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domingo, 6 de maio de 2012

À procura da pepita





"Hoje é impossível fazer uma selecção musical criteriosa. Há quem perca tempos infinitos a ouvir lixo na internet, nomeadamente no myspace. De vez em quando, no meio de milhares de toneladas de lixo, surge uma pepita. Mas isso é sempre assim. Já os prospectores de ouro trabalhavam uma vida inteira para encontrar uma pepita. As rádios, mesmo antes do advento da internet, deixaram de passar música. Mesmo no meu tempo, deixaram de passar música interessante. Hoje, efectivamente tem-se um grande acesso a tudo o que se faz, mas é preciso saber à partida o que é que se quer, para onde dirigir a busca. Senão, anda-se muito tempo à procura para não se encontrar nada".
Adolfo Luxúria Canibal (líder e vocalista do grupo rock Mão Morta).

segunda-feira, 5 de março de 2012

K7: O regresso!

Já por diversas vezes escrevi no blogue sobre o saudoso formato das cassetes áudio (K7), tão em voga na década de 80 e 90. A minha colecção privada de cassetes tem o bonito número de 1000 exemplares, a esmagadora maioria, cassetes gravadas de discos de vinil, de outras cassetes e de programas radiofónicos. Todas estão devidamente etiquetadas, catalogadas e todas têm capas e informação sobre os artistas e respectivos álbuns. Agora jazem na garagem porque dificilmente as tornarei a ouvir com o advento dos ficheiros digitais de som (mp3). Ou talvez não...
Isto porque há um projecto em andamento, alimentado pela Kickstarter (uma plataforma de arrecadação de fundos voltada para projectos criativos), que trabalhou numa campanha para angariar dinheiro (25 mil de dólares) com o objectivo de realizar um documentário sobre... a cultura das cassetes. O documentário tem o pragmático título “Cassette: A Documentary”, e pretende analisar a importância que este formato popular teve na música e seu consumo. Não só no panorama de há duas ou três décadas atrás, mas também no panorama actual, uma vez que, aos poucos e à semelhança do que tem acontecido com o regresso do vinil, também tem havido um lento mas considerável regresso das cassetes.
Editoras e artistas têm começado a utilizar este objecto 'vintage' para promoção de 'mixtapes' e outro tipo de edições. Não só como atitude nostálgica, mas também por séria visão comercial da coisa. Ou seja, ao contrário do que se possa pensar, a cassete não está morta e enterrada - até porque ainda hoje é o formato mais utilizado em países mais pobres (de África e do Médio Oriente).
Os autores deste documentário são Zack Taylor e Seth Smoot, que têm feito uma pesquisa apurada sobre o papel da cassete na cultura musical contemporânea, com dezenas de entrevistas a fabricantes, músicos, editores e historiadores de todo o mundo. Esperemos pela estreia do filme para percebermos melhor a importância deste formato e da sua crescente revalidação actual.
Eis o trailer de "Cassete: A Documentary":

domingo, 20 de novembro de 2011

Toda a música dos Beatles... numa faixa


Com a tecnologia digital e de produção musical existente hoje em dia tudo é possível. Até reunir as 226 canções que os Beatles compuseram em toda a sua carreira e reuni-las numa só faixa. Para quê? Basicamente, para ouvir como soam todas essas canções misturadas ao mesmo tempo. Apesar da ideia de juntar muitas músicas numa só já não ser original, a verdade é que a iniciativa de misturar, rigorosamente, todas as músicas da banda de Liverpool deveu-se a um tal DJ Ramjac.
Ao longo dos 8 minutos que a faixa dura, conseguimos identificar diversas músicas dos Beatles, mas a partir do meio deste trabalho impressionante, a massa sonora adquire contornos totalmente indistintos e até violentos. Basicamente, aquele ruído todo é o resultado da junção das tais 226 canções dos Beatles. Certamente uma ideia que agradaria a grandes aventureiros da música contemporânea de vanguarda como John Cage ou Karlheinz Stockhausen.
E claro que o título desta experiência só podia ser um: "All Together Now" (título de uma música dos Beatles e que atribui sentido conceptual a este trabalho de DJ Ramjac).
Eis o link.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Cultura iPod


Há uns dias entrei num elevador com um jovem que ouvia música com auscultadores (leitor de mp3, iPod ou equivalente). Pelo silêncio proporcionado pelo hermetismo acústico do elevador, conseguia perceber o que o jovem ouvia. Qualquer coisa de música rock. Na mesma semana, cruzei-me na rua com um jovem que ia a ouvir música tão alta que cantava, também ele (e sem se aperceber) muito alto. Dois casos de decibéis a mais, portanto. Os dois jovens não conseguiriam ouvir um trovão a dois metros, dado o volume exagerado do que estavam ambos a ouvir.

Este episódio empírico levou-me a uma exploração bastante mais séria do assunto: estudos científicos recentes comprovam a relação entre a perda de audição progressiva (até 70%) com a utilização desproporcionada de volumes de som nos auscultadores. Os jovens (e menos jovens) só se apercebem desta perda de audição tarde demais. Cada vez mais os jovens ouvem música em todas as circunstâncias e mais alguma: na rua, a andar de bicicleta, nos consultórios médicos, nas salas de aula, na igreja, em espectáculos de música, em qualquer lugar e em qualquer momento.

Já acontecia nos tempos do "Walkman"? Talvez, mas nunca nesta dimensão massiva e com este carácter generalista. A portabilidade dos equipamentos de som (leitores cada vez mais pequenos e potentes), aliado ao inerente fenómeno de moda representado pela cultura iPod, são factores que ajudam à massificação dos leitores de mp3. Os tempos mudaram drasticamente. Já não existem grupos de jovens que se juntam no isolamento de um quarto para, em conjunto, ouvirem um disco, desfrutando do momento colectivo da descoberta musical. Muito menos existe o culto da iconografia relacionada com os suportes dos CD (capas, contracapas, conteúdo informativo...).

O que existe agora é o consumo musical cada vez mais individualista e solipsista, ao ponto de vários jovens poderem estar na mesma sala ou no mesmo café a ouvir músicas diferentes, sem comunicação ou interacção. É mais democrático e acessível, é mais fashion e mais de acordo com as regras da cultura pop, mas neste fenómeno de fruição perdem-se vivências e perde-se o prazer da partilha em comum. É certo que para cada nova geração, surgem novas fórmulas de fruição musical. Até ao dia em que essas gerações só conheçam o mundo virtual onde a desmaterialização da música impera. Para o bem e para o mal.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Headphones all the time anytime


Há uns dias entrei num elevador com um jovem que ouvia música com auscultadores (leitor de mp3). Usava uns auscultadores do tipo iPod, brancos e pequenos, ainda que agora esteja na moda os headphones grandes e vistosos (como na imagem).
Pelo silêncio proporcionado pelo isolamento acústico do elevador, eu próprio conseguia ouvir o que o jovem ouvia. Qualquer coisa de música rock. Fosse o que fosse, apercebi-me que o volume de som estava altíssimo. Decibéis a mais, portanto. O dito jovem não conseguiria ouvir um trovão a dois metros, dado o volume exagerado. Estudos científicos recorrentes comprovam a relação entre a perda de audição progressiva (até 70%) com a utilização desproporcionada de volumes de som nos auscultadores. Os jovens (e menos jovens) só se apercebem desta perda de audição tarde demais...
Perdas de audição à parte, este é um sintoma de que cada vez mais os jovens ouvem música em todas as circunstâncias e mais alguma e a qualquer hora: na rua, a andar de bicicleta, nos consultórios médicos, nas salas de aula, na igreja, em espectáculos de música, em qualquer lugar e a qualquer momento.
Os tempos mudaram drasticamente. Já não existem grupos de jovens que se juntam no isolamento de um quarto para, em conjunto, ouvirem um disco, desfrutando do momento colectivo da descoberta musical. Muito menos existe o culto da iconografia relacionada com o formato CD ou vinil (capas, contracapas, conteúdo informativo, imagens...).
O que existe agora é o consumo musical cada vez mais individualista e imediatista, ao ponto de vários jovens poderem estar na mesma sala a ouvir músicas diferentes, sem comunicação. É mais democrático e acessível, é mais fashion e mais de acordo com as regras da cultura pop, mas neste fenómeno de fruição perdem-se vivências e perde-se o prazer da partilha em comum. Para cada nova geração, novas fórmulas de fruição musical. Até ao dia em que essas gerações só conheçam o mundo virtual onde a desmaterialização da música impera. Para o bem e para o mal.

sábado, 8 de maio de 2010

Tesouros da música de vanguarda


Tal como o nome indica, "Avant Garde Project" é um projecto de divulgação da música vanguardista do século XX. Por música de vanguarda entende-se uma forma musical que rompeu convenções estéticas e inovou na linguagem artística (sobretudo depois da 2ª Guerra Mundial): electro-acústica, experimental, concreta, minimalismo, electrónica, free-style, entre outras derivações estilísticas difíceis de catalogar.
O grande contributo de "Avang Garde Project" é que permite conhecer e ter acesso a dezenas de raras composições de vanguarda da música erudita contemporânea, de compositores conhecidos como Stravinsky, Schoenberg, Bruno Maderna, John Cage, Luciano Berio, Mauricio Kagel, Pierre Henry, Xenakis, Toru Takemitsu, Harry Partch e muitos outros desconhecidos. Grande parte das gravações disponíveis de composições de referência nunca tiveram edições em CD, pelo que as obras musicais foram directamente convertidas de vinil para mp3. Os downloads são gratuitos e ilimitados.
Um verdadeiro tesouro musical a descobrir. Link.

terça-feira, 23 de março de 2010

Joy Division, 18 de Dezembro 1979

No próximo dia 18 de Maio assinalam-se 30 anos da morte de Ian Curtis, o cantor, poeta e alma atormentada dos Joy Division. Foram poucos os concertos fora de Manchester que os JD deram. Como se sabe, o grande salto para o esperado estrelato seria dado no dia 19 de Maio de 1980, quando a banda se preparava para fazer uma digressão pela América. Porem, Ian Curtis interrompeu esse sonho...
Ora, exactamente 5 meses antes do fatídico acto de Ian Curtis (18 de Dezembro de 1979), os Joy Division tocaram ao vivo em Paris. Esse registo foi gravado e agora revelado aos fãs - pelo menos eu só agora tive acesso a esta gravação (já conhecia outras ao vivo da banda, mesmo quando ainda se chamavam Warsaw). É um registo de concerto rude, cru, austero, com um alinhamento onde encontramos quase todos os grandes temas da banda de Manchester. Nalguns temas a voz de Curtis parece que se esvai e enfraquece, noutros parece que explode de raiva incontida, à beira do precipício.
Seja como for, "Les Bains Douches" é um documento precioso para fãs dos Joy Division. Descarregar aqui.

domingo, 24 de janeiro de 2010

A morte do mp3?


A forma de adquirir e ouvir música tem evoluído de modo surpreendente nos últimos 20 anos. Durante anos comprei discos em vinil. Mais tarde, gravei centenas de cassetes áudio. Depois, surgiu o CD e reformulei a minha colecção musical investindo neste formato (ainda testei o MiniDisc mas não teve grande sucesso comercial). Há uns 4 ou 5 anos a esta parte, com o advento do ficheiro de compressão mp3, quase deixei de comprar CDs e passei a ouvir música exclusivamente no formato digital.
Agora, para mal dos nossos pecados (ou não), surgiu um novo formato digital que promete esquecer e substituir o mp3. Chama-se MusicDNA e, ao que consta, trata-se de um ficheiro multimédia com mais qualidade e capacidade de armazenamento. Retomando o fio à meada: lá vou eu ter de mudar, novamente, os hábitos de aquisição e de fruição musical...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Portishead e a Amnistia

Uma boa banda, um bom tema para uma boa causa: Amnistia Internacional. Os Portishead têm um novo tema - "Chase The Tear" (belo título) - cujas receitas do download revertem a favor da organização de defesa dos Direitos Humanos. O download pode ser efectuado aqui.
E o vídeo:

sábado, 5 de dezembro de 2009

The Residents de regresso


Um novo disco dos The Residents é sempre bem-vindo. A banda anónima com mais de três décadas de existência é um dos projectos musicais pop experimentais mais arrojados e fascinantes. "The Ughs!" representa o regresso aos discos, desta vez recuperando a faceta mais experimental dos seus primeiros registos, com ruídos urbanos à mistura com suaves melodias de violinos, percussões e vozes bizarras. Aliás, bizarria artística é talvez a melhor expressão (na melhor das acepções) para caracterizar o vasto eheterodoxo trabalho destes músicos de olho e cartola.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Um Natal Groove


Eis uma proposta diferente para ouvir na quadra natalícia (e esquecer os pastelões discos desta época): "In The Christmas Groove", uma compilação com os melhores temas soul e funk da era dourada da editora Motown - os anos 60 e 70. A maior parte dos artistas são pouco conhecidos e as músicas deste discos fizeram, em tempos, parte de obscuros lados B de singles. Agora foram repescados para dar mais "groove" e "funky beat" ao Natal de todos nós. Oh yeah!

sábado, 14 de novembro de 2009

A voz de Lisa Gerrard em novo disco


"The Black Opal" é o mais recente disco a solo de Lisa Gerrard, a magnética ex-cantora dos essenciais Dead Cand Dance. Do pouco que ouvi até agora, gostei sobremaneira, mas vai exigir novas audições para formar uma opinião mais consistente.
Para ouvir excertos dos temas do álbum, aqui, para aceder ao álbum, aqui.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

"Glitter and Doom - Live" - Tom Waits


Eu cá já tenho o novíssimo disco ao vivo do mestre Tom Waits. Se o quiserem também, abram aqui e carreguem em "RS". Uma coisa garanto: daqui a uns dias o link já não funciona.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Misterioso Impossível - tesouros musicais dos anos 80


Para quem gosta de música experimental, electrónica, ambiental e industrial dos anos 80, o blogue de referência só pode ser o Misterioso Impossível. Na década de 80 ouvi muita dessa música, ou em discos, ou em cassetes gravadas por amigos com os quais trocava gravações. No blogue citado, encontram-se verdadeiras preciosidades raras de encontrar hoje em disco, que o autor do mesmo digitaliza e disponibiliza para os amantes das sonoridades mais estranhas.
Por exemplo, podemos encontrar registos que só foram editados em cassete áudio (como era prática comum numa editora independente e alternativa), não só edições de grupos marcantes do panorama internacional, como português. E quanto ao panorama nacional, destacam-se as edições de grupos experimentais como Osso Exótico, Ode Filípica, Hesskhé Yadalanah, Vítor Rua, Ik Mux, Telectu, Croniamantal, Pedro Tudela, entre outros projectos diluídos em colectâneas de editoras da altura (Tragic Figures, Ananana, Área Total, Grito Tapes, Ama Romanta, K7 Pirata...).
Por seu turno, Misterioso Impossível é também irresistível para quem gosta (ou gostava e quer agora ouvir de novo) projectos de culto (alguns passaram pelo mítico Rock Rendez-Vous) como Muslimgauze, Zone, Einstürzende Neubauten, Psychic TV, La Fura Dels Baus, Nurse With Wound, Current 93, Von Magnet, Sol Invictus, The Hafler Trio, Teste Department, Swans, Sprung Aus Den Wolken, Controlled Bleeding, Bourbonese Qualk, entre muitos outros.
Convém ainda dizer que o blogue não se limita apenas à música mais experimental da década de 80, pois a sua abrangência abarca também edições importantes dos anos 90. E ainda referir que, nos links amigos, são divulgados outros blogues que disponibilizam discos em mp3 de grupos essenciais destas duas décadas. Verdadeiro serviço público, assim como um tesouro infindável para os nostálgicos desta era musical.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A tragédia dos Echo & The Bunnymen


Pode-se dizer que os músicos da banda Echo & The Bunnymen têm um destino ironicamente trágico. Em 1989, o baterista Pete de Freitas, já com dez anos de actividade musical na banda, faleceu num brutal acidente de mota. Dez anos depois, mais precisamente na madrugada do passado dia 1 de Outubro, morreu o guitarrista e teclista dos Echo & The Bunnymen, Jake Brockman (53 anos), vítima de… acidente de mota.
Brockman entrou para a banda no preciso ano da morte de Pete de Freitas (1989), e morreu tragicamente dez anos depois devido à mesma causa. Ainda para mais nesta altura em que está prestes a ser editado o novo (11º) disco da banda de Ian McCulloch, intitulado The Fountain (é lançado comercialmente no dia 12 de Outubro mas pode ser adquirido em mp3 aqui). Presumo que, a haver mais músicos dos Echo & The Bunnymen que gostem de motas, irá agora haver muito mais precaução antes de acelerar na estrada com as duas rodas...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Bad Lieutenant - versão musical


Já havia o filme Bad Lieutenant do Abel Ferrara; depois houve o Bad Lieutenant do Werner Herzog; agora (quer dizer, só agora dei conta disso) há a banda Bad Lieutenant, fundada por um músico ex-Joy Division, Bernard Summer. O álbum de estreia é lançado no próximo dia 12 de Outubro. E esta, hã?

sábado, 3 de outubro de 2009

Celebrar a obra de João Aguardela


É a homenagem merecida - e já há muito esperada - ao malogrado músico João Aguardela, falecido em Janeiro deste ano: dia 4 de Novembro, no Grande Auditório do CCB, vai acontecer um concerto onde A Naifa, Dead Combo, O'questrada e Gaiteiros de Lisboa revisitam a obra de João Aguardela.
O concerto intitula-se Megafone 5 como forma de continuação simbólica do seu projecto pessoal Megafone (cruzava electrónica e música tradicional), que contava com 4 discos editados. Este espectáculo servirá também para anunciar o Prémio Megafone a atribuir anualmente pela Sociedade Portuguesa de Autores, a músicos ou entidades que se distingam no trabalho sobre a música tradicional portuguesa. Como complemento, vale a pena visitar o site dedicado à obra de João Aguardela, www.aguardela.com, onde se encontra um extenso trabalho biográfico e arquivos relacionados com a carreira de Aguardela (fotografias, vídeos, artigos...), assim como os quatro álbuns do seu projecto a solo Megafone disponíveis para download gratuito.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

The Feelies



É uma das reedições do ano: os dois primeiros álbuns de uma decisiva banda pós-punk americana – The Feelies. O primeiro e segundo álbum da banda, “Crazy Rhythms” de 1980 e “The Good Earth” de 1986, vão ser reeditados com som digitalmente remasterizado. Oportunidade para as novas gerações terem contacto com uma das mais originais bandas de guitarra dos anos 80, com um álbum, “Crazy Rhythm”, que influenciou grande parte da criação pop subsequente. E é incrível como, ouvindo agora o primeiro disco dos The Feelies, se nota que não perdeu um pingo de frescura e inovação.
Link.

sábado, 12 de setembro de 2009

O regresso de David Sylvian


David Sylvian, músico que foi capa de Setembro da revista Wire, tem já uma longa carreira de 30 anos, e acaba de editar o seu último disco, "Manafon", depois de "Blemish" em 2003. O ex-líder e vocalista do grupo neo-romântico Japan, é admirado pelo seu refinado estilo vocal e pela construção de melodias bem arquitectadas. "Manafon" foi gravado entre Londres, Viena e Tóquio com a ajuda de grandes nomes da música contemporânea: Fennesz, Evan Parker, Keith Rowe, Sachiko M e Otomo Yoshihide.
À primeira audição, "Manafon" é um disco que cresce aos poucos, feito de pormenores sonoros quase imperceptíveis, na esteira do experimentalismo estético dos colaboradores musicais. Um disco intimista (música de "câmara", segundo o músico), de deambulações ambientais e de total entrega emocional. "Manafon" representa uma viagem auditiva de grande sensibilidade e de contínua descoberta. E a voz de Sylvian, com o passar dos anos, continua cada vez mais expressiva e inigualável.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Os Yo La Tengo e a capa

O novo disco dos Yo La Tengo, "Popular Songs", tem uma capa, ao mesmo tempo, bela e deprimente. Bela porque, visualmente, acho-a muito bem conseguida e sugestiva. Deprimente porque me faz lembrar as minhas (quase) mil cassetes que estão arquivadas na garagem em processo de... apodrecimento. É o final inevitável da fita analógica: um dia todas as cassetes áudio irão ficar num estado de degradação como esta (ou quase). Parece-me também que esta imagem remete para uma eventual metáfora sobre o declínio do suporte físico da música.
Testemunho pessoal aqui e aqui.
PS - Não tenho nenhum disco em vinil ou em CD dos Yo La Tengo. Nem mp3. Mas tenho muitas k7 gravadas desta banda indie-rock. Que já não ouço, claro.