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terça-feira, 27 de maio de 2014

O melhor cantor de sempre

Se alguém perguntar qual é o "maior cantor de sempre" baseado na elasticidade vocal, qual seria a resposta? Há dias circulou uma resposta possível: Axl Rose (Guns N' Roses), mas a verdade científica é outra: com base na capacidade vocal ("vocal range") conhecida dos cantores, o site UltimateGuitar.com elaborou uma lista dos melhores cantores no que à extensão vocal se refere. E no primeiro lugar está Mike Patton, vocalista extremamente versátil de bandas como Faith No More, Mr. Bungle, Tomahawk ou Mondo Cane - na imagem). Patton tem uma impressionante extensão vocal de 6 oitavas. Logo a seguir vem uma diva negra, Diamanda Galás com uma voz operática e só na quarta posição surge Axl Rose. 
 E cantores como Prince, Tom Waits, Jim Morrison, Nick Cave, entre dezenas de outros? Para saber tudo, clicar aqui.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Uma big band em estado de ebulição

Esta é bem capaz de ser uma das mais delirantes big bands que alguma vez pisou a face da terra.
Chama-se Flat Earth Society, existe desde 1999, são (geralmente) 22 músicos de formações distintas liderados pelo clarinetista Peter Vermeersche. O projecto é originário da Bélgica.
Misturam músicas num caldeirão onde cabe: Frank Zappa, John Zorn, Mike Patton, Duke Ellington, Sun Ra, Henry Mancini, Carl Stalling (compositor de cartoons), Ennio Morricone, Louis Armstrong, jazz, blues, rock, experimental, e o mais que se queira imaginar. O resultado musical é uma orquestra em completa ebulição criativa, em estado de delírio frenético e constante. São todos instrumentistas com elevada técnica mas também com elevada capacidade criativa. Há também um lado fortemente cinematográfico na sua música.
Diversão e profundidade são duas das muitas nuances da big band, que de big band convencional pouco tem. Lançaram em 2013 o último álbum (altamente recomendável) chamado "13" e foi para mim um dos discos do ano.
Diz quem já viu ao vivo os Flat Earth Society que são uma experiência irrepetível, excitante e surpreendente. Acredito. E eu acreditarei na Virgem Maria quando ler a notícia que esta tresloucada e original orquestra vem tocar um dia em solo português.
PS - Em Portugal temos uma big banda muito equivalente: LUME - Lisbon Underground Music Ensemble.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Top 2012 - Os discos

Mais um ano terminado, mais um inevitável balanço.
Musicalmente, sei que não ouvi muitos discos que poderiam estar neste lote dos "melhores". Ainda assim, estes são os discos que mais gostei de ouvir durante o ano que agora finda:
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1 - Swans: "The Seer"
2 - Moon Duo: "Circles"
3 - Death Grips: "No Love Deep Web"
4 - Sleigh Bells: "Reign of Terror"
5 - Om: "Advaitic Songs"
6 - John Zorn: “The Concealed”
7 - Matt Elliott: “The Broken Man”
8 - John Zorn & Mike Patton: “Templars: In Sacred Blood”
9 - Dead Can Dance: "Anastasis"
10 - Godspeed You Black Emperor: “Allelujah! Don’t Bend! Ascend!”
11 - Felix Kubin: "TXRF"
12 - Tom Zé: "Tropicália Lixo"
13 - Barry Adamson: "I Will Set You Free"
14 - Bill Fay: "Life is People"
15 - Tame Impala: "Lonerism"
16 - Liars: "WIXIW"
17 - Actress: “RIP”
18 - Grimes: "Visions"
19 - Gonjasufi: "MU.ZZ.LE"
20 - Philip Glass: “Rework”
21 - Spiritualized: “Sweet Heart Sweet Light”
22 - Japandroids: "Celebration Rock"
23 - Mouse on Mars: "Parastrophics"
24 - Four Tet: "Pink"
25 - Grizzly Bear: "Shields"

Discos portugueses: o único disco verdadeiramente original que ouvi em 2012:  O Experimentar N’a M’Incomoda: “2 – Sagrado e Profano”
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Swans:

domingo, 22 de julho de 2012

Zorn & Patton

O regresso em grande em disco de dois dos mais interessantes músicos contemporâneos: John Zorn e Mike Patton. O álbum foi recentemente editado e dá pelo título "Templars: In Sacred Blood" (editado pela editora Tzadik de Zorn). A música deste álbum é permanentemente desafiadora: mistura pop, rock, jazz, étnica e prog-rock. Os músicos são de excepção: Joey Baron na bateria, Trevor Dunn no baixo, John Medeski no órgão Hammon, e Mike Patton na voz.

PS - Gosto quando os meus posts provocam reacções opostas: 2 "Interessante", 1 "Fantástico" e 2 "Desinteressante". Haja pluralidade de opinião!

domingo, 18 de março de 2012

Do jazz à música de circo


Segundo a página da Wikipedia dedicada ao grupo Mr. Bungle, as influências que a banda de Mike Patton assumiu durante a sua carreira (1985 - 2000) são as seguintes: funk, free jazz, surf rock, punk, heavy metal, klezmer, ska, kecak, avant-jazz, folk, noise rock, pop, doo-wop, funk metal, electronica, swing, space age pop and exotica, death metal, rockabilly, bossa nova, progressive rock, country & western, circus music, video game and cartoon music.
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Sim, pode parecer exagero, mas a verdade é que o eclectismo musical e a diversidade estética explorados pelos Mr.Bungle reflectiu todas estas (e porventura outras) referências musicais. Aliás, como bem se percebe ouvindo esta obra-prima musical chamada "Ars Moriendi" (do Álbum "California" de 1999):

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Estradasphere

Para quem não conheça os Estradasphere, talvez seja uma boa ajuda falar nos Mr. Bungle ou nos Secret Chiefs 3. Isto porque estes três projectos se inserem naquela lógica caleidoscópica de juntar, num mesmo caldeirão musical, múltiplas abordagens estilísticas que podem ir da música árabe ao rock mais extremo. O resultado, já se sabe, pode ter tanto de estimulante quanto de redundante. Tudo depende da forma como os músicos trabalham e misturam essas diferentes fontes sonoras, de molde a criar um todo artístico coerente.
Ora, os Estradasphere conseguem elevar essa estética simbiótica a um patamar realmente excitante para os nossos sentidos. Pegam em estilos como a música tradicional da Grécia, dos Balcãs, o surf rock, o funk, o death metal, a electrónica, o rock de garagem, o easy listening e, no final, misturam tudo com base num delirante imaginário que bebe tanto das extravagâncias de Frank Zappa como das alucinações criativas de Mike Patton. É por isso que o álbum “Quadropus” (2003) continua a ser um trabalho de absoluta referência, esteticamente demolidor e altamente surpreendente.
Para ouvidos especialmente inquietos:

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Fui ver o filme "Super 8" e fiquei surpreendido com duas situações: a história decorre em 1979 mas, a determinada altura, ouve-se de fundo a música "Easy" dos Faith No More (quando o pai e filho estão a comer num bar). Nada seria estranho caso esta canção não fosse datada do ano de... 1992. É verdade que "Easy" é um tema original dos Commodores (banda soul de Lionel Ritchie dos anos 70, mas garanto que a versão que ouvi é a dos Faith No More - conheço bem a voz do Mike Patton).
Outra coisa que me deixou na dúvida: na sequência da estação de serviço vê-se um jovem a ouvir música num aparelho portátil Walkman da Sony. Fiquei a pensar se já existiria no mercado estes populares headphones da marca nipónica. Fui verificar e, de facto, o ano de início de comercialização do célebre Walkman foi mesmo em 1979. Nesta aspecto os produtores do filme estavam atentos, coisa que não se aplica à inexplicável inclusão de uma música que foi editada 13 anos depois da data em que a história do filme decorre.
Quanto ao filme propriamente dito, gostei sem me entusiasmar: é um bom entretenimento de Verão e percebe-se que J.J. Abrams assimilou toda a boa filmografia de aventura e ficção científica dos anos 80, cujo principal legado foi deixado por Steven Spielberg.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

LUME - Big Band do século XXI


Há fenómenos que não compreendo: um dos mais originais discos de música portuguesa editados (no final) de 2010 praticamente passou despercebido na imprensa: LUME - Lisbon Underground Music Ensemble, liderado pelo compositor, director de orquestra, pianista e manipulador de electrónica Marco Barroso.
Há pelo menos dois anos que esta singular orquestra de jazz (com 15 músicos oriundos de várias experiências) andava a dar nas vistas com concertos em sítios muito específicos. Agora, com o primeiro disco de estreia, o LUME impõe-se como uma big band de jazz do século XXI. Uma big band que mistura, num caldeirão explosivo, o jazz de Duke Ellington, Albert Ayler, John Zorn, o rock tresmalhado de Frank Zappa, Residents, Mr. Bungle, Tortoise, a electroacústica experimental de Charles Ives e Ligeti, a música para cinema de Ennio Morricone ou Henry Mancini e a música erudita contemporânea de Stravinsky ou Messiaen. A tudo isto há ainda a juntar a electrónica com utilização de samples de filmes e excertos de músicas rock.
O resultado musical é um fervilhar impressionante de ideias por segundo, num ritmo swing trepidante (a fazer lembrar, por vezes, Naked City de Zorn) conduzido por uma excepcional secção de sopros. Lá fora há algumas orquestras de jazz que pisam território estético semelhante ao LUME (como a Viena Art Orchestra ou os Flat Earth Society) mas eu arrisco afirmar, sem pudor, que a música de Marco Barroso é muito mais criativa e desafiadora. Esta orquestra, prova, igualmente, a grande qualidade técnica dos instrumentistas portugueses que em nada ficam a dever às grandes referências internacionais.
O crítico de música e ensaísta Rui Eduardo Paes refere que estamos perante um "disco pós-moderno". Isto porque rompe fronteiras estilísticas, subverte linguagens e mistura, com elevado bom gosto, estéticas aparentemente antagónicas, resultando num todo orgânico. Um projecto de uma riqueza musical rara no nosso país. Desejo ardentemente que o trabalho do LUME seja reconhecido em Portugal e, também, no estrangeiro.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Que grande ano musical...

Que grande ano musical seria 2011 se forem editados novos discos de John Cale, Pascal Comelade, Public Enemy, Sonic Youth, Tom Waits, Aphex Twin, Leonard Cohen, Fantômas, Mr. Bungle, Jon Spencer Blues Explosion, Spiritualized, Squarepusher, Amon Tobin, Anoushka Shankar, Elvis Costello, Diamanda Galás, Kimmo Pohjonen, Leila, Man Man, Robert Wyatt, Michael Nyman, Tinariwen, TV on the Radio, Beirut, Camille, Animal Collective, Six Organs of Admittance, David Byrne, Arvo Part, Philip Glass, Neurosis, Jarboe, The Fall, Underworld, Nine inch Nails, Matmos, Herbert, John Zorn, Scott Walker, Dan Deacon, Gang Gang Dance, Santogold, Fleet Foxes, Queens of the Stone Age, Stereolab, Nico Muhly, Danny Elfman ou Bjork.
Era bom, não?

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

The Art of Noise


Silêncio. Ruído. Na actual sociedade prevalece o ruído, já o sabemos. Não há praticamente lugar nenhum no qual consigamos sentir o silêncio. Ruído, música, sons da natureza e do meio ambiente, perfazem o registo auditivo do nosso quotidiano. E quem foi o primeiro a reconhecer que o ruído era um elemento essencial da sociedade industrial do século XX?
Um italiano, futurista e contemporâneo de Marinetti, escritor e poeta, principal impulsionador do Futurismo. Chamava-se Luigi Russolo e lançou as bases, em 1913, para a música industrial dos anos 70 e 80 (aquela que recorre ao ruído na sua estrutura musical). Essas bases teóricas estão compiladas num manifesto (em livro, edição espanhola) chamado "El Arte de los Ruidos" ("A Arte dos Ruídos").
Neste verdadeiro manifesto artístico, Russolo refere que até ao Século XIX e ao advento da Sociedade Industrial, o ruído não fazia parte da sociedade. A partir do início do Século XX, o ruído começou a ser parte integrante do quotidiano, com as fábricas, os meios de transporte e outras diversas máquinas. Então, o pintor e compositor italiano achava que se deveria incluir esses ruídos e sons (tidos como não-musicais) na linguagem musical convencional. Que era o mesmo que dizer, romper com as próprias convenções.
Para tal, Russolo inventou um conjunto de máquinas e instrumentos de fazer ruído, a que deu o nome de Intonarumori (existe um projecto norte-americano de música experimental com esta designação).
Em 1914, o primeiro concerto futurista de 18 destes instrumentos (nas imagem), provocou um enorme escândalo em Milão (quase tão grande quanto a estreia da obra "A Sagração da Primavera" de Stravinsky em Paris, um ano antes, a qual marcou o início do modernismo na música do século XX).

E, a partir desse momento, uma revolução estética foi gerada: durante o resto do século XX, o ruído foi utilizado como elemento musical em muitos géneros e compositores, levando a vasta discussão e teorização sobre a importância do ruído na música, na arte e na vida (vide John Cage).
E eis um vídeo curioso no qual o músico Mike Patton experimenta as sonoridades específicas de máquinas sonoras reconstruídas por Luciano Chessa (2009).

segunda-feira, 22 de março de 2010

Mike Patton de regresso!


Fiquei a saber através da página de fãs do Facebook do Mike Patton, que o músico dos Faith No More - mas também dos Tomahawk, Fantômas ou Mr. Bungle... - vai lançar no dia 4 de Maio o disco "Mondo Cane" (pela habitual Ipecac Recordings), um projecto híbrido rock orquestrado à mistura com canções italianas pop e românticas das décadas de 50 e 60.
Gravado numa série de concertos europeus, incluindo um concerto ao ar livre numa praça no norte da Itália, o álbum auto-intitulado revela as tais músicas pop italianas bem como uma releitura de “Deep Down” de Ennio Morricone (desde sempre uma referência para Patton). Mike Patton trabalhou com uma orquestra de trinta instrumentos e um coro para criar a sonoridade única de Mondo Cane (nome retirado do controverso filme italiano homónimo de 1962 realizador por Paolo Cavara). Um projecto que foge à habitual experimentação rock do músico, mas que nem por isso deixa de ser interessante.
O engraçado é que eu já falei deste projecto há um ano e meio, aqui, desejando que fosse editado o disco do espectáculo, o que vai acabar por acontecer.
Capa do disco:

domingo, 17 de janeiro de 2010

Um "Godfather" explosivo

Eis uma versão neurótica (mas muito criativa) do grupo Fantômas (de Mike Patton) inserida no magnífico álbum “The Director’s Cut” (2001), dedicado a versões de músicas de filmes. O que os Fantômas fazem é recriar o mítico tema (de Nino Rota) da saga de Francis Ford Coppola e contrabalançar o lado violento com o lado lírico e poético da trilogia.
Pegando nesta versão, um tal Tony Santiago resolveu fazer uma montagem caseira fazendo coincidir a sequência das imagens com os expressivos contorcionismos da música.
O resultado é, literalmente, explosivo:

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Mike Patton e a música para filmes


Não sei se o filme vale de alguma coisa ou não (as crónicas são pouco abonatórias): "Crank: High Voltage", realizado por um tal Mark Neveldine (pelo trailer parece-me um filme de acção algo desmiolado). O que sei é que quero vê-lo o quanto antes porque tem a banda sonora de Mike Patton (Fantômas, Mr. Bungle, Faith No More, Tomahawk, Peeping Tom...). Depois de ter feito a música para o filme "A Perfect Place", comentado aqui, Patton regressa à experiência criativa que sempre o fascinou: a música original para cinema. O seu universo estético retorcido (no bom sentido) reflecte-se no trabalho realizado para "Crank: High Voltage": cruzamento de ambientes sonoros antagónicos, abordagem pouco ortodoxa de estilos musicais, influências assumidas de Ennio Morricone e Nino Rota com heavy metal, electrónica e experimentalimos vários.
Os 32 temas da banda sonora podem ouvir-se no Youtube.
Grande e imparável Mike.

domingo, 9 de agosto de 2009

Mike Patton - a propósito dos Faith No More


Ao fazer zapping na televisão apanhei, na SIC Radical, o início do concerto dos Faith No More no festival Sudoeste. Por questões contratuais, só foi possível assistir a três temas em directo, mas foram suficientes para comprovar a boa forma da banda e, especialmente, do vocalista Mike Patton. Os músicos entraram em palco vestidos com fato e gravata cor de salmão e, para espanto de todos, Patton surgiu de bengala. Talvez representasse uma mordaz crítica às vozes que questionaram o regresso da banda após mais de dez anos de inactividade. A presença em palco de Patton, o seu carisma e, principalmente, a sua extraordinária capacidade vocal, provam que os Faith No More têm ainda muito a dar ao panorama rock internacional.
Os Faith No More não estão velhos, e muito menos o multifacetado e genial Mike Patton, considerado por muita gente (eu incluído) o mais versátil e original cantor/músico de rock da última década (pelo menos). Devo dizer que, dos muitos projectos em que esteve envolvido Mike Patton ao longo da sua carreira, o que menos me interessou foram, precisamente, os Faith No More. Não era tanto por se tratar de uma banda com maior sucesso comercial, que influenciou o movimento grunge. Apenas porque, musicalmente, nunca me interessaram tanto como as outras bandas que liderou, os Mr. Bungle e os Fantômas, verdadeiros projectos de vanguarda onde Mike Patton explorou todos (?) os limites da sua criatividade.
No dia 21 de Maio de 2004 tive a oportunidade e o privilégio de conhecer pessoalmente o músico e cantor, num (grande) concerto dos Fantômas na Aula Magna, em Lisboa. Foi o próprio Mike Patton que me convidou pessoalmente a fazer a primeira parte desse concerto. A impressão com que fiquei do Mike é que se trata de uma pessoa extremamente afável e humilde, características que me habituei a associar a artistas de grande talento. Sem tiques de vedetismo, sem maneirismos de estrela rock, sem pose altiva e hermética (pelo contrário, é um excelente conversador e possui um surpreendente sentido de humor).
Artisticamente, Mike Patton é uma das figuras musicais que mais admiro e uma das minhas referências absolutas dos últimos dez anos (um músico que gosta de estilhaçar convenções e que procura a inovação estética). Não tanto com os Faith No More. Muito mais com as superbandas Fantômas, Mr. Bungle, Tomahawk e com muitas outras colaborações/projectos musicais com outros músicos de muitas proveniências estéticas. Um músico que gosta tanto de rock hardcore como de canção tradicional italiana dos anos 50; de bandas sonoras de "western spaghetti" como de electrónica mais experimental; de hip-hop como de improvisação noise. Patton já experimentou estes e outros terrenos fusionistas, (quase) sempre com resultados fantásticos. Por isso Mike Patton é único.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Um concerto associado a um filme



Recebi um mail a promover um concerto dos Wraygunn na Aula Magna, em Lisboa, no dia 31 de Janeiro, que finaliza assim: “Um concerto dos Wraygunn é como assistir a “Lost Highway”, de David Lynch. É um murro no estômago. Um turbilhão de adrenalina e energia”. Não deixa de ser curiosa esta analogia entre um concerto de música e um filme. Aliás, que me lembre, é mesmo a primeira vez que vejo uma comparação deste teor no âmbito da divulgação formal de um espectáculo musical. E com tamanha veemência - o filme de Lynch é um murro no estômago, a música dos Wraygunn também. No entanto, esta associação pode revelar-se tão profícua para a banda quanto contraproducente. Basta que alguém não morra de amores pelos delírios visuais do realizador para, à partida, ser um potencial detractor do grupo de Paulo Furtado.
Seguindo a mesma lógica de relações, que filme seria indicado para promover um concerto do Leonard Cohen? E dos Massive Attack? E dos Tindersticks? E de Mike Patton? E de Anthony Braxton? E dos Dead Can Dance? Bem, se calhar, com um bocadinho de esforço e de imaginação, nem se tornará muito difícil atribuir um filme para cada um destes artistas...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O som da LUME Big Band


O compositor e músico Marco Barroso venceu recentemente o "Prémio Jovem Autor" atribuído pela SPA e Milleniumbcp. É o reconhecimento artístico de um jovem músico com visão e que gosta de arriscar num panorama musical português geralmente amorfo. Marco Barroso juntou 15 músicos com formação jazzística e formou uma Big Band, a que chamou LUME - Lisbon Underground Music Ensemble. Esta é a primeira big band genuinamente portuguesa a tocar temas originais de um compositor português com referências estéticas que vão muito para lá do jazz. E só isso já seria de louvar. Mas Marco Barroso não se limita a gerir as expectativas, visto que a sua música não se confina aos estereótipos habituais em big bands. Basta constar as múltiplas e diversificadas influências musicais do compositor para perceber que prefere a heterodoxia estética do que a formatação habitual do jazz (como referiu nesta entrevista): Carla Bley, John Zorn, Fred Frith, Mike Patton, Dave Douglas, Evan parker, Stravinski, Ligeti, Residents, Mr. Bungle, Frank Zappa, rock experimental, música erudita contemporânea, etc.
Ou seja, o projecto LUME Big Band assume-se como um colectivo de músicos liderado por um pianista e compositor que absoveu as coordenadas mais diversas para criar a sua própria música. Lisbon Underground Music Ensemble situa-se, a espaços, no mesmo terreno de experimentação da Flat Earth Society, a big band norte-americana (cujos discos são editados pela editora de Mike Patton) capaz de saltar, com a mesma naturalidade, do swing para o noise rock. Marco Barroso ainda não chegou tão longe nessa via de experimentação, mas gosta de apelidar a sua música como "free-style", ancorada num cruzamento híbrido entre o jazz, o rock, e a música erudita contemporânea. Uma proposta original e contemporânea que pode agitar as águas da música portuguesa.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008