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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O belo grotesco de Olaf



Erwin Olaf é um fotógrafo, designer, artista e realizador holandês. Tem sido granjeado com inúmeros prémios internacionais e os seus trabalhos objecto de aclamadas exposições nas melhores galerias de arte do mundo.
Fez também trabalhos para diversas marcas de publicidade, como a Levi's, Diesel ou a Nokia, e design de moda. O seu universo criativo parece, a espaços, ter conexões estéticas com Mathew Barney (autor da série "Cremaster" e famoso também por ser marido de Björk). Erwin Olaf tem um espantoso portefólio fotográfico, com imagens altamente encenadas e estilizadas, a meio caminho entre o grotesco felliliano e a ironia surrealista, entre a beleza clássica e a perversidade gráfica, entre a sensualidade e a violência. Belas mulheres, sangue, mutilações, serenidade e inquietação são os vários elementos que fazem parte do imaginário de Erwin Olaf.
Aconselho vivamente a exploração do seu site (um primor de design gráfico e funcionalidade), no qual se podem apreciar em alta resolução e ao detalhe, as diversas séries de fotografias (pode-se fazer zoom in sobre elas!), pequenos excertos de filmes, entre muita informação sobre o seu incrível trabalho.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Sound & Vision e Sound Art


Dois livros, duas obras fascinantes para compreender toda a complexidade do fenómeno musical contemporâneo, sobretudo ligado às vanguardas estéticas. São livros editados no mercado internacional (na Fnac só por importação) e estão disponíveis através de venda directa na Amazon inglesa.
"Sound & Vision", escrito a meias pelos italianos Luca Beatrice e Alberto Campo, renova a análise às tendências actuais da cultura audiovisual, fazendo o cruzamento entre as artes visuais e as manifestações sonoras (o livro tanto aborda Keith Haring como Mathew Barney, Chris Cunningham - a imagem da capa é retirada do videocplip "Come to Daddy" -, Aphex Twin ou Björk.
Quanto ao segundo livro, com o sugestivo título "Sound Art - Beyond Music, Between Categories", do músico e escritor Alan Licht, propõe uma séria e aprofundada reflexão sobre o som enquanto arte, numa perspectiva histórica evolutiva. Partindo do Futurismo de Marinetti e Russolo, até ao minimalismo de LaMonte Young, às diabruras noise da No-Wave, dos Sonic Youth ou ao malabarismo de discos de Christian Marclay, "Sound Art" é um livro essencial para os melómanos e curiosos na história das artes audiovisuais do Século XX e XXI. Além disso, esta obra conta ainda com um prefácio do músico Jim O'Rourke. Dois livros que se complementam para um melhor entendimento das estéticas e tendências artísticas audiovisuais contemporâneas.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Björk - para um Tibete livre


É o tema mais abrasivo e industrial do álbum "Volta" de Björk. Os sons dos samples arranham ferozmente ao ritmo de uma batida marcial e de um discurso claramente politizado. É uma música que tem servido de arma de arremesso político nos concertos que a cantora islandesa tem dado um pouco por todo o lado. Tudo em favor de um Tibete livre. A canção chama-se, sem rodeios, "Declare Independence". Na altura da edição do disco "Volta", as autoridades chinesas lançaram um comunicado afirmando que, por causa desta ousadia, Björk não voltaria a colocar os pés na China. Pouco importou à cantora, que continuou a pedir, em todo o mundo, o regresso da liberdade ao martirizado povo tibetano.
"Declare Independece" é, pois, uma contundente declaração de independência, em forma de luta musical. Neste concerto, Björk faz-se acompanhar por um grupo de jovens cantores e instrumentistas vestidos com as cores da bandeira do Tibete e o espectáculo visual é deveras magnífico (com o público a ajudar levantando as bandeiras sempre que se ouve a ordem "Raise Your Flag!").
Esta actuação faz parte de uma edição limitada (2 CD + 2 DVD) intitulada "Voltaic", que irá ser colocada à venda no dia 30 de Junho.
Declare independence!
Don't let them do that to you!
Declare independence!
Don't let them do that to you!

Start your own currency!
Make your own stamp
Protect your language
Make your own flag!

Raise your flag!
Damn colonists

Ignore their patronizing
Tear off their blindfolds

Declare independence!
Don't let them do that to you!
Declare independence!
Don't let them do that to you!

Raise the flag!
Open their eyes

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Este hype é justificado


Geralmente não costumo embalar nos hypes. Ou seja, desconfio sempre à partida dos fenómenos de bajulação crítica repentinamente excessiva face a um determinado objecto artístico. De um momento para o outro, os jornalistas culturais gostam de dar um destaque desmesurado a um músico, a um escritor ou a um realizador como a “next big thing”, a “revelação do ano”, e outros títulos sonantes. O último fenómeno jornalístico aconteceu no suplemento Ípsilon da semana passada, com o enorme destaque crítico dado ao grupo Micachu & The Shapes. Um grupo do qual nunca tinha ouvido falar, mas que o jornalista Mário Lopes resolveu classificar como a grande revelação da música pop actual e um dos candidatos a melhor disco do ano. É legítimo um crítico musical entusiasmar-se perante um objecto estético e ver nele uma lufada artística regeneradora no panorama musical contemporâneo (que bem precisa de abanões e subversões). Mas como disse no início, desconfio sempre destes entusiasmos desmesurados, porque já tive várias desilusões depois de conhecer as propostas.

A verdade é que desta vez não fui defraudado com as expectativas elevadas do jornalista Mário Lopes (até porque este projecto foi bastante elogiado por Björk e produzido por esse grande senhor da música electrónica que é Mathew Herbert): já ouvi o disco de estreia dos Micachu & The Shapes, “Jewellery” e, de facto, corresponde a essas altas expectativas. Não é uma revolução estética nem uma ruptura musical inovadora. Não é uma obra de arte insuperável. Mas “Jewellery” é um fabuloso disco de canções inclassificáveis feitas com uma sensibilidade rara para uma jovem com 21 anos – a idade de Micachu (Mica Levi, na verdade, figura do meio da foto), líder e vocalista do grupo.
Música de recorte experimental, ao mesmo tempo lúdica e séria, e que foge do formato canção convencional como do diabo da cruz - ruídos de máquinas, guitarras assanhadas, ritmos minimais, vocalizações bizarras. Há muita criatividade na cabeça dos Micachu & The Shapes, muitas ideias que só foram concretizadas porque são miúdos que absorveram o melhor da história musical das últimas décadas e tiveram uma formação musical vanguardista - a personaldiade musical que Micachu mais admira é o compositor e escultor sonoro Harry Partch. E está tudo dito: o hype justifica-se.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Einstein da música?


Nico Muhly soma e segue. E de que maneira. Falei dele em Agosto do outro ano neste tópico. Um (miúdo) músico de 26 anos que já tem uma carreira musical invejável mas que ainda tem muito para dar no futuro. De tal forma que a imprensa internacional o designa como "Einstein da música". Certamente uma afirmação ousada e excessiva, mas que só o tempo poderá, ou não, dar razão. Depois de ter trabalho com Philip Glass na banda sonora do filme "As Horas", Nico Muhly não mais parou. Com um pé na música erudita contemporânea e outro na pop electrónica mais sofisticada, Muhly editou dois discos notáveis que lhe valeram reconhecimento internacional, colaborou com Björk, Grizzly Bear, Antony and the Johnsons, e arrisca-se a que a sua mais recente composição original seja candidata ao Óscar de melhor banda sonora (com o filme "The Reader" de Stephen Daldry).
Como se não fosse suficiente volume de trabalho e de mediatismo para um jovem de 26 anos, Nico Muhly foi convidado pela Ópera Metropolitana de Nova Iorque para compor uma ópera, o New York City Ballet utilizou a sua música para um bailado e o museu Guggenheim encomendou-lhe uma criação musical original. Quem lida com Nico Muhly garante espantar-se com a sua versatilidade criativa e com a sua hiperactividade. Muhly, que continua a manter uma postura de miúdo irreverente, não se preocupa com o mediatismo gerado à sua volta. Apenas a música se revela o centro da sua atenção.
Apesar do inegável talento do músico e compositor, veremos se, quando chegar aos 30 anos, ainda se falará do "Einstein da música" ou se, pelo contrário, poucos se lembrarão dele (estou mais propenso a prever um meio termo).

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Hector Zazou



Há um nome comum a todos estes músicos: Suzanne Vega, Björk, John Cale, Värttina, Laurie Anderson, Robert Fripp, Jane Birkin, Lisa Germano, David Sylvian, Carlos Nuñez, Ryuichi Sakamoto. Esse nome comum é Hector Zazou, compositor francês que colaborou com todos estes (e outros) grandes nomes da música contemporânea ao longo de uma profícua carreira de mais de 30 anos.

Infelizmente, Hector Zazou faleceu esta manhã num hospital francês, vítima de doença que começou a sofrer apenas em Janeiro último. Tinha 60 anos. Foi uma das figuras mais singulares da música dos últimos 30 anos - um dos músicos mais criativos na exploração da fusão do ambientalismo neo-clássico com sonoridades electrónicas, étnicas e pop. De resto, Zazou foi o músico mais importante de uma das editoras europeias mais emblemáticas, a belga Crammed Discs. Na década de 80, Zazou editou 10 discos por esta editora - o último dos quais está previsto ser lançado ainda este mês.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Nico Muhly - um talento afirmado


O rapaz da fotografia tem cara de um jovem saído da adolescência, igual a tantos outros. Na verdade já tem 27 anos e, apesar da cara de miúdo, é actualmente um compositor prestigiado e reconhecido. É americano, chama-se Nico Muhly e teve formação musical clássica. Com pouco mais de 20 anos colaborou já com nomes sonantes como Philip Glass (enquanto orquestrador e organista) e com Björk. Compôs inúmeras peças eruditas (para orquestra e coro, sobretudo) e é tido como um excelente intérprete de reportório renascentista e clássico. É especialista em música renascentista, medieval e coral, mas isso não o impede de abraçar experiências contemporâneas, nomeadamente, com música pop e de cariz mais experimental. Mistura referências eruditas com elementos da linguagem pop, compõe tanto para cravo, banjo, percussão, piano, como para cordas, coro e samples electrónicos. Ou seja, um compositor que escapa a convenções e classificações, o que é um excelente e saudável sintoma de inconformismo artístico.
Pela precocidade artística e pelo talento insólito revelado, Nico Muhly tem sido alvo de todas as atenções por parte da comunicação social especializada - dos jornais mais circunspectos à vanguardista revista Wire. E compreende-se porquê. Editou há poucas semanas o seu segundo disco a solo, intitulado "Mothertongue" (imagem à direita), um disco que é uma fascinante viagem ao imaginário musical ecléctico de Nico Muhly. Podemos escutar jogos vocais em espiral (influência óbvia das peças vocais de Philip Glass), composições electro-acústicas de fino recorte musical, grande variedade de paleta tímbrica e instrumental, aproximações difusas ao formato de canção pop - mas sempre com um inebriante rasgo de inovação formal (seja pela orquestração ou pelos arranjos). Nico Muhly, apesar da sua juventude, está claramente a marcar pontos no panorama da música contemporânea, situando-se num território estético marcado pela fusão e simbiose de referências estilísticas.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Retrato do artista quando jovem - 3


Marilyn Manson

Glenn Gould

Kurt Cobain

Truman Capote

Vincent Van Gogh

Björk

Sid Vicious

Peter Gabriel

Franz Kafka

Serge Gainsbourg

Danny Elfman

Leonard Bernstein

Scarlett Johansson

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Matthew Barney


Matthew Barney tem sido um dos mais destacados e intrigantes artistas contemporâneos. Pintor, escultor, fotógrafo, performer, realizador. A sua obra interpela os sentidos, balanceando a sensibilidade delicodoce com a sensibilidade grotesca. Desde 1995 que se tornou conhecido com a série "Cremaster" (parou no volume 5 em 2002), uma espécie de fusão entre cinema experimental, performance, música e pintura. "Cremaster" é uma obra visualmente poderosa, surreal, simbólica, lúgubre e provocadora. Junta ópera, multimédia, música, teatro, performance, poesia, num trabalho de minúcia, de questionamento das linguagens estéticas convencionais. Uma obra conceptual que foi alvo dos mais rasgados elogios como das mais violentas críticas (apenas visionei dois filmes da série, pelo que não poderei dar uma opinião definitiva sobre o conjunto da obra "Cremaster").
Em 2006 consegue nova atenção dos media quando se junta à cantora (e companheira) Björk para a realização da obra "Drawing Restraint 9". Ben Lewis, um cineasta que se tem dedicado à realização de documentários sobre jovens artistas contemporâneos, realizou um trabalho sobre Matthew Barney. Em "Art Safari - Matthew Barney" (2005), Ben Lewis foi à procura do significado e do mistério à volta da série "Cremaster". O documentário pode ser visto no incontornável portal Ubuweb.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O cantor de barbas brancas

Robert Wyatt é um extraordinário songwriter inglês que fez parte dos lendários Soft Machine, banda fulgurante do rock psicadélico e progressivo dos anos 60 e 70. Um fatal acidente em 1973 confinou-o para sempre a uma cadeira de rodas (ficou paraplégico). Não foi por causa disso que deixou de fazer música, lançando-se numa irregular mas muito fértil carreira a solo. Ao longo dos anos trabalhou com Henry Cow, David Gilmour, Elvis Costello, Marc Ribot, Björk ou Carla Bley, e alguns dos seus discos são verdadeiras pérolas como "Old Rottenhat" (1985), "Dondestan" (1998), "Cuckoland" (2003). Tal como o seu mais recente trabalho, "Comicopera", editado em finais de 2007. Na altura em que saiu ouvi-o apenas uma vez e não me despertou particular interesse. Achei até estranho que tivesse sido escolhido, por muita imprensa especializada (portuguesa e estrangeira), como um dos melhores discos editados em 2007.
Passado quase um ano, voltei a ouvir "Comicopera" e percebi que na primeira audição tinha subvalorizado, enormemente, o trabalho de Wyatt. Com colaborações de Phil Manzarena (Roxy Music), Paul Weller e do grande Brian Eno, "Comicopera" contém algumas das mais inspiradas canções do músico de Bristol. Notáveis canções cantadas em várias línguas (inglês, italiano, espanhol) no seu registo vocal inconfundível (e tecnicamente impressionante - a sua tessitura vocal atinge 5 a 6 oitavas). Dividido em três partes, o cantor de longas barbas fez em "Comicopera" um magnífico trabalho de cozedura sonora, com melodias de puro encantamento (vide "Just As You Are" ou "Del Mundo") e estruturas instrumentais de grande rigor estrutural. Sem dúvida um grande disco de 2007, de 2008 e de qualquer ano.

sábado, 31 de maio de 2008

Camille - voz e muito talento


Uma extraordinária revelação.
Esqueçam Björk e o álbum "Medulla". Camille, nome singelo de uma cantora francesa que faz da voz o seu instrumento, ao qual junta beatbox, percussão corporal, melodias pop e muita criatividade à mistura, vai mais longe que a cantora islandesa. Admito que a não conhecia. Li hoje um inflamado artigo de página inteira no Expresso e tive de procurar toda a informação disponível. O entusiasmo compreende-se. Camille não se restringe às regras da canção pop, é uma inventora de soluções sonoras (tem um tema, "Cats and Dogs", que é um prodígio musical com vozes desses animais feitas com recursos vocais humanos), faz com a voz um trabalho similar ao do francês Bernard Massuir ou do americano Bobby McFerrin (já se encontra mais distante do experimentalismo de uma Meredith Monk). O álbum "Music Hole" (título que brinca com a expressão "music hall"), o seu terceiro trabalho recentemente editado, é um sério candidato a disco mais surpreendente do ano e está repleto de pérolas como esta música:
Para quem não ficou convencido, pode sempre ouvir este outro excelente tema.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Erwin Olaf - o belo grotesco


Erwin Olaf é um fotógrafo, designer, artista e realizador holandês. Tem sido granjeado com inúmeros prémios internacionais e os seus trabalhos objecto de aclamadas exposições nas melhores galerias de arte do mundo. Fez também diversos trabalhos para diversas marcas de publicidade, como a Levi's, Diesel ou a Nokia, e design de moda. O seu universo criativo parece, a espaços, ter conexões estéticas com Mathew Barney (autor da série "Cremaster" e famoso por ser marido de Björk). Erwin Olaf tem um espantoso portefólio fotográfico, com imagens altamente encenadas, a meio caminho entre o grotesco felliliano e a ironia surrealista, entre a beleza clássica e a violência gráfica. Aconselho vivamente a exploraração do seu site (um primor de design gráfico e funcionalidade), no qual se podem apreciar em alta resolução e ao detalhe, as diversas séries de fotografias (pode-se fazer zoom in sobre elas!), pequenos excertos de filmes, entre muita informação sobre o seu incrível trabalho. Ver aqui.

quinta-feira, 13 de março de 2008

A declaração de independência de Björk

É o tema mais abrasivo e industrial do álbum "Volta" de Björk e serviu de arma de arremesso político num concerto que a artista deu em Xangai. Refiro-me ao tema "Declare Independence", que a cantora interpretou refirindo-se à causa do Tibete livre. As autoridades chinesas não tardaram a lançar um comunicado que a autora desta ousadia não voltaria a colocar os pés na China. Um acto de bravura e de chamada de atenção para a opinião pública mundial acerca da situação de ocupação do Tibete pela China. Já que os políticos não têm iniciativa...

quinta-feira, 6 de março de 2008

Amor biotecnológico

A música é “All is Full of Love” de Björk. A realização do videoclip é do visionário Chris Cunningham (apenas um dos mais inovadores realizadores de videoclips da última década). As imagens são perfeitas, a forma como o tecnológico se funde com o orgânico, a forma como os dois andróides revelam a paixão e entrelaçam os corpos artificiais. O elemento humano em simbiose com o tecnológico. A utopia consumada da cultura cibernética e da literatura de Ficção Científica.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Sound & Vision, Sound Art

Dois livros, duas obras fascinantes para compreender toda a complexidade do fenómeno musical contemporâneo. São livros editados muito recentemente (há poucos meses) no mercado internacional (na Fnac só por importação) e estão disponíveis através de venda directa na Amazon inglesa. "Sound & Vision", escrito a meias pelos italianos Luca Beatrice e Alberto Campo, renova a análise às tendências actuais da cultura audiovisual, fazendo o cruzamento entre as artes visuais e as manifestações sonoras (o livro tanto aborda Keith Haring como Mathew Barney, Chris Cunningham - a imagem da capa é retirada do videocplip "Come to Daddy" -, Aphex Twin ou Björk. Quanto ao segundo livro, com o sugestivo título "Sound Art - Beyond Music, Between Categories", do músico e escritor Alan Licht, propõe uma séria e aprofundada reflexão sobre o som enquanto arte, numa perspectiva histórica evolutiva. Partindo do Futurismo de Marinetti e Russolo, até ao minimalismo de LaMonte Young, às diabruras noise dos Sonic Youth ou ao malabarismo de discos de Christian Marclay, "Sound Art" é um livro essencial para os melómanos e curiosos na história das artes audiovisuais do Século XX e XXI. Além disso, esta obra conta ainda com um prefácio do músico Jim O'Rourke. Dois livros que se complementam para um melhor entendimento das estéticas e tendências artísticas audiovisuais contemporâneas.

sábado, 24 de novembro de 2007

Chris Cunningham - o videoclip como arte



Na história recente da cultura do videoclip (antigamente desingado teledisco), há cinco ou seis grandes realizadores que deixaram marca autoral: David Fincher (agora realizador de cinema), os conhecidos Spike Jonze e Michel Gondry, Floria Sigismondi (autora do célebre "The Beautiful People" de Marilyn Manson, entre outros), Jonathan Glazer (realizou em 2004 o interessante "Birth" com Nicole Kidman) e Chris Cunningham.

Este último é, para O Homem que Sabia Demasiado, o maior de todos, ainda que a sua produção seja, porventura, menor em quantidade relativamente aos restantes realizadores. Realizou spots publicitários (Playstation, por exmeplo), videoclips para artistas pop mainstream - Madonna e Björk e para seminais projectos da electrónica experimental - Autechre, Aphex Twin, Squarepusher (da editora Warp Records). Para a cultura do audiovisual da década de 90 ficará para sempre esse impressioante documento que é "Come to Daddy" (1997) de Aphex Twin, verdadeiro compêndio simbiótico de negritude estética, cibernética alienada, música libertária e imagens em erupção catatónica. Aprendeu com o mestre: Stanley Kubrick, com quem trabalhou um ano para o projecto nunca concluído "I.A." (posteriormente realizado por Spielberg).

Em 2005, Cunningham realiza uma espécie de sequela de "Come to Daddy", onde um corpo mutante e disforme (reminiscências das mutações genéticas de David Lynch e David Cronenberg) chamada "Rubber Johnny" dança, de forma aterradora, uma polirrítimca música de... Aphex Twin. Já não é propriamente um videoclip com a estrutura convencional, é antes um formato mais ambicioso, próximo da curta-metragem de ficção. E é outro legado insusbtituível da cultura das imagens para a primeira década deste novo milénio.

Last but not least: Chris Cunningham prepara, já há algum tempo, a adaptação para cinema do célebre livro da cultura cibernética "Neuromancer" do guro tecnológico William Gibson. Aguarda-se nada menos do que uma bomba.