terça-feira, 8 de março de 2011

Harold Lloyd nos 40 anos da sua morte




Quando falamos de comédia burlesca do cinema mudo invocam-se, inevitavelmente, dois nomes fundamentais: Charles Chaplin e Buster Keaton.
No entanto, há um terceiro artista que raramente é equiparado, em qualidade e prestígio, aos outros dois: Harold Lloyd. Fez cerca de 200 filmes nas décadas de 10 e 20 e desenvolveu um estilo de comédia que misturava Chaplin (o lado desastrado e humanista) e Keaton (pela destreza física na concretização das proezas cómicas). O seu filme mais conhecido foi "O Homem Mosca" (1923), no qual Harold desempenhava impressionantes acrobacias que desafiavam a gravidade.
O seu look aparentemente ingénuo - óculos pretos redondos, chapéu de palha e fato justo - outorgou-lhe uma identidade muito própria.
Hoje comemoram-se 40 anos da morte de Harold Lloyd e, para assinalar a data e a grandeza deste subvalorizado comediante, aqui ficam alguns dos seus melhores momentos (em formato "gag") que marcaram a comédia dos primeiros tempos do cinema cómico americano:
A Fnac tem à venda um pack de DVD com os melhores filmes de Harold Lloyd.

Clássicos do Cinema em BD para Pessoas com Pressa #12

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"Blue Valentine" - Salvar o amor

De quando em vez o cinema independente americano brinda-nos como pérolas como "Blue Valentine" (título retirado de um álbum de Tom Waits).
Um filme que escapa à lógica previsível dos melodramas comerciais de Hollywood e nos revela, com desarmante e cru realismo, o apogeu e a desintegração amorosa vividos por um jovem casal. Dois personagens - superiormente interpretados por Michelle Williams (nomeada ao Óscar) e Ryan Gosling - dão vida a uma relação em que o amor é substituído pela desolação dos sentimentos e pelo desmoronar dos sonhos. Um argumento simples e directo, filmado com total brilhantismo e sem recorrer aos lugares-comuns do género.
Magistralmente bem montado (com flashbacks que se encaixam na perfeição no ritmo narrativo), o realizador Derek Cianfrance construiu, em tons melancólicos e serenos, uma sólida e fascinante história sobre o amor nos tempos modernos. Um amor que se dissolve sem remissão fruto da lassidão do casal, da ausência de entrega, do desnorte causado pela monotonia quotidiana que nem o amor por uma pequena filha pode salvar.
"Blue Valentine" tem como banda sonora a música do grupo Grizzly Bear, que contribui para criar todo o ambiente de encantamento e ruptura emocional que o filme transporta para o espectador.
E como um bom filme termina apenas no fim dos créditos, vale a pena apreciar o notável trabalho gráfico do genérico final, feito de explosões de cores e sons, como que a sublimar as contradições sentimentais por que passou o casal protagonista.
Para já, um dos pequenos-grandes filmes de 2011.

sábado, 5 de março de 2011

Luis Buñuel


Um amigo meu, Gaspar Garção, escreveu, no âmbito da disciplina de Jornalismo, uma brilhante dissertação sobre a vida e obra do realizador espanhol Luis Buñuel, porventura um dos mais consagrados e originais cineastas europeus de sempre. O referido texto foi publicado numa prestigiada revista de cultura do Brasil.
Vale muito a pena ler para quem não conhece muito do trabalho do autor de "Viridiana".
Aqui.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Filme de qualidade


Quando era miúdo e passava ao lado da única sala de espectáculos onde se expunham os velhinhos e básicos cartazes de cinema, intrigava-me uma informação que por vezes lia. Naquele tempo, essa única sala de cinema exibia apenas filmes decadentes de kung-fu (se calhar o Tarantino não lhes chamaria assim!) ou de "Western Spaghetti" de terceira categoria. Essa informação a que me refiro diz respeito à designação que na altura gozavam certos filmes: "Filme de Qualidade".
Como referi era um miúdo e o pouco que conhecia de cinema não me permitia retirar conclusões concretas sobre o que era, efectivamente, um "filme de qualidade". Seria um género cinematográfico que se distinguia de todos os restantes? Quais os critérios que definiam e identificavam essa qualidade num filme?
Só com o passar do tempo e algum aconselhamento de amigos mais velhos me apercebi do que significava o selo de qualidade num filme. Selo que há muitos anos deixou de fazer sentido no seio do marketing dos filmes.
Houve, no entanto, um dia em que reparei num filme que ostentava esse selo "Filme de Qualidade" e que mudaria para sempre a minha relação com o cinema: "Apocalypse Now". Os antigos cartazes de cinema, mostrando uma imagem pequena (e muitas vezes degradada) do filme, foram suficientes para me fazerem comprar o bilhete e assistir à reposição da obra-prima de Francis Ford Coppola.
E a verdade é que, a partir do visionamento de "Apocalypse Now", não precisei mais de reparar nas classificações dos filmes para compreender do que falamos quando falamos de um filme de "qualidade".

quinta-feira, 3 de março de 2011

Não há outro filme como este

Discos que mudam uma vida - 134


É um dos meus discos de jazz preferidos de sempre: “The Lounge Lizards” (1981) pelos The Lounge Lizards. Banda de jazz sui generis, constituída por um naipe de notáveis músicos: o saxofonista John Lurie (que viria mais tarde a fazer música para filmes de Jim Jarmusch), o seu irmão Evan Lurie (piano e órgão), o baterista Anton Fier (saído da seminal banda de rock The Feelies) e o guitarrista Arto Lindsay (com experiência no rock subversivo do movimento No-Wave).
Todos construíram um jazz de indiscutível modernidade estética, numa fusão que deve tanto à atitude punk como a Charlie Parker, ao swing ou ao free-jazz. “The Loung Lizards” tem temas curtos e incisivos, de insuspeita criatividade rítmica e melódica, nos quais o saxofone de Lurie toma rédea solta e a guitarra eléctrica assanhada de Arto Lindsay imprime um cunho de inovadora sofisticação estética.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Macy é Edmond


O que poderia acontecer se uma cartomante nos dissesse: "Você não pertence a esta vida." O protagonista do filme "Edmond" (2005), um vulgar homem de negócios com uma vida pouco estimulante e monótona, de seu nome Edmond, dá uma resposta possível: perturbado com a sentença, chega a casa, diz à mulher que vai sair para não mais voltar. E assim faz. Começa a deambular pelas ruas de Nova Iorque, cheias de tentações e perigos ao virar da esquina.
Edmond empreende uma viagem existencial à procura de um sentido de libertação espiritual, à procura de sensações de energia e adrenalina que o façam sentir... vivo.
Sexo, crime, violência, desespero, descontrolo emocional - um calvário terreno até à expiação dos pecados finais. Ecoam por esta película uma simbiose de laivos de "Fight Club" ou de "Eyes Wide Shut". É como se Edmond se culpasse por viver uma vida vazia, absorta, ausente.
Edmond é interpretado pelo excelente actor William H. Macy. Aliás, todo o filme é suportado pela performance de Macy.
"Edmond" passou completamente ao lado do panorama cinematográfico de Portugal (nem teve estreia nacional), mas vale a pena conhecê-lo. Fez furor quando, no ano de estreia, passou pelo festival de Sundance.
O realizador Stuart Gordon - conhecido sobretudo pelo singular filme de terror gore "Re-Animator" (1985) -, faz par com o notável argumentista e realizador David Mamet. Mamet sabe contar uma história como ninguém - uma história quase sempre com contornos que desafiam a lógica narrativa habitual, com elementos assaz surrealistas e muito bem engendrados. Nota-se a cada passo que a escrita é de Mamet, nos diálogos truculentos, nas situações narrativas criadas, na sátira social, nas personagens no limite do abismo.
Veja-se este diálogo:
Glenna: You know who I hate?
Edmond: No, who is that?
Glenna: Faggots.
Edmond: Yes, I hate them too. Do you know why?
Glenna: Why?
Edmond: They suck cock. And that's the truest thing you will ever hear.

terça-feira, 1 de março de 2011

Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Bloggers de Cinema [Mas Teve Medo de Perguntar]

O Teatro Municipal de Faro no seu exercício de abertura à comunidade que o rodeia, decidiu abrir a outros olhares, a concepção da sua própria actividade – a programação artística – através do projecto “Carta Branca”.

Anabela Moutinho, Presidente do Cineclube de Faro, inaugura este projecto e apresenta no Teatro Lethes um ciclo de cinema, onde se propõe revelar “Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Bloggers de Cinema [Mas Teve Medo de Perguntar]”.

De 1 a 5 de Março, o Teatro Lethes, será invadido por cinco bloggers de cinema e pelas suas escolhas de filmes, que serão apresentados diariamente às 21h30, sendo que no Sábado dia 5 de Março, terá lugar uma mesa-redonda com a presença dos cinco bloggers:

Ricardo Vieira Lisboa - Breath Away
Carlos Natálio
- Ordet
Chico
- My One Thousand Movies
Victor Afonso - O Homem Que Sabia Demasiado
Cristina Marti
- Dias Felizes

SINOPSE:

São os blogs de cinema o novo palco da crítica cinematográfica? Qual a especificidade desse meio face às vias tradicionais? O que confere qualidade a um blog de cinema? É legítima a partilha de ficheiros de filmes? Subversão, conversão ou inversão? Resistência, dissidência ou academismo? Numa palavra: usam os bloggers de cinema uma boina à Che Guevara, boné com pala para trás ou chapéu de coco? Venha descobrir por si, a partir dos filmes por eles escolhidos e do encontro ao vivo com cada um.

PROGRAMA:

Dia 1 21h30 "Wendy & Lucy" - Kelly Reichardt, EUA, 2008, 80' escolha de Ricardo Vieira Lisboa

Dia 2 21h30 "Luz Silenciosa" - Carlos Reygadas, México, 2007, 136' escolha de Carlos Natálio

Dia 3 21h30 "Tetro" - Francis Ford Coppola, EUA, 2009, 127' escolha de Chico

Dia 4 21h30 "Vem e Vê" - Elem Klimov, URSS, 1985, 145' escolha de Victor Afonso
Dia 5 14h30 "História(s) do Cinema" - Jean-Luc Godard, França, 1998, 268' escolha de Cristina Marti

Dia 5 21h30 Mesa-Redonda com os 5 bloggers

Mais informações, aqui.

Winning

Joey (to Jake La Motta, explaining the strategy of fighting to the title): "You understand? If you win, you win. If you lose, you still win!"

Clássicos do Cinema para Pessoas com Pressa #11

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