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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Seamus Murphy e PJ Harvey

Depois de conhecer o trabalho do fotógrafo Seamus Murphy numa exposição, PJ Harvey convidou o artista para realizar os vídeos de todas as doze canções deo álbum “Let England Shake” (2011). Seamus não possuía nenhuma experiência com vídeos ou música, mas aceitou o desafio. Com experiência na reportagem fotográfica de áreas de conflito actual (sobretudo Médio Oriente), o fotógrafo foi escolhido para realizar um complemento visual ao magnífico disco de Polly Jean Harvey. Seamus Murphy nasceu em 1959 na Irlanda e actualmente vive em Londres. Durante duas décadas foi fotojornalista na Europa, Médio Oriente, Ásia, África e América Latina.
Inspiradas em cada uma das 12 composições do disco de PJ Harvey, Seamus Murphy realizou uma curta-metragem de complemento visual à música. Os filmes contêm imagens de uma viagem de carro feita por Seamus Murphy um pouco por toda a Inglaterra, procurando retratar alguns aspectos do país, bem como situações reais e espontâneas no contacto com as pessoas e as suas vidas. Desta forma, estes dois artistas colaboraram em conjunto para criar algo diferente e que pudesse mostrar a visão de ambos sobre o país e o povo inglês, numa série de mini filmes inspirados nos temas de “Let England Shake“. São retratos bastante intuitivos, envolvendo declamações de versos das canções, imagens da cantora e da sua banda a tocar, misturando imagens de uma Inglaterra bucólica, misteriosa e antiquada/moderna. Um acompanhamento que se funde de forma mágica e acaba por complementar o trabalho dos dois artistas de forma surpreendente.
O fotógrafo explica: “Eu fiz estas doze curtas-metragens para acompanhar as doze músicas de PJ Harvey, mas nunca quis interpretar o álbum, mas sim captar qualquer coisa da sua atmosfera e da sua força. Quis olhar para o enigma da Inglaterra, para a sua mentalidade e a sua difícil relação com a história do passado. Fi-lo como uma viagem que se tornou numa espécie de diário de paisagens e de sensações”. Não sei se Seamus Murphy, essencialmente fotógrafo, irá no futuro continuar a trabalhar como realizador depois desta experiência. Mas nada surpreenderia que assim fosse, dada a qualidade plástica do trabalho já consumado.
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Todos os 12 pequenos filmes estão editados em DVD e publicados no Youtube. De toda a série de curtas-metragens, a minha favorita é esta:

sábado, 12 de março de 2011

Anna Calvi: beleza e talento

A cantora e guitarrista Anna Calvi tem concentrado a atenção de muita gente nos últimos meses. O seu brilhante álbum de estreia, "Anna Calvi", editado recentemente, é um belo manifesto musical entre o rock, o blues e a pop, naquilo a que os críticos designam, com razão, uma espécie de inebriante mistura de PJ Harvey e Patti Smith.
Mas uma coisa é certa: o seu crescente êxito não teria a mesma expressão se Anna Calvi apenas fosse dona de uma notável voz e autora de boas canções. É que Anna pugna, também, por um look altamente fotogénico e de uma sofisticação plástica assinalável, como comprovam as imagens em baixo.
Em suma: beleza e talento sempre constituiu uma fórmula de sucesso ao longo da história da cultura popular.



domingo, 7 de março de 2010

Mais um músico suicida


Morrissey revelou, em Novembro de 2009, já ter pensado no suicídio no passado. O músico considera-o um acto "honrado". Num programa da BBC Rádio 4, o vocalista disse que já tinha pensado em controlar a sua própria morte: "Penso que a auto destruição é um acto honrado. Sempre pensei que fosse. É um acto de grande controlo, e compreendo aqueles que o cometem. Tenho um fascínio pela brevidade da vida e como as pessoas utilizam o seu tempo, porque todos conhecemos a verdadeira queda", disse Morrissey.
Não sei se Mark Linkous (na imagem) leu estas declarações de Morrissey sobre o suicídio. Seja como for, não seria necessário lê-las para tomar a derradeira decisão de acabar com a existência de livre vontade. Mark Linkous, líder e vocalista da banda Sparklhorse, colaborador de Tom Waits e PJ Harvey, cometeu suicídio a noite passada.
Mais um músico a engrossar a lista de "mártires suicidas" da cultura pop.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

100 álbuns da década

Está a chegar o fim do 2009 e a consequente febre do balanço dos melhores discos, livros & etc do ano. Alguns jornais até já são mais ambiciosos e antecipam as listas dos "melhores" da década. É o caso do New Musical Express, que acaba de publicar uma especial reportagem dedicada aos 100 melhores álbuns da última década. Como o NME é um jornal musical praticamente vocacionado para a divulgação da música pop-rock, não é de admirar o sentido das escolhas. Sobretudo as que dizem respeito aos 10 primeiros lugares:
1- "Is This it" - The Strokes
2- "Up the Bracket" - The Libertines
3- "XTRMNTR" - Primal Scream
4- "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not" - Arctic Monkeys
5- "Fever to Tell" - Yeah, Yeah, Yeahs
6- "Stories from the City, Stories from the Sea" - PJ Harvey
7- "Funeral" - Arcade Fire
8- "Turn On The Bright Lights"- Interpol
9- "Original Pirate Material" - The Streets
10- "In Rainbows"- Radiohead
Depois de ver esta lista nem tive vontade de ver os outros 90 álbuns (é que pessoalmente só colocaria o álbum dos Arcade Fire ou dos Radiohead neste top 10).

sexta-feira, 3 de abril de 2009

PJ Harvey vs. Leão

Afinal, Rodrigo Leão já não vai fazer música para o novo filme do David Lynch mas vai colaborar com uma figura artística não menos sonante: PJ Harvey. Depois de Beth Gibbons, vocalista dos Portishead, e o pianista e compositor japonês Ryuichi Sakamoto – ambas colaborações registadas no disco "Cinema" (2004) - o músico que já fez parte dos Sétima Legião e dos Madredeus, vai colaborar com a diva do rock indie PJ Harvey. E hoje não é dia das mentiras...

sexta-feira, 27 de março de 2009

PJ Harvey


E já agora, o novo disco de PJ Harvey e John Parish - "A Woman a Man Walked By" - , também se encontra para ouvir e descarregar neste belo sítiozinho.

sábado, 3 de janeiro de 2009

PJ Harvey ou Floribela?

Por vezes a informação televisiva deixa-me surpreendido. Por boas e más razões. Neste caso que falei aqui, a reportagem da RTP revelou não só bom gosto como manifestação de modernidade comunicacional. Ontem aconteceu um misto destas coisas numa reportagem da SIC sobre vestidos (a propósito da tomada de posse do presidente Barack Obama). A peça jornalística começa muito bem com excertos do magnífico videoclip "Dress" de PJ Harvey. Pensei: uma excelente música apropriada para sonorizar a reportagem. Eis quando, sem nada o fazer prever, o jornalista borrou a pintura e a PJ Harvey calou-se para dar entrada a... Floribela! É certo que o título da canção era "Vestido Azul", mas misturar, abruptamente, a sofisticação de PJ Harvey (e uma das suas melhores canções) com a frivolidade de uma figura como Floribela é de bradar aos céus. Não teria sido bem melhor terminar a peça só com a música "Dress"? Sorte que o Tony Carreira ou o Toy não têm canções sobre vestidos (ou será que têm?), senão também tinham sido incluídas na reportagem...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Pascal Comelade


O músico francês Pascal Comelade mantém há mais de 20 anos uma carreira única e original no panorama musical europeu. A sua música é concebida e executada, quase exclusivamente, com o recurso a instrumentos de brincar – bateria, piano, trompete, viola – que se compram vulgarmente nos supermercados. A utilização destes brinquedos sonoros outorga uma sonoridade lúdica à música de Comelade, apesar da seriedade e variedade do reportório interpretado: blues, rock, tango, valsa, pop, country, música circense ou de cabaret. Em suma, uma música encantatória e sedutora como poucas.
Acaba de sair o seu mais recente disco, “The No Dancing”, título satírico, dado que a sua música é altamente dançável. Aliás, como é seu apanágio, os títulos das canções são sempre irónicos e imaginativos. “The No Dancing” é um magnífico disco que conta com a especial colaboração de quatro grande nomes da música contemporânea (cada um dentro do seu género): PJ Harvey, Robert Wyatt, Jac Berrocal (trompetista) Jaki Liebezeit (fundador dos Can). Basta ouvir o primeiro tema do novo álbum para o ouvinte ficar irremediavelmente seduzido pelo ambiente festivo criado por Comelade e músicos convidados. Para descarregar o disco é favor clicar aqui. E aqui fica uma magnífica demonstração do que é um concerto ao vivo de Pascal Comelade, que até mete um "tocador de palhinha" e tudo!