmes não serão os últimos sobre o assassinato de John Lennon.

quinta-feira, 3 de julho de 2008