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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O estilo visual de cada cineasta

Eis uma reportagem bem interessante do site informativo O Observador: o realizador coreano Kogonada resolveu facilitar a vida a todos os cinéfilos do mundo e fez uma série de vídeos que ajudam a entender o principal traço visual que caracteriza o trabalho de alguns dos principais realizadores da história. 
Nascido em Seul, Kogonada é conhecido por seus vídeo-ensaios sobre cinema para a Internet e colabora para a revista Sight & Sound. A sua página do Vimeo contém os seus melhores vídeos, muitos deles escolhidos como destaque pela equipa do site.

Basicamente, em vídeo de um ou dois minutos, Kogonada revela, numa cuidada montagem, um determinado estilo visual de um realizador. Assim, o realizador mostra e prova que:

- Stanley Kubrick trabalha as perspectivas de ponto de fuga (centro).
- Wes Anderson tem uma especial fixação pela simetria do ecrã e pelos planos de cima.
- Quantin Tarantino recorre muitas vezes aos planos contra-picados.
- Robert Bresson denota uma obsessão em filmar mãos (que se tocam... ou não).
- Terrence Malick aborda a dicotomia entre o fogo e a água.
- Yasujiro Ozu filma com a câmara estática corredores ao fundo.
- Darren Aronofsky tem um cuidado minucioso com os sons de cada objecto e situação (ver vídeo em baixo).

Em suma, um exercício bem interessante para quaisquer cinéfilos.

Para ver os restantes exemplos em vídeo, ir aqui.

sábado, 14 de dezembro de 2013

"Cinemateca" de Pedro Mexia

Novo livro do poeta, tradutor, ensaísta, jornalista e ex-Director da Cinemateca Portuguesa, Pedro Mexia. "Cinemateca" são 200 páginas cheias de amor pelo cinema. Uma escrita sóbria e compenetrada, de alguém que é fascinado pelo cinema e que ama sobretudo os clássicos. 
Livro de crónicas curtas e concisas, Pedro Mexia escreve sobre dezenas de filmes de quase todas as épocas (de 1940 à actualidade) e de cinematografias muito variadas (Preminger, Hitchcock, Bresson, Buñuel, Rohmer, Antonioni, Hartley, Wenders, Godard, etc), fazendo uma interpretação muito pessoal de cada obra.
Muito recomendável, portanto.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Rancière sobre Béla Tarr

Jacques Rancière é um filósofo e ensaísta francês muito cotado nos meios académicos europeus. O meu interesse neste autor deve-se ao facto de Rancière vocacionar parte do seu pensamento e reflexão para o cinema de autor. 
A editora Orfeu Negro já editou dois interessantes livros deste escritor: "O Espectador Emancipado" (2010) e "O Destino das Imagens" (2011). O filósofo tem também um texto no livro "Cem Mil Cigarros" sobre o cineasta português Pedro Costa. 
A visão de Rancière sobre o cinema é uma visão multidisciplinar e marcada pela análise estética e  filosófica dos signos e simbolismos das imagens de realizadores como Tarkovski, Hitchcock, Bresson ou Oliveira. Explora de igual modo a teoria da comunicação e as artes visuais contemporâneas. 
Já sabia há uns meses que Jacques Rancière tinha editado um livro em França sobre o cinema do húngaro Béla Tarr. 
Na altura enviei um mail à editora Orfeu Negro perguntando se estaria prevista uma tradução portuguesa. Responderam positivamente. Eis, pois, a prova: vai ser lançado no mercado nacional dentro de dias a obra "Béla Tarr: O Tempo do Depois" de Rancière.
A comprar definitivamente. 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O que diz Tarkovski #5

"Sempre me surpreendi com o cinema de Robert Bresson: a sua concentração é extraordinária. Nada de casual jamais conseguiu insinuar-se na sua relação ascética dos meios de expressão. Bresson nunca poderia fazer um filme "às pressas". Ele é sério, profundo e nobre, é um daqueles mestres para quem cada filme se transforma num facto da sua existência espiritual. E só é levado a realizar um filme quando estiver nos limites de um estado interior de profunda inquietação."

segunda-feira, 20 de maio de 2013

(Última) Nota de Bresson #30

"Duas espécies de filmes: os que empregam os meios do teatro (actores, encenação, etc) e se servem da câmara para 'reproduzir'; e aqueles que utilizam os meios cinematográficos e se servem da câmara para 'criar'.

quarta-feira, 20 de março de 2013

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Notas de Bresson #27

"Dir-se-ia que há duas verdades: uma insípida, chata, aborrecida, pelo menos aos olhos de quem a pinta como falsa, e outra..."

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Rancière sobre Béla Tarr

Eis um livro que estou para comprar há algum tempo mas nunca me dispus a isso (está disponível na Amazon e Fnac francesas). "Béla Tarr, Le Temps D'Après" é um pequeno livro na forma (88 páginas) mas certamente grande em conteúdo, escrito por um dos mais interessantes filósofos e ensaístas franceses dos últimos anos: Jacques Rancière
Recorde-se que Rancière tem reflectido muito sobre cinema clássico e contemporâneo de autor e tem publicados três livros no mercado português (editora Orfeu Negro): "O Espectador Emancipado", "O Destino das Imagens" e "Os Intervalos do Cinema". Três títulos que abordam as obras de cineasta como Hitchcock, Bresson, Godard, Tarkovski, Vertov, Straub ou Pedro Costa, intercalando-as com as correntes teóricas da comunicação e da filosofia de Deleuze, Adorno e Lyotard.
Ora, em "Béla Tarr, Le Temps D'Aprés", Jacques Rancière explora as dimensões estéticas e artísticas que o cinema do realizador húngaro levanta, fazendo um percurso pela sua obra integral (de 1984 a 2011). Eis uma conferência proferida por Rancière na Cinemateca Suíça a propósito do cinema de Béla Tarr.
Pensando bem, irei aguardar que a Orfeu Negro traduza e edite este livro para Portugal...
































sábado, 22 de dezembro de 2012

Notas de Bresson #25

"O teu filme deve parecer-se com o que vês de olhos fechados - deves ser capaz a cada instante de o ver e ouvir inteiramente".

domingo, 2 de dezembro de 2012

Notas de Bresson #24

"Cinema, rádio, televisão e revistas são uma escola de desatenção: olhamos sem ver, ouvimos sem escutar."

sábado, 17 de novembro de 2012

domingo, 7 de outubro de 2012

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Notas de Bresson #20

"Uma imagem e um som não devem auxiliar-se, mas trabalhar cada um por sua vez, como se fossem estafetas".

domingo, 29 de julho de 2012

terça-feira, 10 de julho de 2012

sábado, 16 de junho de 2012

Notas de Bresson #17

"Noventa por cento dos nossos movimentos obedecem ao hábito e ao automatismo. É anti-natura subordiná-los à vontade e ao pensamento."

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Notas de Bresson #16

"A beleza de um filme não está nas imagens (quais cartões postais) mas no inefável que delas se desprenda."