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quarta-feira, 20 de maio de 2015
segunda-feira, 23 de março de 2015
Cartaz repetitivo
Os cartazes do festival de Cannes tem sido nos últimos anos minimalistas: nome do festival, ano de edição e uma fotografia icónica da história do cinema (actores ou actrizes). Ora, se há uns anos esta linguagem visual funcionava pela simplicidade e simbolismo, ao fim deste tempo tornou-se repetitiva e previsível.
Este é o cartaz oficial da edição deste ano. Desta vez com o rosto de Ingrid Bergman. É um cartaz pouco ambicioso e nada imaginativo. A fórmula está gasta e um festival da importância e dimensão do de Cannes merecia um trabalho gráfico mais original.
sábado, 10 de maio de 2014
O regresso em grande dos Swans
Maquinal e tribal; arrebatadora e intempestiva; obsessiva e impactante. Eis alguns dos adjectivos para descrever a música dos Swans. Banda veterana liderada pelo carismático Michael Gira.
Depois de um estonteante álbum editado em 2012 - "The Seer" - os Swans regressam à carga com um novo e duplo álbum, "To Be Kind" (candidato a disco do ano), do qual faz parte este hipnótico e frenético "Oxigen":
Para ouvir em streaming o álbum na íntegra abrir aqui.
Entretanto, a grande notícia é o regresso dos Swans a Portugal (depois de terem actuado há um ano no Festival Primavera Sound). Será no dia 4 de Outubro no Hard Club do Porto, no âmbito do festival Amplifest.
Eis o que diz o (elucidativo) press release:
Seja pelas marchas lentas, bárbaras e sufocantes dos seus primórdios industriais, pelo opressivo folk-rock dos discos da década de noventa ou pelas esmagadoras orquestrações dos trabalhos posteriores à reactivação da banda em 2010, não há como negar que os Swans são uma entidade sem paralelo na história da música. Capitaneados pela mente intempestiva de Michael Gira, que em palco conduz a banda como um maestro possuído por uma energia superior e desconhecida, e com o novo disco To Be Kind ainda a ferver-lhes nas mãos, os Swans soltarão a sua majestosa força sobre o palco do Amplifest. Um concerto dos Swans assemelha-se a uma centena de comboios desgovernados a atravessar-nos o corpo num êxtase latejante – e em Outubro o Hard Club será a estação de partida.
sábado, 28 de dezembro de 2013
O erotismo de "A Vida de Adèle"
O filme "A Vida de Adèle" de Abdellatif Kechiche, vencedor da Palma de Ouro no último festival de Cannes, não é, quanto a mim, a obra-prima que muitos apregoam. É claramente um dos dez filmes do ano, mas não percebo onde o realizador revela genialidade tamanha para ter impressionado tanta gente. Julgo que tem uma duração excessiva (3 horas) que prejudica a desarmante linearidade da narrativa, mas tem duas belas interpretações numa - a espaços - pungente história de amor e sexo entre dois seres humanos que desabrocham para os prazeres carnais e emocionais de uma relação.
As duas actrizes que dão corpo (literalmente) a esta história, Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux, queixaram-se da dureza das filmagens e de uma alegada postura depravada do realizador em querer o máximo de realismo possível. Houve cenas que foram repetidas mais de cem vezes e as actrizes eram obrigadas a improvisar e a envolverem-se ao máximo nas cenas de sexo.
A atracção erótica é filmada de forma sensual e despojada, mas uma coisa que me surpreendeu foi o facto das actrizes terem usado uma espécie de prótese vaginal que impedia, no momento sexual mais íntimo, de um contacto físico e erótico directo. Ora, se assim foi, não se percebe o elevado grau de realismo que Kechiche exigia às actrizes: se queria total realismo e entrega física, tal deveria ter sido abertamente assumido sem recurso a próteses de plástico que evitaram, precisamente, o envolvimento real e o contacto físico entre os dois corpos.
A atracção erótica é filmada de forma sensual e despojada, mas uma coisa que me surpreendeu foi o facto das actrizes terem usado uma espécie de prótese vaginal que impedia, no momento sexual mais íntimo, de um contacto físico e erótico directo. Ora, se assim foi, não se percebe o elevado grau de realismo que Kechiche exigia às actrizes: se queria total realismo e entrega física, tal deveria ter sido abertamente assumido sem recurso a próteses de plástico que evitaram, precisamente, o envolvimento real e o contacto físico entre os dois corpos.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Cinecoa - a celebração do cinema
A terceira edição do Festival Internacional de Cinema de Vila Nova de Foz Côa - Cinecoa - está prestes a ter início. Desta vez, os grandes destaques são uma retrospectiva cinematográfica e fotográfica do realizador espanhol Luis Buñuel, do cinema do canadiano Denis Côté, a estreia da nova curta-metragem de Teresa Villaverde e vários cine-concertos que irão decorrer entre Setembro e Outubro.
Nesta edição, a festa do Cinecoa não se vai cingir apenas a Vila Nova de Foz Côa, mas também vai estender-se a Lisboa, Porto e Peso da Régua.
Sem dúvida que se trata de um festival de cinema diferente (apesar de ter uma dimensão mais pequena), que propõe a reflexão sobre a arte do cinema através de um conjunto diversificado e rico de actividades.
Para consultar a programação e toda a informação, ver aqui.sábado, 3 de agosto de 2013
"Cargo" - Exemplar curta-metragem
É uma das melhores curtas-metragens que vi recentemente. E é a prova de que a qualidade de um filme não se mede pela sua duração. Estes 7 minutos de cinema são bem melhores do que muitas longas-metragens de duas horas (há um comentário no Youtube que diz que estes 7 minutos são melhores do que a segunda e terceira temporada da série "Walking Dead". E eu estou tentado a concordar). E prova outra coisa: que ter uma ideia criativa (leia-se: argumento) é uma condição suficiente para desenvolver um filme com alma e arrojo.
Falo de "Cargo", curta que tem dado muito que falar e que já conta com mais de 3 milhões de visualizações no Youtube e foi finalista este ano do maior festival do mundo de curtas-metragens, o australiano Tropfest.
Basicamente, o triunfo desta curta é a forma original como aborda o universo dos zombies, tema tão banal e explorado nos últimos tempos. O filme retrata o início de um apocalipse zombie quando, após um acidente de carro, um homem encontra a mulher zombie, enquanto a sua filha bebé ainda está viva. O problema é que ele também foi mordido e tem que correr contra o tempo para que ele mesmo não seja uma ameaça para a própria filha. Não é um filme de terror, nem um thriller, não tem violência gráfica, é antes um filme com um pendor poético e emocional sobre o amor de um pai por uma filha. Um filme sobre o instinto de sobrevivência e de defesa pelos que mais amamos.
Realizado pelos jovens Ben Howling (também realizador de videoclips) e por Yolanda Ramke (actriz que faz de zombie), "Cargo" é uma obra que se desenrola sem diálogos, apenas a narrativa visual se impõe como motor da história. Sim, porque em apenas 7 minutos de filme há uma história com princípio, meio e fim. E é uma história bem filmada e interpretações (sobretudo do pai) deveras convincentes.
Agora falta esperar por uma longa-metragem de Ben Howling para confirmar este talento emergente do cinema.
Agora falta esperar por uma longa-metragem de Ben Howling para confirmar este talento emergente do cinema.
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Site do realizador.Filme completo:
terça-feira, 23 de julho de 2013
"Os Gigantes" - ver e ouvir
Há descobertas assim: ao acaso.
Numa simples deambulação pela internet cinéfila, descobri a existência de um filme que nem de nome conhecia: "Les Géants" ("Os Gigantes"). É de 2011 e realizado pelo actor, argumentista e realizador belga (é a sua terceira longa-metragem) Bouli Lanners. As críticas que li são excelentes e o filme ganhou o Prémio da Quinzena dos Realizadores do festival de Cannes 2011. É a história de dois irmãos (13 e 15 anos) que passam as férias num bosque à beira rio. Conhecem um terceiro rapaz e aí começa uma amizade inesperada...
Numa simples deambulação pela internet cinéfila, descobri a existência de um filme que nem de nome conhecia: "Les Géants" ("Os Gigantes"). É de 2011 e realizado pelo actor, argumentista e realizador belga (é a sua terceira longa-metragem) Bouli Lanners. As críticas que li são excelentes e o filme ganhou o Prémio da Quinzena dos Realizadores do festival de Cannes 2011. É a história de dois irmãos (13 e 15 anos) que passam as férias num bosque à beira rio. Conhecem um terceiro rapaz e aí começa uma amizade inesperada...
Ainda não vi o filme, mas fiquei absolutamente rendido face ao magnífico trailer: filmado com superior bom gosto, uma fotografia belíssima que realça a tonalidade verde da paisagem, inexistência de diálogos e música intimista do projecto The Bony King of Nowhere - um jovem belga cantor de folk.
Aliás, mais do que um trailer, este é quase um videoclip com imagens do filme. A relação entre a bela e melancólica canção e as imagens provoca logo um estímulo emocional e despoleta no espectador um imaginário sobre a possível história daqueles adolescentes. Vale a pena escutar o resto das músicas do filme aqui.
Aliás, mais do que um trailer, este é quase um videoclip com imagens do filme. A relação entre a bela e melancólica canção e as imagens provoca logo um estímulo emocional e despoleta no espectador um imaginário sobre a possível história daqueles adolescentes. Vale a pena escutar o resto das músicas do filme aqui.
Raramente um simples trailer me pressionou tanto para ver o filme o mais rapidamente possível:
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Kim Novak
Admito a minha ignorância (nem sempre "sei demasiado" como sugere o título do blog): desconhecia que a actriz Kim Novak ainda era viva. Daí a minha surpresa ao vê-la, exuberante, no festival de Cannes. Novak tem actualmente 80 anos bem preservados e deslocou-se a Cannes para ser homenageada pela sua interpretação da loura fria (então com 25 anos) no mítico "Vertigo" (1958) de Alfred Hitchcock (filme que foi projectado em cópia restaurada).
Kim Novak fez aparições fugazes no cinema até 1991, mas desde há muitos anos que se dedica à pintura e vive tranquilamente com o seu segundo marido na costa do Pacífico.
sábado, 18 de maio de 2013
Cannes ao rubro
É algo completamente inédito nos anais do mais importante festival de cinema do mundo: o festival de Cannes vai só com dois dias e já regista dois acontecimentos improváveis: um roubo de jóias que seriam usadas pelas celebridades (facto que imita a história do filme de Sofia Coppola exibido um dia antes!) e disparos de arma de fogo que interromperam abruptamente uma entrevista com o actor Christoph Waltz.
Que mais poderá acontecer?
domingo, 14 de abril de 2013
Um documentário original
Li no semanário Expresso sobre este documentário que irá ser exibido no festival de cinema IndieLisboa. Chama-se "Leviathan" e retrata a pesca comercial no Atlântico Norte. Está filmado com câmaras digitais GoPro (à prova de água) e que permitem ângulos e planos nada convencionais.
Trata-se de um documentário que tem recebido os maiores elogios da crítica pela forma original como está filmado, pela extraordinária sonoplastia e pelo conteúdo duro e drástico.
O trailer deixa antever, de facto, um documentário deveras singular:terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
A história do The Pirate Bay
Peter Sunde, Fredrik Neij e Gottfrid Svartholm. Três jovens que marcaram a história da Internet ao criarem o famoso site de partilha de ficheiros The Pirate Bay. Durante alguns anos, este foi um dos sites mais utilizados para partilhar milhões de ficheiros (sobretudo áudio e vídeo) por utilizadores à escala global, sempre com a questão dos direitos de autor em causa (copyright).
Há uns anos, as autoridades processaram os fundadores e deste facto surgiu este documentário "TPB AFK: The Pirate Bay Away from Keyboard".
Realizado por Simon Klose durante 4 anos, o documentário reflecte a vida dos fundadores e toda a complexidade legal sobre o conflito entre os defensores da Internet livre e os defensores arreigados do copyright. O filme teve estreia no dia 8 de Fevereiro no Festival de Berlim e, nesse mesmo dia, ficou disponível gratuitamente na Internet (fazendo jus ao espírito livre do The Pirate Bay).
Inclusivamente, já tem legendas em português (como neste vídeo em baixo).
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Almas silenciosas na Rússia
Há filmes assim: que surgem diante dos nossos olhos sem praticamente sabermos referências anteriores, como que vindos do nada. Surgem de rompante e deleito-me e espanto-me perante tamanha eloquência e beleza na simplicidade.
Neste caso, trata-se de um filme que nem sequer estreou comercialmente nas salas, vem de um país longínquo (Rússia) e de um realizador desconhecido (Alexei Fedorchenko). O filme tem o título poético "Silent Souls" e foi considerado um dos melhore filmes do festival de Veneza de 2010 (venceu o Grande Prémio do Júri do Festival).
Claramente imbuído da estética e sensibilidade russas, "Silent Souls" emerge como um belo manifesto sobre o sentido da vida à luz de uma cultura tão forte como a russa. Um filme cuja curta duração (75 minutos) é suficiente para transmitir sentimentos contraditórios e agridoces. Superiormente realizado e fotografado, com uma banda sonora belíssima, "Silent Souls" é um deleite visual que vive das mais profundas e genuínas emoções humanas.
Nota breve: Este filme teve em mim o mesmo impacto que outro belo filme russo: "O Regresso" (2003) de Andrei Zvyagintsev.
Trailer.
Neste caso, trata-se de um filme que nem sequer estreou comercialmente nas salas, vem de um país longínquo (Rússia) e de um realizador desconhecido (Alexei Fedorchenko). O filme tem o título poético "Silent Souls" e foi considerado um dos melhore filmes do festival de Veneza de 2010 (venceu o Grande Prémio do Júri do Festival).
Um homem pede ajuda a um amigo para uma cerimónia fúnebre da sua esposa morta segundo uma antiga tradição da cultura Meria, uma antiga tribo que vivia à beira do Mar Negro. Os dois homens, porém, não conseguem deixar que o sentimento de perda vença a batalha contra a tradição...
O filme aborda a (in)capacidade de vencer a dor da morte e de vivenciar o luto em toda a sua plenitude. O realizador Alexei Fedorchenko constrói um mosaico de belas e silenciosas passagens emolduradas sob o frio tenebroso de uma Rússia em constante estado de mutação social. Memórias, passado e presente, vida e morte, solidão e amor, são alguns dos pilares desta obra.Claramente imbuído da estética e sensibilidade russas, "Silent Souls" emerge como um belo manifesto sobre o sentido da vida à luz de uma cultura tão forte como a russa. Um filme cuja curta duração (75 minutos) é suficiente para transmitir sentimentos contraditórios e agridoces. Superiormente realizado e fotografado, com uma banda sonora belíssima, "Silent Souls" é um deleite visual que vive das mais profundas e genuínas emoções humanas.
Nota breve: Este filme teve em mim o mesmo impacto que outro belo filme russo: "O Regresso" (2003) de Andrei Zvyagintsev.
Trailer.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Um cineasta raro
O Lisbon & Estoril Film Festival tem no seu programa um secção denominada "Cineastas Raros". Um desses cineastas raros e fascinante é Artavazd Pelechian (nasceu em 1938), realizador arménio praticamente desconhecido (mesmo do público cinéfilo).
Tive a ocasião de conhecer o seu trabalho há uns anos devido a uma edição em DVD das obras documentais (1967 - 1993) de Pelechian (edição Costa do Castelo).
Tive a ocasião de conhecer o seu trabalho há uns anos devido a uma edição em DVD das obras documentais (1967 - 1993) de Pelechian (edição Costa do Castelo).
Pelechian é de facto um cineasta raro pela forma como encena e constrói os seus filmes (recorrendo a filmagens mas também a imagens de arquivo), pela linguagem cinematográfica que utiliza e pela forma como nos revela o mundo. O seu cinema documental assenta numa grande poesia das imagens e numa utilização magistral da música, a par de uma montagem que acompanha as ambiências musicais. O realizador considera indissociáveis a imagem e a música como elementos que dão ritmo e coerência estética ao seu trabalho.
Os seus filmes centram-se no homem e na sua relação íntima com a natureza. Para o realizador arménio, a natureza é o laço que une todos seres. Os filmes de Pelechian revelam-nos a consciência humana através de uma sensibilidade única. Não terá sido por acaso que Godard referiu uma vez que Pelechian é um dos maiores cineastas vivos.
Uma das suas obras mais aclamadas é "Seasons", na qual Pelechian aborda os costumes da sua terra e a ligação que une o homem com a natureza. Há momentos de pura poesia visual nos seus filmes e é um cineasta que urge conhecer.
Site oficial de Artavazd Pelechian.
Site oficial de Artavazd Pelechian.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
O homem duplicado em "Copy Shop"
Widrich Virgil é um realizador e artista multimédia austríaco que tem sido galardoado com dezenas de prémios internacionais por todo o mundo. E não admira que assim seja, uma vez que o seu trabalho é deveras original e de grande qualidade artística.
É talvez mais conhecido pela sua fantástica curta-metragem de animação "Fast Film" (2003), que fazia a evocação da memória do cinema através de imagens icónicas da Sétima Arte. No entanto, há quem prefira (como eu) o seu filme "Copy Shop" realizado dois anos antes (2001). Trata-se de uma curta-metragem de apenas 11 minutos em que cada minuto transpira inovação e frescura. De ideias e de concepção estética.
É talvez mais conhecido pela sua fantástica curta-metragem de animação "Fast Film" (2003), que fazia a evocação da memória do cinema através de imagens icónicas da Sétima Arte. No entanto, há quem prefira (como eu) o seu filme "Copy Shop" realizado dois anos antes (2001). Trata-se de uma curta-metragem de apenas 11 minutos em que cada minuto transpira inovação e frescura. De ideias e de concepção estética.
Basicamente, "Copy Shop" conta a história de um homem (que trabalha numa loja de fotocópias) e que, inesperadamente, fotocopia a sua própria mão. A partir deste incidente, o homem cria clones atrás de clones até ao desenlace fatal. Sem diálogos e recorrendo a um trabalho visual incrível, Widrich Virgil constrói uma narrativa surreal e desconcertante, de um grande cuidado plástico e com uma narrativa fluída. Este filme pode ser interpretado como uma crítica à monotonia da actividade do homem moderno; ou uma crítica aos modelos de ficção padronizados de Hollywood...
"Copy Shop" fartou-se de ganhar prémios em festivais internacionais (entre os quais, o Prémio do Júri no festival IMAGO da Covilhã) e chegou a estar nomeado aos Óscares na categoria "Live Action Short". E não espanta, porque este filme é de uma qualidade rara.
"Copy Shop" fartou-se de ganhar prémios em festivais internacionais (entre os quais, o Prémio do Júri no festival IMAGO da Covilhã) e chegou a estar nomeado aos Óscares na categoria "Live Action Short". E não espanta, porque este filme é de uma qualidade rara.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Ver filmes no PUFF
Só o nome deste festival de cinema é um achado: PUFF - Portugal Underground Film Festival. Vai decorrer em duas cidades longe de Lisboa e do Porto: Portimão e Fundão.
Eis a informação:
O PUFF é um festival internacional de cinema com um conceito inovador em Portugal: o PUFF não se realiza apenas num local, mas sim em várias cidades nacionais em simultâneo (que não Lisboa e Porto), promovendo assim uma descentralização do acesso à cultura.
Eis a informação:
O PUFF é um festival internacional de cinema com um conceito inovador em Portugal: o PUFF não se realiza apenas num local, mas sim em várias cidades nacionais em simultâneo (que não Lisboa e Porto), promovendo assim uma descentralização do acesso à cultura.
O PUFF pretende trazer a Portugal uma nova forma de "olhar" filmes diferentes, alternativos e experimentais, inéditos em Portugal.
Sendo que o "projeto mãe", 1P2L Produções Independentes tem por objetivo principal o de promover Portugal como local ideal de rodagem, este festival pretende, por um lado, trazer filmes diferentes a um público que não tem acesso a eles habitualmente, mas também o de mostrar Portugal como país variado às equipas estrangeiras que vêm ao festival para promover os seus filmes.
O festival
O PUFF quer trazer a Portugal todo o tipo de filmes ditos "underground". Produções alternativas, experimentais de ficção ou documental, curtas ou longas, que dificilmente chegariam às salas num percurso convencional.
O PUFF pretende "correr" o país por várias cidades anualmente num período médio de 10 dias no início do mês de Junho. Essas cidades terão as mesmas projeções, mas com agendamentos diferentes.
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Mais informação aqui.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Godard, 1960
Jean-Luc Godard numa entrevista rara no início da sua carreira como realizador. Corria o longínquo ano de 1960 e Godard apresentava a sua obra revolucionária da "Nouvelle Vague" - "O Acossado" ("A Bout de Souffle") no festival de Cannes.
Godard, então um jovem aparentemente impassível (sentado quase imóvel e de óculos escuros), responde às perguntas (algumas provocadoras) do jornalista, revelando uma grande dose de ironia e clareza de pensamento (mesmo quando responde "não sei").
Chamo a atenção para o último minuto da entrevista, na qual o realizador francês, muito ao seu estilo iconoclasta, diz: "Espero que consiga desiludir o público no meu segundo filme para que não possam confiar em mim nunca mais."
domingo, 27 de maio de 2012
Cannes - todos os trailers
O jornal SOL resolveu facilitar a vida de muito cinéfilos e colocou online todos os trailers dos filmes em competição no festival de Cannes (que hoje termina). Os trailers podem ser vistos aqui.
(Imagem de "Amour" de Michael Haneke, que acabou de ganhar a Palma de Ouro!)
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Cannes: a mais elevada expectativa

Se dúvidas houvessem, o festival de Cannes aí está para confirmar que é o melhor e mais competitivo festival de cinema do mundo. Não há realizador – por mais ou menos veterano que seja – que não queira estrear e competir em Cannes. Prova disso é (à semelhança do ano anterior) a extraordinária lista de realizadores que competem à almejada Palma de Ouro.
Convenhamos: em 21 títulos ter filmes de cineastas como Haneke, Loach, Kiarostami, Reygadas, Resnais, Salles, Cronenberg, Mungiu, Audiard ou Carax, é passar um esplêndido e inequívoco atestado de qualidade ao mais alto nível a esta edição de Cannes. Mais uma vez, Cannes volta a ser uma fabulosa montra do melhor cinema contemporâneo num patamar da mais elevada categoria artística e expectativa. E perante tantos realizadores de renome, tentar adivinhar quem levará a Palma de Ouro é arriscar no total escuro.
-----Eis a lista da Competição:
“Amour”, Michael Haneke
“The Angels' Share”, Ken Loach
“Baad el mawkeaa”, Yousry Nasrallah
“Beyond the Hills”, Cristian Mungiu
“Cosmopolis”, David Cronenberg
“Holy Motors”, Leos Carax
“The Hunt”, Thomas Vinterberg
“Killing Them Softly”, Andrew Dominik
“In Another Country”, Hong Sang-soo
“In the Fog”, Sergei Loznitsa
“Lawless”, John Hillcoat
“Like Someone in Love”, Abbas Kiarostami
“Mud”, Jeff Nichols
“On the Road”, Walter Salles
“The Paperboy”, Lee Daniels
“Paradies: Liebe”, Ulrich Seidl
“Post tenebras lux”, Carlos Reygadas
“Reality”, Matteo Garrone
“Rust and Bone”, Jacques Audiard
“Taste of Money”, Im Sang-soo
“You Haven't Seen Anything Yet”, Alain Resnais
“Amour”, Michael Haneke
“The Angels' Share”, Ken Loach
“Baad el mawkeaa”, Yousry Nasrallah
“Beyond the Hills”, Cristian Mungiu
“Cosmopolis”, David Cronenberg
“Holy Motors”, Leos Carax
“The Hunt”, Thomas Vinterberg
“Killing Them Softly”, Andrew Dominik
“In Another Country”, Hong Sang-soo
“In the Fog”, Sergei Loznitsa
“Lawless”, John Hillcoat
“Like Someone in Love”, Abbas Kiarostami
“Mud”, Jeff Nichols
“On the Road”, Walter Salles
“The Paperboy”, Lee Daniels
“Paradies: Liebe”, Ulrich Seidl
“Post tenebras lux”, Carlos Reygadas
“Reality”, Matteo Garrone
“Rust and Bone”, Jacques Audiard
“Taste of Money”, Im Sang-soo
“You Haven't Seen Anything Yet”, Alain Resnais
domingo, 4 de março de 2012
Salaviza sobre Malick

Na noite dos Óscares participei num chat online da revista Visão no qual os cinéfilos eram convidados a darem a sua opinião sobre os filmes concorrentes à estatueta dourada. Nesse chat participou, durante um período de tempo específico, o jovem realizador português João Salaviza, recentemente galardoado com um prémio no festival de cinema de Berlim. Salaviza, num tom sempre cordial e simpático, lá foi manifestando as suas opiniões sobre os problemas do cinema português e sobre os filmes nomeados aos Óscares.
A páginas tantas, questionado por alguém acerca da sua opinião sobre o filme "The Tree of Life" de Terrence Malick, o realizador respondeu: "Detestei o filme. 'The Tree of Life' está para o cinema como os livros de Paulo Coelho estão para a literatura". Esta opinião algo radical provocou algumas reacções de espanto e gerou uma troca de argumentos de parte a parte.
Na verdade, se dúvidas houvesse, aqui está mais uma prova de como o filme de Terrence Malick dividiu (e continua a dividir) fortemente as opiniões, gerando defensores incondicionais e detractores acérrimos (seja em cinéfilos, seja em realizadores). Agora não sei é se a comparação com os livros de Paulo Coelho não será, deveras, algo despropositada...
sábado, 18 de fevereiro de 2012
O cinema português em Berlim

A consagração de dois jovens cineastas portugueses no Festival de Cinema de Berlim é extroardinária. Os prémios e elogios críticos aos filmes "Rafa" de João Salaviza, e "Tabu" de Miguel Gomes, são a prova de que o cinema português é altamente considerado lá fora, apesar de todas as dificuldades de se expressar cá dentro (e não só pelos aspectos financeiros derivados da falta de apoio estatal). O caso de Salaviza é ainda mais singular, depois de ter sido premiado há três anos em Cannes pela curta-metragem "Arena"(aguarda-se pela estreia de Salaviza na longa-metragem).
O cinema nacional tem grande valor e notável capacidade de reinvenção artística, não apenas com estes dois realizadores, mas também com outros que (ainda) não foram suficientemente promovidos e divulgados. Há um número considerável de boas promessas que só precisam de mais apoio e consideração para revelarem todo o seu talento.
Para já, parabéns a João Salavisa e ao Miguel Gomes (que eu gostava muito de ler quando escrevia crítica de cinema no jornal Público).
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