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quinta-feira, 25 de junho de 2015

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A minha máscara

Hoje é Carnaval e seu eu tivesse de me disfarçar de alguma coisa só podia ser de Jack Skellington (protagonista de "O Estranho Mundo de Jack" de Tim Burton).

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Música ideal para o Natal

Esqueçam o materialismo que o Natal acarreta e que a sociedade de consumo nos impinge. Por momentos, e especialmente neste dia, pensem em propagar os valores que ainda sustentam a estrutura da nossa sociedade: amizade, solidariedade, família, partilha, amor, dádiva, entrega, afecto, ternura... E pratiquem depois de escutar esta belíssima banda sonora de Danny Elfman. Porque "Eduardo Mãos de Tesoura" de Tim Burton explora todos aqueles valores e sentimentos. Logo, para mim é o melhor filme para o Natal que se possa imaginar. Mais ainda com a emotiva e inspiradora música de Elfman.
Fica a sugestão.
 

sábado, 29 de novembro de 2014

Ed Wood e Orson Welles


No sublime filme "Ed Wood" (1994) de Tim Burton, há um diálogo delicioso em que Johnny Depp na pele de Ed Wood (considerado o pior realizador do mundo) conhece uma mulher num bar que lhe pergunta:

Mulher: E senhor o que faz?
Ed Wood: Trabalho no cinema: sou realizador, actor, argumentista e produtor.
Mulher: Ora, ninguém faz isso tudo ao mesmo tempo!
Ed Wood: Oh sim, no mundo do cinema só duas pessoas o conseguem: Orson Welles e eu!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Danny Elfman ao vivo!

Vai acontecer no dia do Halloween, dia 31 de Outubro e também dia 1 de Novembro no Nokia Theatre de Los Angeles: Danny Elfman interpreta (canta) ao vivo, acompanhado de uma orquestra, a banda sonora do filme "The Nightmare Before Christmas", obra prima de Tim Burton. Já o tinha feito há precisamente um ano em Londres e agora volta a fazê-lo - segundo o próprio - pela última vez.
Meu deus... Tivesse eu dinheiro e a esta hora já teria comprado o bilhete de avião e o do respectivo espectáculo!

Ver aqui mais informação e uma breve entrevista a Danny Elfman.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

As influências artísticas no cinema

Não há artista que não sofra influências. Quem disser que não tem influências, directas ou indirectas, é um artistas intelectualmente desonesto. No cinema podem fazer-se muitas analogias mais ou menos óbvias que nos permitem afirmar que determinado realizador foi influenciado por outro determinado cineasta. É o exercício que o site Taste of Cinema fez: seleccionou 15 realizadores e indicou - explicando porquê - as respectivas influências estéticas. 
A título de exemplo: François Truffaut teve como mentor Jean Vigo; Michael Mann procura inspiração em Sam Peckinpah; ou Fritz Lang serviu como guia espiritual para Tim Burton.
Eis toda a informação neste link.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Cannes 2014


O mês de Maio aproxima-se e com ele o maior festival de cinema do mundo: Cannes
E esta edição promete ser histórica com grandes nomes da realização e da interpretação presentes.

Senão, vejamos, Cannes 2014 vai contar com novos filmes de:

- Hou Hsiao-Hsien
- Alejandro Gonzales Inarritu
- Tim Burton
- Olivier Assayas
- Wim Wenders
- Tommy Lee Jones (como realizador)
- Ryans Gosling (como realizador)
- Paul Thomas Anderson
- Terrence Malick
- Ken Loach
- Andrey Zvyagintsev
- David Cronenberg
- Mike Leigh
- Laurent Cantet
- Peter Bogdanovich
- Jean-Pierre e Luc Dardenne
- Abel Ferrara
- Nuri Bilge Ceylan
- Noah Baumbach
- ...

Impressionante, não?
Mais informação aqui.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Grandes filmes antes dos 30 anos

Neste post - bastante comentado - abordei os primeiros grandes filmes realizados por jovens cineastas. Aquelas primeiras obras fabulosas que marcaram a restante filmografia do cineasta e até da história do cinema. Mas nem todos esses realizadores eram jovens realizadores. Quantos realizadores se podem orgulhar de terem feito primeiras obras de inexcedível qualidade antes dos 30 anos de idade?

Eis quinze filmes da minha preferência pessoal no rol de cineastas que assinaram filmes superlativos até aos 30 anos de idade (ordenados por ordem crescente de preferência, título do filme, ano, realizador e respectiva idade à data da realização do filme):

15 - "As Aventuras de Pee Wee" (1985) - Tim Burton (27 anos)
14 - "Little Odessa" (1994) - James Gray (24 anos)
13 - "Paths of Glory" (1957) - Stanley Kubrick (29 anos)
12 - "American Graffiti" (1973) - George Lucas (29 anos)
11 - "Os 400 Golpes" (1959) - François Truffaut (27 anos)
10 - "Sherlock Jr." (1924) - Buster Keaton (29 anos)
9 - "Magnolia" (1999) - Paul Thomas Anderson (29 anos)
8 - "Reservoir Dogs" (1992) - Quentin Tarantino (29 anos)
7 - "Pi" (1998) - Darren Aronofsky (30 anos)
6 - "Duel" (1971) - Steven Spielberg (25 anos)
5 - "Sexo, Mentiras e Vídeo" (1989) - Steven Soderbergh (26 anos)
4 - "Magnificent Ambersons" (1942) - Orson Welles (27 anos)
3 - "Un Chien Andalou" (1929) - Luís Buñuel (29 anos)
2 - "Citizen Kane" (1941) - Orson Welles (26 anos)
1 - "O Couraçado Potemkine" (1925) - Sergei Eisenstein (27 anos)

domingo, 1 de dezembro de 2013

A melhor prenda de Natal deste ano

"The Danny Elfman & Tim Burton 25th Anniversary Music Box": edição limitada de 1000 exemplares com 16 CDs com as bandas sonoras de Danny Elfman para filmes de Tim Burton; 18 horas de música + 7 horas de música nunca antes editada (entre raridades, inéditos e novas versões); 1 livro com 250 páginas (fotografias raras, textos de Johnny Depp, ilustrações, storyboards, dezenas de testemunhos de colaboradores e artistas de Burton e Elfman...); 1 DVD com conversas entre Danny Elfman e Tim Burton; uma pen drive em forma de Skeleton; e muito mais...
Preço: 499,99 dólares.
Caro? Sim, mas vale cada cêntimo.
Melhor prenda de Natal deste ano.
Mais informação aqui.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Música de Danny Elfman ao vivo com orquestra

Tivesse eu sabido antes, tivesse eu disponibilidade e dinheiro, e a esta hora estaria em Londres para assistir a este evento único: o compositor Danny Elfman junta-se à BBC Concert Orchestra para, juntos, interpretarem os melhores temas das bandas sonoras que Elfman criou para os filmes de Tim Burton.
Mais: pela primeira vez em 18 anos, Danny Elfman, vai cantar algumas das músicas (como por exemplo de "Nightmare Before Christmas"). São quatro concertos entre 7 e 10 de Outubro, em Londres, Leeds, Glasgow e Birmingham.
E por que raios não fazem uma digressão europeia?!
Toda a informação neste link.


terça-feira, 7 de maio de 2013

A morte de Ray

Hoje morreu, aos 92 anos, um dos grandes mestres - ainda que pouco conhecido das massas - do cinema mundial: Ray Harryhausen
O chamado pai dos efeitos especiais e artista maior da animação "stop-motion" (que tanto influenciou Tim Burton), Harryhausen foi responsável por uma autêntica revolução na arte dos efeitos especiais, dando vida a esqueletos guerreiros, serpentes gigantes ou monstros imaginários em filmes dos anos 40 a 70.
Quando estive em Londres no verão passado, visitei o magnífico London Film Museum no qual estava patente uma grande ala dedicada à obra de Ray Harryhausen (que o próprio inaugurou - ver aqui). 
Nessa exposição, intitulada "Myths & Legends",  pude ver maquetas utilizadas por Harryhausen em filmes de ficção científica, fotografias de rodagem, modelos de bonecos, storyboards, técnicas de animação, etc. 
Estas são as fotografias que tirei nessa exposição temporária do museu:

sábado, 20 de abril de 2013

A loja dos suicídios



Fixem este filme: "A Pequena Loja dos Suicídios" ("Le Magasin des Suicides", 2012). 
Trata-se de um dos melhores filmes de animação que vi nos últimos anos. É a primeira experiência na animação do consagrado cineasta francês Patrice Leconte, estreou no último Festival de Cannes e irá estrear em breve em Portugal. 
"A Pequena Loja dos Suicídios" é baseado num livro homónimo do escritor francês Jean Teulé e revela-se de uma comédia musical negra sobre uma cidade tão triste, deprimida e desesperada que os cidadãos (e até os animais) se suicidam de forma quotidiana. Para tal, muito contribui uma loja que vende todo o tipo de material e instrumentos facilitadores do acto suicida (cordas para enforcamento, venenos, armas, etc). O filme está brilhantemente bem realizado, tem personagens icónicas e todo o ambiente e a história fazem lembrar o universo macabro de Tim Burton (até na referência à música de Danny Elfman, aqui da autoria do compositor francês Étienne Perruchon - ouvir aqui uma excelente canção de introdução à excêntrica família Tuvache que gere a loja dos suicídios).  
O filme destila um humor bastante negro e absurdo, mais vocacionado para os adultos do que para as crianças (a ideia de que o cinema de animação é só para público infanto-juvenil é um dogma que tem de ser desfeito). E tal como o realizador Leconte explicou numa entrevista, "A Pequena Loja dos Suicídios" é uma metáfora da sociedade actual que tem como pano de fundo a crise económica, o desespero da incerteza do futuro, a angústia existencial e a ausência de valores. Tudo isto é abordado nesta brilhante animação com inteligência e criatividade. 
A animação francesa a marcar pontos, portanto.
Eis o trailer:

domingo, 30 de dezembro de 2012

Top 2012 - Filmes

Depois do balanço dos discos do ano, os filmes. E com esta retrospectiva dou-me conta que, durante 2012,  estrearam mais filmes (de qualidade) que não vi do que aqueles que vi. 
Por exemplo, ainda não vi títulos que, porventura, poderiam constar na minha lista dos melhores do ano, tais como: "J. Edgar", "Attenberg", "Amor", "Holy Motors", "Le Havre", "César Deve Morrer", "Cloud Atlas", "O Gebo e a Sombra", "Killer Joe", "Looper", "Argo", "Ali - O Caçador", "Era Uma Vez na Anatólia", "Elena", "A Gruta dos Sonhos Perdidos", "Michael", "Enter The Void", "Mata-os Suavemente", "A Vida de Pi", "Deste Lado da Ressurreição"...
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Seja como for, os filmes que estrearam em 2012 que me deram mais prazer ver, são os seguintes:

1 - "O Cavalo de Turim" de Béla Tarr
2 - "Tabu" de Miguel Gomes
3 - "Moonrise Kingdom" de Wes Anderson
4 - "Shame" de Steve McQueen
5 - "Temos de Falar Sobre Kevin" de Lynne Ramsay
6 - "Oslo, 31 de Agosto" de Joachim Trier
7 - "A Invenção de Hugo" de Martin Scorsese
8 - "Take Shelter" de Jeff Nichols
9 - "Millennium 1 - Os Homens Que Odeiam as Mulheres" de David Fincher
10 - "4:44 Último Dia na Terra" de Abel Ferrara
11 - "Cosmopolis" de David Cronenberg
12 - "Os Descendentes" de Alexander Payne
13 - "O Miúdo da Bicicleta" dos irmãos Dardenne
14 - "Martha Marcy May Marlene" de Sean Durkin
15 - "The Grey" de John Carnahan
16 - "Cavalo de Guerra" de Steven Spielberg
17 - "Para Roma, Com Amor" de Woody Allen
18 - Frankenweenie" de Tim Burton:
19 - "Prometheus" de Ridley Scott
20 - "Amigos Improváveis" de Olivier Nakache
21 - "Albert Nobbs" de Rodrigo Garcia
22 - "A Minha Semana Com Marilyn" de Simon Curtis

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"Temos de Falar Sobre Kevin":






















"Take Shelter":















"O Cavalo de Turim":

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Filmes de Natal (ou talvez não)

Do que falamos quando falamos de "filmes de Natal"? Filmes cujas histórias decorrem no Natal? Filmes que fazem uma alusão breve ao chamado espírito natalício? Ambas as coisas?
Classificações à parte, creio que não é difícil encontrar bons filmes que abordem os sentimentos habituais associados à quadra natalícia: o amor, a concórdia, a solidariedade, a esperança, a paz, a espiritualidade.
Eis alguns exemplos:

"Eduardo Mãos de Tesoura" (1990) de Tim Burton - uma belíssima história que preenche todos os requisitos do sentimento natalício mais genuíno. E belíssima é a música de Danny Elfman com as imagens da neve a cair ao som das tesouradas de Eduardo...

"It's a Wonderful Life" (1946) de Frank Capra - inesquecível clássico de Frank Capra sobre um homem que recupera o sentido da vida na noite de Natal.

"Milagre da Rua 34" (1947) de George Seaton - apesar das diversas versões para cinema e televisão, este é o filme original e verdadeiro. A relação de uma menina que não acredita no Pai Natal e o Pai Natal que diz que é o verdadeiro... Pai Natal.

"The Muppet Christmas Carol" (1992) de Brian Henson - o primeiro filme dos Marretas feito após a morte do seu criador, Jim Henson. Talvez não tenha sido por acaso que resultou neste divertido e ternurento filme de Natal (a partir do conto "A Christmas Carol").

"Nightmare Before Christmas" (1993) de Tim Burton - Um filme que tanto é sobre o Natal como sobre o Halloween. O meu preferido de todos, com a magia da animação, a comovente história de tolerância e a estonteante música de Danny Elfman.

"The Grinch" (2000) de Ron Howard - um remake de um filme clássico sobre Grinch, o monstro (adorável) que quer roubar o Natal às criancinhas. Divertido e didáctico.
"Bad Santa" (2003) de Terry Zwigoff - Se há um Pai Natal, também há um Anti-Pai Natal, encarnado com irrefutável cinismo e perversão por Billy Bob Thornton.

"Eyes Wide Shut" (1999) de Stanley Kubrick - Não é um filme de Natal, é o reverso do filme de Natal. Não esqueçamos que toda a história do filme de Kubrick se desenrola no período natalício. O lado negro, obsessivo e maníaco das emoções humanas... em época natalícia.

"Umberto D" (1952) de Vittorio De Sica - Não se passa sequer na época natalícia. Mas apela, profundamente, aos mais essenciais sentimentos emanados pelo espírito natalício. A comovente história de um velho reformado que vive sozinho e desamparado com o seu adorado cão. Não é no Natal que se deve apelar à solidariedade, não esquecendo os idosos? Então este é o filme certo para tal.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Música para cinema - uma abordagem




O cinema existe desde 28 de Dezembro de 1895, data em que as experiências incipientes dos irmãos Auguste e Louis Lumière, com o “cinematógrafo”, espantaram o público burguês do Grand Café de Paris. Os inventores do cinema lançaram as bases desta emergente linguagem artística com filmagens de um minuto, nas quais mostravam a vida quotidiana de cidadãos comuns.
Apesar do sucesso popular imediato daquelas sessões de projecção cinematográfica (por onde passou o escritor Eça de Queiroz), os irmãos Lumière não auguravam futuro para o cinema. Felizmente que outro francês, George Méliès (realizador do célebre filme “Viagem à Lua”, considerada a primeira ficção do cinema), não pensava da mesma forma e desenvolveu, sobremaneira, a linguagem cinematográfica, ainda que muito ligada à estética teatral. Depois, outros notáveis realizadores se encarregariam de desenvolver a linguagem do cinema de distintas formas.
O que é certo é que durante os primeiros 30 anos da sua história, o cinema foi mudo, mas não totalmente silencioso. Significa isto que o som estava ausente das imagens, apenas havendo um ou outro acompanhamento de piano ou de uma pequena orquestra durante a exibição pública, geralmente tocado por detrás da tela de projecção. Algumas ténues experiências foram feitas na conjugação som-imagem, nomeadamente, na utilização que alguns realizadores fizeram utilizando a música de compositores clássicos, como Saint-Saëns, Pizzetti ou Satie. Curiosamente, outros grandes compositores como Stravinsky, Bartók, Ravel ou Schoenberg, que se aventuraram na criação de música para filmes, manifestaram-se ineptos criadores de bandas sonoras para cinema. Daí que a relação entre o cinema e a música seja uma relação artística complexa e problemática, uma vez que se reveste de múltiplas facetas e visões distintas, levantando determinadas questões pertinentes que praticamente se mantêm vivas até hoje: será a música para cinema meramente ilustrativa? Os compositores para cinema são compositores de primeira ou de segunda? A banda sonora para filme é um género à parte da restante produção musical? Um filme fica mais rico se tiver sempre uma partitura original (como nos filmes Spielberg) ou bandas sonoras adaptadas (como nos filmes de Kubrick)?

Nos primórdios, por impossibilidade técnica, o filme era desprovido de som (banda sonora ou diálogos), e os realizadores e espectadores pouco se importavam com isso. A interpretação dos actores era mais física e expressiva, uma vez que o som dos diálogos era inexistente. Dava-se relevo às imagens e suas múltiplas formas expressivas. Quando o sonoro surgiu, no filme “The Jazz Singer” (1927, com o actor Al Jonhson a imitar um cantor de jazz negro), houve alguma resistência por parte de grandes vultos do cinema à novidade técnica do som. O próprio Charlie Chaplin chegou a dizer que o som iria “matar o cinema”. E Greta Garbo foi das poucas actrizes que se conseguiu afirmar no período sonoro com a mesma veemência com que o tinha feito no mudo. A revolução do sonoro tinha começado. Apesar da ausência de som e de música, este foi um período extremamente criativo no que se refere à consolidação da linguagem artística do cinema, enquanto forma estética (montagem, realização, fotografia, cenários) e objecto semiótico (narrativo, ficcional, documental).

Determinados filmes foram efectivamente silenciosos durante décadas. Chaplin musicou, ele próprio, os filmes “Luzes da Cidade” (1931) e “Tempos Modernos” (1936) apenas durante a década de 60.
Buñuel fez o mesmo com a obra-prima “Un Chien Andalou” (1929), à qual adicionou a banda sonora (tango argentino) 35 anos depois da estreia. Ou seja, os realizadores de cinema cedo se aperceberam da grande importância que a música detinha como complemento das imagens. Por isso Eisenstein trabalhou logo em 1938 com o compositor Sergei Prokofiev, que compôs a banda sonora épica do filme “Alexander Nevsky”, num exemplo acabado da perfeita sincronia criativa entre imagem e som. Os sons (no sentido da sonorização da narrativa) e a banda sonora (a música propriamente dita com funcionalidade dramática) desempenham um motor emocional próprio no espectador, desencadeando reacções que não seriam possíveis caso não houvesse essa componente sonora.

Durante o período áureo da indústria de Hollywood - dos anos 40 a 60 do Século XX – revelaram-se grandes compositores para cinema: Bernard Herrmann. Elmer Bernstein, Nino Rota, Ennio Morricone, Henri Mancini, Alfred Newman entre muitos outros. Hoje qualquer cinéfilo identifica a ligação estética entre determinados cineastas e músicos: David Cronenberg e a música de Howard Shore, Sergio Leone e a música de Ennio Morricone, Steven Spielberg e a música de John Williams, Hitchcock e a música de Bernard Herrmann, Tim Burton e a música de Danny Elfman, Peter Greenaway e a música de Michael Nyman, etc. Durante os últimos anos, uma das estratégias de reabilitação do cinema mudo tem sido conseguido com o fenómeno dos cine-concertos (ou filmes-concertos).

Isto é, filmes que são acompanhados com música original interpretada ao vivo e em tempo real da projecção. Há inclusive compositores e grupos musicais que se dedicam exclusivamente à criação de bandas sonoras para filmes mudos. Projectos de diversas proveniências estéticas e nacionalidades têm criado música original para filmes imortais do período mudo: Art Zoyd, Pet Shop Boys, Cinematic Orchestra, Alloy Orchestra, Clã, Mário Laginha, Nuno Rebelo, etc.
No fundo, novos campos de experiências estéticas se abriram com a confluência dos filmes com os concertos ao vivo.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Tim Burton - uma questão de DVDs

O jornal Público irá lançar, entre o dia 22 de Maio e o dia 10 de Julho, a Colecção Tim Burton, composta por oito filmes da autoria do realizador. "Eduardo Mãos de Tesoura", "Sweeney Todd – O Terrível Barbeiro de Fleet Street", "Charlie e a Fábrica de Chocolate", "A Lenda do Caveleiro sem Cabeça", "O Grande Peixe", "A Noiva Cadáver", "Marte Ataca" e "Planeta dos Macacos" são as obras escolhidas para distribuir às terças-feiras, ao preço de 5,95€. É bom que haja, de quando em vez, edições deste género para o grande público que não costuma comprar DVD. Porque, a bem dizer, não faz grande diferença para quem é cinéfilo e tem por hábito adquirir, ao longo dos anos, filmes em DVD como um verdadeiro coleccionador.
E para ser rigoroso, a minha opinião é que faltam quatro filmes esenciais da filmografia de Tim Burton nesta colecção (alguns nunca tiveram edição nacional): "Ed Wood", "Batman", "O Estranho Mundo de Jack" e "Pee Wee's Big Adventure". E dispensavam-se os DVD de "Planeta dos Macacos" e "A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça", que considero títulos menores de Burton. Mas claro, esta é a minha opinião (como diria Herman José - "pode haver outras"). 

domingo, 13 de maio de 2012

Michelle Pfeiffer

Michelle Pfeiffer já foi uma das mais talentosas, sensuais e belas actrizes dos últimos 30 anos. Filmes como "Scarface - A Força do Poder" (1983) de Brian De Palma, "Ligações Perigosas" (1988) de Stephen Frears, "Os Fabulosos Irmãos Baker" (1989) de Steven Kloves (na imagem), "A Casa da Rússia" (1990) de Fred Schepisi, "Batman Regressa" (1992) de Tim Burton, "A idade da Inocência" (1993) de Martin Scorsese, elevaram Michelle Pfeiffer a um panteão raramente alcançado.
Três vezes nomeada ao Óscar de Melhor Actriz, nunca ganhou, mas não é por isso que a sua carreira foi beliscada. É verdade que, se os anos 80 e 90, foram proveitosos para Michelle, o mesmo já não se poderá dizer da primeira década de 2000, na qual não teve nenhum papel absolutamente relevante como nos filmes citados. Pfeiffer regressa agora, aos 53 anos, num filme de grande projecção, novamente às ordens de Tim Burton - "Dark Shadows". Ainda não vi o filme, mas a fazer fé em críticas que já li, parece que a actriz se revela uma pálida imagem do que já foi. A ser verdade, é pena que assim seja, mas todos os cinéfilos sabem bem quão difícil é a para a geração de actrizes de Michele Pfeiffer (50 anos) conseguirem bons papéis em bons filmes.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sabemos que no mundo do cinema muitos projectos mudam de mãos. Nesta perspectiva, eis alguns filmes clássicos que quase foram parar a outros realizadores:

- "Breakfast at Tiffany's" de Blake Edwards, quase realizado por John Frankenheimer
- "Harry Potter e a Pedra Filosofal" de Chris Columbus, quase realizado por Steven Spielberg.
- "O Padrinho" de Francis Coppola, quase realizado por Sergio Leone.
- "Tubarão" de Steven Spielberg, quase realizado por Dick Richards.
- "Dune" de David Lynch, quase realizado por Alejandro Jodorowsky.
- "O Exorcista" de William Friedkin, quase realizado por Peter Bogdanovich.
- "Alien" de Ridley Scott, quase realizado por Roger Corman.
- "A Face Oculta" de Marlon Brando, quase realizado por Stanley Kubrick.
- "Jurassic Park" de Steven Spielberg, quase realizado por Tim Burton.
- "Total Recall" de Paul Verhoeven, quase realizado por David Cronenberg.

terça-feira, 13 de março de 2012

Danny Elfman: três apontamentos


Apontamento 1: Fui confirmar se o compositor Danny Elfman, colaborador de longa data do realizador Tim Burton, vai continuar a compor bandas sonoras para o criador de "Eduardo Mãos de Tesoura". Resposta: sim, e este ano de 2012 vamos poder assistir a duas obras criadas em parceria. Isto porque Tim Burton vai estrear dois filmes durante este anos: já em Maio lança o filme "Dark Shadow" e em Outubro, "Frankenweenie". Ambos, claro está, com banda sonora de Danny Elfman.

Apontamento 2: Entretanto, a propósito de Danny Elfman, soube também que ele colaborou, em 2007, com a banda de rock Avenged Sevenfold. Aliás, basta ouvir o tema "A Little Piece of Heaven" para perceber que a orquestração é criação tipicamente danny 'elfmaniana'.

Apontamento 3: Danny Elfman vai fazer a música original para um filme de fantasia intitulado "Oz: The Great and Powerful", com realização de Sam Raimi (com quem já colaborou por diversas vezes). Irá estrear apenas em 2013 e será uma prequela do clássico "The Wizard of Oz".